sábado, 27 de agosto de 2011

O Homem e o Vigia


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Conta-se esta história de um empregado em um frigorífico da Noruega.

Certo dia, ao término do trabalho, ao inspecionar a câmara frigorífica, inexplicavelmente a porta se fechou e ele ficou preso dentro da câmara. Bateu na porta com força, gritou por socorro, mas ninguém o ouviu.


Todos já haviam saido para suas casas e era impossível que alguém pudesse escutá-lo.


Já estava preso há quase cinco horas, debilitado com a temperatura insuportável, quando de repente a porta se abriu, o vigia entrou na câmara e o resgatou com vida.


Mais tarde perguntaram ao vigia:


"Por que foi abrir a porta da câmara se isto não fazia parte da sua rotina de trabalho"?


Ele explicou:


"Trabalho nesta empresa há 35 anos, centenas de empregados entram e saem aqui todos os dias e ele é o único que me cumprimenta ao chegar pela manhã e se despede de mim ao sair. 
Hoje pela manhã ele disse “Bom dia" quando chegou, mas  não se despediu de mim na hora da saída. Imaginei que poderia ter-lhe acontecido algo. Por isto o procurei em toda a empresa até encontrá-lo."


Será que nós seríamos salvos?

(Recebido por email)

Em decisão inédita, TST decide contra nepotismo em estatal

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Um ex-assessor da presidência da Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro não conseguiu convencer a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de que sua nomeação para cargo comissionado na presidência da empresa foi legal. Em decisão inédita, a Primeira Turma negou provimento a seu recurso, com o entendimento de que a nomeação ocorreu sob a prática de nepotismo, uma vez que ele era irmão do então presidente da TurisRio.
Por cinco anos, o empregado trabalhou no gabinete da presidência da empresa como assessor econômico e comercial. Demitido em abril de 2008, ele ajuizou reclamação trabalhista pretendendo receber, entre outras verbas, diferenças salariais. A ação foi considerada improcedente em Primeiro Grau e o recurso que se seguiu foi arquivado pelo TRT-RJ, que considerou nula a contratação, com fundamento na súmula vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal, que dispõe a respeito da contratação de parente.
Insatisfeito, o assessor interpôs agravo de instrumento no TST. O relator do recurso na Primeira Turma, ministro Walmir Oliveira da Costa, afirmou que a regra não se aplica àquele caso, que se trata de contratação maculada pela prática de nepotismo em empresa de economia mista. A decisão na turma foi unânime.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A língua humana

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ARMAS





- Qual a mais forte das armas,




A mais firme, a mais certeira?




A lança, a espada, a clavina,




Ou a funda aventureira?





A pistola? O bacamarte?




A espingarda, ou a flecha?




O canhão que em praça forte




Faz em dez minutos brecha?





- Qual a mais firme das armas?




O terçado, a fisga, o chuço,




O dardo, a maça, o virote?




A faca, o florete, o laço,





O punhal, ou o chifarote?...




A mais tremenda das armas,




Pior que a durindana,




Atendei, meus bons amigos:




Se apelida: - A língua humana!





(Fagundes Varela)

Para perder a fé na humanidade


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Desenvolvo hoje um matéria publicada na última segunda, mas que, por imposições do espaço físico, saiu num tamanho muito menor do que o ideal. A ideia era mostrar alguns experimentos que, tomados pelo valor de face, nos fazem perder a fé no gênero humano. Eles revelam fraquezas fatais da espécie, vieses constrangedores e ilusões cognitivas comprometedoras.


Antes, porém, de concluir pela inviabilidade do Homo sapiens, vale lembrar que também seria possível levantar experiências que sugerem, à maneira de Rousseau, uma natureza humana boa, capaz de altruísmo autêntico, de transcendência e de produzir conhecimento. O problema é que, entre os "bugs" implantados em nosso cérebro, está um que nos impele a ver o mundo como uma sucessão de dicotomias --somos bons ou maus?, a vida tem ou não um propósito?, somos só bichos ou ultrapassamos a animalidade?--, quando a realidade é mais bem descrita num "continuum", que admite o convívio de nossas falhas e virtudes.


