quarta-feira, 10 de julho de 2013

Assombração

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Lula já se reuniu com jovens líderes ligados ao PT e desenhou uma assombração: é a "direita" que está borrando a imagem do Brasil no exterior e esborrachando a de Dilma internamente.

Não que Lula não enxergue e não critique os erros na economia, a inabilidade política da pupila e a competência do governo, mas ele precisa construir um culpado, já que ela não pode ser a culpada. Comprometeria a eternização no poder.

Ok. Os críticos são sempre "adversários", adversários são "da elite" e a elite que incomoda é "de direita". A isso a gente já está acostumado. Mas o que é, quem é e que cara tem essa tal nova "direita"?

Democracias comportam tendências de esquerda, centro e direita. Os conservadores estão ganhando ousadia, até impondo uma pauta-retrocesso no Congresso, da "cura gay" ao "Estatuto do Nascituro" e ao cheiro de CPI do aborto no ar. Nada disso, porém, está dando certo, especialmente depois dos protestos de rua. Aliás, a marcha dos evangélicos encolheu 40% em relação a 2012.

E os partidos aliados reclamam de barriga cheia, as empreiteiras estão felizes da vida com Copa e Olimpíada (e jogando um bolão com Lula), os bancos sentiram a marretada nos juros, mas vêm de anos de lucros recordes e esfregam as mãos com o recrudescimento da Selic. Mais: se há alguém feliz com Dilma, é a cúpula do agronegócio.

Que outra "direita" teria organização e discurso capazes de pôr um milhão e meio de pessoas nas ruas contra tudo e contra todos?

Só restaria a Lula carimbar de "direita" a garotada, a classe média, os idosos e os internautas que exigem transporte, educação, saúde, segurança e, sobretudo, respeito. Uma péssima ideia dele, logo quando a cúpula do PT planeja fazer o inverso: infiltrar seus militantes nos movimentos independentes.

A assombração, portanto, não mete medo em ninguém.


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O Brasil e a espionagem norte-americana

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O DISCURSO CONVENIENTE E A OPÇÃO PELO MAL - RESPOSTA À MARILENA CHAUÍ.

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Prezada professora Marilena Chauí, 

Permita-me uma breve apresentação: sou alguém que jamais estudou filosofia ou história, que nunca fez nenhum tipo de “mestrado cheeseburger” (ou doutorado sanduíche,como vocês aí da USP dizem) e – agora prepare-se para o pior – alguém que acredita em Deus! Não se ofenda portanto, professora, se invoco este mesmo Deus, já nas primeiras linhas, com a esperança de que me ilumine na gigantesca tarefa de questioná-la.

Não passo de um simples médico que mora em Porto Alegre. Aos 43 anos de idade, profundamente magoado com o que se tornou a Medicina no Brasil eu me tornei um “trabalhador da saúde” e estudo Filosofia como forma de consolo.

Nos anos 80 e 90 li muitos de seus artigos. Tenho uma boa noção do que venha a ser ideologia, repressão sexual e discurso competente no âmbito da sua obra.

Algum tempo atrás a senhora proferiu uma palestra em que chamava a classe média de São Paulo de “sinistra”. Mais recentemente, tornou-se disponível na internet um vídeo em que a senhora chama a imprensa brasileira de “obscena” - imagino eu que em função da cobertura dada à Ação Penal 470.

Sabendo que a senhora é profunda conhecedora de Spinoza, faço minhas as palavras dele quando o mesmo diz que “nada estimo mais, entre todas as coisas que não estão em meu poder, do que contrair uma aliança de amizade com homens que amem sinceramente a verdade”.

É sobre este assunto - a verdade - que vamos tratar, a senhora e eu,nestas rápidas linhas. Gostaria de começar discutindo a história do Brasil num período em que a senhora me parece especialista – aquele que vai de 1964 a 1985. Imagino que o mais importante e que deve ficar claro para todos os seus alunos, é que em 1964 vivíamos em plena democracia tratando-se de uma grande mentira dessa imprensa “obscena” afirmar que,desde 1961, integrantes das chamadas Ligas Camponesas estavam fazendo treinamento terrorista em Cuba e voltando para o Brasil.

Penso também que quando tratamos da fundação do Partido dos Trabalhadores, devemos buscar sua origem na famosa reunião do Colégio Sião em São Paulo no ano de 1980; nunca no absurdo promovido pelo General Golbery do Couto e Silva quando em 1967 resolveu prender alguns de seus amigos e colegas de ensino superior na Ilha Grande junto com marginais comuns. Dessa reunião genial surgiram duas grandes instituições brasileiras – uma foi o Partido ao qual a senhora pertence; a outra o Comando Vermelho.

A senhora deve lembrar desse ano, professora..1967 pertence a uma década em que um colega seu da Alemanha, Herbert Marcuse, encontrou nos marginais um “potencial revolucionário até então ignorado”Mas, não quero causar constrangimento e por isso vou mudar de assunto. Pegunto-lhe, com toda sinceridade, se é verdade ou não que o CNPQ transformou-se, a partir de 2003, no CNPQ do B, professora..Alguns amigos meus insistem com essa acusação. 
Afirmam que alguns dos seus pupilos passaram a frequentar esta que a senhora deve considerar atualmente uma das “melhores universidades do mundo” - a New York University (NYU). Saem de lá com teses tão importantes para Universidade Brasileira que a nossa chamada “cultura superior” nunca mais vai ser a mesma. 

Suponho a existência de trabalhos maravilhosos e até fantasio com alguns títulos. Assim, vislumbro a existência de algum PhD que desenvolveu o tema “A influência da masturbação feminina no interior de São Paulo no processo de globalização neoliberal” ou “Poluição Ambiental e preconceito de Gênero no Grande ABC”.
Parabéns, professora, são todos frutos seus..Sustentados pelo governo brasileiro, esses novos intelectuais passam 4 semanas em NY. Durante 3 delas, nada mais fazem do que tomar café em grandes copos de isopor e puxar o saco de professores gays, ateístas ou afro-americanos (de preferência as 3 coisas juntas) que, ao contrário dos MEUS verdadeiros amigos gays, ateístas ou afro-brasileiros são sustentados pela versão americana do PT – O Partido Democrata, este lixo que faz questão de destruir dia a dia através do New York Times, da ONU e das ONGS ecológicas tudo aquilo que a América construiu e conserva de bom.

Para terminar, outro tema que me intriga é este “tal de mensalão” que a senhora chamou de “distorção produzida pela Ditadura (imagino que seja a de 64; não a de Chaves ou Castro) no campo da política” fazendo ainda questão de dizer que o “mensalão não é uma questão de moral”..

Sobre moral, professora, não tenho condições para discutir com a senhora. Quero porém esclarecer porque, já que não desejo “ofende-la” considerando-a uma pessoal imoral. Eu jamais vou afirmar que a senhora é uma pessoa imoral, porque eu a considero em outros termos. A senhora, depois de tudo que estudou na vida, depois da importância que alcançou no meio intelectual brasileiro, depois de ter emprestado sua imagem para eleger aquele que representava a última esperança para um povo como o nosso – esta aberração chamada Luís Inácio Lula da Silva – é uma pessoa AMORAL.

Tudo aquilo que a senhora escreveu nos anos 80 e 90 foi por água abaixo professora, e agora pertence ao lixo da história. Seus livros, que antes eu encontrava nas grandes livrarias, agora estão mais disponíveis em sebos porque a senhora, até para quem é leigo em filosofia e historia não passa de uma grande charlatã a serviço do partido mais criminoso de toda história política brasileira.

É o PT, professora, quem diz o que é certo e errado para senhora. É ele quem define o seu conceito de moral e foi ele quem mudou todo o seu discurso. A senhora não tem mais nenhuma salvação, minha cara professora. Seu discurso é o conveniente; sua opção foi pelo mal.

