sexta-feira, 12 de março de 2010

Por que mataram meu pai ?

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Janeiro 3, 2010

Até hoje Todd Chandler pergunta: “Por que mataram meu pai? Por que destruíram a minha família?”

Todd Chandler tinha apenas 3 anos de idade, quando viu (junto com sua mãe e seus irmãos) o seu pai ser reduzido a isso:





O corpo de Chandler sendo retirado de dentro de seu automóvel: Resultado de 6 tiros dados covardemente por DIÓGENES do PT à queima roupa e mais uma rajada de metralhadora, desferida por Marco Antônio Braz de Carvalho (marquito).

A vítima: Charles Rodney Chandler, capitão do exército americano com bolsa concedida pela “George Olmsted Foundation”, era aluno da Escola de Sociologia e Política da Fundação Álvares Penteado, com previsão de terminar o curso em novembro de 1968.

Idade: 30 anos

Estado civil: Casado

Filhos: 3 (Jeffrey, Todd e Luane)

Data do homicídio: 12 de outubro de 1968 (Dia das crianças)

Os assassinos



Diógenes José Carvalho de Oliveira (o Diógenes do PT): Foi quem descarregou os primeiros 6 tiros com um Taurus 38, vindo por trás de Chandler que não teve tempo sequer de sair do carro.

NB: O covarde e frio assassino Diógenes José Carvalho de Oliveira ficou conhecido em 2002 como o “Diógenes do PT“, envolvido num escandaloso caso de corrupção. Foi ELE que, em 20 de março de 1968 jogou uma bomba na biblioteca do consulado dos EUA em São Paulo , arrancando a perna de um transeunte inocente, Orlando Lovecchio Filho.

Recentemente, o criminoso pluriomicida Diógenes recebeu uma indenização de aproximadamente US$ 200 mil do governo, como ex-prisioneiro político e pensão de 4.500 reais mensais. Orlando Lovecchio Filho, um inocente que ficou aleijado (perna amputada traumaticamente) jamais recebeu um centavo.

Marco Antônio Braz de Carvalho: Também conhecido como Marquito. Foi quem desferiu, no indefeso moribundo já atingido por vários tiros, a rajada com uma metralhadora INA.

Pedro Lobo de Oliveira: Motorista e observador. Ficou no automóvel, enquanto Diógenes do PT e Marquito assassinavam o capitão, na porta de sua casa, diante da mulher e dos filhos.

Como aconteceu e mais fotos de Chandler morto em seu automóvel.

Dia das Crianças. Naquela manhã da primavera de 12 de outubro de 1968, às 8hs e 15min, seus filhos Luane e Todd de 3 anos, Jeffrey com 4 e Darryl com 9 perdiam o pai, que saía de casa na rua Petrópolis para mais uma aula na Escola de Sociologia e Política.

Em 1968, as ações de guerrilha urbana perdiam-se no anonimato de seus autores e, muitas vezes, eram, até, confundidas com as atividades de simples marginais. De acordo com os dirigentes de algumas organizações militaristas, já havia chegado o momento certo para a população tomar conhecimento da chamada luta armada revolucionária em curso, o que poderia ser feito através de uma ação que repercutisse no Brasil e no exterior.

Em setembro, Marco Antônio Braz de Carvalho, o “Marquito”, homem de confiança de Carlos Marighela – que dirigia o Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP), futura Ação Libertadora Nacional (ALN) -, e que fazia a ligação com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR, grupo integrado também por Dilma, também conhecida por Esmeralda), levou para Onofre Pinto (“Augusto”; “Ribeiro”; “Ari”; “Bira”; “Biro”), então coordenador geral da VPR, a possibilidade de realizar uma ação de “justiçamento”.

O Capitão do Exército dos EUA, Charles Rodney Chandler, com bolsa concedida pela “George Olmsted Foundation”, era aluno da Escola de Sociologia e Política da Fundação Álvares Penteado, com previsão de terminar o curso em novembro daquele ano. Chandler morava na cidade de São Paulo, com a esposa, Joan, e seus três filhos, Jeffrey, de 4 anos, Todd, de 3 anos, e Luanne, de 3 meses. Entretanto, segundo os “guerrilheiros”, Chandler era um “agente da CIA” e “encontrava-se no Brasil com a missão de assessorar a ditadura militar na repressão”.

No início de outubro, um “tribunal revolucionário”, integrado por três dirigentes da VPR, Onofre Pinto, como presidente, e João Carlos Kfouri Quartim de Morais (“Manoel”; “Mané”; “Maneco”) e Ladislas Dowbor (“Jamil”; “Nelson”; “Abelardo”), como membros, condenou o Capitão Chandler à morte.

Através de levantamentos realizados por Dulce de Souza Maia (“Judit”), apurou-se, sobre a futura vítima, seus horários habituais de entrada e saída de casa, costumes, roupas que costumava usar, aspectos de sua personalidade e dados sobre os familiares e sobre o local em que residia, numa casa da Rua Petrópolis, nº 375, no tranqüilo e bucólico bairro do Sumaré, em São Paulo.

Escolhido o “grupo de execução”, integrado por Pedro Lobo de Oliveira (“Getúlio”; “Gegê”), Diógenes José Carvalho de Oliveira (“ Luiz ”; “Leandro”; “Leonardo”; “Pedro”, mais conhecido como o Diógenes do PT) e Marco Antônio Braz de Carvalho.

Caso: Nada mais é convincente, para demonstrar a frieza do assassinato, do que transcrever-se trechos do depoimento do próprio Pedro Lobo de Oliveira, um dos criminosos, publicado no livro “A Esquerda Armada no Brasil”.

A seguir, o depoimento do próprio Pedro Lobo de Oliveira, um dos criminosos:

“Como já relatei, o grupo executor ficou integrado por três companheiros: um deles levaria uma metralhadora INA, com três carregadores de trinta “balas” cada um; o outro (Diógenes do PT), um revólver; e eu, que seria o motorista, uma granada e outro revólver. Além disso, no carro estaria também uma carabina M- 2, a ser utilizada se fôssemos perseguidos pela força repressiva do regime.

Consideramos desnecessária cobertura armada para aquela ação. Tratava-se de uma ação simples (pego de surpresa e sem sequer saber o que acontecia, a vítima não tinha a menor oportunidade de se defender). Três combatentes revolucionários decididos são suficientes para realizar uma ação de justiçamento nessas condições (continua Pedro Lobo de Oliveira). “Considerando o nível em que se encontrava a repressão, naquela altura, entendemos que não era necessária a cobertura armada.”

A data escolhida para o crime foi a de 08 de outubro, que assinalava o primeiro aniversário da morte de Guevara. Entretanto, nesse dia, Chandler não saiu de casa e os três terroristas decidiram “suspender a ação”.

Quatro dias depois, em 12 de outubro de 1968 (dia das crianças), chegaram ao local às 7 horas. Às 0815h, Chandler dirigiu-se para a garagem e retirou o seu carro, um Impala placa 481284, em marcha a ré. Enquanto seu filho de 4 anos abria o portão, sua esposa aguardava na porta da casa, para dar-lhe o adeus. Não sabia que seria o último.

Os terroristas avançaram com o Volks, roubado dias antes, e bloquearam o caminho do carro de Chandler.

Do relato de Pedro Lobo: “… nesse instante, um dos meus companheiros saltou do Volks, revólver na mão, e disparou contra Chandler”. Era Diógenes José Carvalho de Oliveira (O Diógenes do PT, vigarista, estelionatário, envolvido em escândalos de corrupção do PT em 2002) que descarregava à queima roupa, os seis tiros de seu Taurus de calibre. 38.




E prossegue Pedro Lobo, que dirigia o Volks:

“Quando o primeiro companheiro deixou de disparar, o outro se aproximou com a metralhadora INA e desferiu uma rajada. Foram catorze tiros. A décima quinta bala não deflagrou e o mecanismo automático da metralhadora deixou de funcionar. Não havia necessidade de continuar disparando. Chandler já estava morto. Quando recebeu a rajada de metralhadora emitiu uma espécie de ronco, um estertor, e então demo-nos conta de que estava morto“.




Imaginou a cena funesta, medonha e insana, diante da mulher e dos filhos (crianças)? “Quando recebeu a rajada de metralhadora emitiu uma espécie de ronco, um estertor, e então demo-nos conta de que estava morto“.



…”emitiu uma espécie de ronco, um estertor, e então demo-nos conta de que estava morto”




Quem desferiu a rajada de metralhadora foi Marco Antônio Braz de Carvalho.

A esposa e o filho de Chandler gritaram.

Diógenes do PT, assassino covarde, moleque, sujo e sem-vergonha (amigo de Césare Battisti e suspeito de planejar vários assassinatos) apontou o revólver para o menino que, apavorado, fugiu correndo para a casa da vizinha.

Os três assassinos fugiram no Volks, em desabalada carreira, deixando, no local do crime, cinco panfletos:

- “Justiça revolucionária executa o criminoso de guerra no Vietnam, Chandler, e adverte a todos os seus seguidores que, mais dia menos dia, ajustarão suas contas com o Tribunal Revolucionário.”

- “O único caminho para a revolução no Brasil é a luta armada.”

- “A luta armada é o caminho de todo revolucionário no Brasil.”

- “Vamos criar um, dois, três, vários Vietnames.”

Semelhantes a esse cruel assassinato, muitos outros atos ainda viriam a tingir de sangue o movimento comunista no Brasil.

Agora você sabe o tipo de gente que governa esse país. Dentro em breve vou falar o que você ainda NÃO sabe sobre Tarso Genro (o cretino que abrevia o “H” no nome por ser adepto do terrorismo, do nazismo e sentir vergonha de ter origem judaica), Carlos Minc, Dilma, Genoíno e um outro que prefiro manter no anonimato, POR ENQUANTO.