Meus amigos do caderno Ciência fizeram o que era possível para adequar as copiosas descrições que eu lhes enviara aos parâmetros do jornal que, receio, sacrifique cada vez mais os textos em favor de imagens e outras firulas. Mas, como eu acho que frequentemente a genialidade de um experimento está em seus detalhes, volto à carga, trazendo mais casos (não couberam todos) e seus às vezes indispensáveis pormenores. Prometo, porém, que vou poupar o leitor das tecnicalidades mais aborrecidas. Divirtam-se.


1. Stanford Prison Experiment (SPE)


O que importa é o caráter das pessoas, certo? Talvez não. Em 1971, o psicólogo Philip Zimbardo estava interessado em descobrir se traços de personalidade de prisioneiros e guardas explicavam situações abusivas nas cadeias. Para tanto, decidiu criar um simulacro de xadrez no porão do Jordan Hall (sede do Departamento de Psicologia da Universidade Stanford).


Recrutou 24 voluntários em perfeita saúde mental. Num sorteio, parte do grupo ficou com o papel de guarda, e o restante, com o de prisioneiros. Estes receberam um uniforme e um número, pelo qual passaram a ser chamados. Os guardas ganharam vestes militares, óculos escuros e um cassetete. Foram instruídos a assustar os presos, mas jamais usar força física contra eles.


Rapidamente as coisas saíram de controle. Os guardas começaram a mostrar-se cada vez mais cruéis para com os prisioneiros, que, depois de uma tímida tentativa de rebelar-se, foram aceitando docilmente as humilhações a eles impostas. Eram forçados a participar de contagens e a fazer exercícios como sanções disciplinares. O próprio Zimbardo se deixou absorver pela situação e pelo papel de superintendente. Foi só depois que sua namorada visitou o local e constatou que limites éticos haviam sido rompidos, que o psicólogo começou a questionar a moralidade da situação. No sexto dia, o experimento, concebido para durar duas semanas, foi interrompido (e sob os protestos dos guardas).


A moral da história é que o comportamento dos participantes foi em larga medida ditado pela situação em que se encontravam, com papéis que lhe foram aleatoriamente atribuídos, e não apenas por traços de sua personalidade. É um "insight" para compreender situações como Abu Ghraib e até fenômenos sociais como o nazismo.


2. Milgram


Na mesma linha do SPE, mostra que, quando a situação o exige, pessoas normais são capazes de coisas terríveis. Em 1963, Stanley Milgram, da Universidade Yale, descreveu experimentos nos quais voluntários são convidados por um pesquisador a aplicar choques elétricos num ator como punição por respostas errada num teste de memória. O voluntário, é claro, não sabe que seu companheiro é um ator e que a máquina de choque é falsa. Não obstante, quando instados pelo pesquisador a aumentar a voltagem dos choques falsos, 65% obedeceram até chegar à carga máxima de 450 volts, apesar dos gritos do ator.


3. "Political junkies", o prazer com a contradição


Ao decidir o voto, colocamos a razão a serviço do bem comum, como quer a turma do politicamente correto, ou de nossos interesses, na versão cínica. Esqueça. Isso é bobagem. O psicólogo Drew Westen (Universidade Emory) mostrou que, também na política, as emoções falam mais alto que a lógica. Ele enfiou 15 eleitores do Partido Republicano e 15 do Partido Democrata num aparelho que monitorava a atividade de seus cérebros enquanto seus candidatos do coração apareciam em situação desfavorável. A cada um dos participantes foram apresentadas seis situações fictícias que mostravam flagrantes contradições de John Kerry (candidato democrata), seis de George W. Bush (republicano). Ao final de cada situação, o participante tinha de dar uma nota, indicando se achava que o candidato havia caído em contradição e em que grau, de 1 (discorda fortemente) a 4 (concorda fortemente).


Como previsto, os eleitores não tiveram dificuldade para perceber a contradição do candidato a que se opunham, colocando a avaliação média perto de 4. Já as contradições dos postulantes de sua preferência receberam nota próxima a 2. 
Analisando as imagens do "scanner", os cientistas puderam reconstituir os passos da razão eleitoral de suas cobaias. Quando os eleitores foram confrontados com informação potencialmente ameaçadora a suas convicções, foram ativadas redes de neurônios associadas a estresse. O cérebro percebe o conflito entre os dados e o desejo e começa a procurar meios de desligar o interruptor que deflagrou a emoção negativa. Em seguida, os circuitos ligados à regulação de estados emocionais recrutam crenças capazes de eliminar o estresse. É por isso que a contradição é apenas fracamente percebida. Os circuitos normalmente envolvidos no raciocínio lógico quase não são ativados.


