quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Ela diz à sua avó que o marido a traiu. Veja a resposta da velha senhora ...

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Esta é uma boa lição para todos nós, não importa em que fase da vida...
Uma jovem foi conversar com sua avó, e contou sobre o quanto as coisas estavam difíceis na sua vida - o marido a havia traído e ela estava arrasada. Ela não sabia o que ia fazer e queria desistir. Ela estava cansada de lutar e brigar. Parecia que assim que um problema estava resolvido, um outro surgia.
Sua avó a levou para a cozinha. Encheu três panelas com água e colocou cada uma delas no fogão. Assim que a água começou a ferver, colocou em uma das panelas cenouras, em outra colocou ovos, e na última colocou café, sem dizer uma palavra.
Cerca de vinte minutos depois, ela desligou o fogão, colocou as cenouras em uma tigela e os ovos em outra. Então pegou o café e derramou o líquido em uma terceira tigela.
Virando-se para a neta, ela disse: "Diga-me o que você vê."
"Cenouras, ovos e café," ela respondeu.
Sua avó trouxe as tigelas para mais perto e pediu que a neta experimentasse as cenouras. Ela obedeceu e notou que as cenouras estavam macias. A avó então pediu que ela pegasse um ovo e o quebrasse. Depois de retirar a casca, ela observou o ovo cozido.
Finalmente, pediu que a neta saboreasse o café. A neta sorriu ao provar seu aroma delicioso, e perguntou: "O que significa isso, vovó?"
Sua avó explicou que cada um deles havia enfrentado a mesma adversidade: água fervente. E cada um reagiu de forma diferente. A cenoura era forte, firme e inflexível. No entanto, após ter sido submetida à água fervente, amoleceu e se tornou frágil. Os ovos eram frágeis - sua casca fina protegia o líquido no interior, mas depois de colocados na água fervendo, seu interior se tornou mais rijo. No entanto, o pó de café foi o único que, depois de colocado na água, mudou a água.
"Qual deles é você?", perguntou a avó. "Quando a adversidade bate à sua porta, como você responde? Você é uma cenoura, um ovo ou o café?"
Pense nisso: Quem sou eu? Sou como a cenoura que parece forte, mas murcho com a dor e a adversidade? Fico frágil e perco a força?
Será que sou o ovo, que começa com um interior maleável, mas muda com o calor? Será que eu tenho um espírito maleável, mas depois de uma morte, uma separação, uma dificuldade financeira ou algum outro julgamento, eu me torno mais difícil e dura? Será que minha casca parece a mesma por fora, mas no interior estou mais amarga, com o espírito e coração endurecidos?
Ou eu sou como o pó de café, que muda a água quente - a própria circunstância que traz a dor? Quando a água fica quente, ele libera a fragrância e o sabor. Se você é como o café, quando as coisas estão no seu pior, você melhora e muda a situação em torno de você. Quando o momento é de escuridão e os obstáculos são mais difíceis, você se eleva a um outro nível?"
Como você lida com a adversidade? Você é uma cenoura, um ovo ou o café?
Espero que você tenha felicidade suficiente para lhe trazer a docura, obstáculos o suficiente para lhe trazer a força, tristeza o suficiente para mantê-lo humano, e esperança suficiente para fazer você feliz.
As pessoas mais felizes não têm necessariamente o melhor de tudo - elas simplesmente aproveitam ao máximo tudo o que vem em seu caminho. Que todos nós possamos ser como o café!

Fonte: http://tudoviral.blogspot.com.br/2015/09/ela-diz-sua-avo-que-o-marido-traiu-aqui.html?m=1
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“O Judiciário é responsável pela não aplicação do Código de Defesa do Consumidor”

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A presidente da Comissão Especial de Defesa do Consumidor, Marié Miranda, criticou a postura que magistrados têm adotado ao tratar casos relacionados a danos morais. Ela falou a respeito de planos que a OAB tem feito para atuar nesse sentido com o objetivo de mobilizar a sociedade sobre o tema. Na semana passada, o presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, lançou a campanha Mero Aborrecimento Tem Valor. A campanha é uma iniciativa da Comissão Especial de Defesa do Consumidor e foi anunciada em Alagoas.

Na ocasião, Lamachia destacou a preocupação da Ordem de cuidar da preservação dos direitos do cidadão frente aos abusos do poder público ou econômico. “Com este propósito lançamos a campanha #meroaborrecimentotemvalor, que aborda os casos em que o cidadão ingressou com ação civil na Justiça e teve o pedido negado sob a justificativa de que se tratava de mero aborrecimento”, disse Lamachia. “O objetivo é fazer um levantamento das sentenças que foram fundamentadas na tese do ‘mero aborrecimento’ como excludente de responsabilidade civil, além de servir de base para estudos aprofundados acerca dessa teoria”, acrescentou ele.

Marié afirmou que ao adotar tal postura, a Justiça contribui para que empresas desobedeçam o Código de Defesa do Consumidor. “O Poder Judiciário é responsável pela não aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor pelas empresas e prestadoras de serviços porque quando eles banalizam a reivindicação do consumidor, do jurisdicionado, eles estão beneficiando as empresas”, criticou ela. “É um incentivo à desobediência ao código porque em 26 anos em que o código vigora as empresas não modificaram sua forma de agir”, disse Marié.

A presidente da Comissão Especial de Defesa do Consumidor conta que atua na área de desde que o Código de Defesa do Consumidor começou a vigorar e diz que o panorama só piora. “A situação hoje está mais grave do que era naquela época. Foi mais fácil naquela época conscientizar o consumidor, porque era uma matéria nova, era uma matéria cidadã, do que agora”, afirmou ela.

Setembro

Sancionado no dia 11 de setembro de 1990, o Código de Defesa do Consumidor será agora a inspiração de uma ação conjunta que visa justamente denunciar o descaso de alguns magistrados em ações que cobram danos morais. A alegação desses magistrados é a existência de uma ‘indústria do dano moral’. Entretanto, Marié diz que essa postura é dúbia quando se verificam os resultados de algumas ações.

“Quando se trata de um magistrado o dano moral dele vai lá para cima. Houve um caso de que tivemos notícia em que uma juíza deu uma indenização de R$ 1,50 de danos morais. Pois tempos depois ela passou pelo mesmo constrangimento e um colega deu uma sentença no valor de R$ 60 mil. Para eles há o dano, mas quando é para o jurisdicionado comum eles chamam de ‘indústria do dano moral’. Na verdade, a indústria está sendo criada por eles para favorecer as empresas prestadoras de serviço”, afirmou ela.