Porto Alegre, 31 de janeiro de 2013

cardiopires@gmail.com


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segunda-feira, 8 de julho de 2013

A Irmandade Petista quer ser, a um só tempo, a força da ordem e da desordem

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A manchete da VEJA.com não poderia ser mais eloquente: “Dilma apela ao PT para recompor base na Câmara”. Como? A presidente é obrigada a fazer um apelo a seu próprio partido, que tem nas mãos, sei lá, uns 70% do governo que realmente conta? Sim, é bom deixar claro: o loteamento existe; a fisiologia existe; o toma-lá-dá-cá com partidos da base existe, mas quem fica com o filé-mignon é mesmo o petismo. Ou respondam:

- quem comanda os maiores orçamentos da Esplanada dos Ministérios?;
- quem está na secretaria-executiva de muitas pastas que estão apenas nominalmente nas mãos de outros partidos?;
- quem dá as cartas na economia?;
- quem faz, se quiser fazer, as escolhas estratégicas?

Com tudo isso, Dilma se vê na contingência de ter de “apelar” ao PT? É evidente que o partido decidiu medir forças com a racionalidade, disputando a alma da presidente. Por enquanto, infelizmente, está ganhando. Vejam a pantomima da Constituinte e do plebiscito, por exemplo. O que foi aquilo? 

Em sua mais recente resolução, nesta quinta, o Diretório Nacional do PT está convocando seus militantes a ir para as ruas, a engrossar os protestos, a aderir a um dia de greve geral ou sei lá o quê. Os petistas, em vez de se comportar como o partido do poder, o partido da ordem, decidiram disputar o espaço das ruas, como se lá se decidissem os rumos da institucionalidade. 




É uma sandice, um contrassenso, um absurdo. E a presidente, inexperiente, vamos convir, em disputa democrática, está entrando nessa. Fazer o quê? Ela tem uma história intelectual, não é?, que vem de um agrupamento clandestino de esquerda, que praticava atos terroristas. “Lei” e “ordem”, na perspectiva revolucionária, encarnam necessariamente forças da reação.

O PT nunca escondeu que o modelo institucional que aí está — democracia representativa, independência entre os Poderes, liberdade de expressão, imprensa livre — não é o seu ponto de chegada! Nada disso! Para eles, essas questões são apenas instrumentos de um ponto ligeiramente além do de partida. É com eles que pretende chegar ao verdadeiro modelo, que dispensa essas, digamos, delicadezas burguesas. Daí que frequentemente se depreenda dos textos que escrevem que estão ainda na fase do “acúmulo de forças”.

“Ah, Reinaldo, isso é só retórica; mera cascata pseudo-revolucionária…” Pode até ser assim em tempos de paz… Se, no entanto, os ânimos se acirram, como vemos, a rapidez com que escolhem o caminho da irresponsabilidade é espantosa. Esses celerados têm a ambição de ser, a um só tempo, o partido da ordem e o partido da desordem, de modo que esta possa ser usada em favor daquela — que será, então, uma ordem muito particular: a ordem petista.

Foi assim que tudo começou. No dia 13 de junho — aquele do confronto entre manifestantes e a Polícia Militar em São Paulo — os petistas acharam que se abrira uma janela de oportunidades para levar o governo Alckmin às cordas. E fizeram a aposta na desordem. O tiro saiu pela culatra, e um país com mais insatisfações acumuladas do que possa expressar com clareza, foi cair no colo de Dilma.

Em vez de apostar no entendimento, a Irmandade Petista prefere acirrar as contradições.

domingo, 7 de julho de 2013

Fera ferida, por Mary Zaidan

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Desde que a inflação começou a mostrar dentes cada vez mais afiados e o incômodo grito de descontentes tomou as ruas, tornou-se praticamente impossível manter os disfarces que encobriam o autoritarismo e a soberba da presidente Dilma Rousseff.

Se mesmo em tempos de popularidade recorde, de Brasil grande, de massas manobradas, já era difícil aturar a fera, agora aliados e o próprio PT já não escondem o desalento nem a ira. Nessa ordem, ou vice-versa. Até o padrinho Lula sumiu.

Lançada à sua própria sorte e sem vislumbrar qualquer chama tênue capaz de clarear o fim do túnel, Dilma tem se superado na brabeza. Na quinta-feira, ao sentir seu poder de mando ameaçado, sua fúria foi tamanha que ela obrigou o vice Michel Temer e o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo a desdizerem o dito óbvio, feito horas antes, sobre a inviabilidade de se realizar às pressas um plebiscito e uma reforma política válida para as eleições de 2014.

A emenda se mostrou pior que o soneto. Assim como o remendo para consertar a equivocada Constituinte exclusiva que a presidente lançara, o pito só fez desafinar ainda mais uma orquestra que ela jamais conseguiu reger; que a engoliu, mas nunca gostou da sua batuta.

Quando fecha os olhos, Dilma deve sonhar com um batalhão de Guidos Mantegas a lhe sussurrar cantigas de roda enquanto o funk pega firme lá fora.
Mantega, o ministro da Fazenda do país imaginário, que no seu faz-de-conta insiste em dizer que o Brasil vai crescer 3%, a inflação não escapará da meta e as contas públicas estão equilibradas. Que, mesmo vendo o IPCA bater em 6,7%, comemora, como criança que ganhou um doce, a inflação quase zero dos alimentos. Que anuncia a suspensão parcial da desoneração para a linha branca poucos dias depois de a presidente dar crédito para os beneficiários do Minha casa, minha vida na compra de geladeira, fogão e máquina de lavar. Que não tem pudor em dizer que impostos podem subir.

Como se vê, não é só por teimosia que Dilma quer Mantega. Ele a afaga.

Também não se pode dizer que é teimosia da presidente a insistência no plebiscito. Bem ou mal, o tema lhe é bastante útil – senão o único – para tergiversar, para tentar escapar do centro do furacão.

Seguindo o script da marquetagem, Dilma diz ter ouvido a voz das ruas, que crê na “inteligência do povo brasileiro”; que “não é daqueles que não acredita que o povo é incapaz de entender [o plebiscito] porque as perguntas são complicadas”.

Se algum faro tivesse, saberia que as ruas continuam lhe dizendo o inverso. Complicadas, Dilma, não são as perguntas, mas as respostas que o governo insiste em dar.



(Mary Zaidan - Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2013/07/07/fera-ferida-por-mary-zaidan-502643.asp)
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sábado, 6 de julho de 2013

O CENTENÁRIO DE UMA BESTA

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SENADO FEDERAL
SECRETARIA-GERAL DA MESA

3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
54ª LEGISLATURA

Em 4 de julho de 2013
(quinta-feira)
SENADO FEDERAL

A Presidência comunica às Senadoras e aos Senadores que será realizada Sessão Especial no dia 8 do corrente, segunda-feira, às 11 horas, destinada a comemorar o centenário de nascimento do político e guerrilheiro Carlos Marighela, nos termos dos Requerimentos 738 e 1.096, de 2012; 152 e 405, de 2013.




Ao comemorar no dia 08 de julho com pompas e circunstâncias em Sessão Especial, o centenário do nascimento de Carlos Marighela, o Senado Federal nos desnuda abertamente o cenário caótico em que vivemos.

Provavelmente, busca agradar à cúpula do desgoverno.

Todos conhecem a tumultuada trilha de terror patrocinada e vivenciada pelo desumano terrorista e, conscientemente, todos abominam semelhante figura que viveu para banhar de sangue a nossa terra.

É incrível a desfaçatez destas autoridades parlamentares, que não se envergonham de prestar uma deferência ao abominável terrorista, que protagonizou e incentivou a luta entre irmãos.

O que pode esperar uma sociedade em que integrantes da mais Alta Corte Legislativa realizam atos para cultuar um terrorista? A figura é reconhecida pelo seu emprego das armas a qualquer custo para alcançar seus objetivos.

Certamente, o sentimento das pessoas que têm um mínimo de senso deve ser de horror.