A surpresa foi constatar que esse processo de relativização das contradições não se limita a desligar as emoções negativas. Ele também dispara emoções positivas, acionando circuitos do sistema de recompensa, que em grande parte coincidem com as áreas ativadas quando viciados em drogas tomam uma dose de manutenção.


4. Professor Fox


O importante é ter conteúdo. Essa é outra balela. Aparências são muito mais importantes. Em meados dos anos 70, psicólogos da Universidade da Califórnia criaram o Dr. Myron L. Fox. Ele era uma fraude. Não havia nenhum Dr. Fox e seu currículo foi completamente inventado. Para representá-lo, contrataram um ator charmoso que deu uma aula sobre "teoria dos jogos matemática aplicada à educação física". A aula não passava de um amontoado de bobagens sem sentido, repleta de frases de duplo sentido, contradições e neologismos. Mas o ator era bom e dizia essas coisas com clareza, confiança e autoridade.


A plateia, composta por psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, adorou. Na hora de avaliá-lo, deu-lhe notas positivas, incluindo 100% de aprovação no quesito "estímulo ao pensamento".


Vídeos da aula do Dr. Fox foram exibidos a outros públicos, incluindo um formado por professores e administradores de cursos de pós-graduação. E o Dr. Fox recebeu excelentes notas de todas as audiências.


5. Mentirosos compulsivos


A honestidade, pelo menos, continua sendo um valor. A maioria das pessoas é honesta. Será? O psicólogo Robert Feldman gravou secretamente várias conversações entre duas pessoas em ambientes naturais (lojas, universidade etc.). Depois, as convidou a revisar o vídeo, apontando as "inexatidões" em que haviam incorrido. Detalhe importante, os participantes não sabiam que o pesquisador estava interessado em mentiras.


A conclusão básica de Feldman é que, no curso de uma conversação de meros dez minutos em que dois adultos se apresentam, eles mentem uma média de três vezes cada, podendo chegar a 12 nos casos mais extravagantes.


6. Eles estão loucos


Tudo bem que temos todos a tendência de mentir, de nos tornar torturadores e que a política e a educação podem não passar de uma fraude, mas pelo menos ainda conseguimos distinguir a sanidade da insanidade. Nem isso. Num célebre experimento de 1973, o psicólogo David Rosenhan e sete associados, todos sãos, apareceram em diferentes hospitais psiquiátricos queixando-se de estar ouvindo vozes. sete deles foram internados com o diagnóstico de esquizofrenia. O oitavo, segundo os médicos, sofria de psicose maníaco-depressiva (doença que hoje leva o nome de transtorno bipolar).


Uma vez internados, eles passaram a agir normalmente e de forma colaborativa, afirmando que as vozes tinham sumido. Mas sair era mais difícil do que entrar. A estadia média foi de 19 dias (variando de 7 a 52), durante os quais os pseudopacientes receberam drogas (no total, 2.100 pílulas, das quais apenas duas foram ingeridas).


A parte mais divertida, porém, é que, embora nenhum dos médicos e enfermeiros tenha notado que os pesquisadores não estavam doentes, 35 de um total de 118 pacientes perceberam. "Você não é louco. É jornalista ou professor", disse um dos internos.


E as coisas não acabam aqui. Ao tomar conhecimento de que Rosenhan preparava seu artigo, representantes de um hospital lhe escreveram dizendo que jamais cairiam num truque barato desses. Rosenhan aceitou a provocação e escreveu de volta propondo um desafio. 


Nos três meses seguintes, ele enviaria ao hospital um ou mais pseudopacientes, que a instituição deveria identificar como tal. Dos 193 pacientes admitidos no hospital no período, 41 foram classificados como impostores e 42 como possíveis fraudes. Só que Rosenhan blefara e não havia mandado nenhum pseudopaciente.


"Está claro que não conseguimos distinguir os sãos dos insanos em hospitais psiquiátricos", concluiu o pesquisador.


7. O gorila invisível


Já que o mundo que nos rodeia é insano, a solução é voltarmo-nos para dentro de nós mesmos. Complicado, porque nosso cérebro também nos prega peças. Um experimento seminal de 1999 conduzido pelos psicólogos Christopher Chabris e Daniel Simons traduz com muito bom humor o tamanho da encrenca. 