Ela diz que em setembro haverá uma grande mobilização conjunta para denunciar as sentenças de valor irrisório. "Estamos fazendo uma coleta de decisões no Brasil inteiro através das comissões das seccionais. Vamos juntar essas sentenças que consideramos imorais e devemos levá-las ao CNJ com a presença do presidente Lamachia. São decisões absurdas porque para alguns existe o dano moral e para outras não. Para eles têm valor, mas para o jurisdicionado comum não tem”.

Além disso, no mês de setembro, que é o mês do Código de Defesa do Consumidor, o plano é mobilizar as seccionais em todos os estados para que numa data a ser definida sejam feitas visitas às turmas recursais, aos fóruns e aos juizados especiais. “No mesmo dia o Brasil inteiro fazendo esse trabalho. Vamos com os adesivos com o símbolo da campanha. Não vamos fazer nenhum comentário, não falaremos com os juízes. Apenas nos faremos presentes e mostrar a eles nossa insatisfação”, explicou Marié.

Fonte: OAB


http://thiagonvieira.jusbrasil.com.br/noticias/376176639/o-judiciario-e-responsavel-pela-nao-aplicacao-do-codigo-de-defesa-do-consumidor-diz-presidente-de-comissao?utm_campaign=newsletter-daily_20160824_3916&utm_medium=email&utm_source=newsletter
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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Ainda existem humanos entre nós

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Medalhas são lindas. Aos vencedores, minha admiração mas, hoje meus sentimentos transcendem a admiração.

Aos que negam cumprimentar, xingam e achincalham seus antagonistas, alimentando a cultura do ódio, é inútil pedir um minuto de silencio e consternação.

Mas foi isso que fiz solitariamente diante do gesto da família de Stefan Henze, técnico da equipe alemã de canoagem slalom, ex-atleta e medalhista olímpico que morreu aos 35 anos, vitima de um acidente na Barra da Tijuca. 

A família de Henze transcendeu todas as honrarias ao autorizar que os órgãos do atleta fiquem no Brasil,onde morreu. 

Na noite de ontem os órgãos do Stefan Henze foram retirados no Miguel Couto e encaminhados a vários hospitais do Rio. O coração do atleta foi transportado para o Hospital de Laranjeiras. 

Os seres humanos ainda estão entre nós!

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segunda-feira, 4 de julho de 2016

É tempo de viver sem medo

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Eduardo Galeano - Fonte: https://youtu.be/GrplviKwbr8
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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Ciência comprova: é melhor estar só do que mal acompanhado

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Um novo estudo sugere que estar infeliz em um relacionamento traz mais prejuízos para a saúde do que estar solteiro

Um estudo mostrou que quanto mais as pessoas estiverem em relacionamentos longos e de alta qualidade, ou quanto mais rápido saírem de relações de baixa qualidade, melhor será sua saúde.

Boa notícia para os solteiros: a ciência comprovou que o velho ditado “antes só do que mal acompanhado” é verdadeiro. Um estudo publicado recentemente no periódico científico Family Psychology mostrou que, para a saúde, é melhor estar sozinho do que em um relacionamento infeliz. Por outro lado, relacionamentos de alta qualidade estão associados a uma melhor saúde física e mental.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Universidade de Buffalo, em Nova York, analisaram, ao longo de dois anos, jovens adultos que estavam em relacionamentos sérios. De acordo com os autores, a maioria das pesquisas sobre relacionamento e saúde foca o casamento, mas outros tipos de relacionamento podem impactar, para melhor ou para pior, a saúde, principalmente em jovens adultos que tendem a se casar mais tarde.

Os participantes do estudo responderam a questões relacionadas aos seguintes fatores sobre seus relacionamentos: satisfação, hostilidade de cada parceiro, críticas, apoio, bondade, carinho, compromisso e comportamento fora do relacionamento. De acordo com os autores, ao longo do estudo, um terço dos participantes passou por grandes mudanças em suas relações.

Os resultados mostraram que quanto mais as pessoas estiverem em relacionamentos longos e de alta qualidade, ou quanto mais rápido saírem de relações de baixa qualidade, melhor será sua saúde. Segundo Ashley Barr, principal autora do estudo, padrões de instabilidade nos relacionamentos estão relacionados a sintomas de depressão, problemas com álcool e a prejuízos para a saúde em geral.

“Não é estar em um relacionamento o que importa; benéfico é estar em uma relação de longo prazo e alta qualidade. Relacionamentos de baixa qualidade são prejudiciais à saúde. Os resultados sugerem que, para a saúde, é melhor ficar solteiro do que estar em um relacionamento ruim”, afirma Ashley Barr, principal autora do estudo.

Estudos anteriores já haviam associado insatisfação no relacionamento com problemas de saúde. Uma pesquisa publicada no periódico científicoPsychosomatic Medicine mostrou que pessoas que têm poucas interações positivas com o seu cônjuge ou parceiro corriam um risco 8,5% maior de ter um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC) do que aquelas que tinham interações predominantemente positivas. Outro estudo, publicado no periódico especializado Health Psychology, sugeriu que mulheres em casamentos felizes têm quatro vezes mais chances de sobrevivência a longo prazo depois de uma cirurgia de ponte de safena. Entretanto, os cientistas ainda não sabem explicar o porquê desses impactos dos relacionamentos para a saúde.



Fonte: http://veja.abril.com.br/saude/estudo-comprova-e-melhor-estar-so-do-que-mal-acompanhado/
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sábado, 25 de junho de 2016

Caluda, Tamborins (ou de Como O Biltre do Demo Enredou Na Sua Parlanda A Trêfaga Natércia)

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Caluda, tamborins, caluda!
Um biltre meu amor arrebatou.
No paroxismo da paixão ignota
Supu-la um querubim, não era assim.
Caluda, tamborins, caluda...
Soai plangentemente, ai de mim.


Vimo-nos num ror de gente
E, sub-repticiamente,
O olhar seu me dardejou.
Cáspite, por suas nédias madeixas
Que suaves endechas
Em pré-delíquio o pobre peito meu trinou.
Fomo-nos de plaga em plaga,
Pedi-lhe a mão catita,
Em ais de êxtase m'a deu.
E o dealbar de um amor
Em sua pulcra mirada resplandeceu, olarila!



Férula, ignara sorte
Solerte a garra adunca
Em minha vida estendeu!
Trêfaga ia a minha natércia,
Surge o biltre do demo,
Rendida à sua parlanda, ela se escafedeu.
Vórtice no imo trago.
São gritos avernais
Que no atro ódio exclamei.
Falena sou, desalada...