À comunidade judaica brasileira: ESTEJAM ATENTOS A ESSA GENTE… OS MINISTÉRIOS ESTÃO REPLETOS DE “COMUNISTA-TERRORISTAS TERRORISTAS-NAZISTAS”.

Prof. Luiz Ribeiro (Inf/Pqdt/81)

Indignação

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JOSÉ MINDLIN

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“Eu não tomo conhecimento da idade e vou tocando as coisas.”

Filho do dentista Ephim Mindlin e de Fanny Mindlin, judeus nascidos em Odessa. Formou-se em Direito, em 1936, pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Advogou até 1950, para fundar a empresa Metal Leve S/A, pioneira em pesquisa e desenvolvimento tecnológico próprio no seu campo de atuação. Em sua atividade empresarial desenvolveu grande esforço em prol do avanço tecnológico brasileiro e no processo de exportação de produtos manufaturados brasileiros. José Mindlin deixou a empresa em 1996. Posteriormente, entre outras atividades, presidiu a Sociedade de Cultura Artística.


Após sua aposentadoria do mundo empresarial, Mindlin pôde dedicar-se integralmente a uma paixão que tinha desde os treze anos de idade: colecionar livros raros. Seu primeiro livro foi "Discours sur l'Histoire Universelle" de Jacques-Bénigne Bossuet, de 1740.


Ao completar 95 anos de idade, acumulava um acervo de aproximadamente 40 mil volumes, incluindo obras de literatura brasileira e portuguesa, relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários (originais e provas tipográficas), periódicos, livros científicos e didáticos, iconografia e livros de artistas (gravuras). É considerada como a mais importante biblioteca privada do gênero, no Brasil.

Em 20 de junho de 2006, Mindlin foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, onde passou a ocupar a cadeira número 29, sucedendo a Josué Montello. Após saber da vitória na eleição, Mindlin declarou: "De certa forma, coroa uma vida dedicada aos livros". No mesmo ano, Mindlin decidiu doar todas as obras brasileiras da vasta coleção à Universidade de São Paulo (USP). A partir de então, ela passou a ser chamada de "Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin". O prédio da biblioteca, dentro do campus da USP, está em construção.


"- Nunca me considerei o dono desta biblioteca. Eu e Guita [esposa já falecida de Mindlin] éramos os guardiães destes livros que são um bem público." ( Fonte: Wikipédia)


PAIXÃO E PERDIÇÃO

A relação dos homens com os livros, em particular a dos bibliófilos, aqueles que por eles se apaixonam, passa por três estágios. Primeiro, os homens pensam que conseguirão ler um número de livros maior do que de fato é possível. Num segundo estágio, consequência imediata do primeiro, passam a desejar ter em mãos o maior número possível de obras dos autores de quem gostam. Num terceiro momento, já siderados, surgem o interesse pelas primeiras edições, geralmente raras, e a atração pelo livro como objeto de arte. Esta última fase é definida pelo mais célebre bibliófilo brasileiro, o empresário paulista José Mindlin, como perdição. "Quando se chega a esse estágio, aquele que pensava em ser na vida apenas um leitor metódico está irremediavelmente perdido", confessa Mindlin. A patologia – doce patologia – está instalada em definitivo. Essa tese é defendida logo na abertura de "Uma Vida entre Livros – reencontros com o tempo" (Edusp-Companhia das Letras, 214 págs. R$ 42), texto confessional e ao mesmo tempo uma espécie discreta de autobiografia intelectual, em que o bibliófilo conta a história de sua paixão pela literatura.


Uma vida entre livros é uma obra desavergonhadamente derramada, sincera, até um pouco exagerada às vezes, como se passa quando se confessa uma paixão. Nele, Mindlin deixa de lado a vida mais crua do mundo empresarial e se dedica a entregar aos leitores, sem nenhuma pose de literato, pequenos tesouros íntimos. José Mindlin é, pode-se afirmar, o grande amante dos livros no Brasil. Sua biblioteca particular em São Paulo, ele mesmo estima, tem hoje 30 mil volumes, dos quais dez mil são raros e dois mil, raríssimos. Mindlin começou a comprar livros aos 13 anos. Nessa idade, ele já tinha lido obras como a História das Religiões, de Salomon Reinach, e as Letras e Narrativas, de Alexandre Herculano. Desde 1927, lá se vão 70 anos, o empresário tem o hábito de frequentar sebos. Uma única regra o guiou na construção de sua esplêndida coleção, o prazer da leitura. "O que não gosto, e raramente acontece, é de ler por obrigação", diz. Mesmo diante daqueles títulos raros que sempre desejou e nunca conseguiu comprar, é o prazer, e não a cobiça, que o move. Ainda há muitos desejos insatisfeitos. Um deles é adquirir a primeira edição de Cultura e opulência do Brasil, de Antonil, publicada em 1711. Chegou a tê-la um dia nas mãos, mas não conseguiu comprá-la.


O empresário ensina que a mais importante qualidade de um bibliófilo não é a fortuna, ou a erudição, mas a paciência. Ele relata, para os que duvidarem, a difícil história que viveu com a primeira edição de "O Guarany", de José de Alencar, de 1857. O livro – que é hoje um dos tesouros de sua biblioteca – foi oferecido a amigos do empresário, nos anos 60, por um grego, que pedia por ele algo como US$ 1.000. Para desespero de Mindlin, que só veio a saber da oferta depois, nenhum dos amigos se interessou. Dez anos depois, a primeira edição da obra apareceu no catálogo de um leilão de raridades na Inglaterra. Ele fez a encomenda a um livreiro londrino, que acabou deixando o livro escapar, porque o achou caro demais. Em 1977, Mindlin foi a um leilão de livros raros em Paris e lá soube que "O Guarany" estava disponível. Na viagem de volta, já com seu tesouro no colo, pelo qual pagou muito mais do que o preço original, Mindlin pegou no sono. Ao desembarcar, não se deu conta de que deixara o livro caído no tapete do avião. A Air France o achou, três dias depois, em Buenos Aires. Foi preciso esperar mais alguns dias até o volume chegar, são e salvo, a seu destino definitivo.

No final Mindlin ainda elenca seus autores preferidos, entre eles Balzac, Tolstói, Cervantes, Sterne e Virginia Woolf. A experiência o leva a dar bons conselhos. Em matéria de livros, garante, cada um deve ser capaz de fazer suas próprias escolhas. O leitor deve se permitir passar de Machado a Astérix ou de Shakespeare a Agatha Chirstie. O importante é o prazer da leitura. Tanto que resume seus sentimentos com uma frase: "Num mundo em que o livro deixasse de existir, eu não gostaria de viver."
("Paixão e perdição" - Texto de José Castello, para ISTO É, 12/11/97)


O GUARDIÃO DE RELÍQUIAS


Michelangelo, além de genial, era um ingrato - ao menos com o papa Júlio II, o mecenas responsável pela encomenda dos afrescos que adornam o teto da Capela Sistina. No século 16, houve entre seus contemporâneos quem reconhecesse o semblante do papa entre as infelizes criaturas que expiavam culpas no Juízo Final, na mesma Sistina. Antes e depois disso, muitos mecenas fizeram por merecer melhor recompensa. É o caso, para ficar num exemplo próximo a nós, do ex-empresário José Mindlin, promotor de mais de duas dezenas de manifestações culturais, principalmente livros, e amigo de gente graúda no meio artístico. Foram tantas as gravuras e matrizes com que artistas agradecidos lhe presentearam que, com muitas outras adquiridas por ele ao longo de 84 anos de vida, deu para montar a exposição "Os Colecionadores - 1998", com cerca de 750 peças de 67 autores diferentes. E ainda sobrou quase outro tanto.

Entre modesto e franco, Mindlin avisa que o acervo não chega a ser propriamente uma coleção, embora inclua trabalhos dos principais nomes do país no gênero: Lasar Segall, Oswaldo Goeldi, Lívio Abramo, Fayga Ostrower e Maria Bonomi, entre outros. Não chega, porém, a formar um "todo coerente", como diz Mindlin, ao contrário de seu outro tesouro - a biblioteca. Aos livros, o ex-dono da Metal Leve e o maior bibliófilo do país destina duas alas de sua casa, em São Paulo, além de dois imóveis vizinhos inteiros. Suas estantes acomodam cerca de 26 mil títulos, dos quais 10 mil em edições raras, datadas desde o século 15.

Ausente da mostra "Os Colecionadores" estará, por ser estranha ao tema e ao mundo da gravura, a obra talvez mais reveladora da personalidade de Mindlin. Permanecerá em lugar nobre de uma estante na sala principal da biblioteca, guardada por anjos e santos barrocos que espreitam das paredes, ao lado de telas de Tarsila, Segall e de uma madonna peruana. De encadernação austera, ela leva na lombada o nome de Guita Kauffmann, não por acaso o nome de solteira da senhora Mindlin. Ao toque adestrado do marido, uma parte do que seria a capa desliza e deixa à mostra um engenhoso mecanismo, concebido por ele, dotado de pés basculantes e travas. Em instantes transforma-se em um descanso para pés. Foi um presente, nos anos 30, do então estudante da Faculdade de Direito do Largo São Francisco à colega, namorada e futura esposa, queixosa de sua baixa estatura, que a deixava com os pés no ar quando se sentava à carteira.

O episódio antecipava alguns dos atributos que esse filho de imigrantes russos iria lapidar no futuro, como criatividade, espírito empreendedor, determinação e arrojo, além da obsessão por livros. Da impetuosidade, Guita tivera prova ao pisar pela primeira vez na faculdade, como caloura. Tão logo chegou, os veteranos passaram a assediá-la na tentativa de conquistar sua adesão para um dos partidos políticos da época. Testemunha da cena, Mindlin tomou a frente e lançou seu mel, dizendo-se o melhor partido que a jovem poderia encontrar. A liga combinou. Desde então, ela tem sido sua parceira incondicional, até na paixão pelos livros - a ponto de tornar-se a encadernadora oficial da casa - e pela arte. Com freqüência, foi graças a seu incentivo que ele resolveu desembolsar pequenas fortunas para ter alguma relíquia impressa na estante.