Os parlamentares poderiam em “en petit comité” bebericar doses de uísque em seu louvor, tudo em segredo, tudo em surdina, mas qual, a desfaçatez é tamanha, que cuspindo na sociedade ordeira, determinam uma homenagem onde deveriam ser preservados os mais altos valores nacionais.

Sim, necessitamos de uma reforma política, ou melhor, de um mutirão de faxina, pois ao creditarmos o nosso destino político e o futuro da Nação a uma corja de abomináveis, capazes de entronizar um marginal como o Marighela, sem dúvida, merecemos afundar na lama da vergonha.

Marighela foi o ícone dos terroristas que proliferaram no País durante décadas, exatamente aqueles que assaltaram, sequestraram e aterrorizaram, e não serão investigados pela Comissão da Verdade.

Porém, para aqueles que se debruçaram sobre a vida do bandido, sabem que a sua conduta e egoísmo pessoal, por diversas vezes, felizmente, foi o causador de cisões nas hostes subversivas.

O seu “Minimanual do Guerrilheiro Urbano” que incentivava a realização de qualquer tipo de violência revolucionária foi transformado na bíblia dos terroristas. E nele afirmava que “o guerrilheiro tem de estar sempre consciente de que ele só pode viver se estiver desejoso de matar”.

Com o documento “Questões de Organização”, ele preconizou, entre outros, “os efeitos mais contundentes nas ações terroristas, para maior impacto emocional na população”, sem levar em conta o possível efeito negativo (?) de tais ações sobre a mentalidade da população brasileira.

Assim, vemos com estupor o Senado homenagear um homem que gostava de matar, e se comprazia em incentivar que jovens fizessem o mesmo, pois de comum acordo, Cuba e Marighela haviam chegado à conclusão de que o desencadeamento da luta só seria possível se o seu braço armado saísse do meio estudantil.

Eis o homem que a nossa mais Alta Corte Legislativa houve por bem, em ato público, demonstrar a sua admiração e o seu respeito.

Uma inversão de Valores? Um espanto? Uma tristeza? Uma vergonha?

Não sabemos, mas é simples assim, acredite se quiser.

Brasília, DF, 06 de julho de 2013,

Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira 




(Fonte: http://www.averdadesufocada.com/index.php/poltica-interna-notcias-103/8869-060713-o-centenario-de-uma-besta)

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Tratamento pioneiro testado na Santa Casa é alternativa contra a depressão

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Cristina Zelante, 58, não parecia se encaixar no diagnóstico de uma pessoa com depressão. Tinha dois filhos adultos e era dona de um escritório de arquitetura, uma floricultura e uma loja de roupas, que ficavam no mesmo prédio no bairro de Pinheiros.


Em 2008, teve o que chamou de surto: estava dirigindo e, sem saber o porquê, não conseguia tirar o pé do acelerador. O carro foi batendo em outros veículos da rua. Era a doença dando indícios. Depois desse episódio, decidiu fechar os negócios. Saía de casa poucas vezes, quase sempre a pedido dos filhos, e logo voltava para o quarto. Ficou cinco anos em depressão.

"Era uma tristeza, eu não conseguia mais fazer as coisas. Passei três anos no meu quarto. Antes eu me achava muito forte, dizia: 'Eu não vou ter depressão, criei dois filhos após uma separação!'".

Cristina Zelante, 58, participou de um tratamento contra a depressão na Santa Casa de São Paulo. Ainda em testes, a técnica tem apresentado resultados positivos

Com os medicamentos usados para tratar a doença, gastava cerca de R$ 900 por mês. Os remédios davam dor de cabeça, formigamento e a deixavam com a visão turva. "Eu estava enlouquecida".

Quem vê Cristiana hoje não tem ideia que há poucos meses a empresária tinha receio de sair de casa até para ir ao mercado. Falante, sorridente e vaidosa, ela se descreve como uma nova pessoa. O motivo da mudança? Um tratamento pioneiro e inédito contra a depressão que está sendo testado na Santa Casa de São Paulo.

ETCC

Chamado de Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC), a proposta terapêutica é relativamente simples: uma corrente elétrica de baixa intensidade é aplicada através do couro cabeludo, e facilita a atividade neuronal em áreas onde está a atividade inibida e inibe em áreas em que a atividade está exagerada, melhorando o quadro de depressão.

A empresária está em tratamento há dois meses com o médico Pedro Shiozawa, autor da pesquisa. Como ela, mais de 50 pessoas vieram de diversas regiões do Brasil para participar dos testes em São Paulo, geralmente incentivados pela família --há pessoas de estados como Pernambuco e Paraná.

"Há só sete trabalhos publicados no mundo sobre depressão, e 10% da população brasileira sofre com a doença", diz Shiozawa. "Dos depressivos tratados ambulatorialmente, só 70% respondem. E tomarão remédio para sempre, e com frequência terão outro episódio depressivo em 10 anos", continua.

A técnica inovadora ainda está em fase de testes, mas o médico se diz animado com as respostas. O tratamento deve ser apresentado no Conselho Federal de Medicina ao fim do ano para aprovação. "Temos uma taxa de sucesso de 70% a 80%. Daqui a cinco anos vai estar no SUS", diz Shiozawa, confiante.

MAIS BARATO

Uma das principais vantagens deste tratamento é a redução de custos. Além do aparelho custar muito menos do que outros (como o de estimulação magnética) e poder ser usado diversas vezes, diferentemente dos medicamentos que precisam ser renovados mensalmente, a técnica é mais sutil e menos cara que outras terapias, como o eletrochoque, que demanda sedação e costuma necessitar a presença de dois médicos e um enfermeiro --sem contar que apresenta risco do paciente ter prejuízos cognitivos.

"É barato, seguro e bastante efetivo", diz, confiante. "Em termos de saúde pública, será algo muito plausível. Mesmo comparando com o remédio mais barato, este tratamento é mais econômico", afirma o médico, que parece preocupado com outro dado da saúde no Brasil: cerca de 50% da população toma algum tipo de psicotrópico.

Em dois meses, os pesquisadores devem começar outro estudo com 150 pacientes em depressão. Desta vez, para comparar com um medicamento considerado um dos melhores do mercado, cujo custo é de cerca de R$ 200 por mês.

"FUI PARA O INFERNO E VOLTEI"

Cristina faz questão de dar entrevistas para divulgar a técnica, dizendo ter esperança de que outras pessoas possam ter a melhora que ela teve. Nos pacientes tratados por Shiozawa, havia casos em que a pessoa com depressão não falava há décadas e aos poucos tem retomado o convívio social.

"Os últimos anos foram terríveis. Fui para o inferno e voltei. Eu andava de qualquer jeito, com qualquer roupa. Tinha vontade de sair de onde estava e ir para o meu quarto", conta Cristina. 

Incentivada pelos filhos, ela fez uma viagem de navio na época em que estava em depressão. Passava todo o dia na cabine e chegava a acordar mais cedo para não cruzar com as pessoas ao tomar o café da manhã.

"Eu era agressiva, brigada com todo mundo. Você perde o senso do ridículo", diz ela, que as poucos tenta retomar a vida.

Se antes Cristina passava o dia dormindo, hoje voltou a pintar, atividade que não exerceu durante os anos da doença. E se só pensava em ficar no quarto, hoje planeja uma reforma. "Aquilo é um buraco. E agora eu estou saindo. Hoje o telefone não para de tocar. A rua não é tão perigosa assim."


(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2013/07/1306798-tratamento-pioneiro-testado-na-santa-casa-e-alternativa-contra-a-depressao.shtml).

O gigante fala dormindo

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O Brasil deu para dizer a si mesmo que mudou. Que nada mais será como antes das manifestações de rua, que agora vai. Que se os governantes e os políticos em geral não entenderem o recado das ruas, estão fritos. É um fanfarrão, esse Brasil.

Qual é mesmo o recado das ruas? Vamos falar a verdade: ninguém sabe. Nem as ruas sabem. Ou melhor: não há recado. O gigante continua adormecido em berço esplêndido — o que se ouviu foi um ronco barulhento, misturado com palavras desconexas. Esse gigante fala dormindo.