Ó numes ouvi-me: aqui del-rey!


Compositor: Mário Lago
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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Diogo Mainardi + Mario Sabino, os antagonistas

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— O ex-redator-chefe da Veja Mario Sabino e o ex-colunista da Veja Diogo Mainardi se juntam para fazer O Antagonista... Que tal?

— Em matéria de ex, só falta a Ivana Trump.

— Será que nossos leitores sabem quem é a Ivana Trump?

— Duvido.

— Dois fantasmas do jornalismo impresso tentam assombrar o jornalismo online... É melhor assim?

— Parece a trama de um desenho do Scooby Doo.

— Será que nossos leitores sabem quem é o Scooby Doo?

— Todo o mundo conhece o Scooby Doo.

— O antagonista é aquele que amola o protagonista. Nosso jornal pretende amolar os protagonistas da política, da economia, da cultura... É mais ou menos isso, não é?

— O antagonista, nas melhores histórias, tenta eliminar o protagonista. Prefiro eliminar a amolar.

— Acho que seremos eliminados antes. Não seria melhor só amolar? Quem vai patrocinar gente como nós?

— Você só pensa em dinheiro. Vamos fazer o jornal, depois arrumamos patrocinadores. O Antagonista nasceu porque tivemos uma pequena ideia.

— Uma média ideia.

— A internet tem tudo, mas precisa de um bom editor capaz de pautar, cortar, expurgar e copidescar. Concordo: é mais do que uma pequena ideia, é um caminho.

— Assim fico sentimental como um ex-tupamaro: “Caminante, no hay camino; se hace camino al andar”...

— Tupamaro? Somos de direita.

— Somos? Tinha esquecido, não podemos frustrar nossos leitores.

— Ao lado de cada matéria, sempre entrarão as melhores sacadas de quem nos acompanha.

— Nada de deixá-los só lá atrás, nas caixas de comentários.

— Lá atrás e lá embaixo.

— Vamos colocá-los em igualdade com jornalistas famosos cujas opiniões também entrarão na mesma área.

— Se a gente gostar do que esses jornalistas disseram a respeito do assunto.

— Mas, se não gostarmos, poderemos comentar a opinião do sujeito.

— Temos o direito constitucional...

— ...de escarnecer, ...

— ...de ridicularizar,...

— ...de esclarecer,...

— ... de cultivar inimigos...

— ...e influenciar pessoas.

— E se não der certo essa história de por comentários lá na frente?

— Cancelamos. O site é nosso, ora bolas.

— O Antagonista é um conceito novo na internet.

— Boa frase para propaganda.

— Você não entende nada de propaganda: é uma frase surrada.

— Mas faz sentido.

— E quem disse que boa propaganda requer sentido?

— Me perdi: quem está falando agora, o Diogo Mainardi ou o Mario Sabino?

— Tínhamos combinado que isso não importaria. Não assinaremos as matérias, dividiremos a responsabilidade. O protagonista é O Antagonista.

— Quase ia esquecendo: vamos fazer reportagens investigativas.

— Várias.

— Muitas.

— Então dividiremos também os processos. Político, especialmente, odeia reportagem investigativa.

— Será que teremos como pagar as indenizações, se formos condenados?

— Você só pensa em dinheiro.




http://www.oantagonista.com/sobre?utm_medium=email&utm_campaign=NL-Antagonista-2016-06-22&utm_content=NL-Antagonista-2016-06-22+CID_0f319187586a3b95d2b755b63168b06a&utm_source=Email%20Antagonista

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Sou infeliz, mas tenho namorado

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Resolvi levantar quando o corpo já estava doído do colchão e eu não encontrava mais nenhuma posição em que pudesse ocupar cada pedacinho daquilo que agora parecia um latifúndio. Meu latifúndio. Foram quase dois anos dividindo espaço, contas, despertador, planos, doenças sexualmente transmissíveis, um arremedo de amor (era só tesão) e uma tonelada de frustrações diárias.

Eu estava sozinha. Estava livre. Estava tranquila depois de muito tempo me convencendo que era melhor ser infeliz do que não ter alguém para chamar de namorado, alguém para desfilar por aí como uma bolsa de grife, alguém que servia como atestado de pessoa-feliz-para-sempre. Tudo mentira, tudo ilusão, tudo a maior roubada.

A cama é o pau de arara do amor. Quando a gente apaga as luzes e deita a cabeça no travesseiro, todas as dúvidas, tristezas e arrependimentos vêm uma por uma como chibatadas. Vai ficar com esse amorzinho pão com ovo? Ahh, nem é tão ruim assim. A gente vira de ladinho, sorri para a caixinha de tarja preta e apaga antes de ter um lampejo de lucidez.

Dormimos em cima das incertezas e no dia seguinte, ficamos felizes com um beijinho na testa, um tapinha na bunda e um "tchau, amor" vagabundo. Quase abanamos o rabo de felicidade. Que bobagem essa coisa de ter alguém e ainda querer felicidade no pacote. Bobinha.

Sou infeliz, mas tenho namorado, me resignava. E era um tanto louca que pensava em casar com o fulano. Ele me critica o tempo todo, me compara com a ex, abala minha autoestima. Nem muita admiração eu sinto. Ahh, ninguém precisa ser tão exigente, certo? Foi apego aos orgasmos semanais. Só pode.

Me apequenei tanto naquela relação, que nas primeiras noites sozinha me encolhia no cantinho com medo de na madrugada descobrir que já não me pertencia de novo. Tinha pavor de ser engolida por aquilo que eu chamava de amor, mas era só medo de ficar sozinha. E esse sentimento nos faz acreditar que qualquer pessoa pode transformar nosso mundo num lugar mais quentinho, macio e confortável. A gente acredita que para ser feliz tem que ter alguém que nos ajude a ser infeliz todos os dias.

Sozinho não é bom. Sozinho é só metade. Sozinho é incompleto. Sozinho é inacabado. Sozinho é fracasso. Sozinho não pode. Até que você vive tantas relações miseráveis e descobre que os momentos mais felizes de sua vida foram aqueles em que não tinha ninguém para infernizar suas noites de sono.

E você passa a ser insuportavelmente feliz assim. Que felicidade é dormir em diagonal na cama, pedir pizza de um sabor, deixar o secador dentro da pia, aceitar convites para sair às 23h. Foi apenas quando me senti completa que cheguei aquele estágio em que pavor mesmo eu tinha era de ser infeliz e não de ficar sozinha. Só faz sentido ter alguém quando a gente percebe que não precisa de ninguém. Mas leva tempo para entender e assimilar essa maneira de viver.