Eles fizeram um vídeo no qual seis pessoas (três vestindo camisetas brancas, e três, pretas) trocam passes com duas bolas de basquete. Participantes da pesquisa são instruídos a contar mentalmente os passes do pessoal de branco enquanto assistem ao vídeo. A uma dada altura, um sujeito fantasiado de gorila entra em cena, encara a câmara, bate no peito e se retira. Ele aparece na tela por 9 segundos.


Você o notaria? A esmagadora maioria das pessoas responde com um sonoro "sim". 


Como não perceber um gorila que fica em cena por quase 10 segundos? Mas não interessa muito o que imaginamos, o fato é que 50% das cobaias simplesmente não veem o símio, porque estão ocupadas contando. O experimento, que rendeu a seus autores o prêmio IgNobel de 2004, foi repetido com diferentes públicos em diferentes países com resultados sempre semelhantes.


A ideia básica é que, embora imaginemos que podemos enxergar tudo o que aparece à nossa frente, só temos consciência de uma pequena porção das coisas que estão em nosso campo visual. Em geral, vemos aquilo que o cérebro já espera encontrar.


8. Carteira escocesa


Talvez nossa boia seja a bondade alheia. Mas mesmo as boas intenções são moldadas por preferências irracionais. O psicólogo Richard Wiseman, da Universidade de Hertfordshire, resolveu espalhar 240 carteiras pelas ruas de Edimburgo. Elas não continham dinheiro, apenas documentos de identidade, cartões de fidelidade, bilhetes de rifa e fotografias pessoais. A única variação eram as fotos. Algumas das carteiras não tinham foto nenhuma (era o grupo controle) e outras traziam imagens que podiam ser de um casal de velhinhos, de uma família reunida, de um cachorrinho ou de um bebê.


A meta do experimento era descobrir se a fotografia afetaria a taxa de devolução das carteiras. Num mundo perfeitamente racional, a imagem seria irrelevante. Devolve-se o objeto perdido porque é a coisa certa a fazer. O trabalho de colocá-lo numa caixa de correio não é tão grande assim e é o que gostaríamos que os outros fizessem, caso fôssemos nós que tivéssemos perdido os documentos.


É claro, porém, que as fotografias influíram nos resultados. Foram devolvidas apenas 15% das carteiras sem foto, pouco mais de 25% das que traziam a imagem dos velhinhos, 48% das da família, 53% das do filhotinho e 88% das do bebê.


9. Libet


OK. Não podemos confiar em nenhuma instituição, pessoa, nem nos nossos sentidos e em partes de nosso cérebro, mas ainda temos o livre-arbítrio, não é mesmo? Provavelmente não. Num experimento seminal dos anos 80, Benjamin Libet, da Universidade da Califórnia, ligou seus alunos a aparelhos de eletroencefalograma e demonstrou que a atividade cerebral inconsciente que faz alguém mover o braço, por exemplo, precede em pelo menos meio segundo a "decisão consciente" de mexer o braço.


A partir daí, neurocientistas desenvolveram vários experimentos semelhantes, obtendo a corroboração dos resultados. Hoje são mais ou menos unânimes em afirmar que o livre-arbítrio não é mais do que uma ilusão, um efeito colateral de vários sistemas cerebrais ligados em rede, que nos leva sinceramente a crer que nossas decisões brotam da mente consciente. Pensando bem, isso talvez não seja um problema, pois há vários experimentos fortemente sugestivos de que também a consciência não passa de uma ilusão.

Fontes: "The Lucifer Effect", "Political Brain", "Future Babble", "The Moral Landscape", "The Believing Brain", "The Invisible Gorilla", "The Liar in Your Life", "Self Comes to Mind"

A banalidade da ansiedade

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São Paulo é ansiedade. Sobretudo. A todo instante.


Não é fácil. Desgasta. Desde o instante em que você pula da cama, em cima da hora, e se mete no banho meio estremunhado.


Café, correria. Para pegar o trem, o ônibus, o metrô.


Tentando escapar do aperto maior. Entra no carro. Para pegar o congestionamento menor. Olho na rua, olho no rádio, para não ver a demora do semáforo. Ouvindo aquele lote de notícias frustrantes: outro caixa eletrônico, outro atropelamento na faixa, outro desvio de dinheiro. Faz mal.


