segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ah, como este tempo corre...

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2009 já agoniza e morre.

Inexorável, vai a vida se arrastando.

2010 está quase começando:

Ah, como este tempo corre...

Por entre os dedos, a própria vida escorre.

Tento retê-la, com a ajuda da memória.

Conto e reconto a minha própria história:

Ah, como este tempo corre...

Outro Natal, é outro ano que decorre.

E eu, me vendo outra vez criança,

Vivo e revivo coisas na minha lembrança:

Ah, como este tempo corre...

Uma saudade, o meu coração percorre.

Faz-me lembrar, com uma dor ingente,

De outros natais, eu ainda adolescente:

Ah, como este tempo corre...

Também me lembro, que a inocência morre,

De tantas coisas que eu planejei fazer,

Desnecessária essa urgência de crescer:

Ah, como este tempo corre...

Neste Natal, talvez eu tome um porre.

Ou erga um brinde, na verdade, sem beber,

Pelo que fui ou que deixei de ser:

Ah, como este tempo corre...

(Wagner Pessôa)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Lula "O filho do Brasil" (2)

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Para que se consuma o novo dicionário da sordidez política brasileira, necessário se torna conhecer, a fundo, em todas as dimensões, o seu autor, personagem central de sua própria propaganda político-eleitoreira. O autoendeusamento torna-o réu confesso do desequilíbrio de que acima nos referimos. Considerar-se a si próprio Filho do Brasil, é exigir a legítima paternidade, a um país que já sofreu todos os vexames do filho que não passa de um bastardo. Como se não bastassem as ofensas de sua diplomacia, ofende-se mais ainda a nação, anunciando a sordidez de cobrar do país a herança que acredita ter direito e pretende obtê-la, através da delegação de poderes de seus iguais, nas urnas em 2010. É mais uma indenização cobrada ao país, considerado culpado pelo filho ilegítimo, pela tendência inata de sua família, de não ter vocação para o trabalho. O filme que ilustra a vida do responsável pela obra de estropiamento da língua, “coincidentemente” será levado à exibição em 1º de janeiro de 2010.

Regredimos ao populismo desenfreado do brizolismo e percebemos, claramente, a existência de dois Brasis: o que trabalha e estuda para o desenvolvimento nacional e o que vive de estelionato político, sorvendo os impostos pagos pelo primeiro dos Brasis. Em toda imoralidade, encontra-se a logomarca da Globo, que não pode perder dividendos, mesmo que seja patrocinando um retorno aos filmes da velha fase macunaímica da miséria colorida. Não há outro digno representante desse (para mim) repugnante personagem (Macunaíma) da baixa estima brasileira, criação de Mário de Andrade, que o etílico Lula.

Alguém da escória da personagem do filme em questão deve ter sido o idealizador do título e da narrativa. O embriagado de álcool e de poder tomou posse do Brasil e está alijando, aos poucos, a parte consciente da sociedade, mas ainda sonolenta, para os esconsos vãos que se tornarão guetos dentro em pouco, se não tomarmos uma veemente atitude. Já imagino esse filmeco sendo veiculado no agreste, nos sertões, arrebanhando os ingênuos e estimulando-os ao analfabetismo, à bebida e à rebelião. A pressão para um conflito entre brasileiros está se fazendo prenunciar no horizonte. Esta indecencia de filme, se consentirmos, se não reagirmos, se não clamarmos contra a mídia que lhe dará vida, poderá servir de estopim para tomadas de posição sérias que não vão deixar de fora a guarda particular do ébrio presidente: o MST.