Formar uma biblioteca como a de Mindlin é obra de uma vida inteira e resultado de muito conhecimento, paciência e esforço, sem falar em dinheiro. A pedra fundamental dessa Alexandria dos trópicos foi lançada quando ele tinha 13 anos e comprou o "Discurso sobre a História Universal", de Jacques Bossuet, em edição portuguesa do século 18. Mas foi só no ano seguinte que a comichão de colecionador se apossou dele, despertada pela "História do Brasil", de Frei Vicente do Salvador, presenteada por uma tia. Sobre ela, edificou-se a maior brasiliana conhecida - mais completa até que a da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, atesta Pedro Correa do Lago, um dos principais livreiros do país.

O conjunto inclui desde manuscritos dos Sermões do Padre Vieira a edições originais de relatos das primeiras viagens de cunho científico pelo Brasil, como a de Hans Staden; das cartas de dom Manuel ao papa aos originais revistos de "Grande Sertão: Veredas e Sagarana", de Guimarães Rosa, e de dezenas de grandes obras da literatura brasileira. Mais prático do que relacionar uma a uma, dizer que faltam apenas duas obras importantes na brasiliana dá a medida de sua abrangência: "História da Província de Santa Cruz", de Pero de Magalhães, e "Cultura e Opulência do Brasil", de Antonil. Esta, em edição de 1711, de uma família francesa radicada no Rio de Janeiro e disposta a vendê-la, chegou a ser manuseada por Mindlin. Mas, por influência de um antiquário que intermediava o negócio, foi parar em outras mãos. Seus antigos donos teriam recebido US$ 3 mil pelo livro. Mindlin afirma que teria pagado dez vezes mais.

Em todo caso, ele não perde o sono pelas lacunas. Mas também não espera que uma raridade lhe caia no colo. No ano passado, informado de um colecionador uruguaio interessado em vender um lote enorme de documentos originais sobre a Província Cisplatina, foi até Montevidéu e voltou de lá carregando 96 quilos de papéis sobre o Brasil. Teve de pedir emprestado duas malas de nosso corpo diplomático - as duas que levara de casa se mostraram insuficientes. A documentação só agora terminou de ser tombada por uma professora, Cristina Antunes, braço direito de Mindlin há dez anos.

Viajante contumaz, ele organiza seus périplos segundo as conveniências da biblioteca. Em 1973, por exemplo, convidado a participar das comemorações do 25º aniversário da criação de Israel, ele introduziu no roteiro uma escala na Suíça ao descobrir a existência de um manuscrito jesuíta sobre a Bahia do século 17. Ao desembarcar com ele na bagagem em Israel, despertou a atenção de uma agente alfandegária. Intrigada, quis saber do visitante o conteúdo dos papéis e, após ouvir uma explicação minuciosa, não resistiu à tentação de perguntar: "O senhor sempre faz essas anotações quando viaja?"

Foi a primeira e última vez que Mindlin, um judeu, esteve em Israel. Não que ele seja anti-sionista. Pelo contrário, acha importantíssima a acolhida dada por Israel aos judeus perseguidos em outras partes do mundo. Mas também não concorda com a tese de subordinar a Israel aqueles que escolheram viver fora de lá. Além do que é um agnóstico assumido e rejeita os dogmas religiosos do judaísmo, embora se sinta ligado ao povo hebraico por laços culturais. Por isso, é visto com reservas pela ala mais ortodoxa da comunidade judaica no Brasil.

A biografia de Mindlin indica que ele não tem medo de cara feia. Aos 84 anos, também se dá ao direito de dizer o que pensa sem se preocupar com melindres, embora com delicadeza.

Dias atrás, por exemplo, recebeu em sua casa a visita de uma jovem editora. Logo na chegada, ela lhe entregou o exemplar número 1 do primeiro livro que publicava. Mindlin, que não a conhecia, leu a dedicatória e pediu licença para observar: não fica bem colocar o carimbo "Cortesia do editor" em livro oferecido, uma regra no Brasil. A jovem, parece, aprendeu a lição.

Títulos recentes, com cheiro de best-seller, têm escassa chance de inclusão no rol de 80 a 100 livros que, em média, Mindlin lê por ano, incluindo-se as releituras. Só o colossal "Em Busca do Tempo Perdido", de Proust, por exemplo, ele devorou cinco vezes, em edição original. Os clássicos, diga-se, formam outro sólido pilar de sua biblioteca, forrada com Petrarcas, Camões, Joyces, etc. Natural, portanto, que não passe um só dia, quase, sem que um pesquisador, jornalista ou editor percorra aquelas estantes em busca de material para trabalhos pessoais. Mindlin fica feliz. Como costuma dizer, ele é apenas o guardião do tesouro, e não o seu dono.

MEU APRENDIZADO DO JORNALISMO DE NEGÓCIOS COM O DOUTOR JOSÉ MINDLIN

Já se disse, a esta altura, tudo sobre José Mindlin, morto neste domingo, aos 95 anos. Todos têm um depoimento pessoal sobre a figura do empresário, que se formou advogado, começou como jornalista e, no fim das contas, sempre foi um apaixonado bibliófilo, que legou à cultura uma das maiores e melhores bibliotecas das Américas. Tantos depoimentos provam que, além de livros, José Mindlin colecionou relacionamentos e amigos.

Também convivi com o doutor Mindlin, principalmente entre os anos 70 e 90, quando ele dirigia a Metal Leve, empresa de autopeças, de que foi um dos fundadores, em 1949. Meu convívio com ele foi profissional, mas o estilo do doutor Mindlin o transformou, como no caso de tantos outros, em relação pessoal.

Estive muitas vezes no escritório amplo, mas sem qualquer luxo, da fábrica em Santo Amaro, zona sul de São Paulo. E algumas outras na casa em que Mindlin morava, numa área residencial próxima do escritório da empresa, com os livros e a mulher, dona Guita. Uma casa também ampla, de portas e janelas escuras, sem marcas especiais ou ostentações.

Meus contatos com o doutor Mindlin, nos tempos da Metal Leve, eram "agenciados" por May Rubião, sua assessora de comunicação e relações públicas, que não vejo há bastante tempo e lembro com saudade. May, como seu assessorado, era uma pioneira. Pesquisadora de formação acadêmica, ela tem presença destacada na história das relações públicas, como atividade profissional regulamentada, no Brasil. Figura imponente, cabelos sempre arrumados, roupas impecáveis, gestos educados, para o jovem carioca recém-chegado a São Paulo, May era a representação em pessoa da lendária elegância da verdadeira elite paulista.

Já se disse que a Metal Leve, como Mindlin, estava à frente de seu tempo. A empresa, fabricante de pistões e bronzinas para carros e aviões, foi, de fato, pioneira em vários aspectos. Abriu o capital antes de outras empresas nacionais e investiu em P&D quando quase ninguém no Brasil sabia o que era qualidade, inovação e gestão de recursos humanos. Além disso, puxou o trem das exportações de manufaturados e da internacionalização de empresas brasileiras, chegando a inaugurar uma subsidiária nos Estados Unidos.

Apesar de moderna na gestão, a Metal Leve não foi capaz de resistir à abertura desorganizada do mercado brasileiro, em meio ao ímpeto inicial da globalização. O controle familiar – e não só de uma família, mas de três ou quatro, nem todas com ideias convergentes sobre a maneira de tocar o negócio – era já um anacronismo do qual a empresa não conseguiu escapar. A demora em jogar a toalha deveu-se em parte – e paradoxalmente – à habilidade de Mindlin em aparar arestas e encontrar uma saída comum entre posições divergentes das famílias controladoras.

Minhas lembranças do doutor Mindlin o encaixam exatamente nesse estilo suave e vocacionado para reunir opostos. A imagem que me vem, mesmo quando o localizo na empresa, é sempre a de homem calmo e distendido, afundado numa poltrona, com um livro na mão ou sobre as pernas. Ele usa ternos escuros, folgados, às vezes um blazer, e as gravatas listradas não combinam com a camisa idem – é mais um uniforme de trabalho que revela desapego com as regras da elegância. A fala é mansa, pausada, típica de um contador de casos. Embora já nascido no Brasil, filho de ucranianos recém-aportados, traz um levíssimo, quase imperceptível, sotaque dos imigrantes judeus da Europa Oriental, talvez só captado por um neto de um deles, meu caso.

Era assim, contando histórias, retomando sem pressa episódios no tempo, que o doutor Mindlin me falava de gestão de negócios, problemas da exportação brasileira, de como executivos e operários deveriam ser motivados a perseguir os objetivos da empresa, e de investimentos em inovação de produtos e processos. O doutor Mindlin não mudava o tom suave, nem o estilo de “causeur”, ao falar do processo de abertura política, que o empresariado industrial mais moderno, ele na linha de frente, decidiu abraçar, a partir de fins dos anos 70. E a conversa nunca terminava sem alguma menção às últimas aquisições da biblioteca, com relatos num formato de história policial, sobre como conseguira adicionar a ela um novo e raro volume.

Para um jovem jornalista que tomava contato com a área de economia e, mais do que isso, com uma novidade em seus primórdios – o jornalismo de negócios – eram histórias inesquecíveis, verdadeiras aulas, ministradas por alguém que não se colocava como professor.

O doutor José Mindlin se foi, depois de uma longa, proveitosa e exemplar existência. Uma existência muitas vezes multiplicada pelo conhecimento que absorveu do exercício ininterrupto da leitura, nos livros que amou e legou às gerações.
Quer chegar aos 100 anos?

Esqueça a genética. Segundo os especialistas, viver muito depende principalmente de viver bem. A boa notícia: pode-se mudar hábitos e começar a se cuidar em qualquer idade.