Há alguns anos, a imprensa vem contando aos gritos o que está acontecendo com o gigante, sem que ele mova um músculo. E o que está acontecendo é devastadoramente simples: em uma década, o ciclo virtuoso do país foi jogado fora pela indústria do populismo.

A crise das tarifas de ônibus (estopim dos revoltosos) é só uma unha do monstro: o descontrole inflacionário causado pelo derrame de dinheiro público. País rico é país com 40 ministérios.

A economia estabilizada nos anos 90, e a posterior enxurrada de capital para os países emergentes, deram ao Brasil sua grande chance. E ela foi queimada por um governo que investiu tudo numa máquina eleitoral sem precedentes.

Planejamento zero. Investimento quase zero. Infraestrutura abandonada em terra, mar e ar, com trem-bala, Belo Monte e outras assombrações bilionárias encobrindo a realidade: o PAC entregue à pirataria da Delta e quadrilheiros associados. A CPI do Cachoeira chegou a levantar esse véu, mas o gigante não acordou e a CPI foi assassinada (pelo PT e seus sócios).

Os governos Dilma e Lula bateram todos os recordes de arrecadação, com impostos escorchantes (entre os maiores do mundo) que empobrecem os brasileiros e enriquecem o império do oprimido. Nem um gemido das ruas sobre isso.

Dilma anuncia um “pacto” sem nada dentro, e ainda diz que para bancar o recheio do pastel de vento terá que aumentar impostos. É o escárnio. E não aparece nenhum Robespierre da Candelária para mandar a presidente engolir o seu deboche.

Enquanto isso, a maquiagem das contas públicas vai bem, obrigado — com mais um truque contábil no incesto entre o BNDES e o Tesouro, para forjar superávit e legalizar a gastança. É pedra na vidraça do contribuinte, que nada ouve e nada vê. Deve estar na passeata, exigindo cidadania.

Pensando bem, foi o governo popular quem melhor entendeu o recado das ruas: os cães ladram e a caravana passa. Ou talvez: os revoltados passam e a quadrilha ladra.

Para checar se o gigante estava dormindo mesmo, o estado-maior petista chamou um dos seus para ir até o ouvido dele e chamá-lo de otário, bem alto. Assim foi feito.

Como primeira reação oficial às passeatas, Dilma escalou Aloizio Mercadante para dizer ao povo que ele ia ganhar um plebiscito. E que com esse plebiscito, ele, o povo, ia fazer a “reforma política” (o Santo Graal dos demagogos). Claro que o governo sabia que isso era uma troça, uma piada estilo “Porta dos fundos”. Tanto que caprichou nos ingredientes.

Para começar, a escolha criteriosa do porta-voz. No governo da “presidenta”, cercada de ministras mulheres por todos os lados, a aparição do ministro da Educação — cuja pasta não tinha nada a ver com nada (nem reforma política, nem plebiscito, nem transportes, nem orçamento, nada) — já seria impactante.

E não era qualquer ministro. Era o famoso Mercadante, figura tostada em casos como o dossiê dos aloprados e a “renúncia irrevogável” da liderança do PT no Senado, quando o partido decidiu acobertar o tráfico de influência de Sarney (Mercadante revogou sua própria renúncia em menos de 24 horas).

E o porta-voz foi logo anunciando um “plebiscito popular”, só faltando dizer que era uma decisão de “governo governamental”. Enfim, um quadro de “Zorra total”.

Com toda essa trágica palhaçada gritada em seu ouvido, o gigante permaneceu estático. Sono profundo. Nem um “basta”, nem um “#vem pra rua”, nem um “que m... é essa”. Depois daquele incrível ensaio de Primavera Árabe (ou seria Inverno Tropical?), com milhões nas ruas em todo o território nacional, o Brasil revolucionário mordeu a isca como um peixinho de aquário. E está até agora discutindo, compenetradamente, o plebiscito popular e irrevogável do Mercadante. Contando, ninguém acredita.

O país se zangou, foi para as ruas, tuitou, gritou, quebrou e voltou para casa sem nem arranhar quem lhe faz mal. O projeto de privatização política do Estado, que corrói a sociedade e seu poder de compra, está incólume. A prova disso? A popularidade de Dilma caiu, mas quem surgiu nas pesquisas para 2014 vencendo a eleição no primeiro turno, e escolhido “o mais preparado para cuidar da economia nacional”? Ele mesmo: Luiz Inácio, a nova esperança brasileira.

Ora, senhor gigante: durma bem! Mas, por favor, ronque baixo. E pare de bloquear as ruas com seus espasmos inconscientes.




(Guilherme Fiúza - Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2013/07/06/o-gigante-fala-dormindo-502542.asp#.UdhyQ2w7rCQ.facebook)
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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Vamos virar o jogo! Que venham as Forças Armadas!!

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Algumas pessoas, ao verem esta minha postagem, vão me perguntar se enlouqueci. Não enlouqueci não! Só não estou vendo outra saída para a pouca-vergonha atual.

Movimentos na rua contra abusos e corrupção enquanto Ministros voam em aviões da FAB para assistir jogos de futebol e ir a casamento, levando noivas, parentes, amigos e familiares e, quando descobertos, se oferecendo para devolver uma quantia irrisória ou, pior ainda, dizendo que o cargo lhes dá o direito?!?!

Cadê o respeito pelo povo, por nós? Dilma querendo nos enrolar com um plebiscito? Reforma Política? E o resto? E a Saúde, a Educação, a Segurança, a Corrupção, o Transporte Público, cadeia para os mensaleiros e a volta da Inflação???

A crença na impunidade e na falta de memória do povo é absoluta. Eles acreditam que, ganhando tempo, o movimento acabará por arrefecer e que ficará “Tudo como dantes no Castelo de Abrantes". Eles tem certeza de que nunca perderão o "puder de nos fuder"! Eles não estão nem aí para as nossas manifestações e nem temem o povo!

Chegamos a um ponto onde não existe mais a possibilidade de, com o voto, mudarmos muita coisa. Eu, inclusive, não tenho a menor confiança nas tais urnas eletrônicas, tendo em vista que já foi amplamente comprovada a possibilidade de haver fraude.

Contra os bandidos que temos no poder e com as armas que eles hoje possuem, a nossa única salvação é conseguir o apoio das Forças Armadas para retirá-los de lá. Não se esqueçam de que estamos lutando contra ex-guerrilheiros, que já provaram com seus antecedentes que, pelo poder, não hesitarão em voltar a pegar em armas.

Chega!!! Urutu nas ruas!!! Fora com esta corja!! Que venham os Militares!

Socorro, Forças Armadas!!!


Berenice Ribeiro



(Opinião do Blog)
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quinta-feira, 4 de julho de 2013

A Arte de Ser Avó

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Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...

Quarenta anos, quarenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações - todos dizem isso embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são os filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.


E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino seu que lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avó, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...

No entanto - no entanto! - nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do garoto. Não importa que ela, hipocritamente, ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer roquetes, tomar café - café! -, mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com o lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó, e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...


Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém, esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!

E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade...

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague...



(Rachel de Queiroz - 
O brasileiro perplexo, 1964)
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Carta à presidente Dilma

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Excelentíssima Sra. Presidente da República Dilma Rousseff,


Permita-me a apresentação: na minha opinião, eu sou um médico, na sua, um “trabalhador da saúde”. Na minha opinião, medicina é cuidar de pessoas doentes, na sua, é fazer “transformação social”. Eu penso em salvar vidas, a senhora em ganhar votos. Como podemos ver, a senhora e eu, não temos muito em comum à primeira vista, mas existem na minha vida alguns fatos que a senhora desconhece. Assim como a senhora, eu já fui marxista – e dos fanáticos! Brigava com colegas da faculdade no final dos 80 e início dos anos 90 para ver seu projeto de poder realizado. Caminhei ao lado daquele seu amigo que gosta de uma cachacinha e costuma ser fotografado com livros de cabeça para baixo. Conversei pessoalmente com o “poeta do sêmen derramado” que agora governa o Rio Grande do Sul.