Como dizem os traficantes do Rio, "está tudo dominado". Eles sabem o que dizem, infelizmente. Tudo está dominado, porque está corrompido pelo dinheiro fácil em troca da traição e da sabotagem. Apenas por patriotismo, sem levarmos nenhuma vantagem, porque pertencemos a outro grupamento ético, que não leu o glossário lulista, sabotemos o filmeco do "palhaço de Garanhuns", desde já, para que, no ato da divulgação, caia no ridículo o Filho bastardo do Brasil, que bem poderia ser o Filho de outra coisa que já sabemos o que é. Embora não pareça, o caldeirão da divisão de classes já começou a esquentar. Como não tem a coragem de seu comparsa Chávez e é um poltrão como o Zelaya, usa desses artifícios ultrapassados, mas que caem como uma luva sobre a multidão de ignorantes do interior do país.

(Aileda de Mattos Oliveira - Prof.ª Dr.ª de Língua Portuguesa - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

sábado, 19 de dezembro de 2009

Frase da Semana

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"O pior atentado que se pode cometer contra Lula, além de alvejá-lo com um Mortífero Dicionário,é atirar-lhe uma Carteira de Trabalho".

(Esperidião Amim - ex-governador SC)

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sábado, 12 de dezembro de 2009

Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!!

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Obrigada a todos vocês, que me honraram com as suas visitas e comentários, fazendo com que o Hora do Recreio seja hoje um blog bem acima das minhas expectativas.

Desejo a todos um Feliz Natal e que o ano de 2010 seja pleno de paz, saúde, felicidade e conquistas.

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Fadiga - Cecília Mireles

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Estou cansada, tão cansada
Estou tão cansada! que fiz eu?
Estive embalando, noite e dia,
um coração que não dormia
desde que seu amor morreu

Eu lhe dizia: "Deixa a morte
levar teu amor! Não faz mal
É mais belo esse heroísmo triste
de amar uma coisa que existe
só para morrer, afinal!

"Deixa a morte... não chores...dorme!"
Noite e dia eu cantava assim
Mas o coração não falava;
chorava baixinho, chorava,
mesmo como dentro de mim

Era um coração de incertezas,
feito para não ser feliz;
querendo sempre mais que a vida -
sem termo, limite, medida,
como poucas vezes se quis

O tempo era ríspido e amargo
Vinha um negro vento do mar
Tudo gritava, noite e dia,
e nunca ninguém ouviria
aquele coração chorar

Uma noite, dentro da sombra,
dentro do choro, a sua voz
disse uma coisa inesperada,
que logo correu, derramada
num silêncio fino e veloz

"Meu amor não morreu: perdeu-se
Ele existe. Eu não o quero mais"
O choro foi levando o resto
Eu nem pude fazer um gesto,
e achei as horas desiguais

E achei que o vento era mais forte,
que o frio causava aflição;
quis cantar, mas não foi preciso
E o ar estava muito indeciso
para dar a vida a uma canção

A sorte virara no tempo
como um navio sobre o mar
O choro parou pela treva
E agora não sei quem me leva
daqui para qualquer lugar,

onde eu não escute mais nada,
onde eu não saiba de ninguém,
onde deite minha fadiga
e onde murmure uma cantiga
para ver se durmo também

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Estou Velho

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Não gosto dos sem terra. Dizem que isto é ser reacionário, mas não gosto de vê-los invadindo fazendas, parando estradas, ocupando linhas de trens, quebrando repartições públicas, tentando parar o lento progresso do Brasil.

Estou velho.

Não acredito em cotas para negros e índios. Dizem que sou racista. Mas para mim racista é quem julga negros e índios incapazes de competir com os brancos em pé de igualdade. Eu acho que a cor da pele não pode servir de pretexto para discriminar mas também não devia ser fonte para privilégios imerecidos provocando cenas ridículas de brancos querendo se passar por negros.

Estou velho.

Não sei se embrião tem vida ou não. Mas mesmo que tivesse não teria o menor remorso em sacrificar vários que certamente serão jogados no lixo para salvar ou melhorar uma única vida de um jovem, de um preto, de um índio e ate mesmo de um velho.

Estou muito velho.