Tem o medo, os prazeres, a solidão, a comida, o recreio, o dinheiro, o receio de não chegar lá. Mas, o inafastável é a ansiedade. Pensar sempre no que está por vir. Adiante. Nunca estar no aqui e agora. A cabeça está lá na frente, pensando no futuro. Próximo. Com boa dose de angústia. Pelo bem e pelo mal.


Até deitar para dormir a ansiedade é presente. Vou respirar material particulado que entrou pela janela e ficou no quarto em suspensão? Alguns não dormem, outros acordam no meio da noite, e outros tantos muito cedo. Antes da hora. Porque precisam começar um novo dia repleto de ansiedade.


E a tecnologia "da muita informação e pouca reflexão" acelera a ansiedade. O celular. Que tomou para si quase todos os olhares da cidade. Todo mundo mudo. De olho no celular.


Outro dia, quer dizer, um fim de tarde de domingo, no Café Nespresso entra um casal. Jovem, alegre. Sentam-se, recebem o cardápio, trocam duas palavras, fazem o pedido. Foi a última palavra entre eles. Cada um pegou seu celular e lá ficou. Vendo e-mails, mexendo nos jogos. Não se falaram por muito tempo. Quando conversaram, já era hora de sair.


Por isso, a reação possível é ir em direção oposta. Ter tempo, valorizar o tempo. Cultivar atividades que imponham menos correria, menos pressa e menos angústia.


Ter uma infraestrutura cicloviária não é só para andar de bicicleta. É para dar outro ritmo ao deslocamento. Carro com bicicleta também anda mais devagar (carro com moto é pressa). Serve para permitir ver a cidade. Seu lado bom. Ver a cidade que construímos.


Não cair na esparrela de falar só sobre o que não deu certo, falar dos defeitos, viver no problema.


Ter como meta ser a capital do conhecimento vai nos levar a uma série de atividades: da leitura de bons longos livros à curtição de dar aula para o próprio filho sobre algo que ele quer aprender; ou sobre a cidade mesmo. Poucas escolas ensinam a história de São Paulo: a história da origem dos times de futebol da cidade; a história de operários, de uma classe C que emergiu.


Eleger o pedestre como prioridade é eleger a nós mesmos donos da cidade. Calçada arrumada, velocidade moderada no carro, parar na esquina para falar com algum vizinho.


Alguém já disse que viver numa cidade é poder andar nela. Usufruí-la. A questão é virar hábito. Antes, para sair da ansiedade e ter o hábito de usufruir a cidade, com calma, com prazer, é preciso ter obsessão.


Certas obsessões constroem. Construir uma nova cidade é querer. Não só querer: é virar sonho. Levantar de manhã correndo para São Paulo ficar do jeito que queremos é um bom motivo para sair da cama. Mesmo no frio, mesmo no feriado.


Ter obsessão por não viver obcecado pela ansiedade. É preciso de um remédio prático: ter metas inegociáveis. Ter uma filosofia de cidade, uma "ideologia de libertação" dessa ansiedade que nos oprime. É ir num café e conseguir conversar. Devagar. Bebendo em comemoração às nossas conquistas, na cidade. Ter calma, a certeza de que estamos trabalhando exatamente no que vai fazer o dia seguinte ser melhor.


Um pouco de poesia, um pouco de engenharia. Sem pressa, com convicção do que estamos construindo.
José Luiz Portella

José Luiz Portella Pereira  
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joseluizportella/964975-a-banalidade-da-ansiedade.shtml))

Os donos do mundo

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DONOS DO MUNDO
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Estou de férias, passando uns dias na Bahia, e queria entender direitinho essa história do Sarney fazendo turismo no helicóptero do Maranhão. Vamos lá:


Então, o governo do Estado mais pobre, com o pior IDH e os piores índices de português e matemática comprou o helicóptero mais caro do país?


A desculpa, ops!, o motivo foi cuidar da segurança de todos os cidadãos maranhenses?




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E o tal helicóptero serve mesmo para transportar os pais da governadora nos fins de semana, com todo o conforto, para a ilha particular da família?


Mas os índices de criminalidade não são piores justamente nos fins de semana, quando o tal helicóptero seria mais útil para a população?


E o que estavam fazendo no voo o um empresário que tem os maiores contratos com o Estado e a sua mulher? Tratando do interesse público?