E até o dia dos namorados deixou de ser aquela data opressora quando você vai comprar ração para cachorro e a vendedora te estende um cupom para concorrer a um jantar com fondue. Quem precisa de um namorado para isso?

Mas em todas as vezes que passei a data sozinha comemorei por não estar com um tipo que preenchesse características como mala, cafa, sacana, psicopata, egoísta, louco. Num ano, comprei uma joia. No outro, passei o dia no spa. Num terceiro, viajei com amigos. Não sabia o que a vida me reservava, mas tinha uma certeza: só dividiria o meu latifúndio de novo com alguém que me fizesse ainda mais feliz do que eu era quando era muito feliz comigo mesma.



Mariliz Pereira Jorge - Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2016/06/1779802-sou-infeliz-mas-tenho-namorado.shtml?cmpid=newseditor
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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Corpos expostos

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Apareceu no Facebook, compartilhado por alguém que teve a prudência de não acrescentar comentários, um videozinho bem representativo da cultura sexual contemporânea.

Deve haver muitos parecidos, mas você pode encontrar o de que estou falando na página "São Gonçalo caiu no Face". O título do filmete é "Eita, eita, eita, a favela tá liberada rs".

Nada de diferente, imagino, daquilo que acontece nos bailes funk –onde, como se sabe, meninas têm o hábito de irem "preparadas" (isto é, sem calcinha) para a noite frenética. Mas a cena a que me refiro acontece à luz do dia, numa rua qualquer de bairro popular.

Umas seis ou sete jovens, nada anoréxicas, dançam de shortinho ou minissaia na frente de alguns rapazes que não esboçam reação. Elas estão quase de quatro, e dizer que rebolam seria um vago eufemismo.

Sacodem-se em estado de verdadeira fúria uterina. Com os pés bem afastados, abrem e fecham os joelhos como se quisessem sugar, pela pelve, o asfalto do chão. Enquanto a minissaia parece rumar para a cintura, uma menina (devem ter uns 15 anos no máximo) esfrega de leve o dedo na parte descoberta.

Fiquei chocado, e –como todo mundo que se choca com essas coisas– apresso-me em dizer que não sou moralista. Não sou moralista, mas...

Aquilo me pareceu uma brutalidade feita com o próprio corpo. Elas mesmas se reduziam, a meu ver, a simples bundas e vaginas. Não havia rosto, não havia passos, não havia variação, não havia metáfora naquela dança: contava apenas a batida do sexo.

Não dá sequer para dizer que havia sensualidade, algo que pressupõe a insinuação e o convite. Elas simplesmente copulavam sem parceiro, e com um mínimo de roupa.

Não ignoro que, cem anos atrás, havia quem considerasse o tango ou o maxixe absolutas indecências. Difícil imaginar qual minha reação se vivesse naquela época. Tudo depende, claro, de inúmeras coisas: a idade que eu teria, o lugar de onde viesse...

Uma diferença, contudo, é objetiva. Nas danças "obscenas" de antigamente, quem participava era o casal: havia consentimento entre homem e mulher, e o que se encenava, por mais sexual que fosse, trazia a forma da oferta e da recusa, da atração e da distância.

Aqui, o que se faz é uma exposição carnal, em que meninas competem pela atenção do macho.

Talvez o leitor esteja pensando aquilo que eu mesmo pensei assistindo ao vídeo: essas jovens não estariam provocando o próprio assédio, a própria violência sexual?

Mas quando surgem raciocínios desse tipo é que vejo o quanto a "cultura do estupro" está arraigada, até em mim mesmo. Obviamente essas meninas estão "provocando". Do mesmo modo que alguém, num carro de luxo, pode estar "provocando" seu próprio assalto ou seu sequestro. A provocação não absolve o crime.

A questão é mais sutil, entretanto. Como mostrou o interessante texto de Claudia Collucci, na Folha desta segunda (6), a legislação sobre o estupro mudou muito ao longo do tempo –e o entendimento do crime também.

A ideia de que a moça violentada "provocou" o homem corresponde, na verdade, a uma visão em que a lei não se preocupava unicamente em proteger a mulher. Se uma virgem é estuprada, o prejudicado com isso será o pai, o noivo, o marido... Quanto à outra, a de "maus costumes", o sistema legislativo e jurídico tem menos a reprimir.

As meninas do funk, de modo chocante para mim, pertencem a outro universo. A beleza e a juventude do corpo são entendidas, imagino, quase como armas –como instrumentos de poder. É disso que elas dispõem para obter a proteção, o amor, a fama, o dinheiro de um traficante ou de alguém respeitável no lugar. Não são "inocentes", nesse sentido: fazem o melhor uso possível de seu "capital" corporal.

O estupro, nesse caso, é não apenas uma violência física e moral: é uma espécie de assalto, de usurpação, de um bem que a jovem tem o direito de dispor como quiser.

Nesta interpretação, não haveria como associar diretamente a ideia de "mulher objeto" com a "cultura do estupro". A mulher contemporânea tem todo o direito de se valer da beleza física, de se mostrar como "objeto" se assim o desejar. Exatamente para se proteger esse direito, esse uso, é que o estupro merece ser punido: estão tirando à força, da mulher, seu poder de seduzir.





Marcelo Coelho - Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelocoelho/2016/06/1779326-corpos-expostos.shtml?cmpid=newseditor

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Trapaças e Desencontros

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Nossa espécie está condenada a uma dança de trapaças e desencontros


"Ela apontou a pistola para ele, e disse: 'Você vai tirar a roupa e me comer agora!' Sem alternativas, ele obedeceu: deitou-se de costas enquanto ela o cavalgava, encaixando-se em sua ereção".

Não é preciso entender de natureza humana para saber que a peça de ficção acima é totalmente inverossímil. Enquanto, para os homens, o estupro é uma estratégia reprodutiva de negociação mínima, o contrário não se aplica: um homem intimidado não ficará ereto.

E os temores nem precisam vir da ponta de uma arma. Conta-se que Antônio Maria foi confundido com o escritor Carlos Heitor Cony por uma estonteante loura, que se declarou sua fã. Ele confirmou. Afinal num motel, a moça chamou-o para a cama. Neste ponto, Cony, que ouvia a história, perguntou-lhe ansioso:

"E aí, Maria, e aí?"

"Aí, Cony, VOCÊ brochou!"