Não quero ouvir mais noticias de pessoas morrendo de dengue. Tapo os ouvidos e fecho os olhos mas continuo a ouvir e ver. Não quero saber de crianças sendo arrastadas em carros por bandidos, ou de um menininha jogada pela janela em plena flor de idade. Meu coração não tem mais força para sentir emoções.

Estou mais velho que o Oscar Niemeyer.

Ele ainda acredita em comunismo, coisa que deixou de existir. Eu não acredito em nada. Estou cansado de quererem me culpar por não ser pobre, por ter casa, carros, e outros bens todos adquiridos com honestidade, por ser amado por minha mulher e filhos. Nada mais me comove…

Estou bem envelhecido.

E acabo de cometer mais um erro! Ainda sou capaz de me comover e emocionar.

(Afrânio B. De Souza - Fonte: rafaelsanches.wordpress.com)

Radiografia de uma fraude

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A secretária virou ministra porque Lula aprovou a sugestão de Lula

Doutor em Física, com mestrado em Engenharia Nuclear, coordenador do grupo que fixou as metas do setor de minas e energia no programa do candidato do PT, o professor Luiz Pinguelli Rosa já escolhera o terno para a festa da posse quando soube que fora preterido. Por motivos ignorados tanto pelo quase ministro quanto pelos demais integrantes da equipe de transição acampada no Centro de Treinamento do Banco do Brasil, em Brasília, a vaga no primeiro escalão foi presenteada a Dilma Rousseff, secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul.

O que teria levado o dono do time a alterar a escalação minutos antes da entrada em campo?, intrigaram-se os Altos Companheiros. Lula se instalara havia semanas no gabinete presidencial quando se dispôs a desvendar o mistério. “Já no fim de 2002, apareceu lá uma companheira com um computadorzinho na mão”, contou com a placidez de quem está narrando uma história para crianças. Lá era o Centro de Treinamento do BB. “Começamos a discutir e percebi que ela tinha um diferencial dos demais, porque ela vinha com a praticidade do exercício da secretaria. Aí eu fiquei pensando: acho que já encontrei a minha ministra”.

Simples assim. Se Dilma Rousseff fora secretária do governador Olívio Dutra, ponderou Lula ao presidente eleito, por que não promover a companheira do computadorzinho a ministra? Boa ideia, concordou com Lula o presidente eleito. O maior governante desde a chegada das caravelas entende de minas e energia tanto quanto entende de gramática e ortografia. Dilma Rousseff não entende do assunto muito mais que o chefe. Do que trataram nas conversas a dois? O que teria ouvido Lula para julgar dispensáveis consultas a especialistas no ramo e pedidos de informações a quem convivera de perto com Dilma?

Ela se limitou a duas frases ao referir-se à conversa numa entrevista em 2077: “O presidente perguntou como tinha sido o apagão do Fernando Henrique no Rio Grande do Sul, e eu contei que lá não teve apagão”. Mitômanos, quando não mentem simplesmente, contam só um pedaço da verdade. Sim, os gaúchos não foram submetidos ao racionamento de energia imposto em 2001. Nem os catarinenses e os paranaenses, deixou Dilma de dizer. Como não faltaram chuvas, tampouco faltou água nos reservatórios da hidrelétricas da região sul. Os três Estados escaparam das medidas de emergência não pela competência dos secretários, mas pela clemência da natureza.

Sem chances de concorrer com quem derrotou até o apagão, Pinguelli conformou-se com a presidência da Eletrobrás. Caiu fora em pouco tempo para não continuar exposto ao mau humor da ministra. “Essa moça formata o disquete a cada semana”, ironiza. Para permanecer no emprego, teria de engolir pitos sem engasgos, soluços nem queixumes, como aprendeu a fazer Mauricio Tolmasquim. Quando aceitou ser o secretário-executivo do ministério, ele mal conhecia a escolhida por Lula. Semanas depois da posse, Dilma já estava à vontade para trocar o tratamento cerimonioso por gritos e repreensões. “É o jeito dela, não é pessoal”, conforta-se Tolmasquim. ”Em cinco minutos, fica tudo bem”.