O que é mais urgente e importante: o ferido com traumatismo encéfalocraniano que chegou no primeiro helicóptero e ficou esperando o desembarque da família imperial e seu séquito ou os veranistas Sarney e seus amigos empresários?


Se o Sarney ganha R$ 62 mil por mês, do Senado, da aposentadoria do governo do Maranhão e de uma tal aposentadoria do Tribunal de Justiça do Estado (que é uma verdadeira mãe, pelo visto), por que ele não pode pagar os próprios passeios?


Desisto. Não dá mesmo pra entender nada. Só os verdadeiros motivos de o Maranhão e os maranhenses estarem como estão. É de chorar.



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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

SÓ!...

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Estou completamente só... O dia 
acaba, a tarde morre docemente 
e eu estou só em meio a tanta gente, 
nesta tarde chuvosa, cinza e fria...

A solidão da tarde me angustia, 
deixa-me imerso em um torpor dolente 
e eu vejo o tempo ir-se lentamente 
de gota em gota, em triste nostalgia.

A chuva aumenta a minha ansiedade, 
enchendo-me de mística saudade, 
numa tristeza atroz que o olhar me embaça.

E vejo tudo qual se fosse um sonho, 
onde o tempo se escoa tão tristonho
na cadência da chuva na vidraça
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(Romildes de Meirelles - http://www.rauldeleoni.org/soneto.html)

A mulher de

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A mulher de 14 anos é garota, apaixonada pelos pais, tios e avós, pelo cachorro, pelos professores e amigas, pelo recreio e jardim, pelas abelhas que vivem nele, pelo travesseiro molinho de fronha de bolinhas, por sorvete de morango e esmalte rosa.


A garota de 16 anos é quase mulher, vive um momento novo, é olhada de outra maneira, maneira diferente da que está acostumada: provocada. E apaixonada pelo vizinho que joga vôlei na seleção sub-20 e tem uns cabelos desalinhados e uma namorada ciumenta, com quem sempre briga no pátio do prédio, e com quem sempre faz as pazes depois de ela chorar 45 minutos ininterruptos.


A garota-mulher de 17 anos conhece no cursinho um garoto de 17 anos, por quem se apaixona. Namoram. O primeiro grande namorado. Continua apaixonada pelos pais, amigas, tios, avós, cachorro, que sente que ela já não passeia com ele como antes, pela escola e jardim, onde se deita na grama para pensar, pelo travesseiro molinho, que dorme entre as pernas agora. E nem liga para o jogador de vôlei, que está noivo daquela mala. Usa esmalte vermelho agora.


A mulher de 18 anos não namora mais aquele carinha do cursinho, moleque demais. Descobre que gosta de beber e dançar, e está apaixonada por um guitarrista. Vai a todos os shows da banda dele, canta as músicas de cor. Mas o músico, sempre bêbado, deita-se com ela e dorme, deita-se com ela e com outras; ninguém é de ninguém. Ela se pergunta se com as outras ele é mais carinhoso. Usa esmalte roxo.


A mulher de 19 anos sente uma atração forte pelo sócio do pai, sensação que a deixa perplexa, pois conhece o cara desde pequena. Sente uma atração especial por muitos homens, como se quisesse provocá-los, seduzir sem culpa, mas não é paixão pelo outro, é atração pela vida, é prazer pela reação que sua presença causa nos homens. Ela está apaixonada pela paixão e poder.


A mulher de 20 anos está apaixonada por ela mesma. Dá um beijo no sócio do pai. Fica com ele numa festa. E fica também com uma amiga no banheiro, na mesma festa. Ela sabe agora como armar sua teia, como se apaixonar e deixar os outros apaixonados. Aproveita e fica com o jogador de vôlei, que largou o esporte e vende carros, não tem mais cabelos longos e se casou. E fica dias ouvindo Billie Holiday.


A mulher de 21 anos quer beijar todo mundo, seduzir todo mundo, viajar com todo mundo por todo o mundo, conhecer todas as tribos, dançar todas as músicas, comer todas as comidas, beber. Vai pro motel com o sócio do pai. Vira a sua amante. Ele é maduro, gostoso, tarado e divertido. Tem 30 anos a mais do que ela.


Aos 22, seu hobby é provocá-lo, quando ele e a mulher jantam na sua casa com seus pais. O que ela faz sentada na mesma mesa? Absolutamente nada. Nem olha. Nem fala. Como uma mocinha emburrada. Pára de sair com ele, depois que ele no motel a chamou de criança mimada.