David Buss, psicólogo evolucionista, escreveu um livro chamado "Por que as mulheres fazem sexo". Tem duzentas páginas. Elas podem se dar ao luxo de terem tantas e diferentes razões, pois não precisam de muito aparato biológico para o congresso carnal. Se o livro tratasse de homens, só teria uma linha: "Porque tiveram desejo e conseguiram uma ereção". Ah, e teriam que escapar da ejaculação precoce, outra manifestação do desconforto psíquico frente ao sexo.

Ou seja, quer função? Não intimide, não coaja, não cobre, não culpe: nós homens somos muito frágeis nesse setor, precisamos nos sentir "por cima da situação" para funcionar. Já que são as mulheres que escolhem quem terá acesso a elas –e toda misoginia vem do inconformismo com esse poder–, há dois softwares básicos de fazer a corte que rodam na cabeça masculina: o "papai" e o "cafajeste".

Se pudéssemos traduzi-los, o "papai" diria: "Aceite-me, pois eu sou um bom rapaz, atencioso, respeitador, acho você o máximo, vou te ligar amanhã, quero me casar com você, cuidar de nossos filhos, nunca te abandonarei".

E o "cafajeste": "Humm, você é gostosa e eu vou te levar à loucura, vou soltar essa puta que existe em você e que ninguém mais vê além de mim, vamos acabar com essa babaquice de ser santa, você não nasceu pra isso, você nasceu para ser feliz no sexo, a hora é esta, sem amanhã".

Curioso é que o equivalente do programa "santa", das mulheres de autoestima elevada, não seja o "papai": ele roda nos homens que não se acham os maiorais. Nestes últimos roda o "cafajeste".

Como a mãe natureza privilegia a quantidade de filhos, mas também cuida da qualidade de criação, ambos os programas têm seu apelo: uma mulher pode amar seu marido fiel e ficar transtornada com o cafajeste que lhe mostre desejo.

Finalmente, um homem tendendo a papai pode bem tentar simular um cafajeste par a melhorar suas chances.

E vice-versa: na ópera "Don Giovanni", de Mozart, o proverbial cafajeste que deu origem ao termo Don Juan canta Zerlina, noiva de um camponês, prometendo-lhe casamento nobre na ária "La ti darem la mano" ("Você não foi feita para ser camponesa").

Não adianta: para continuar a existir, nossa espécie está condenada a uma dança cheia de trapaças e desencontros, ainda que cheia de desejo de encontro e de sinceridade.




Francisco Daudt - Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/franciscodaudt/2016/05/1774778-nossa-especie-esta-condenada-a-uma-danca-de-trapacas-e-desencontros.shtml
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O voo e o ninho

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O destino de um pássaro é voar, está em seus genes. Mas, para voar ele precisa do ninho. O ninho o protege, aquece e alimenta enquanto suas penas não crescem, suas habilidades de voo não se desenvolvem. Se o ninho o expulsa precocemente, ele se estatela no chão e morre. Mas, se o ninho o prende além da conta, ele não aprende a voar, ele fica restrito àquele casulo, ele não cumpre seu destino.

O bom destino de um pássaro, portanto, depende de um delicado equilíbrio entre o voo e o ninho: excesso de ninho aleija o pássaro; falta de ninho o mata.

Conosco não é diferente: precisamos de colo, de amparo, de proteção para seguir nosso destino –se concordarmos que nosso bom destino é a independência e a autonomia do indivíduo que se formou.

Mas o equilíbrio necessário para essa formação, a conversa entre ninho e voo, entre colo e independência, é infinitamente mais complexa e delicada que a dos pássaros. Eles, afinal, estão programados pelo instinto, que a eles se impõe como força maior.

Nós, não. Nossa espécie tem um programa de aprendizado tão extraordinário, e um tempo de aprendizado tão enorme, que o instinto com que nascemos vai se colorindo de experiências e de memórias tão singulares que o produto resultante se distingue do instinto, e ganha assim um nome novo: desejo.

Desejo: esse programa oceânico e descomunal que nos rege mantém com o instinto relações de raiz. Sim, continuamos a querer reprodução como os pássaros querem, mas de forma bem mais complicada, para dizer o mínimo.

De tal forma que, sim, nós botaremos filhos no mundo. Agora, daí a ter habilidade e competência para levar bem o equilíbrio entre ninho e voo, ah, isso é outra conversa.

A menina de oito anos levou um bilhete escrito por ela para sua mãe: "Não suporto mais esse cárcere maldito! Libertem-me dos grilhões que me aprisionam". A mãe leu o bilhete e disse: "Ai, que lindo! Vou grudar na geladeira".

Para quem acha que a psicanálise tem mania de culpar os pais, devo dizer que não é bem isso. O que ela faz é rastrear a história das incompetências da criação de cada um. Você acha que a mãe daquela menina é culpada de algo? Não, ela foi apenas incompetente, incapaz de perceber que a filha se expressava assustadoramente bem, com um diagnóstico preciso do que se passava. Incapaz de corrigir-se e de corrigi-lo. Culpa implica má intenção, e é muito raro ver pais mal intencionados em relação aos filhos.

Criar filhos é a profissão mais difícil que existe. Como ela é universalmente adotada, seja com talento e vocação, seja sem –o que é mais frequente–, o que acontece é que somos resultado de um show de incompetências. Uns pássaros ora aleijados, ora estropiados, de voo capenga, passando as incompetências de geração em geração.

A essas incompetências de criação que carregamos como um fardo pela vida afora, Freud deu o nome de Complexo de Édipo.

Édipo, o pobre grego quase assassinado pelos pais biológicos, que teve sua origem escondida pelos pais adotivos, e como fruto dessa trapalhada acabou se casando com a própria mãe. E se culpou por isso!

Pobre diabo foi ele. Pobres diabos somos nós.




Francisco Daudt - Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/franciscodaudt/2016/06/1779337-o-voo-e-o-ninho.shtml?cmpid=newseditor
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terça-feira, 31 de maio de 2016

UVI STRELLA (de Bilac em "Ouvir estrelas") - Juó Bananere

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Che scuitá strella, né meia strella!
Vucê stá maluco! e io ti diró intanto,
Chi p'ra iscuitalas moltas veiz livanto,
I vô dá una spiada na gianella.



I passo as notte acunversáno co'ella,
Inguanto che as otra lá d'un canto
Stó mi spiano. I o sol come un briglianto
Nasce. Oglio p'ru céu: — Cadê strella?!




Direis intó: — Ó migno inlustre amigo!
O chi é chi as strellas ti dizia
Quano illas viéro acunversá contigo?