“Nunca tive simpatia pela maneira como Dilma trata as pessoas”, diz o professor Ildo Sauer, demitido pela ministra da Diretoria de Gás e Energia da Petrobras. “Ela não conversa, só dá ordens. Mas é um doce com quem está acima dela”. Como a guerrilheira obediente aos comandantes dos grupos clandestinos, como a mulher dócil no trato com os maridos, como a secretária que nem piava nas reuniões do governo gaúcho, a ministra sempre sabe com quem está falando. Sabe, portanto, a hora do grito e a hora do sussurro.

Num e-mail endereçado aos amigos, Sauer confessou que foi uma das vítimas do conto da Unicamp. No fim de 2002, os integrantes do grupo de energia do Instituto Cidadania, do PT, entregaram à direção da entidade os currículos atualizados. Sauer leu o apresentado por Dilma e conferiu o ponto mais vistoso: tinha mesmo concluído o curso de doutorado?, perguntou. Diante da resposta positiva, quis saber se a doutora toparia participar da banca que examinaria a tese de um candidato a doutor. “Não tenho tempo para essas coisas”, recusou com rispidez a convidada.

“Hoje compreendo”, disse Sauer na mensagem pela internet. “O desprezo e o desdém eram ferramentas para encobrir a impostura… Há outras”. Quais seriam? Sauer não quer divulgá-las agora. “O que já se sabe é suficiente para mostrar que Dilma não é nada do que se imaginava”, explica. É só uma fraude.


(Fonte: Direto ao Ponto – Blog de Augusto Nunes - 8/12/2009)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Querem comparar Governos? (Reinaldo Azevedo)

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ENTÃO VAMOS CIVILIZAR OS BOTOCUDOS!

É para ler até o fim, hein!? Tenho uma chavinha de ouro para vocês. Psiu!!! Sem tentação. É para pegar do começo.

De vez em quando, um petista moderado, tentando se distinguir dos petralhas, resolve pegar no meu braço, ousando ser o meu Virgílio e me convidando a visitar um dos círculos do inferno onde o partido aprisiona há 29 anos a reputação de suas vítimas. Sim, o PT tem este formidável poder de reescrever a biografia de seus adversários. Trata-se do Círculo das Reputações Enlameadas. Alguns poucos conseguem, pelo próprio esforço, como fez Eduardo Jorge Caldas Pereira, repor a sua história no devido lugar. E há aqueles que são resgatados pelo próprio PT desde que façam um ato de contrição ou sejam cínicos o bastante para se divertir na tragédia ou na comédia. No segundo caso, está, por exemplo, Delfim Netto, antes tido como uma besta-fera da “direita” e hoje conselheiro informal de Lula. Delfim diz que não mudou. Exemplo maior do primeiro caso é José Sarney. O PT, sempre tão dedicado a enlamear a honra alheia, funcionou, no seu caso, como lavanderia.

Mas volto ao petista que tentou se mostrar civilizado, me chamando até de “Rei” (!!!), muito íntimo, convidando-me a ceder: “Rei, admita que o governo Lula é inquestionavelmente melhor do que o governo FHC e que procede a votação plebiscitária que o PT propõe. Acho que você é um bom analista, mas sua paixão o cega às vezes…”

Ô bilu, bilu!!! Não há a menor chance de o “Rei” se apaixonar, viu? Não estou entre aqueles que sentem o frêmito da atração pelo inimigo. Zero! Você aí, eu aqui. Sem essa de me pegar no braço! “Rei” é uma pinóia! E não, não admito que “o governo Lula é melhor do que o de FHC”, não dito desta maneira, porque esse juízo é coisa ou de energúmenos ou de gente a soldo — e, às vezes, das duas coisas.