Autor: Paulo Kupfer
Fonte: Época Negócios

MINDLIN: O EMPRESÁRIO ILUMINISTA, O DOADOR DE LIVROS

Nunca vou me esquecer da reunião da Fiesp em que, de repente, José Mindlin se aproximou e puxou assunto.
O tema na reunião da Fiesp era um pedido de empréstimos subsidiados, a proteção contra setores que não conseguiam competir com produtos importados. Sei lá. Alguma coisa assim. Na verdade, era um desses assuntos que não merecem ficar na memória, de tanta mesmice.

O novo, o diferente, foi a conversa de Mindlin sobre a Semana de Arte de 22. Tive uma aula. Esqueci os outros empresários e fiquei dando atenção àquela conversa afável, cheia de novidades, de Oswald e Mário de Andrade, da publicação de "A Revista" que ele acabara de fazer. Saí entusiasmada e mais surpresa fiquei quando recebi em casa uma coleção de "A Revista" que ele me mandou.
Mindlin era doce e interessante. Mindlin era iluminado e iluminista. Mindlin era diferente.

Fui algumas vezes vê-lo. Nunca perdi um minuto nessas conversas. Dele saia um fluxo, em corrente contínua, de informações sobre livros. Não havia descrente que não entrasse para a religião dele sobre livro. Guita era igual. Os dois, um par perfeito.

Anos atrás, pedi à Globonews para fazer como primeiro programa do ano uma entrevista com ele, em sua biblioteca. Naquela tarde inesquecível, eu o entrevistei junto com Paulo Marcelo Sampaio. Só que cheguei horas mais cedo. Nenhum jornalista jamais chegou tão cedo para uma entrevista. Nem saiu tão tarde. E eles me pediram para ler para eles. Eu li para ele e Guita. Às vezes tropeçava e eles, de memória, corrigiam. Li poesias de Drummond. Li vários outros trechos que eles se lembravam de cor.

Falamos da paixão por livros que embalou minha infância, me socorreu na adolescência, me acompanha vida afora. Paixão que fez Mindlin gastar um dinheiro incontável juntando livros que doou para o Brasil.

Lembro de quando ele ganhou o "Faz Diferença" do Globo. Há uma escada para subir ao palco do Copacabana Palace. Eu pedi às meninas do cerimonial que me dessem a honra. Desci do palco com Ancelmo - nós dois fizemos a apresentação do prêmio - e o amparamos na subida. E ele não pesava mais do que a mão de uma criança. Firme ainda aos 90 anos.

No dia da entrevista em sua casa, Guita me contou que um dia houve uma tempestade em São Paulo, ela estava sozinha em casa, e ficou preocupada: que livro salvaria se a enchente entrasse na casa?

- Que livro salvaria? perguntei

- Os poemas de Petrarca.

Manuseei o livro favorito de Guita com temor reverencial. E Mindlin abriu o livro e me mostrou que alguns poemas tinham sido censurados pela Inquisição. Os censores medievais passaram uma tinta em cima. O tempo apagou a tinta e fez reaparecerem os poemas censurados. Me contou que, certa vez, tinha ido a Praga e lá se encontrou com um professor que tinha acabado de sair da prisão decretada pelo governo comunista. O professor estava deprimido, achando que a opressão soviética nunca acabaria. E ele consolou o professor contando a história da vitória de Petrarca sobre a censura. O professor triste era Vaclav Havel, que depois governou a livre República Tcheca.

Eu brinquei:

-Você me contou uma história com dois finais felizes.

O consolo no momento em que o Brasil perde o gigante dos livros é saber que ele se encontrará com sua Guita e juntos falarão os poemas de Petrarca, ou lembrarão as histórias de 22, ou pensarão juntos em como tornar o Brasil, um dia, um país de leitores.

Autora: Míriam Leitão

José Ephim Mindlin (São Paulo, 8 de setembro de 1914 — São Paulo, 28 de fevereiro de 2010) foi um advogado, empresário e bibliófilo brasileiro.

(Fonte: www.velhosamigos.com.br)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Lula na Arábia Saudita

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E viva o Brasil!!!!!!

ATA DA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DA PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. -
PETROBRAS, REALIZADA EM 8 DE ABRIL DE 2009

(Lavrada sob a forma de sumário, conforme facultado pelo parágrafo primeiro do artigo 130 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976).

DIA, HORA E LOCAL:

Assembleia realizada às 15 horas do dia 8 de abril de 2009, na sede social, na cidade do Rio de Janeiro, RJ, na Avenida República do Chile, no 65.

Item IV: Foram reeleitos como membros do Conselho de Administração da Companhia , na forma do voto da União, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, a Senhora Dilma Vana Rousseff, brasileira, natural da cidade de Belo Horizonte (MG), divorciada, economista, com domicílio na Casa Civil da Presidência da República - Praça dos Três Poderes - Palácio do Planalto - 4º andar - salas 57 e 58, Brasília (DF), CEP: 70150-900, portadora da carteira de identidade nº 9017158222, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul - SSP/RS, e do CIC/CPF nº 133267246-91 e os Senhores Guido Mantega, brasileiro, natural de Gênova, Itália, casado, economista, com domicílio no Ministério da Fazenda - Esplanada dos Ministérios - Bloco P - 5º andar - Brasília (DF), CEP: 70048-900, portador da carteira de identidade nº 4135647-0, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo - SSP/SP, e do CIC/CPF nº 676840768-68; Silas Rondeau Cavalcante Silva, brasileiro, natural da cidade de Barra da Corda (MA), casado , engenheiro, com domicílio na S..A.U.S. - quadra 3 – lote 2 - Bloco C – Ed. Business Point - salas 308/309, Brasília (DF), CEP: 70070-934, portador da carteira de identidade nº 2040478, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Pernambuco - SSP/PE, e do CIC/CPF nº 044.004.963-68; José Sergio Gabrielli de Azevedo, brasileiro, natural da cidade de Salvador (BA), divorciado, economista, com domicílio na Av. República do Chile, 65, 23º andar - Rio de Janeiro (RJ), CEP: 20031-912, portador da carteira de identidade nº 00693342-42, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia - SSP/BA, e do CIC/CPF nº 042750395-72; Francisco Roberto de Albuquerque, brasileiro, natural da cidade de São Paulo, casado, General de Exército Reformado, com domicílio na Alameda Carolina nº 594, Itu (SP), CEP: 13306-410, portador da carteira de identidade nº 022954940-7, expedida pelo Ministério do Exército e do CIC/CPF nº 351786808-63; e Luciano Galvão Coutinho, brasileiro, natural da cidade de Recife (PE), divorciado, economista, com domicílio na Av. República do Chil e nº 100, 19º andar, Rio de Janeiro (RJ), CEP 20031-917, portador da carteira de identidade nº 8925795, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo - SSP/SP, e do CIC/CPF nº 636831808-20.

Item VII: Pelo voto da maioria dos acionistas presentes, em conformidade com o voto da representante da União, foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras em R$8.266.600,00 (oito milhões, duzentos e sessenta e seis mil e seiscentos reais), no período compreendido entre abril de 2009 e março de 2010, aí incluídos: honorários mensais, gratificação de férias, gratificação natalina (13º salário), participação nos lucros e resultados; passagens aéreas, previdência privada complementar, e auxílio moradia, nos termos do Decreto nº 3.255, de 19.11.1999, mantendo-se os honorários no mesmo valor nominal praticado no mês precedente à AGO de 2009, vedado expressamente o repasse aos respectivos honorários de quaisquer benefícios que, eventualmente, vierem a ser concedidos aos empregados da empresa, por ocasião da formalização do Acordo Coletivo de Trabalho – ACT na sua respectiva data-base de 2009;

(
http://www2.petrobras.com.br/ri/port/InformacoesAcionistas/pdf/ATA_AGO_08abr09_port.pdf)

No palanque petista, os nomes das páginas policiais

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Campanha de Dilma será coordenada por mensaleiros e por aloprados

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), pré-candidata governista à Presidência da República, se cerca de um poderoso time: são nomes que também já estamparam as páginas policiais. Mas as escolhas feitas pela ministra seguem à risca a conhecida estratégia eleitoral adotada pelo petistas de desvio de recursos ou superfaturamento de obras.

Na sua campanha, Dilma percorrerá o país ao lado de José Dirceu e José Genoino, suspeitos de esquema de desvio de dinheiro que abasteceu campanhas petistas. Além deles, Hamilton Lacerda, o assessor do senador Aloizio Mercadante pego com mala de dinheiro no caso dos aloprados, ao tentar comprar um falso dossiê contra tucanos, está de volta à sigla e pronto para prestar seus serviços à ministra.


Nesta semana, um novo caso de corrupção revelou como será o tom da campanha governista.

O Ministério Público de São Paulo trouxe à tona que o recém-escolhido tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, é o mentor de um esquema que desviou recursos da Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários de São Paulo (Bancoop) para irrigar os cofres do partido.


Para o deputado federal Antonio Carlos Pannunzio (SP), a corrupção tornou-se o critério balizador do PT.

"O partido não respeita a opinião pública e sua cúpula entende que precisa desses experts em arranjar dinheiro de todos os tipos de origens: saques, roubos e contribuições de companheiros como Hugo Chávez", lamenta.


DESVIO DE R$ 100 MILHÕES


Escalado para arrecadar recursos para a campanha governista, Vaccari foi afastado por Dilma após o escândalo ganhar as páginas das revistas e dos jornais.

Se o esquema continuasse às escondidas, como ocorria, dificilmente a ministra abriria mão do responsável por lesar cerca de 400 famílias que compraram imóveis na planta, pagaram prestações inflacionadas, mas não receberam suas propriedades.