E io ti diró: — Studi p'ra intendela,
Pois só chi giá studô Astrolomia,

É capaiz de intendê istas strella.



JUÓ BANANÉRE, pseudônimo de Alexandre Ribeiro Marcondes Machado. 
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Saudade - Patativa do Assaré

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Saudade dentro do peito
É qual fogo de monturo
Por fora tudo perfeito,
Por dentro fazendo furo.

Há dor que mata a pessoa
Sem dó e sem piedade,
Porém não há dor que doa
Como a dor de uma saudade.

Saudade é um aperreio
Pra quem na vida gozou,
É um grande saco cheio
Daquilo que já passou.

Saudade é canto magoado
No coração de quem sente
É como a voz do passado
Ecoando no presente



Patativa do Assaré - Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré (Assaré, 5 de março de 1909 — Assaré, 8 de julho de2002), foi um poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro
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sábado, 28 de maio de 2016

Governo deve legalizar jogos de azar no Brasil? SIM

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UMA APOSTA NO BRASIL



O projeto de legalização de jogos de azar, em discussão no Congresso Nacional, é uma aposta que vale a pena para o país. Essa questão precisa ser debatida sem preconceitos, de maneira profunda e pensando exclusivo no interesse nacional.

Devemos evitar que o atual momento de eletricidade no ambiente político contamine uma discussão que o Brasil, mais cedo ou mais tarde, precisará enfrentar.

Antes de tudo, temos de encarar o tema com uma atitude pragmática. Afinal, quem ganha e quem perde com a legalização do jogo? Depois de estudar a fundo o tema, não tenho receio de dizer que o ganhador dessa aposta será a sociedade brasileira.

O objetivo maior do projeto é criar um marco regulatório para a exploração dos jogos de azar no Brasil. Dessa forma, o jogo do bicho, o bingo e os jogos que existem nos cassinos seriam legalizados, na mesma linha da loteria.

Diversos benefícios serão gerados para o país quando essas práticas forem legais. Na prática, o jogo já existe, só que na clandestinidade, sem pagar impostos, sem trazer ganhos para a coletividade. A legalização permitirá justamente trazer essa realidade para o controle dos cidadãos.

Outra vantagem importante é manter a riqueza gerada por esse segmento dentro de nossas fronteiras.

Quantos brasileiros não levam nossas divisas para apostar no exterior? Pois bem, a legalização vai fortalecer o turismo, a economia e a política de desenvolvimento do Brasil, incrementando a atividade das localidades nas quais esses estabelecimentos forem instalados. Sem contar a cultura.

Uma cidade como Las Vegas, por exemplo, atrai todos os anos mais de 40 milhões de turistas. No Brasil como um todo, o turismo está em torno de 6 milhões anuais.

Com certeza, a legalização do jogo vai nos colocar no mapa do turismo mundial, gerando riqueza e trabalho aqui, por meio dos empregos diretos e indiretos dessa atividade. Entre os 156 países que compõem a Organização Mundial do Turismo, mais de 70% já legalizaram o jogo.

Anualmente, as apostas ilegais movimentam mais de R$ 18 bilhões. A legalização, defendida em projeto de minha autoria, poderia fazer o Brasil arrecadar pelo menos R$ 15 bilhões por ano.

Em meu projeto, sugiro também a criação de uma contribuição social sobre essa atividade, destinando esses novos recursos para áreas como saúde, previdência e assistência social.

De acordo com a proposta, a exploração dos jogos só seria regulamentada e concedida pelos Estados e pelo Distrito Federal aos estabelecimentos que comprovem capacidade técnica, idoneidade financeira e regularidade fiscal. Assim, aqueles que explorarem jogos de azar sem a devida autorização e sem preencher esses requisitos estarão sujeitos à penas de detenção de três meses a um ano, além de multa.

Em países avançados, como os Estados Unidos, os jogos são administrados por empresas privadas, com capital aberto na Bolsa de Valores. Isso significa que a possibilidade de fiscalização sobre esse segmento é total.

O crime se alimenta de dinheiro frio, gerado nas sombras. Nada melhor para combatê-lo do que trazer todas as atividades, inclusive os jogos, para o controle da lei.

Hoje temos tecnologia para monitorar cada passo dessa indústria. Quem ganha com a informalidade dos jogos no Brasil são os sonegadores, o crime organizado e a corrupção. Legalizar significa fazer uma nova aposta, na qual o Brasil será o grande vencedor.



CIRO NOGUEIRA 47, é senador (PP/Piauí). É autor de projeto de lei, que tramita no Senado, sobre a exploração de jogos de azar no país - Fonte: 
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2016/05/1775453-governo-deve-legalizar-jogos-de-azar-no-brasil-sim.shtml

terça-feira, 24 de maio de 2016

Bons tempos aqueles...

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BONS TEMPOS AQUELES...


... em que sexo escandalizava. Revi hoje um filme de meus dias de juventude, Les Amants, de Louis Malle. O filme é de 1958, é obra das mais castas, mas causou repulsa no país todo, por uma cena na qual Jean-Marc Bory, no papel de Bernard, desce os lábios pelo corpo de Jeanne Moureau, a musa da época.

A cena é tão sutil que, nos dias de hoje, nin

guém pensaria em sexo oral. A única sugestão do gesto nefando é a cabeça de Bory que some da tela, enquanto a mão de La Moureau faz um leve gesto, que poderia significar tanto desconforto quanto prazer. Mas o público viu bem mais longe.

A cena terminava aí. Ao ser exibido em Porto Alegre, já nos anos 60, um grupo de espectadores criou a Turma do Apito. No momento da cena, a turma apitava em protesto ao gesto abominável. Isso que a câmera não descia nem mesmo até os seios! A Turma do Apito, talvez intuindo o próprio ridículo, se manteve sempre no anonimato. Soube-se mais tarde que era liderada por um ilustre jurista, o Dr. Rui Cirne Lima, diretor da Faculdade de Direito da URGS. Na época, apesar de séculos de literatura fescenina, sexo oral era tabu. Um criminalista como Washington de Barros Monteiro, por exemplo, em seus comentários ao Código Penal, falava do "asco indizível da felatio in ore". Se bem me lembro de minhas aulas de Direito, ele também afirmava que "mesmo no tálamo conjugal, a esposa guarda resquícios de pudor". Assim falavam os juristas há meio século.