O “melhor” expressa um juízo comparativo. Não terá sido o governo FHC — que começou a governar, de fato, já como ministro da Fazenda de Itamar Franco — muito “melhor” do que o governo Collor? Muito melhor, na verdade, do que o governo Sarney ou do que o governo Figueiredo, quando a inflação começou a destrambelhar? O que quer dizer o seu “melhor”? É melhor um governo que assume, sem solavancos, com os fundamentos da economia sólidos — apesar de desajustes de superfície, alguns provocados pelo próprio “risco PT” — do que um outro que pegara o país com uma inflação superior a 2.500% ao ano, conduzindo-a para 5% ou 6%? Não terá sido “melhor” o governo que pegou o país com o custo de vida na casa dos 20% ao mês, derrubando-o para menos de 0,5%? Não terá sido “melhor” o governo que recolocou o país na rota dos investimentos?

Essa afirmação, meu caro falso civilizado, é só mais uma manifestação da delinqüência intelectual a que se dedica permanentemente o petismo. Para que se pudesse sustentar essa superioridade, seria necessário que, em iguais condições, o PT tivesse demonstrado competência ou apuro intelectual potencial ao menos para fazer melhor do que fez FHC. E sabemos bem qual foi a expertise demonstrada pelo partido: opôs-se ao Real, pregava o calote da dívida, o rompimento com o FMI, a rejeição à reestruturação dos bancos, às privatizações e seus investimentos — a tudo, enfim, que colabora para fazer hoje a fortuna crítica do lulismo. Tivesse vencido em 1994, o PT teria destruído o Plano Real. Porque era esta a proposta de Lula: destruir o Real. Era o que pautava a sua campanha.

“Ah, vá falar isso a eleitor, rá, rá, rá”, ri o delinqüente, satisfeito com o seu partido por ter ajudado a deformar a história e feliz porque seu líder sapateia sobre conquistas inegáveis do Brasil.

EU QUERO QUE SE DANE SE A VERDADE QUE DIGO É POPULAR OU NÃO. A mim, basta saber que é verdade; basta saber, e poder escrevê-lo, ao menos por enquanto, que a comparação é obra da mais estúpida vigarice intelectual, coisa de militância política da mais reles, da ignorância mais desprezível.

Num artigo anteontem, afirmei que minha rejeição ao lulo-petimso nada tem a ver com essa conversa mole de “governo deu certo ou deu errado”, governo “melhor ou pior”. Nunca antevi desastres para o governo Lula. Ao contrário: escrevi na revista Primeira Leitura que o PT seria mais conservador se vencesse em 2002 do que seria Serra, então candidato tucano. Está registrado. É documento.

- O que me incomoda no PT é seu ódio mal disfarçado à democracia, daí que viva tentando solapá-la — agora, o partido quer uma Constituinte para fazer a reforma política.

- O que me incomoda no PT é a moral que cria para si mesmo e a moral que defende para os outros — a exemplo de Dilma, anteontem, na festa dos mensaleiros do PT a atacar o mensalão de Arruda.

- O que me incomoda no PT é esse esforço para fazer tabula rasa do passado, destruindo a reputação de qualquer pessoa que não seja útil a seu projeto — a exemplo do que faz com a monumental conquista que foi o Plano Real.

- O que me incomoda no PT é o seu apoio dedicado a todos os vigaristas do planeta,— a exemplo de Mahmoud Ahmadinejad.

- O que me incomoda no PT é a sua admissão prática de que o crime compensa ou é aceitável desde que esteja ancorado numa causa de suposto alcance social — a exemplo de seu asqueroso conluio com o MST.

- O que me incomoda no PT é seu esforço permanente para substituir a sociedade pelo partido, imiscuindo-se em eleições sindicais de trabalhadores e patrões, nos fundos de pensão, na direção das estatais, nas ONGs e, se você deixar, no batizado de seus filhos.