Ao analisar mais de oito mil extratos bancários da cooperativa, o promotor de Justiça José Carlos Blat concluiu que o fraudulento esquema pode ultrapassar o total de R$ 100 milhões, relativos ao período de 2001 a 2008, como diz matéria do Estado de S. Paulo na edição desta terça-feira.


Na avaliação do deputado Alfredo Kaefer (PR), o problema começou o mensalão.

"Faltou ao Ministério Público mais firmeza e à justiça ter investigado os fatos", explica.

"Nesse caso da Bancoop, a raposa foi escalada para tomar conta do galinheiro. O Vaccari já estava definido como tesoureiro da campanha governista. Daí, pode imaginar o que vai acontecer", questiona o tucano.


Denúncias

Levantadas pelo Ministério Público de São Paulo, as primeiras denúncias de irregularidades na cooperativa surgiram há três anos. Na época, o órgão abriu inquérito criminal para apurar crimes como superfaturamento de obras, apropriação indébita, desvio de verba e formação de quadrilha.

No ano seguinte, uma testemunha disse que os recursos desviados financiaram clandestinamente a campanha de Lula em 2002.
A revista Veja teve acesso aos autos do inquérito.

Segundo a revista, a Bancoop sacou em dinheiro vivo de suas contas pelo menos R$ 31 milhões. Outros cheques, somando R$ 10 milhões, favoreceram uma empreiteira formada por diretores da entidade.

De acordo com editorial do Estado de S. Paulo, a cada escândalo, "mais se aprende sobre a destreza com que a bandidagem petista se apossa do dinheiro alheio" para chegar ao poder e ali se manter.


(Fonte: www.tucano.org.br)

Envelhecer

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Entre pela velhice com cuidado,
pé ante pé, sem provocar rumores
que despertem lembranças do passado,
sonhos de glória e de ilusões de amores.

Do que houveres no teu pomar plantado,
apanha os frutos e recolhe as flores,
mas lavra ainda e cuida o teu eirado –
outros virão colher quando te fores.

Não faças da velhice enfermidade,
alimenta no espírito a saúde,
luta contra as tibiezas da vontade.

Que a neve caia, que o ardor não mude,
mantém-te jovem, não importa a idade :
tem cada idade a sua juventude...

(Bastos Tigre - 1882 – 1957)


segunda-feira, 8 de março de 2010

A mulher madura

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Quando resolvi escrever sobre a MULHER MADURA, pensei em mim e em todas as mulheres de trinta, quarenta, cinquenta... não importa a idade, claro, não desmerecendo as mais novas, até porque, pretendo falar de toda vivacidade que elas possuem. A MULHER MADURA tem um jeito todo especial de ser. MULHER MADURA não é ventania, ela é ar em movimento. Ela possui uma beleza peculiar que não se iguala a nenhuma outra. Pena daqueles que não sabem percebê-las!!!

A MULHER MADURA não PEGA, ela TOCA.

A MULHER MADURA não come, ela se ALIMENTA.

A MULHER MADURA não provoca, ela já é PROVOCANTE.

A MULHER MADURA não é inteligente, ela é SÁBIA.

A MULHER MADURA não se insinua, ela mostra o CAMINHO sutilmente.

A MULHER MADURA não se precipita, ela espera o MOMENTO CERTO.

A MULHER MADURA não nada, ela NAVEGA.

A MULHER MADURA não voa, ela FLUTUA.

A MULHER MADURA não pensa em quantidade, ela prefere QUALIDADE.

A MULHER MADURA não vê, ela OBSERVA.

A MULHER MADURA não anda, ela CAMINHA.

A MULHER MADURA não deita, ela ADORMECE.

A MULHER MADURA não é pretensiosa, ela simplesmente se GOSTA.

A MULHER MADURA não julga, ela ANALISA.

A MULHER MADURA não compara, ela ASSIMILA.

A MULHER MADURA não consola, ela ACALENTA.

A MULHER MADURA não acorda, ela DESPERTA.

A MULHER MADURA não coloca algemas, ela os deixa LIVRE.

A MULHER MADURA não enfeitiça, ela ENCANTA.

A MULHER MADURA não é decidida, ela apenas sabe O QUE QUER.

A MULHER MADURA não é exigente, ela é SELETIVA.

A MULHER MADURA não se senti velha, ela se considera EXPERIENTE.

A MULHER MADURA não se lamenta, ela tenta fazer DIFERENTE.

A MULHER MADURA não tem medo, ela tem RECEIOS.

A MULHER MADURA não faz juras, ela deixa por conta do TEMPO.

A MULHER MADURA não tira conclusões, ela faz SUPOSIÇÕES.

A MULHER MADURA “não desce do salto”, ela tem “JOGO DE CINTURA”.

A MULHER MADURA não brilha, ela é ILUMINADA.

A MULHER MADURA não dá tchau, ela ACENA.

A MULHER MADURA não gosta de ser vigiada, ela prefere ser ESCOLTADA.

A MULHER MADURA não é moderna, ela é ELEGANTE.

A MULHER MADURA não quer ser cobiçada, ela prefere ser DESEJADA.

A MULHER MADURA não possui sombras, ela tem AURA.

A MULHER MADURA não adivinha, ela tem PERCEPÇÃO.

A MULHER MADURA não faz sexo, ela é mestre na ARTE DE AMAR.

A MULHER MADURA não fica, ela se ENVOLVE.

A MULHER MADURA não é fácil, ela é FLEXÍVEL.

A MULHER MADURA não manda, ela ADMINISTRA.

A MULHER MADURA não aflora, ela é um constante FLORESCER.

Enfim, a MULHER MADURA é um conjunto de todas as belezas possíveis. MULHER sensível, mas ao mesmo tempo uma verdadeira guerreira, é forte, mas é feminina, porém, muitos não possuem sensibilidade para perceber tal beleza, mas aqueles que descobrem... preferem morrer nos braços dessa tal mulher, que não é DOCE, mas que, simplesmente é puro MEL.

(Vanessa Pena)

As mulheres: cansadas, sim, saciadas, nunca

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Nunca desejei ser mulher, nem mesmo na vontade reprimida e inconsciente que leva barbados a tornarem-se fêmeas voluptuosas no carnaval. Nada tenho contra travestis ou drag-queens, é uma filosofia de vida honesta como muitas outras, mas também não me sinto atraído pela excentricidade e valentia destes. Vi alguns shows de travestis e me interessaram quando havia texto inteligente, nonsense sofisticado, ou seja, o espetáculo da palavra. Estive no tradicional e natalense Baile das Kengas, e tudo me pareceu decadente, ordinário e sonífero. Nem sombra de uma Messalina e sua frase: “Cansada, sim, saciada, nunca”.


Se eu pudesse “inventar” a mulher ideal, ela seria fatal, misteriosa, glamourosa, cerebral, uma bandida que seduz homens poderosos e depois os manda literalmente pastar. Uma Jacqueline Kennedy, uma Xica da Silva, uma Madame de Pompadour, uma Marlene Dietrich, uma Lucrécia Bórgia, uma Cleópatra. Um feminino inventado, planejado, cultivado, fantasiado com bom gosto. Ela teria escritores e intelectuais como companhia, falaria com a mais absoluta sinceridade, leria jornais e muitos livros, faria da cama uma arena insaciável e sem qualquer constrangimento, e o seu coração egoísta só amaria os seus próprios prazeres. Além de modismos, usaria roupas desenhadas para a sua personalidade e jamais acharia importante freqüentar festas aborrecidas ou ter o seu retrato minúsculo e mal fotografado em colunas sociais. Seria uma deusa que riria raramente, mas ao sorrir soaria vital e do fundo d’alma, e nunca sairia do seu flat quando a melancolia batesse na porta. Não teria filhos, somente criaria cães serenos e gatos indiferentes, e levaria a vida cercada por plantas, inclusive falando com elas. Ouviria jazz e bossa-nova, fumaria charuto e usaria meias de seda. Não digo que seria o modelo necessário de mulher, pois ai de nós, homens, com tal vamp como regra, mas esta é a minha fêmea sonhada, minha musa fictícia.

Segundo a polêmica pensadora Camille Paglia: « O destino da mulher é dominar o homem. A maior parte dos homens precisa de uma mulher para seu centro gravitacional, uma mulher que os ligue ao submundo da verdade emocional ». Pode ser, caso fossem recuperadas milhares de submissas, apaixonadas, respeitosas e escravas do macho. Essas que informam aos companheiros sobre todos os seus passos. Creio que muitos dos crimes passionais e dos casamentos infelizes resultam desse comportamento pouco lúcido. Sem dúvida. o que chamamos de civilização, do pensamento à ação, tem como causa central o masculino. Mas os homens não são mais inteligentes do que as mulheres, nem o contrário, tudo independe do sexo e mais da bagagem existencial, espiritual e intelectual que se leva. É burrice copiar fórmulas arcaicas. Conheço políticas, escritoras e empresárias que repetem a mesma inócua agressividade masculina. As mulheres também não são os seres mais belos da face da terra, todos os seres são belos, e se destacam independentes se são crocodilos ou mariposas. A maternidade nunca foi um privilégio, como muita gente prega, ainda mais nesta época de clones, inseminação artificial e superpopulação.

Dia desses, na fila de um caixa de um supermercado, um jovem marido chamou a esposa bela e melancólica de ridícula em alto e bom som, ao lado dos dois filhotes do casal. “Não faça escândalo”, sussurrou a loura envergonhada. “Faço o que quero e pronto. Você fica calada!” , gritou o homem bem vestido. O diálogo absurdo iniciou-se quando ela alertou para a falta de um chester. “Chester? Você sabe lá o que é isso. Você não entende nada, sua ridícula. E não vamos comprar mais nada. Creio que se enganou de marido, deveria ter casado com o Ronaldinho”, atacou. Fiquei constrangido e irritado, algumas pessoas da fila sufocavam um sorriso cúmplice. Ele é um desses porcos chauvinistas que deixam a esposa em casa, bebem e fazem comentários bizarros com os amigos e transam com a primeira anta que rebole, oxigene o cabelo e fale asneira. É fácil criticar o próximo não estando na sua pele, mas uma situação dessas seria para deixá-lo plantado com o carrinho cheio de compras e os filhos inocentes, apanhando o primeiro táxi para a casa de alguém de confiança, só conversando com o troglodita 24 horas depois. A aceitação de ofensas verbais e morais, públicas ou não, leva a mágoa, dor, violências e diversas enfermidades.