A mulher de 23 anos descobre que sente mais por um arquiteto duro do que sentiu por todos os homens anteriores e fica absurdamente insegura, tonta. Namoram. Ela tem um ciúme injustificável. Sofre o tempo todo. Algo mudou. Descobre que não está apaixonada, que é muito mais. Descobre que está amando, mas tem dúvidas, é isso mesmo, amor?


Depois de um namoro intenso, com idas e vindas, a mulher de 26 anos larga o primeiro amor. Ninguém a avisou que amor traz dor. Fica um tempo sozinha, na balada, bebendo com as amigas, dançando. Está apaixonada pelo trabalho. É a sua prioridade agora.


Aos 27, volta pro arquiteto; ela estava carente. Mas não descarta os outros, especialmente o irmão gostoso do seu chefe, um cliente casado, o ex de uma amiga e o amigo de 18 anos da sua irmã caçula.


A mulher de 28 anos tem uma paixão absurda por um cara que faz cinema, com quem tem afinidades e química. Briga de novo com seu primeiro amor. É promovida, ganha mais. Namora o cara. Um namoro calmo, mas inseguro. Porque ela acha o cara demais. Ela e todas as vacas da cidade, que não param de ligar pra ele, mandar e-mails. O cara fez três curtas já e capta para um longa que ele mesmo roteirizou.


A mulher de 29 anos, pela primeira vez na vida, encontra um cara com quem pensa em se casar, o cineasta, e se sente muito insegura. Muito apaixonada. Muito mulher. Por isso, volta a sair com o ex, o arquiteto duro. Sai com os dois. Surpreendentemente, na véspera do Natal, briga com os dois. E vai sozinha pra Bahia, com uma pilha de livros de poesia (Sylvia Plath, T.S.Elliot e Leminski). Escreve no seu diário: “I don’t fell like a part of anything”.


A mulher de 30 anos não é apaixonada por ninguém, quer apenas concluir o mestrado e passar um tempo em Barcelona. Não quer se casar, nem pensa em engravidar. Amor é para profissionais. Fica com um cozinheiro catalão, perdão, um chefe de cozinha. E morre de saudades do Brasil. E do seu cachorro, que morreu. Pinta as unha de preto.


A mulher de 31 cansa de ser estrangeira, volta ao Brasil e quer se casar, mas não com o catalão, que não sai da Espanha. Ela volta pra sua cidade, seu País, aluga um apê nos Jardins. Ela sabe que o ideal é um carinha bonzinho, que lhe dá segurança, que pode ser um grande pai. Liga pro ex, o primeiro amor, que conheceu aos 23 anos, largou a arquitetura e trabalha com o pai, que fabrica esmaltes. Era o único com quem trocava e-mails de Barcelona
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Ela, pouco a pouco, seduz, e ele se deixa levar.


Namoram.


Todos os amigos recriminam:


“De novo?!”


Foda-se o mundo.


Casam-se.


Nada oficial; ele vai morar com ela.


(Marcelo Rubens Paiva - http://blogs.estadao.com.br/marcelo-rubens-paiva/a-mulher-de/)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

25 maneiras de melhorar sua saúde

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1.) Escove bem seus dentes!
 
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2.)Vista-se de acordo com o clima.

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3.)Visite seu dentista regularmente.
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4.)Descanse.
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5.) Certifique-se que seu cabelo está seco antes de sair.

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6.)Coma direito.

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7.)Tome sol, mas use um protetor solar.
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8.)Use sempre o cinto de segurança.
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9.)Manere no álcool.
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10.)Sorria! Isso fará você se sentir melhor.
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11.)Não se culpe.
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12.)Tome banho.


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13.)Leia para exercitar seu cérebro.
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14.)Fique cercado pelos amigos.
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15.)Cuidado com o excesso de cafeína.

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16.)Use o banheiro regularmente.
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17.)Faça exercícios.

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18.)Vá ao oculista.
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19.)Coma vegetais.
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20.)Acredite que as pessoas gostam de você como você é.

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21.)Perdoe e esqueça.
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22.)Tire férias.
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23.)Celebre todas as ocasiões.
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24.) Tenha um hobby para passar o tempo.
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25.)Ame ao outro como a ti mesmo.


Faça isso e com certeza você será uma pessoa melhor, mais feliz e muito saudável !!!!
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