Não tinha idéia correta daquilo que havia acontecido no Brasil entre 1964 e 1985. Imaginava, como a senhora quer fazer parecer até hoje, que tudo estava indo bem até que militares malvados que não tinham nada para fazer decidiram, com ajuda dos americanos, derrubar o governo brasileiro.

Eu só me dei conta, presidente, de quem Lula, a senhora e seu partido-religião representavam quando comecei a trabalhar com a gente de vocês aqui em Porto Alegre a partir de 98. Duvido que eu estivesse mal-preparado, sabe? Eu já tinha feito 6 anos de faculdade, um ano de residência em pediatria, um de medicina interna e dois de cardiologia. Gostaria que a senhora visse em que lugar seus “cumpanheros” aqui dos pampas me colocaram para trabalhar... Imagino a senhora doente naquelas condições de segurança, higiene, espaço e administração que a ralé do PT do Rio Grande do Sul nos ofereceu. A senhora tem idéia de como deve se sentir um médico ao ter seu estágio probatório avaliado por técnicos de enfermagem? A senhora sabe o que é receber, depois de tudo que se estudou na vida, ordens de enfermeiras, presidente? Em nome de quê? Em nome de um delírio chamado “democratização da gestão”? Em nome de um absurdo chamado “controle social”? A senhora tem alguma noção de quantas pessoas eu vi morrerem depois que esse seu partido de assassinos e mensaleiros terminaram com o resto da rede hospitalar brasileira “aparelhando” a gestão dela com uma legião de analfabetos, recalcados, alcoólatras e incompetentes, que por oferecer uma parte de seu salário ao PT, passaram a dar ordens a homens e mulheres com capacidade de salvar vidas?

Mas por favor, não fique ofendida comigo, presidente, de certa forma essa carta é um agradecimento, sabe? Formado há quase 20 anos, eu nunca havia visto os médicos brasileiros tão unidos quanto agora. É mais um mérito seu e desse seu partido: promover a maior humilhação que os médicos de um país sofreram até hoje! A senhora não tem vergonha de apelar para uma ditadura bananeira, um país que mata, tortura, prende e vigia seus próprios cidadãos, para fornecer médicos para o SEU próprio povo? A senhora é brasileira, ou não, presidente Dilma? Se não tem vergonha da medicina do seu país, tenha pelo menos do seu povo! A senhora nasceu aqui e a primeira pessoa que lhe viu foi provavelmente um médico do Brasil. Provavelmente vai ser algum colega, intensivista como sou hoje, quem vai estar ao seu lado no último momento e mesmo assim a senhora quer chamar médicos cubanos para enganar nossa gente pobre e doente a ponto de garantir sua reeleição? Quem lhe deu esse conselho, presidente Dilma? Identifique por favor, um por um, os médicos que lhe cercam e sugeriram semelhante idéia! A senhora e eu já conhecemos alguns, não é? Vamos apresentar os demais ao Conselho Federal de Medicina, ou não?

Presidente Dilma, até bandidos e prostitutas se ofendem quando tem seu território e ganha pão ameaçados. Nós somos médicos, nós salvamos vidas e não vamos permitir que uma profissão cuja origem se perde no tempo seja levada ao fundo do poço por um partido como o da senhora com o argumento de que estamos sendo corporativistas e o Brasil está sem médicos.

Deus lhe proteja na batalha que vai enfrentar conosco, presidente. Se a senhora for ferida vai precisar ser atendida por um médico – e eu duvido muito que ele fale português.


Porto Alegre, 2 de julho de 2013


Milton Simon Pires é médico (CREMERS 20.958).



(Fonte: http://www.midiasemmascara.org/artigos/governo-do-pt/14284-carta-a-presidente-dilma.html#.UdWXjU1lnf4.facebook)

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sábado, 29 de junho de 2013

O Brasil é a Ditadura!

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Democracia é segurança do direito!


O povo brasileiro não tem segurança do direito, nem coletiva nem individualmente. Logo, o Brasil é Ditadura!


Vigora no Brasil um regime ditatorial garantidor, apenas, das vantagens da classe política. É a “nobreza da sarjeta”, locupletando-se a custa do povo.


Esse pacto de escravidão dos brasileiros foi firmado por Geisel e concretizado por João Figueiredo, que entregou o Poder do Estado à classe política, sem aprimorar as instituições.


O processo eleitoral é viciado. Os seus mecanismos não garantem a liberdade de escolha do eleitor. Por isso, a eleição, que deveria ser democrática, é o “Cassino do Al Capone”, com as cartas marcadas.


É por isso, que Sarney se esbalda, Collor foi cassado, mas está de volta, e os petistas no poder enriqueceram, à custa do povo brasileiro.


Para manter sua ditadura contra o povo brasileiro, os políticos dividiram a sociedade em castas: raças, cotas, ricos, pobres, sem terra, índios, quilombolas, etc...


De repente, as pessoas acordaram; foram às ruas e exigiram os seus direitos, em pleno festim, do circo da FIFA.


A presidente foi vaiada no “circo” por 60 (sessenta) mil pessoas.


As manifestações explodiram pelo Brasil, em mais de 400 (quatrocentos) municípios, não só contra as tarifas, mas exigindo Democracia e Respeito.


Apavorada, a presidente reuniu-se com “luminares” da República, para redigir um texto espumoso, que leu, com ares de boa moça, prometendo o que já deveria ter cumprido, com o Lula, em 10 (dez) longos e terríveis anos de desgoverno petista. Não convenceu ninguém!


Em vez de proferir promessas vazias, Dª Dilma deveria, por exemplo, impedir o contrabando de minérios, porque o Brasil é lesado, diariamente, em bilhões de dólares, em desvios de minérios estratégicos. Caso Sua Excelência não saiba, deveria saber, porque a presidência não é cargo para inocentes ou desinformados.


Resta o protesto. Toda energia, que a sociedade catalisou com os protestos nas ruas, em todo o Brasil, precisa ser aproveitada pela Nação, para abolir a escravidão, imposta pelos governantes e pela classe política.


ABAIXO A DITADURA!



(Antônio José Ribas Paiva, Advogado, é Presidente da Associação dos Usuários de Serviços Públicos. - Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net)
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A Arrogância ajoelhada

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“O Brasil sempre foi pilhado pelas elites, moral e financeiramente. Mas o PT institucionalizou essa prática. E, pior, a democratizou”



Embora os cartazes dos manifestantes apontem e as condenem, as mazelas foram causadas por uma única e daninha característica: a arrogância das elites do país, que diziam que o país é de todos, mas achavam que era apenas deles.


São os guardanapos dos restaurantes estrelados no exterior, na cabeça de políticos de duvidosa moral, os escarpins de sola vermelha, nos pés das madames deslumbradas com recursos não contabilizados, as frases de desfaçatez, ditas sem receios, como “O SUS está à beira da perfeição”, o “O PT não rouba e não deixa roubar”, ou “A crise aqui é marola”, ou banalizar o crime, chamando-o de falha administrativa, caracterizando o completo desrespeito à inteligência e sensatez alheias.


Foi a arrogância de uma presidente a determinar ser chamada de “presidenta”, quando a sociedade civil, Legislativo, Judiciário, e especialmente a imprensa a chamam como deveria ser, de presidente, termo comum de dois gêneros. Foi a arrogância de um partido que, em seus dez anos no poder, deixou de pensar no futuro, a não ser no seu futuro no poder.


Em tempos de bonança, navegando em mares tranquilos e ventos suaves, especialmente vindos do exterior e apesar da ampla maioria no Congresso, Lula, o estadista às avessas, o líder multiplicado por -1, não fez nenhuma reforma pensando no futuro, esquecendo-se que a tormenta, cedo ou tarde, acabaria vindo. Se as tivesse feito, dando continuidade ao governo anterior, apesar de protestos de quem só quer saber de benesses, seja povo ou elite, não estaríamos no estado em que estamos.