A mulher sofre violência física quando é espancada, ficando marcas como hematomas, cortes, arranhões, queimaduras, mordidas, manchas, fraturas ou agressões semelhantes. A mulher sofre violência sexual quando é forçada a ter relações sexuais sem querer ou quando está doente e sua saúde corre perigo; é forçada a praticar atos sexuais que não lhe agradam ou praticar sexo com sadismo. A mulher sofre violência psicológica e emocional quando é ofendida moralmente e também sua família. A agressão não escolhe raça, idade e classe social. A única diferença é que, as mulheres de classe social mais elevada, acabam por não darem queixa das agressões sofridas por seus maridos, namorados etc. São vários os motivos que as fazem calar – dependência financeira, medo, vergonha etc.

A violência é a expressão mais cruel do baixo status feminino na sociedade. Várias culturas aprovam, toleram ou mesmo justificam um certo grau de violência contra a mulher. Essas atitudes são fruto de normas de conduta distorcidas a respeito do papel e das responsabilidades do homem na sociedade. O Banco Mundial estima que a violência contra a mulher no mundo cause mais danos e morte do que câncer, acidentes de trânsito ou até mesmo a guerra. Pelo menos uma em cada três mulheres sofre violência física, sexual ou alguma outra forma de abuso, usualmente nas mãos de uma pessoa íntima ou membro da família. É uma violação explícita de direitos humanos. É preciso prestar queixa na Delegacia da Mulher, fazer exame de corpo-delito no Instituto Médico Legal – IML, ou, por fim, estar no IML fazendo uma autópsia.

Nós, homens, perdemos o charme. Acabamos reduzidos a um ser que só precisa de sexo. A imagem masculina está em baixa. As mulheres modernas vão com amigas a bares, lêem Marie Claire e pelo menos já ouviram falar na Simone de Beauvoir. Mas não é tão fácil identificá-las. Certa vez, num shopping-center, à espera do horário da sessão de um filme, contei mulheres que passavam vestidas de calças apertadas, saltos altos e blusas justas – essa farda tão vulgar! Muitas pareciam cantoras de trio elétrico ou putinhas de ricos jogadores de futebol, exibindo sem pudor o estômago obeso. Depois de 47 delas (acreditem!), suspirei ao surgir uma morena com saia de linho, blusa de seda de corte moderno e passos elegantes como uma sereia brincando languidamente nas águas. Não se deve acreditar na moda que se vê nas novelas da Globo ou na revista Caras, pode ter-se certeza que a elegância não habita esses mundo. Em 2003, passei os dias carnavalescos em Pernambuco, com um grupo que incluía a socialite “emergente” carioca Vera Loyola. Não acreditei, caro leitor, parecia uma caricatura de mulher esculpida pelo mais perverso dos gays (culpados também pela estética “carne-e-osso”, quase assexuada). Senti vergonha do meu Brasil por idolatrar estereótipos femininos como a nossa “rainha das quentinhas”. A mulher não nasceu para usar farda no cotidiano, fazer parte de um exército fracassado. Ela deve ser única, original, consciente.

Infelizmente se reparam e se medem, e até se odeiam, não suportando a presença das mais bonitas, das mais charmosas, das mais bem vestidas e das mais bem sucedidas. É preciso união e confiança. E para terminar, gostaria de aplaudir todas as mulheres que lutam contra as adversidades, as que acreditam no amor e na liberdade, as aventureiras e as boas de coração, as ninfas e as sereias, as bruxas e as ciganas, as sacerdotisas e as guerreiras, e principalmente as que entendem que a vida passa rápido e sabem que nenhum homem, nem mesmo o mais desejável de todos eles, tem o direito de maltratar quem quer que seja.


(Antonio Júnior, escritor, poeta, jornalista e fotógrafo. Autor de A Língua Apunhalada – Crônicas dos Dias Errantes (2004) e ARTEPALAVRA – CONVERSAS NO VELHO MUNDO (A S Editores, 2003).antonio_junior2@yahoo.com http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-12.htm)

domingo, 7 de março de 2010

Saudade

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Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.

Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.

E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.

– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre… Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro… casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.

Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:

– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite… tudo sobre a mesa.

Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança… Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam…. era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade…

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, t ambém ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos… até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail… Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:

– Vamos marcar uma saída!… – ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.

Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite….

Que saudade do compadre e da comadre!

(José Antônio Oliveira de Resende - Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei)

Quando Deus quer, não tem jeito!

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Uma senhora muito pobre telefonou para um programa cristão de rádio pedindo ajuda.

Um bruxo do mal que ouvia o programa resolveu pregar-lhe uma peça. Conseguiu seu endereço, chamou seus secretários e ordenou que fizessem uma compra e levassem para a mulher, com a seguinte orientação:

- "Quando ela perguntar quem mandou, respondam que foi o DIABO!".

Ao chegarem na casa, a mulher os recebeu com alegria e foi logo guardando alimentos.

Os secretários do bruxo, conforme a orientação recebida, lhe perguntaram:

- A senhora não quer saber quem lhe enviou estas coisas?

A mulher, na simplicidade da fé, respondeu:

- Não, meu filho.. Não é preciso. Quando Deus manda, até o diabo obedece!

(Desconheço o autor)

sábado, 6 de março de 2010

Se Existe Inferno

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Se existe inferno, como diz a Briba,
Se lá de riba é que o castigo vem,
Se o esprito vai se derretê queimado,
Purgá os pecado que o sujeito tem,

Se os home escravo de ôro, prata e cobre,
A quem é pobre com rigor domina,
Fazendo tudo contra a baxa crasse,
Não vê a face da Visão Divina,

Se é grande crime pro dotô Juiz
Traí o país com a crué maliça,
Jurgando as causa só do lado oposto,
Cuspindo o rosto da fié justiça,

Se é pecado o poderoso rico
Fazê fuxico e começá questão,
Pra não pagá seu operáro forte,
Que enfrenta a morte pra ganhá o pão,

Se o cabra ruim quando morrê padece
E triste desce os inferná dregau,
Se os anjo preto lá nos tacho ardente
Dá banho quente castigando os mau,

Se geme as alma dos pió canaia
Nessas fornáia onde o Demônio tá,
Nas brasa acesa desse forno imundo,
O nosso mundo vai se escangaiá!


(Patativa do Assaré (1909 - 2002)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Hora de divulgar.

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O post abaixo é uma primeira versão de uma biografia comparada entre José Serra(PSDB-SP) e Dilma Rousseff(PT-RS), para ser espalhada pelos quatro cantos do Brasil. Não há nenhuma mentira neste levantamento de dados e fatos sobre a vida pública dos dois oponentes. Os Blogs pela Democracia tem o papel de colocar a verdade para o eleitorado médio, aquele que está longe dos blogs políticos.

Precisamos, além do nosso trabalho dentro do nosso ambiente, transformar este tipo de post em e-mail, em corrente, em material para orkut, em informação para as redes sociais. Este é o nosso trabalho.

Aprimorem esta comparação. Criem a sua própria. Levantem novos dados. O importante é confrontar os dois candidatos. Quando a campanha começar, boa parte do Brasil já vai estar conhecendo José Serra e Dilma Rousseff. Com capacidade de julgar e escolher o que é melhor para o Brasil.


José Serra tem 68 anos, é paulista, filho de imigrantes italianos, o pai vendedor de frutas no Mercado Público, foi criado em uma pequena casa quarto e sala, geminada com outras 24, em São Paulo.

Dilma Rousseff tem 62 anos, é mineira, filha de um imigrante búlgaro, rico empreiteiro e dono de construtora, proprietário de dezenas de imóveis em Belo Horizonte, foi criada em um grande e espaçoso apartamento em Belo Horizonte.


Somente quando chegou ao Científico, a família Serra mudou-se para um apartamento de dois quartos, alugado. Antes disso, moraram em uma pequena casa em rua de chão batido.


Imóvel não era problema para a rica família Rousseff, que passava férias no Rio. Um dos espaçosos apartamentos foi cedido para Dilma utilizar, exclusivamente, como esconderijo seguro para os grupos terroristas dos quais participava, de onde saíam para praticar atentados, roubar e seqüestrar.


No início dos anos sessenta, vinculado à política estudantil, Serra foi presidente da União Estadual de Estudantes, de São Paulo, e da União Nacional dos Estudantes, com apoio da Juventude Católica. Democrata, sempre usou o palanque e a tribuna como armas, jamais integrando grupos terroristas e revolucionários manipulados pelo comunismo internacional.


Dilma, por sua vez, neste mesmo período, fazia política estudantil nas escolas mais burguesas de Belo Horizonte. Em 1963, ingressou no curso clássico e passou a comandar uma célula política em uma das mais tradicionais escolas da cidade, onde conheceu futuros companheiros de guerrilha, como o atual prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.


Em 1964, Serra exilou-se na Bolívia e, posteriormente, na França, retornando ao Brasil em 1965, na clandestinidade. Ainda neste ano, foi para o Chile, onde ficou durante oito anos. Com a queda de Allende, foi para a Itália e, posteriormente, para os Estados Unidos. Teve uma vida extremamente produtiva no exílio, onde adquiriu sólida formação acadêmica, foi professor e consultor.


Em 1964, Dilma começou a conviver com terroristas de esquerda, iniciando a sua carreira como militante na luta armada. Neste período ingressou na POLOP, Política Operária, onde militou até ingressar na universidade.