- O que me incomoda no PT, a despeito de seus “universitários”, e a apologia permanente da ignorância, do obscurantismo militante, da barbárie das ruas.
“Governo competente?” Governos têm de ser competentes mesmo. Não serei grato a Lula, escrevo em Máximas de Um País Mínimo, por ele cobrar tão caro por aquilo a que temos direito de graça. Ou nem tanto: pagamos caro para que nos governem. Não tenho de lhe dar nada de adicional.

Um mínimo de honestidade intelectual — e não espero que os petralhas a tenham — indica que as ações do governo FHC e do governo Lula não são comparáveis porque simplesmente são diferentes as circunstâncias em que cada um existiu e os problemas a que cada um respondeu. E tenho uma chave de ouro para o tonto que achou que poderia pegar no meu braço:

Estou certo de que os tucanos, estivessem no governo, não teriam feito, NA ECONOMIA, nada muito diferente do que fizeram os petistas. Mas estou igualmente certo de que, estivessem os petistas no lugar dos tucanos em 1995, e hoje nós seríamos o mais ocidental dos países africanos.

QUAL GOVERNO É MELHOR?

(Reinaldo Azevedo – 10 de dezembro de 2009 | 5:41 - Blog hospedado na Veja)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O PT e a sétima arte

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Enganam-se aqueles que pensam que a sucessão presidencial, em 2010, será marcada pela modernidade na comunicação, seguindo o modelo de sucesso adotado pelo presidente Barack Obama, que inovou ao usar com competência as redes sociais da internet. O governo federal e o PT sabem que o grosso do seu eleitorado nunca ouviu falar em Twitter ou Facebook, e por isso
apostarão suas fichas num aparelho criado pelos irmãos Lumière, no século 19, batizado de cinematógrafo.

Peço licença aos patrulheiros de plantão, mas a verdade é que o filme "Lula, o filho do Brasil", que será lançado no ano da eleição, é o trunfo que o governo precisa para eleger até um poste. Trata-se de um filme-exaltação, contando o drama de um homem igual a milhões de outros
brasileiros que vivem em situação de miséria no país. O problema é que o filme conta apenas a verdade que interessa ao Planalto, omitindo os desvios éticos do protagonista, já como presidente, como a compra de parlamentares no escândalo do Mensalão, o aparelhamento de organizações sociais e os acordos para consolidar sua base política.

Será que o Planalto, através do seu diligente ministro da Justiça, Tarso Genro, permitiria a exibição de um documentário, no estilo Michael Moore, contando os bastidores dos oito anos do governo petista? O público, que será brindado com cenas lacrimosas de um retirante que se tornou presidente, também tem interesse em conhecer os métodos usados pelo "Cara" para domesticar a UNE, o MST e as centrais sindicais.

O cruzamento de imagens de arquivo, onde Lula chamava de corruptos aqueles que hoje são seus aliados, é reflexão necessária sobre uma realidade que não pode ser omitida, para o filme ter começo, meio e fim.

Para quem não está convencido de que "Lula, o filho do Brasil" é um panfleto eleitoral, o próprio presidente dá a pista sobre a verdade que se esconde no escurinho do cinema. Com o filme pronto, sua meta é criar salas de exibição nas periferias do Brasil. A proposta de criação do Vale
Cultura, encaminhada com pedido de urgência urgentíssima ao Congresso, é excelente. Mas por uma questão de respeito e equilíbrio do jogo democrático, é inaceitável que o acesso à cultura seja impregnado por intenções político-eleitoreiras.

A senadora Marina Silva e os governadores José Serra e Aécio Neves rendem excelentes filmes. Nas mãos habilidosas de um cineasta, qualquer história toca a sensibilidade de um povo.

(Solange Amaral)

Nota: "Lula, o filho do Brasil" não foi feito para emocionar. A meta é eleger sua candidata em 2010.
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