Alguns anos depois, la Moreau novamente mexia com a moral vigente, com Jules et Jim, filme de François Truffaut, onde a personagem central, Catherine, vivia um tranqüilo triângulo com dois amigos, o Jules e o Jim do título. O ano de feitura do filme, 1962, é emblemático, foi quando chegou a pílula anticoncepcional no Brasil. O filme terá chegado alguns mais tarde, quando já se respirava melhor em termos de costumes. O idílico romance de Catherine - ambientado em Paris, em 1912, antes da primeira guerra - foi recebido sem escândalos e saudado como um hino à vida e ao prazer, que celebrava a amizade e a ternura.

Em 65, Luchino Visconti deu mais uma sacudida nas já complacentes estruturas do que então se chamava de família burguesa. Com Vagas Estrelas da Ursa, o conde cineasta abordava o incesto entre irmãos. A transgressão foi tranqüilamente absorvida. Que mais não fosse, não é fácil ter uma irmã como la Cardinale. Em 1968, Pier Paolo Pasolini faz mais uma investida contra a fortaleza assediada. Em Teorema, um estranho se hospeda na mansão do dono de uma fábrica e seduz a mãe, o pai, a filha, o filho e nem a empregada consegue escapar de seu fascínio.

Em 71, Visconti ataca de novo com A Morte em Veneza, onde narra a paixão senil do compositor Gustav Von Aschenbach pelo belo e quase imberbe Tadzio. O filme era baseado no livro homônimo de Thomas Mann, de 1912, mesmo ano em que se situa a trama de Jules et Jim. Hoje, não faltaria quem quisesse censurar o filme como apologia à pedofilia.

Em 76, Nagisha Oshima mostra, em O Império dos Sentidos - com direito a detalhes - o que Louis Malle apenas insinuara em Os Amantes. Proibido no Japão, o filme muito deve ter contribuído para a indústria turística... francesa. Excursões de japoneses - e japonesas, principalmente - invadiam Paris para ver o filme de Oshima. Eu o assisti em uma sala da Champs Élysées, em meio aos risos histéricos dos japas. Não que o filme fosse divertido. Rir, no Japão, é uma forma de expressar nervosismo.

No Ocidente, respirava-se bastante bem naqueles dias. Estes outros filmes não provocaram escândalo, mas apenas o burburinho que um bom filme provocava então. A família não morreu, como temiam os puritanos da época. Apenas tornou-se mais aberta ao prazer. As esposas haviam perdido seus resquícios de pudor no tálamo conjugal, como diziam os juristas. Naqueles tempos, ter um filho homossexual era uma desgraça. Hoje, um pai ou mãe respiram aliviados se o filho não tem Aids.

Ó tempora! O filme de Malle passou hoje na TV, às 5 da tarde, e duvido que qualquer adolescente sequer tenha percebido o significado da cena abominável. Nada como viver até os 60 para sentir o ridículo abissal de meio século atrás. Bons tempos aqueles, em que as pessoas se escandalizavam com uma pitada de sexo.

Sexo tornou-se banal. Com o intuito de chocar o público jovem – pois cinema hoje é feito para jovens – os produtores apelaram ao sadismo e aos borbotões de sangue, quando não cadáveres putrefatos: piranhas, serra elétrica, mortos-vivos. Os filmes viraram seriados. O gênero se tornou monótono, os jovens cansaram e passaram a rir de zumbis e rios de sangue.

Urgia renovar. Até mesmo cineastas de renome apelaram à escatologia e mutilações. Pasolini faz seus personagens comer fezes de colherinha em Salô. Em Anti-Cristo, Lars von Trier faz uma mulher cortar o clitóris com uma tesoura. E promete mais em seu último filme, Ninfomaníaca.

Otários é o que não falta para encher as salas.




Janer às 7:26 PM - 
https://www.facebook.com/berenice.ribeiro/posts/10209273090815442
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sábado, 14 de maio de 2016

Um rosto que não se reflete - A Dismorfia corporal

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Um transtorno distorce a imagem que você tem do próprio corpo. Poucos o conhecem




A dismorfia corporal se caracteriza pela percepção distorcida da própria imagem e pode causar enormes estragos na vida psíquica dos afetados

"Peso 100 quilos. Tenho braços grossos. Meus ombros e meus quadris são largos demais. Sou muito alta." Assim a jornalista Daiana Garbin, de 34 anos, descreve o próprio corpo. Daiana, como se vê na foto acima, é lindíssima e tem medidas invejáveis para qualquer mulher: 65 quilos perfeitamente distribuídos em 1,70 de altura. A distorção da realidade, porém, está longe de ser imaginária. Ela de fato se vê assim. A alteração visual é atribuída a uma doença psiquiátrica específica e bem definida pela medicina.

Chamada de transtorno dismórfico corporal (TDC) ou dismorfia corporal, caracteriza-se justamente pela percepção alterada de si mesmo diante do espelho. "A dismorfia é capaz de causar enormes estragos na autoestima dos pacientes", diz Joana de Vilhena Novaes, psicóloga e coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza da PUC do Rio de Janeiro. Essa doença grave, porém, é ainda muito pouco conhecida. Pelas próprias características que a definem, ela é indevidamente confundida com... excesso de vaidade.

Descrita pela primeira vez no fim do século XIX, a dismorfia corporal só agora começou a ser discutida de maneira aberta entre aqueles que sofrem da doença. Recentemente, o britânico Robert Pattinson, ator da saga Crepúsculo, afirmou a uma revista australiana viver incomodado por ser franzino demais (não é), a ponto de preferir não ser visto sem camisa. Pattinson já foi diagnosticado com TDC. No Brasil, Daiana foi a principal responsável pela divulgação do problema ao criar um canal no YouTube, o Eu Vejo. Seus depoimentos francos, intercalados com declarações de outros pacientes, fez o TDC virar notícia e seu programa, referência.

O TDC acomete cerca de 2% da população global - no Brasil, seriam cerca de 4 milhões de pessoas. A doença tem traços de compulsão, naturalmente percebidos pelos pacientes mas dificilmente identificados por familiares e amigos. O doente não vê sua imagem distorcida pura e simplesmente. Ele age de forma obsessiva em função dessa percepção. Com o objetivo de camuflar o defeito imaginado - que pode ser do corpo inteiro ou de apenas uma pequena porção dele -, ele checa constantemente a própria aparência no espelho, escova excessivamente o cabelo, exagera nos cuidados estéticos. 

Diz o dermatologista Jardis Volpe, de São Paulo: "Esse tipo de paciente quer se submeter a inúmeros procedimentos para corrigir problemas mínimos ou inexistentes e, independentemente do resultado, nunca está satisfeito". 