Em 1967, Serra casou-se com a psicóloga e bailarina Sílvia Mônica Allende, com quem tem dois filhos e dois netos e continua até hoje casado.
Dilma também casou-se em 1967, com o terrorista e guerrilheiro Cláudio Galeno de Magalhães Linhares ("Aurelio", "Lobato"). Quando o primeiro marido a deixou, para ir cumprir missões em outros países, sequestrando um avião no Uruguai, por exemplo, teve um segundo casamento com Carlos Franklin Araújo, com quem teve uma filha. Desde 2000, não está casada.

Serra interrompeu a sua formação acadêmica em função do exílio, que impediu que seguisse a carreira de Engenheiro. No entanto, no Chile, fez um mestrado em Economia e foi professor de matemática na CEPAL. Posteriormente, nos Estados Unidos, fez mais um mestrado e um doutorado na prestigiada Universidade de Cornell.Tem uma das mais sólidas formações na área no Brasil.


Dilma ingressou em 1967 na faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Ali participou da criação do sanguinário grupo COLINA, Comando de Libertação Nacional. Posteriormente, participou ativamente da fusão entre a COLINA e a VPR, Vanguarda Popular Revolucionária, quando surgiu a violenta VAR-P, Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, responsável por dezenas de crimes contra civis e militares.


Serra permaneceu 10 anos longe do Brasil. Retornou em 1977, dois anos antes da Lei da Anistia, sendo um dos únicos que voltou sem nenhuma garantia de liberdade e ainda com os direitos políticos cassados.


Enquanto isso, Dilma estava na clandestinidade, participando de ações armadas, recebendo treinamento para guerrilha no exterior, ministrado por organizações comunistas internacionais. Aprendeu a usar o fuzil com maestria, especialmente na atividade de montá-lo e desmontá-lo no escuro. Foi presa em 1970, permanecendo nesta condição até 1973.


Em 1978, Serra iniciou a sua carreira política, que este ano completa 32 anos. Neste ano, teve sua candidatura a deputado impugnada, sob a alegação de que ainda estava com os direitos políticos suspensos. Foi admitido como professor de Economia na UNICAMP, onde ficou até 1984.


Em 1973, Dilma Rousseff retomou o curso de Economia na UFRGS, no Rio Grande do Sul, onde estava preso seu segundo marido, Carlos Araújo. Ingressou, junto com o marido, no PDT e recebeu um cargo de estagiária na Fundação de Economia e Estatística, em 1977. Em 1978, Dilma Rousseff começou a fazer o mestrado na UNICAMP e, depois, o doutorado. Durante anos, mentiu em seu currículo que tinha concluído os dois cursos quando, na verdade, mal cursou os créditos, que representa quando muito 10% de um título acadêmico strictu sensu.


Em 1983, Serra iniciou, efetivamente, a sua carreira como gestor, assumindo a Secretária de Planejamento do Estado de São Paulo.


Em 1985, Dilma assumiu a Secretaria Municipal da Fazenda, em Porto Alegre, no governo do pedetista Alceu Collares, com quem tem uma dívida de gratidão. Hoje Collares é conselheiro de Itaipu.


Em 1986, Serra foi eleito deputado constituinte, com a maior votação do estado de São Paulo. Foi o deputado que aprovou mais emendas no processo da Constituinte: apresentou 208 e aprovou 130, uma delas criando o Fundo de Amparo ao Trabalhador. Liderou toda a reformulação orçamentária e de planejamento do país, no período, que começaram a estruturar as finanças brasileiras, preparando-as para o futuro Plano Real.


Dilma saiu da Secretaria da Fazenda de Porto Alegre em 1988, sendo substituída pelo hoje blogueiro Políbio Braga, que afirma: "ela não deixou sequer um relatório, e a secretaria era um caos."


Serra foi um dos fundadores do PSDB, em 1988. Foi derrotado por Luiz Erundina, do PT, nas eleições para prefeito de São Paulo. Em 1990, foi reeleito deputado federal com a maior votação em São Paulo.


Em 1989, Dilma foi nomeada Diretora-Geral da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, na cota do marido no PDT. Alguns meses depois foi demitida, pois não obedecia horários e faltava a todas as reuniões, segundo Valdir Fraga, o presidente da Casa, à época.


Em 1994, Serra foi um dos grandes apoiadores do Plano Real, mesmo com idéias própria que o indispuseram, por exemplo, com Ciro Gomes. Neste ano, foi eleito senador por São Paulo, com mais de seis milhões de votos. Em seguida, assumiu o Ministério do Planejamento.


Em 1995, Dilma voltou para a FEE, mas como funcionária, já que o PDT havia perdido a eleição. Ali editou uma revista de indicadores econômicos, enquanto tentava acertar o seu “doutorado” na UNICAMP.

Em 1998, José Serra assumiu o Ministério da Saúde, criando os genéricos e o Programa de Combate a AIDS. Criou a ANS e ANVISA. Foi considerado, internacionalmente, como uma referência mundial em gestão na área.

Em 1998, na cota do PDT, ela assume a Secretaria de Minas e Energia, no governo petista de Olívio Dutra, eleito governador gaúcho.Vendo que o partido de Brizola estava decadente, ingressou no PT.


Em 2002, Serra candidatou-se à Presidência, sendo derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.


Em 2002, Dilma foi nomeada ministra das Minas e Energia do governo Lula, puxando o tapete de Luiz Pinguelli Rosa, mestre em engenharia nuclear e doutor em física, que coordenava oi grupo de transição.


Em 2004, Serra elegeu-se Prefeito de São Paulo.


Em junho de 2005, Dilma assumiu o lugar de José Dirceu, o chefe da sofisticada organização criminosa do mensalão, sendo saudada por ele como “companheira de armas e de lutas”, em memória aos tempos da guerrilha.


Em 2006, Serra elegeu-se Governador de São Paulo, cargo que exerce até os dias de hoje. É o candidato natural da oposição à Presidência da República.


De lá para cá, Dilma vem sendo imposta por Lula como a candidata biônica do PT à presidência da república. No dia 20 de fevereiro de 2010, foi ungida, sem nunca ter conquistado um só cargo público pelo voto ou por concurso, a candidata da situação à sucessão de Lula.


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O PODER É AFRODISÍACO

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Algumas pessoas não entendem a aceitação quase unânime de Lula da Silva. Aconteça o que acontecer, pesquisas sempre registram assombroso e crescente prestígio do presidente da República. Escândalos atingindo seus companheiros mais próximos de partido e de governo, algo que em outros países no mínimo traria descrédito à figura presidencial, não acarreta consequência sobre o mito do salvador da pátria cuidadosamente construído. Apagões de transporte aéreo, apagões de energia, Educação no fundo do poço da mediocridade, Saúde em descalabro, estradas em estado calamitoso, nada perturba a paz e a alegria do presidente voador, que quando não se encontra em palanques ou sob as luzes das TVs está usufruindo de uma de suas inúmeras e maravilhosas voltas ao mundo.
No ano passado, o presidente que tanto criticou as viagens do seu antecessor, passou 83 dias circulando pelo Brasil em campanha ilegal por Dilma Rousseff e 91 dias em 31 países. Neste ano ele já visitou, somente em janeiro, sete Estados, sempre acompanhado por sua ministra da Casa Civil e candidata. Entre frenéticos discursos Lula da Silva inaugura o que existe e o que não existe.
A popularidade do presidente, segundo alguns, vem do seu carisma. Será? Se fosse tão carismático ele teria se alçado à presidência da República na primeira tentativa e não na quarta. Outros atribuem o prestígio de Lula da Silva a sua genialidade. Mas gênio não emite tantos disparates quando deixa de lado a leitura dos discursos oficiais e expande sua verve populista, entremeada de palavrões e ataques pesados aos adversários.
Na verdade, a aceitação de Lula da Silva vem de alguns aspectos já conhecidos e por mim já abordados em artigos, tais como: propaganda asfixiante, impressionante culto da personalidade, exposição em over dose da figura presidencial trabalhada como um pop star, “bondades” distribuídas aos ricos, aos pobres e a chamada base aliada, o que demonstra a velha máxima: “pagando bem que mal tem”.
Tudo isso seria suficiente para o endeusamento de Lula da Silva. Mas tem algo mais que tem sido feito por ele mesmo. Em arroubos megalomaníacos o presidente não cessa de se endeusar, de se auto-elogiar, de ensinar ao mundo seu exuberante êxito. Ele sente prazer em exercitar sua autoridade, de se impor. Por isso se diz que há algo afrodisíaco no poder. Rendida, a massa que escuta apaixonada a violência verbal chega ao êxtase coletivo e se rende ao culto do chefe ou à sua imagem, o dá a ele o grande recurso para governar.
A Lula da Silva basta a imagem, o tom de voz, os esgares. E quando a imagem se sobrepõe à verbalização temos o antidiscurso que justamente consagra o fascínio pela incoerência tão cara às massas.
Lula é a personificação do antidiscurso. Some-se a isso o que Hannah Arendt denominou como “instinto de submissão: “um desejo ardente de se deixar dirigir, de obedecer a um homem forte”. Isso explica um dos fatores da obscura adesão a uma imagem, a uma projeção idealizada que jamais resistiria a sua própria realidade tosca, incoerente, medíocre, vulgar.
Em sua magistral obra, “O Estado Espetáculo”, Roger-Gérard Schwartzenberg mostra como no fascismo a “multidão italiana se entregou ao Duce, o macho latino, de forma voluptuosamente submissa”. E Hitler, demonstrando o comportamento machista do nazismo, declarou: “A grande maioria do povo se encontra numa disposição e num estado de espírito tão femininos que suas opiniões e seus atos são determinados muito mais pela impressão produzida sobre seus sentidos, que por uma reflexão pura”.
Também na obra acima citada se encontra o que disse William Gavin, que foi membro da equipe de Nixon: “O eleitor é fundamentalmente preguiçoso e em hipótese alguma se poderá esperar que ele faça o menor esforço para compreender o que lhe dizem. Raciocinar exige um grau elevado de disciplina e concentração; é mais fácil impressionar. O raciocínio repugna ao telespectador, ou então o agride, exige que ele concorde ou recuse; uma impressão, ao contrário, pode envolvê-lo, solicitá-lo sem o colocar diante de uma exigência intelectual”.
Os marqueteiros, esses construtores de imagens, sabem tudo isso. E os ególatras que alcançaram o poder praticam a sedução e a submissão das massas de modo espontâneo e masoquista. Seu egocentrismo desenfreado, seu hedonismo patológico os torna megalomaníacos. Entretanto, todos também sabem que paixões não são eternas. Tampouco existem deuses mortais.
Note-se que a paixão dos venezuelanos por Hugo Chávez, outro macho latino com características fascistas, começa chegar ao fim. Quanto ao presidente brasileiro é um homem de sorte incomensurável, mas sorte é algo aleatório e um dia pode acabar. Recentemente Lula da Silva provou para si mesmo que não é imortal. E começa a aprender o que ensinou Maquiavel: “Quem cria o poder de outrem se arruína”. Ele que se cuide com Dilma Rousseff.

(Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga,)


TERRORISMO e AI-5

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Daqui a oito dias completam-se 40 anos de um episódio pouco lembrado e injustamente inconcluso. À primeira hora de 20 de março de 1968, o jovem Orlando Lovecchio Filho, 22 anos, deixou seu carro numa garagem da Avenida Paulista e tomou o caminho de casa. Uma explosão arrebentou-lhe a perna esquerda. Pegara a sobra de um atentado contra o consulado americano, praticado por terroristas da Vanguarda Popular Revolucionária. (Nem todos os militantes da VPR podem ser chamados de terroristas, mas quem punha bomba em lugar público, terrorista era). Lovecchio teve a perna amputada abaixo do joelho e a carreira de piloto comercial destruída.

O atentado foi conduzido por Diógenes Carvalho Oliveira e pelos hoje arquitetos Sérgio Ferro e Rodrigo Lefevre, além de Dulce Maia e mais uma pessoa que não foi identificada. A bomba do consulado americano explodiu oito dias antes do assassinato de Edson Lima Souto no restaurante do Calabouço, no Rio de Janeiro, e nove meses antes da imposição ao país do Ato Institucional nº 5. Essas referências cronológicas desamparam a teoria segundo a qual o AI-5 provocou o surgimento da esquerda armada.

Até onde é possível fazer afirmações desse tipo, pode-se dizer que sem o AI-5 certamente continuaria a haver terrorismo e sem terrorismo certamente não teria havido o AI-5. O caso de Lovecchio tem outra dimensão.

Passados 40 anos, ele recebe da 'viúva' uma pensão especial de R$ 571,00 mensais. Nada a ver com o Bolsa Ditadura. Para não estimular o gênero coitadinho, é bom registrar que ele reorganizou sua vida, caminha com uma prótese, é corretor de imóveis e mora em Santos com a mãe e um filho. A vítima da bomba não teve direito ao Bolsa Ditadura, mas o bombista Diógenes teve. No dia 24 de janeiro passado, o governo concedeu-lhe uma aposentadoria de R$1.627,00 mensais, reconhecendo ainda uma dívida de R$400.000,00 de pagamentos atrasados.

Em 1968, com mestrado cubano em explosivos, Diógenes atacou dois quartéis, participou de quatro assaltos, três atentados à bomba e uma execução. Em menos de um ano, esteve na cena de três mortes, entre as quais a do capitão americano Charles Chandler, abatido quando saía de casa.

Tudo isso antes do AI-5. Diógenes foi preso em março de 1969 e um ano depois foi trocado pelo cônsul japonês, seqüestrado em São Paulo.

Durante o tempo em que esteve preso, ele foi torturado pelos militares que comandavam a repressão política. Por isso, foi uma vítima da ditadura, com direito a ser indenizado pelo que sofreu. Daí a atribuir suas malfeitorias a uma luta pela democracia, iria enorme distância.

O que ele queria era outra ditadura. Andou por Cuba, Chile, China e Coréia. Voltou ao Brasil com a anistia e tornou-se o 'Diógenes do PT'. Apanhado num contubérnio do grão-petismo gaúcho com o jogo do bicho, deixou o partido em 2002.

Lovecchio, que ficou sem a perna, recebe um terço do que é pago ao cidadão que organizou a explosão que o mutilou. (Um projeto que revê o valor de sua pensão, de iniciativa da ex-deputada petista Mariângela Duarte está adormecido na Câmara.)

Em 1968, antes do AI-5, morreram sete pessoas pela mão do terrorismo de esquerda. Há algo de errado na aritmética das indenizações e na álgebra que faz de Diógenes uma vítima e de Lovecchio, um estorvo.


AGORA A SURPRESA: ADIVINHE QUEM É DULCE MAIA?
SIM, ELA MESMA: DILMINHA PAZ E AMOR!!!

ESSE É SÓ MAIS UM CODINOME DA TERRORISTA ESTELA/DILMA


(Elio Gaspari - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/images/brasil.gif)

terça-feira, 2 de março de 2010

Nossa Comandante

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Como você pode ver, vestida a caráter e muito bem acompanhada.
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Onde andará o meu Doutor?

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Hoje acordei sentindo uma dorzinha. Aquela dor sem explicação e uma palpitação! Resolvi procurar um doutor.

Fui divagando pelo caminho. Lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo. Meu doutor, que curava a minha dor! Não apenas a do meu corpo, mas a da minha alma. Que me transmitia paz e calma.


Chegando à recepção do consultório, fui atendida com uma pergunta:

- "Qual o seu plano?

O meu plano? Ah! O meu plano é viver mais e feliz. É dar sorrisos, aquecer os que sentem frio e preencher esse vazio que sinto agora!
Mas, a resposta teria que ser outra! O "meu plano de saúde"!

Apresentei o documento do dito cujo, já meio suado tanto quanto o meu bolso. E aguardei.

Quando fui chamada, corri apressada. Ia ser atendida pelo doutor, ele que cura qualquer tipo de dor.
Entrei e o olhei. Me surpreendi!

Rosto trancado, triste e cansado. Será que ele estava adoentado? É, quem sabe, talvez gripado! Não tinha um semblante alegre, provavelmente devido a febre. Dei um sorriso meio de lado e um bom dia.

Olhei o ambiente bem decorado. Sobre a mesa à sua frente um computador e no seu semblante a sua dor. O que fizeram com o doutor? Quando ouvi a sua voz de repente:

- "O que a senhora sente? Como eu gostaria de saber o que ele estava sentindo... Parecia mais doente do que eu a paciente.

- Eu? - Ah! Sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitação e esperei a sua reação.


Vai me examinar, escutar a minha voz e auscultar o meu coração. Para a minha surpresa apenas me enntregou uma requisição e disse:


- Peça autorização desses exames para conseguir a realização.

Quando li quase morri. Tomografia computadorizada, Ressonância magnética e Cintilografia.

Ai meu Deus, que agonia! Eu só conhecia uma tal de abreugrafia... Só sabia o que era "ressonar" (dormir), de "magnético" eu conhecia um olhar... e "cintilar" só o das estrelas!

Estaria eu a beira da morte? De ir para o céu? Iria morrer assim ao léu?
Naquele instante timidamente pensei em falar "Não terá o senhor uma amostra grátis de calor humano para aquecer esse meu frio"? O que fazer com essa sensação de vazio? Me observe doutor! O tal "Pai da Medicina", o grego Hipócrates acreditava que, "A arte da Medicina está em observar". Olhe pra mim... É bem verdade que o juramento dele está ultrapassado. Médico não é sacerdote.Tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano.

Mas, por favor me olhe! Ouça a minha história! Preciso que o senhor me escute e ausculte. Me examine! Estou sentindo falta de dizer até aquele 33! Não me abandone assim de uma vez. Procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança! Alimente a minha mente e o meu coração... Me dê ao menos uma explicação! O senhor não se informou se eu ando descalça... Ando sim! Gosto de pisar na areia e seguir em frente deixando as minhas pegadas pelas estradas da vida. Estarei errada? Ou estarei com o verme do amarelão? Existirá umas gotinhas de solução? Será que já existe vacina contra o tédio? Ou não terá remédio?


Que falta o senhor me faz, meu antigo doutor!
Cadê o Scot, aquele da emulsão? Que tinha um gosto horrível mas me deixava forte que nem um "Sansão"! E o elixir? Paregórico e categórico E o chazinho de cidreira, que me deixava a sorrir sem tonteiras? Será que pensei asneiras?

Ah! Meu querido e adoentado doutor! Sinto saudades... Dos seus ouvidos para me escutar... Das suas mãos para me examinar...Do seu olhar compreensivo e amigo... Do seu pensar! Do seu sorriso que aliviava a minha dor... Que me dava forças para lutar contra a doença... E que estimulava a minha saúde e a minha crença...
Sairei daqui para um ataúde? Preciso viver e ter saúde! Por favor me ajude!

Oh! Meu Deus, cuide do meu médico e de mim, caso contrário chegaremos ao fim... Porque da consulta só restou uma requisição digitada em um computador e o olhar vago e cansado do doutor!


Precisamos urgente dos nossos médicos amigos... A medicina agoniza... Ouço até os seus gemidos...


Por favor! Tragam de volta o meu doutor! Estamos todos doentes e sentindo dor!

E Peço: Para o ser humano, uma receita de amor e para o exercício da Medicina uma prescrição de “amor”!


- Por onde andará o meu Doutor?

(Tatiana Bruscky - Médica)

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segunda-feira, 1 de março de 2010

Momento Mafalda

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(Fonte: diariodecampo.files.wordpress.com)