Mas seria querer muito de quem se alia com o que pior existe no país, só para se manter no poder, com a ética e decência jogadas no lixo! E que nunca quis saber de atritos, desde que continuasse nadando sem sobressaltos, gozando dos elogios de seus áulicos e das delícias de seu cartão corporativo, com gastos nunca revelados a quem paga a conta. E mais, muito mais, como os mensaleiros, aloprados, cuequeiros, sanguessugas,....!


Foi a arrogância de um Executivo que tem 39 ministérios e secretarias para propósitos eleitoreiros, e que aparelhou a máquina pública com correligionários não concursados, em detrimento de técnicos de carreira; que distribuiu dinheiro a ONG inidôneas, que nomeou políticos derrotados para cargos públicos, que deu asilo a bandidos internacionais, apoio a ditadores de ideologias perversas e fracassadas, e perdoou dívidas de ditadores africanos.


Foi a arrogância de vassalos e aproveitadores de toda ordem, a chamarem Lula de “nosso guia”, de conhecido lambe-botas, ou o “Lula é Deus”, de sabida e festiva perua, ou a bravata do “mexeu com Lula, mexeu comigo”.


Foi a arrogância do Legislativo, achando que pode tudo, ao se dar aumentos desmedidos, a patrocinar “trens da alegria”, a pagar salários altíssimos a garçons, a nomear cupinchas por atos secretos, a jogar no lixo abaixo-assinado para que Renan saia, ao comprovar verbas indenizatórias com recibos falsos, a reter para si parte de salários de membros de seus gabinetes, do voto secreto, do Conselho de Ética suspeito, do “vício insanável da amizade”, do foro privilegiado, da imunidade e das emendas parlamentares, dos marajás do serviço público, da farra das passagens aéreas no Senado, do plano de saúde vitalício para senadores, ex-senadores e seus familiares, mesmo que tenham exercido o cargo por poucos dias, a desafiar o estado democrático de direito com PECs inaceitáveis, a mais ousada delas a de submeter decisões do STF ao Congresso. E mais, muito mais!!


Foi a arrogância de um sistema eleitoral perverso, com partidos nanicos existindo só para se venderem, com campanhas financiadas por empresas e empresários que sempre retornam para cobrar as faturas, de senadores suplentes sem voto, de um quociente eleitoral canhestro, em que se vota em um e também se elege quem não se quer.


Foi a arrogância do Judiciário, em seus palácios suntuosos, em suas férias exageradas, em sua burocrática processuística, em suas decisões divorciadas da opinião pública, em sua lentidão e bondade para julgar, em seu vergonhoso e retroativo auxílio-alimentação, em suas festas e congresso patrocinados por quem pode ser réu, no uso de camisetas de cervejaria no sambódromo. São o respeito exagerado a agravos e embargos, sabidamente procrastinatórios, para evidentes culpados, as presunções de inocência, o engarrafado trânsito em julgado, os juízes corruptos apenas aposentados, em vez de demitidos e processados como qualquer criminoso, etc, etc, etc.


Foi a arrogância dessas elites pilhando o país, achando-se acima do bem e do mal, desconsiderando, durante todos esses anos, cartas dos leitores e inúmeros artigos nos jornais, revistas e blogs, de vários e renomados articulistas, criticando a frouxidão moral e a forma leviana da condução do país por eles, especialmente por um partido que se arrogava deter o monopólio da ética e se mostrou ser o mais corrupto de todos, nunca antes na História deste país!


Cansado dessa arrogância, desse desrespeito e audácia que causaram todas as mazelas reconhecidas, o povo foi às ruas e os arrogantes estão recolhendo os cacos, temendo pelos seus bens, a maioria incomprovados e alaranjados, trocando o vermelho-orgulho pelo amarelo-vergonha, inclusive nos sorrisos, a soberba pela humildade, a ereção pela ajoelhação, propondo pactos e medidas desesperadas, qual ratos em navio afundando, pois sabem que as reeleições, em todos os níveis, estão como esse mesmo navio, fazendo água por todos os bordos.


Mesmo sabendo que as próximas escolhas e renovações sejam difíceis, com as mesmas figuras lindinhas e garotinhas de sempre, alcançamos, com as manifestações, duas indiscutíveis alegrias contra esses arrogantes e odiosos brasileiros: o nocaute que sofreram, do alto de suas soberbas, jamais imaginando essa reação dos que supunham estarem dominados e anestesiados por migalhas sociais; e a de que agora, reentrando na atmosfera, saberem que nada mais vai ser como até então.


Se assim for e o PT se esfarelar, o Brasil, esse estado democrático e de direito, ressurgirá revigorado, sob o império da ética e do respeito e interesse público. É o que as manifestações querem e os brasileiros de bem esperam!


Fora arrogantes pilhadores do país e roedores das esperanças do bem comum, da inclusão social, da dignidade e decência, de um país verdadeiramente de todos!!!!


Com a alma em festa e a esperança renovada, cantarolo e desfraldo meu cartaz de passeata, escrito com a estrofe da velha, mas inteiramente atual, canção “Como uma Onda”, de Lulu Santos e Nelson Motta:


“Nada do que foi será/ De novo do jeito que já foi um dia...”



(Luiz Sérgio Silveira Costa, Almirante reformado - Artigo no Alerta Total - Fonte: http://www.alertatotal.net/2013/06/a-arrogancia-ajoelhada.html)
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sexta-feira, 28 de junho de 2013

domingo, 23 de junho de 2013

A direção do PT está em pânico.

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A direção do PT está em pânico, diz historiador

Na quarta-feira, enquanto o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) anunciavam, constrangidos, o cancelamento do reajuste no transporte, começava a ganhar corpo no comando do PT a ideia de tomar as ruas no dia seguinte, numa tentativa de reverter a imagem de partido vilão dos protestos.

Uma das marcas dos atos que pipocaram em diversas cidades do país foi o repúdio a qualquer tipo de manifestação partidária durante as passeatas. Algo talvez inédito na história das manifestações políticas brasileiras. Desde o início, foram muitos os depoimentos de censura e agressões contra quem tentasse levantar cartaz ou bandeira de partido político.

Com a presidente Dilma Rousseff e o próprio Haddad entre os principais alvos das manifestações, não é difícil entender porque o PT acabou sendo o mais hostilizado.

Na quinta, conforme o plano petista, alguns grupos de simpatizantes da sigla saíram de vermelho com suas bandeiras para se juntar à manifestação convocada para a avenida Paulista. A ideia era "comemorar" a redução das tarifas. O resultado foi um quebra-quebra entre os manifestantes em que os petistas, justamente por estarem de vermelho, ostentando símbolos da legenda, levaram a pior.

O ato simbólico mais revelador da derrota petista foi protagonizado pelo presidente nacional da sigla, o deputado estadual Rui Falcão, de São Paulo.

Na própria quinta, enquanto militantes da sigla ainda apanhavam na rua, Falcão retirou de sua conta no Twitter a mensagem do dia anterior com a hashtag #OndaVermelha. O chamamento que convocava a militância petista para a reação simplesmente desapareceu.

Antes do conflito das bandeiras na Paulista, o historiador Lincoln Secco, autor de livro sobre a história do PT, já tinha uma conclusão sobre a repercussão dos protestos no interior da legenda: "A direção do PT está em pânico".

"É a primeira vez que o PT precisa enfrentar um movimento de massas", constata Secco. "Embora não seja só contra o partido, é contra ele também. Contra alguns de seus governos. Isso é inédito." O PT, diz Secco, não enfrentou esse tipo de problema em 2005, quando o do mensalão veio à tona, porque os protestos convocados contra o governo Lula "não pegaram".

"Acho que só pelos erros que o Haddad cometeu, isso é um indício que a direção do PT está em pânico. Não sabe o que fazer".