As medidas tomadas pelos portadores do transtorno podem ser ainda mais dramáticas. Estima-se que um terço deles tenha recorrido a mais de uma cirurgia plástica para "corrigir" sucessivas vezes um mesmo problema. O TDC ainda costuma ser acompanhado de outros distúrbios. Cerca de 90% dos doentes sofrem de depressão; 48% abusam de bebidas alcoólicas e 32% sofrem de anorexia ou bulimia.

Homens e mulheres são vítimas do transtorno em igual proporção. A faixa etária mais acometida é a dos 15 aos 20 anos. Uma das possíveis explicações é que nessa fase o cérebro está em plena ebulição. 

Os estudos mais consolidados indicam uma origem neurológica para o transtorno. O cérebro dos pacientes com TDC sofre de um descompasso de substâncias como noradrenalina, dopamina e serotonina, sobretudo nas regiões relacionadas à visão e ao gerenciamento de emoções. Tais compostos estão associados, por exemplo, aos mecanismos de recompensa, ansiedade, motivação e humor. "Esse tipo de alteração pode elevar o nível crítico da própria imagem", afirma Eduardo Aratangy, psiquiatra do Serviço de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Além disso, as mudanças hormonais drásticas e a necessidade de aceitação durante a adolescência podem ajudar a deflagrar a doença.

Não há medicamentos específicos para o transtorno. O tratamento consiste em antidepressivos associados a terapia. A combinação não elimina a percepção distorcida da própria imagem, mas minimiza os efeitos dos sintomas - o paciente consegue evitar que eles interfiram em seus compromissos mais relevantes. Definitivamente, não se trata de uma vaidade qualquer.



Giulia Vidale - Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/um-transtorno-distorce-a-imagem-que-voce-tem-do-proprio-corpo-poucos-o-
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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Ficar para a História

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Também estou preocupada. Todos nós estamos apreensivos, e perplexos. É estranho estar apreensivo e perplexo ao mesmo tempo, mas é o que acontece. Vou tentar expor um ponto de vista daqui da minha torre de observação: um novo tempo, apesar dos pesares, está chegando. Eles agora têm netos, não vão querer fazer feio. Pelo menos não tão feio.

Pensa comigo. Aos fatos. Está visto no decorrer da Operação Lava Jato que não há mais como escapar de investigações e que estas viram ao avesso as vidas, o presente, o passado e o futuro, aqui e em toda a galáxia. Certo? Certo. Até pode fazer, mas tem de rebolar tanto para não ser descoberto que vai acabar chamando a atenção do japonês.

Sorria, você está sendo filmado, fotografado, televisionado, gravado, youtubado, instagramado, facebucado, zapzapeado e tuitado - eles também, e bem mais do que nós.

Pois bem. Com algumas décadas acompanhando a política nacional como jornalista, conheço ou lembro mais detalhes ainda do que a maioria de vocês, da vida pregressa desses cavalheiros de cabeça branca ou lisinha que ora se apresentam para nos governar e também os que se apresentam para resistir. Muita coisa antiga da época que só havia muito o "ouvi falar", mas quase nada era mesmo investigado. Assunto abafado era o termo. Às vezes, escapava, vazava, e algum jornalista conseguia uma boa história, suportava a pressão. Mas, como disse, eles eram jovens, arrogantes, queriam subir na vida e aprenderam política antiga contaminada por populismo.

A essa altura, hoje, já devem ter percebido que as coisas realmente mudaram. Se tiverem consciência da importância do momento e da missão que constroem - e isso a gente pode ficar lembrando a eles todo o tempo - precisam tentar fazer o melhor, o seu melhor, não podem se deslumbrar com cargos e poderes. Já viveram, são raposas, experientes em sua grande maioria.

Vão querer entrar para a história com uma foto melhor na carteira de identidade. Tomara. Tomara. Tomara.

Da mesma forma, e do outro lado, os mais tradicionais dirigentes e militantes parecem crianças novamente se divertindo de voltar a atuar, ser de esquerda, de se manter bem à esquerda, combatendo "golpes", de agitar, conclamar, ser revolucionário - a única forma que antes todos nós achávamos legal para ficar para a história. Mártires. Mas eles terão um limite, não posso acreditar que - e será uma enorme decepção se o fizerem, como inclusive ameaçam - na Hora H insuflarão mais as massas de manobra, os jovens. Temo porque eles não têm mais tanta energia, e a situação ficaria fora de controle.

Passado esse meu momento otimismo em primeiro grau, me peguei pensando nessas coisas, entrar na história, ficar para a história, passar para a história. Entrar: a marca que deixamos quando fazemos algo marcante, realmente importante. Ficar: o legado de que um ato ou pensamento nosso possa conseguir ser imortal, ser exemplo, servir como guia e lembrança. E, enfim, passar para a história: o reconhecimento de uma ou mais gerações, ou ao menos de algum estudioso que dê a chancela, faça algum registro. Há até os que ganharam feriado, ou o direito de ficar "a vida inteira" sendo festejado no aniversário da morte.

Nos tempos digitais, com a locomotiva do tempo transformando-se em trem bala de forma espantosa, e o google virando verbo, ficou mais fácil e ficou maior esse mundo da tal história. Mais espaçoso, infelizmente talvez também menos criterioso, mas agora todos nós podemos sonhar com isso. Em estar bem na fita. Temos que caprichar é como chegaremos lá e por quais fatos mereceremos ser lembrados eternamente - História é eternamente, um infinito que não tem tamanho.

Nesse exato momento, por linhas tortas ou não, somos a caneta que escreve a história. Mas não posso deixar de ressaltar que a tinta é indelével. Portanto, por favor, redobrem a atenção, escrevam com cuidado, sem arrependimentos, porque esse é exatamente um momento que passará para a história. E não pode ter borrão.




Marli Gonçalves - Fonte: http://www.diariodopoder.com.br/artigo.php?i=39654612814
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sexta-feira, 6 de maio de 2016

sábado, 23 de abril de 2016

Vamos moralizar as eleições - Colabore

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Extinção da Urna Eletrônica e retorno do voto em cédula de papel





Assine este abaixo-assinado

Diminuição nos gastos do orçamento público, grande clamor da população e maior credibilidade na apuração dos votos.


Este abaixo-assinado será entregue para o Congresso Nacional


https://www.change.org/p/congresso-nacional-extin%C3%A7%C3%A3o-da-urna-eletr%C3%B4nica-e-retorna-do-voto-em-c%C3%A9dula?recruiter=43824952&utm_source=share_petition&utm_medium=copylink



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