Para o pesquisador, os protestos serão lembrados como um marco para a sigla. "O que se viu nesses dias foi um partido que envelheceu distanciado da juventude, de novos movimentos sociais. Controla os antigos, mas não inova."

Entre os erros de Haddad, Secco cita o fato de o prefeito ter autorizado o aumento da passagem de ônibus antes de cumprir a principal promessa de sua campanha, o bilhete único mensal. Lembra também que, ao ficar dando ênfase para um aumento abaixo da inflação, não percebeu que as pessoas não estavam preocupadas com o índice de preço, mas com o aumento em si, qualquer que fosse o reajuste.

Se há um consolo para o partido, está no fato de não parecer existir no atual cenário político nenhuma sigla concorrente em condições de lucrar com os movimentos que tomaram as ruas.

"A partir de um momento, todos políticos deram declarações elogiosas ao movimento: Dilma, Aécio, Eduardo Campos e Marina Silva. Mas eles não têm condições de ir para a rua e dizer isso. Estão disputando a leitura do movimento, não a direção." 


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terça-feira, 18 de junho de 2013

Na falta da Bastilha, temos a laje.

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À falta de uma Bastilha, para ficar na pretensão das alas autointituladas revolucionárias dos protestos Brasil afora, temos a laje do Congresso Nacional.


Às cenas de aglomeração, vandalismo e repressão policial somaram-se imagens simbólicas da "ocupação" do símbolo do poder central.

Enquanto isso, os governantes demonstram sua dificuldade de compreender a natureza dos atos. Estão atônitos com a marcha.

A frase divulgada pela presidente Dilma Rousseff, é reveladora. São apoiadas, diz Dilma, manifestações pacíficas --típicas de "jovens".


O problema dessa leitura, além de óbvia, é que ela não encontra destinatário. Quem são esses "jovens"? A própria cena no Congresso ontem demonstrava isso: havia queixas sobre praticamente tudo, inclusive o nada.

Isso dificulta a vida do negociador-em-chefe do governo, Gilberto Carvalho, que também havia falado algo genérico sobre a importância de ouvir as "angústias". Acostumado a lidar com movimentos sociais, ele falou para o éter, para o ciberespaço de onde as forças que demonstram parecem ter vindo.

Há o cálculo político. Se em São Paulo o prefeito Fernando Haddad (PT) e, principalmente, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) saem chamuscados do episódio, o Planalto ainda tenta dar um jeito de escapar da linha de tiro dos manifestantes.

Afinal de contas, lidar com os atos é, até aqui, problema dos Estados. Não por acaso, a violenta repressão de quinta-feira passada em São Paulo deixou atordoado o governo Alckmin, que alterna pregações pela ordem com tentativas de contemporização.

Ao dizer que apoia manifestantes pacíficos, Dilma no limite evita pintar um alvo no rosto --embora não irá faltar acusações de uso político visando a conquista de São Paulo no ano que vem; o embate de tucanos com o pré-candidato José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, não é nada casual.

Mas parece difícil: sem uma pauta específica, protestos difusos pelo país tendem a mirar o "Grande Outro", para ficar em linguagem psicanalítica. E o "Grande Outro", no Brasil, trabalha lá mesmo, na praça dos Três Poderes.

(IGOR GIELOW - http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1296754-analise-na-falta-da-bastilha-temos-a-laje.shtml)
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segunda-feira, 17 de junho de 2013

A respeito do vídeo da “Ararinha Rosa da Orelha Alargada”...

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Tenho visto muitos amigos divulgando o vídeo da “Ararinha Rosa da Orelha Alargada” no facebook. Ela fala a verdade quando afirma que os militares também são povo e que eles deveriam se juntar ao povo e lutar por nós. Mas a pergunta que faço é: Lutar contra quem?

Ela acusa “O GOVERNO” a todo tempo, mas me perdoe, “O GOVERNO” é uma instituição, e não tenho visto nenhum manifestante protestar contra QUEM ESTÁ À FRENTE DESSE GOVERNO!

Ela fala que o aumento das passagens foi “a gota d’água” para a paciência acabar, eu mais uma vez pergunto: PACIÊNCIA DE QUEM?

Cinco mil pessoas em São Paulo representam os 20 milhões de habitantes? Foi necessário gastar QUATRO REAIS a mais por mês para a paciência acabar? O Mensalão, o caso Rosegate, a incompetência do Prefeito de São Paulo quando estava a frente da Educação, os desvios na Saúde, as obras do PAC , entre outras tantas coisas não poderiam ter esgotado a paciência dessa gente?

Se o objetivo do protesto como a moça fala é “parar com roubalheira”, precisamos identificar QUEM SÃO OS LADRÕES e exigir a saída dessa gente.

Ela também se diz a favor da saúde, educação e "de tudo" que vai mal por causa de descaso. E mais uma vez eu pergunto: Descaso de quem?

Se o objetivo dos protestos é “colocar a cara a tapa para limpar a sujeira”, eu daria total apoio se tal protesto fosse em frente aos palácios governamentais exigindo a saída dos governantes.

Destruir as instituições, querer “acabar com o governo”, fechar congresso, entre tantas outras sandices proclamadas por essa gente, é EXATAMENTE o que desejam os ratos que estão hoje no poder.

Não se coloca fogo numa casa para acabar com uma “infestação” de ratos no porão, matamos os ratos e preservamos a casa.

Por fim a mocinha faz uma pergunta: “Me fala uma revolução que deu certo sem violência”. 
Gostaria de lembrar que a REVOLUÇÃO REDENTORA DE 1964 foi feita sem que fosse disparado um só tiro. 

A violência (como sempre) começou 4 anos depois, quando grupos de esquerda começaram a realizar atos terroristas que vitimaram dezenas de inocentes. E só para constar, essa “reação” da esquerda não resultou em nada senão em mortes. O processo da redemocratização também foi feito sem conflitos.

Se é isso que a moça deseja, uma reação da população junto com nossas FORÇAS ARMADAS para “extirpar” os comunistas do PT, PCdoB, PSOL, PSTU etc... que estão no comando desta nação, concordo e dou meu apoio.

Caso contrário o que vejo é uma manifestação ORQUESTRADA pelos atuais governantes para que a agenda de domínio esquerdista seja cumprida, e mais uma vez, como uma manada, nossos jovens idiotizados ajudam aqueles que pensam estar lutando contra.

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domingo, 9 de junho de 2013

Percepção das mulheres pesa na queda de Dilma.

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Aumento da inflação assusta o eleitorado feminino de renda mais baixa e traz de volta o medo do desemprego

Alterações no otimismo da população em relação a vetores da economia justificam a queda de popularidade do governo Dilma.

Como indica o Datafolha na pesquisa divulgada hoje, a crescente expectativa sobre o aumento da inflação entre os brasileiros projeta insegurança sobre as outras variáveis do cenário econômico.

Não só o poder de compra dos salários passa a ser relativizado com mais ênfase como também, e principalmente, a sensação de empregabilidade da população começa a sofrer arranhões consideráveis. O pessimismo sobre o desemprego chega ao maior patamar desde dezembro de 2009, resultado que na ocasião refletia ainda resquícios da crise americana sobre o imaginário brasileiro. É o pior desempenho desse indicador desde a posse da petista.

As mudanças mais expressivas de opinião quanto à atuação da presidente são observadas em segmentos com maior acesso à informação. Proporcionalmente, as quedas mais significativas de popularidade do governo Dilma se dão nos estratos mais escolarizados, de maior renda e moradores das regiões metropolitanas.

Mas caso a queda de avaliação do governo se limitasse a essas fortes mudanças localizadas na classe média tradicional, Dilma apresentaria no total da amostra oscilações de popularidade pouco significativas. São conjuntos de pequena participação quantitativa na composição da população em geral.

O que chama mais a atenção na pesquisa é que, dos oito pontos de popularidade que a presidente perdeu, a maior parte é proveniente de conjuntos menos escolarizados e de menor renda, especialmente do Sudeste e Sul. E o mais importante --as mulheres, muito mais do que os homens, deixaram de apoiar Dilma. E quando se focaliza o subconjunto de mulheres de renda mais baixa, essa tendência se potencializa.

Isso talvez porque, segundo a pesquisa, elas, mais do que eles, costumam ir a supermercados e experimentam diretamente no bolso o aumento de preços de diferentes categorias de produtos.

O resultado dessa equação também se estende sobre as simulações eleitorais para 2014. Nesse momento, Dilma perde pontos em todos os cenários propostos e até mesmo na intenção de voto espontânea, mas mantém franco favoritismo principalmente pelo expressivo apoio no Nordeste.

A ideia da reeleição agora depende, primordialmente, do controle da economia para que a percepção de insegurança não se concretize no temor revelado pela população --o desemprego de fato.


(http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/113100-percepcao-das-mulheres-pesa-na-queda-de-dilma.shtml)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O dia em que o Brasil foi salvo.

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Gostaria de dizer algumas coisas sobre o que aconteceu no dia 31/03/1964 e nos anos que se seguiram. Porque concluo, diante do que ouço de pessoas em quem confio intelectualmente, que há algo muito errado na forma como a história é contada. Nada tão absurdo, considerando as balelas que ouvimos sobre o "descobrimento" do Brasil ou a forma como as pessoas fazem vistas grossas para as mortes e as torturas perpetradas pela Igreja Católica durante séculos. Mas, ainda assim, simplesmente não entendo como é possível que esse assunto seja tão parcial e levianamente abordado pelos que viveram aqueles tempos e, o que é pior, pelos que não viveram.

Nenhuma pessoa dotada de mediano senso crítico vai negar que houve excessos por parte do Governo Militar. Nesta seara, os fatos falam por si e por mais que se tente vislumbrar certos aspectos sob um prisma eufemístico, tortura e morte são realidades que emergem de maneira inegável.

Ocorre que é preciso contextualizar as coisas. Porque analisar fatos extirpados do substrato histórico-cultural em meio ao qual eles foram forjados é um equívoco dialético (para os ignorantes) e uma desonestidade intelectual (para os que conhecem os ditames do raciocínio lógico). E o que se faz com relação aos Governos Militares do Brasil é justamente ignorar o contexto histórico e analisar seus atos conforme o contexto que melhor serve ao propósito de denegri-los.

Poucos lembram da Guerra Fria, por exemplo. De como o mundo era polarizado e de quão real era a possibilidade de uma investida comunista em território nacional. Basta lembrar de Jango e Jânio  da visita à China; da condecoração de Guevara, este, um assassino cuja empatia pessoal abafa sua natureza implacável diante dos inimigos.

Nada contra o Comunismo, diga-se de passagem, como filosofia. Mas creio que seja desnecessário tecer maiores comentários sobre o grau de autoritarismo e repressão vivido por aqueles que vivem sob este sistema. Porque algumas pessoas adoram Cuba, idolatram Guevara e celebram Chavez, até. Mas esquecem do rastro de sangue deixado por todos eles; esquecem as mazelas que afligem a todos os que ousam insurgir-se contra esse sistema tão "justo e igualitário". Tão belo e perfeito que milhares de retirantes aventuram-se todos os anos em balsas em meio a tempestades e tubarões na tentativa de conseguirem uma vida melhor.

A grande verdade é que o golpe ou revolução de 1964, chame como queira, talvez tenha livrado seus pais, avós, tios e até você mesmo e sua família de viver essa realidade. E digo talvez, porque jamais saberemos se isso, de fato, iria acontecer. Porém, na dúvida, respeito a todos os que não esperaram sentados para ver o Brasil virar uma Cuba.

Respeito, da mesma forma, quem pegou em armas para lutar contra o Governo Militar. Tendo a ver nobreza nos que renunciam ao conforto pessoal em nome de um ideal. Respeito, honestamente.
Mas não respeito a forma como esses "guerreiros" tratam o conflito. E respeito menos ainda quem os trata como heróis e os militares como vilões. É uma simplificação que as pessoas costumam fazer. Fruto da forma dual como somos educados a raciocinar desde pequenos. Ainda assim, equivocada e preconceituosa.

Numa guerra não há heróis. Menos ainda quando ela é travada entre irmãos. E uma coisa que se aprende na caserna é respeitar o inimigo. Respeitar o inimigo não é deixar, por vezes, de puxar o gatilho. Respeitar o inimigo é separar o guerreiro do homem. É tratar com nobreza e fidalguia os que tentam te matar, tão logo a luta esteja acabada. É saber que as ações tomadas em um contexto de guerra não obedecem à ética do dia-a-dia. Elas obedecem a uma lógica excepcional; do estado de necessidade, da missão acima do indivíduo, do evitar o mal maior.

Os grandes chefes militares não permanecem inimigos a vida inteira. Mesmo os que se enfrentam em sangrentas batalhas. E normalmente se encontram após o conflito, trocando suas espadas como sinal de respeito. São vários os exemplos nesse sentido ao longo da história. Aconteceu na Guerra de Secessão, na Segunda Guerra Mundial, no Vietnã, para pegar exemplos mais conhecidos. A verdade é que existe entre os grandes Generais uma relação de admiração.

A esquerda brasileira, por outro lado, adora tratar os seus guerrilheiros como heróis. Guerreiros que pegaram em armas contra a opressão; que sequestraram, explodiram e mataram em nome do seu ideal. 

E aí eu pergunto: os crimes deles são menos importantes que os praticados pelos militares? O sangue dos soldados que tombaram é menos vermelho do que o dos guerrilheiros? Ações equivocadas de um lado desnaturam o caráter nebuloso das ações praticadas pelo outro? Penso que não. E vou além.

A lei de Anistia é um perfeito exemplo da nobreza que me referi anteriormente. Porque o lado vencedor (sim, quem fica 20 anos no poder e sai porque quer, definitivamente é o lado vencedor) concedeu perdão amplo e irrestrito a todos os que participaram da luta armada. De lado a lado. Sem restrições. Como deve ser entre cavalheiros. E por pressão de Figueiredo, ressalto, desde já. Porque havia correntes pressionando por uma anistia mitigada.

Esse respeito, entretanto. Só existiu de um lado. Porque a esquerda, amargurada pela derrota e pela pequenez moral de seus líderes nada mais fez nos anos que se seguiram, do que pisar na memória de suas Forças Armadas. E assim seguem fazendo. Jogando na lama a honra dos que tombaram por este país nos campos de batalha. E contaminando a maneira de pensar daqueles que cresceram ouvindo as tolices ditas pelos nossos comunistas. Comunistas que amam Cuba e Fidel, mas que moram nas suas coberturas e dirigem seus carrões. Bem diferente dos nossos militares, diga-se de passagem.
Graças a eles, nossa juventude sente repulsa pela autoridade. Acha bonito jogar pedras na Polícia e acha que qualquer ato de disciplina encerra um viés repressivo e antilibertário. É uma total inversão de valores. O que explica, de qualquer forma, a maneira como tratamos os professores e os idosos no Brasil.

Então, neste 31 de março, celebrarei aqueles que se levantaram contra o mal iminente. Celebrarei os que serviram à Pátria com honra e abnegação. Celebrarei os que honraram suas estrelas e divisas e não deixaram nosso país cair nas mãos da escória moral que, anos depois, o povo brasileiro resolveu por bem colocar no Poder.

Bem feito. Cada povo tem os políticos que merece. 

Se você não gosta das Forças Armadas porque elas torturaram e mataram, então, seja, pelo menos, coerente. E passe a nutrir o mesmo dissabor pela corja que explodiu sequestrou e justiçou, do outro lado. Mas tenha certeza que, se um dia for necessário sacrificar a vida para defender nosso território e nossas instituições, você só verá um desses lados ter honradez para fazê-lo.


(Alexandre Paz Garcia - Fonte: https://www.facebook.com/alexandre.p.garcia.5/posts/439856962764355)
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