quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Oito anos depois de Lula, mercados veem 2º turno com cautela

 

Rafael Spuldar
Da BBC Brasil em São Paulo

Adversário de Lula em 2002, Serra agora é visto com ressalvas
Os mercados, que se agitaram em 2002 com a possível eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a sucessão de Fernando Henrique Cardoso, agora veem com cautela o segundo turno da disputa presidencial entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), segundo analistas entrevistados pela BBC Brasil.
Oito anos atrás, diante da provável vitória de Lula, o dólar subia, as avaliações das agências de risco pioravam e até o megainvestidor George Soros dizia que o Brasil daria um calote na dívida.
O então candidato do PT teve que vir a público para garantir a manutenção dos compromissos com credores, restaurar a tranquilidade no sistema financeiro e abrir caminho para a oposição da época chegar ao Planalto.
Agora, com a retomada do crescimento e o clima de otimismo na economia brasileira, Lula é governo, faz campanha por Dilma e é o tucano Serra – justamente o candidato derrotado em 2002 - quem tem de convencer o eleitor a apostar em uma mudança no Planalto.
Para o diretor da consultoria Prospectiva, Ricardo Sennes, "temor" é uma palavra muito forte para avaliar a reação do mercado a uma possível vitória de Serra. Ele diz, no entanto, que diversos setores consideram o tucano um interlocutor mais difícil de negociar do que Dilma.
"Serra tem convicções fortes em alguns temas, o que não o torna muito palatável para ouvir certas sugestões", afirmou Sennes à BBC Brasil.
Já o professor de Ambiente Econômico Global do Insper, Otto Nogami, vê no mercado uma "certa desconfiança" quanto a Serra, mas acrescenta que um governo do PSDB seria mais favorável ao setor privado por, supostamente, favorecer um crescimento mais "estruturado", a partir de uma política fiscal mais conservadora.
"Muita gente diz que a continuidade do governo (do PT) seria melhor para ganhar dinheiro, mas não necessariamente para criar uma situação sólida para a economia", avalia Nogami.
Política monetária
Os dois especialistas concordam ao afirmar que sinais dados por Serra de possíveis mudanças na política monetária e cambial, incluindo ajustes na governança do Banco Central e na cotação do real, por exemplo, podem gerar incerteza e estimular cautela no mercado, mas sem consequências mais graves.
"Interferências nas leis de mercado, seja de câmbio ou juros, não são muito bem vistas, surge certa preocupação", diz Nogami. Ele acrescenta, entretanto, que qualquer instabilidade que possa ocorrer na bolsa de valores será pontual.
Sennes também admite que "a forma e o conteúdo" das possíveis intervenções de Serra podem gerar expectativa, mas lembra que o tucano tem uma relação muito boa com o setor financeiro desde a criação, em 1995, do Proer - programa que possibilitou a reestruturação dos bancos brasileiros durante a sua gestão como ministro do Planejamento (1995-1996).
O sócio-diretor da LCA Consultoria, Fernando Sampaio, vê no Congresso um maior potencial gerador de incerteza quanto a um governo de Serra. Para ele, dificuldades na montagem de uma base parlamentar preocupariam mais o mercado de ações do que a incerteza nas diretrizes econômicas.
Tanto Sampaio como Sennes veem o setor empresarial dividido quanto a apoiar um ou outro candidato no segundo turno. Segundo o diretor da LCA, os interesses específicos setoriais causam uma "dispersão de posicionamentos".
Já o diretor da Prospectiva diz ser "curioso" que o setor privado se divida entre Dilma e Serra. "Em geral, supõe-se que um candidato de centro teria mais apoio do empresariado, mas o governo Lula e a Dilma conseguem ter um relacionamento positivo com vários setores", afirma.
Reação em Wall Street
Atento ao resultado da eleição no Brasil, o mercado americano parecia já contar com uma vitória de Dilma no primeiro turno. O diretor do Eurasia Group, Christopher Garman, diz que seus clientes em Wall Street "não queriam mais nem updates (novidades)" sobre as eleições.

Segundo Garman, a única dúvida era sobre quem seriam os ministros no governo de Dilma. "Agora, acho que os investidores vão começar a olhar a eleição com um pouco mais de atenção", afirma.
"A política americana não é guiada apenas pela economia", diz o codiretor do Center for Economic and Policy Research, Mark Weisbrot. "Se fosse assim, haveria um empate entre os que preferem Dilma e os que preferem Serra."
"Grande parte dos empresários prefere a Dilma", acrescenta. "Ainda lembram do que Serra fez quando era ministro."
Em 2001, à frente da pasta da Saúde, Serra ameaçou quebrar a patente de medicamentos utilizados no "coquetel" para o tratamento do vírus HIV, como o Nelfinavir (fabricado pelo laboratório Roche) e o Efavirenz (do Merck Sharpe & Dohme), alegando alto custo para a compra dos remédios.
Com a ameaça, os laboratórios reduziram os preços, e as patentes foram mantidas. No entanto, em 2007, o presidente Lula determinou a quebra da patente do Efavirenz.
Sennes e Nogami concordam que o setor de saúde poderia ter uma resistência maior a uma eleição de Serra. Por outro lado, Nogami avalia que os setores voltados à infraestrutura veriam a vitória de Serra com bons olhos, por ter um perfil voltado ao setor produtivo.
O diretor da Prospectiva acrescenta que o tucano, considerando as suas declarações e a sua biografia, pode dar um "choque de competitividade" em diversas áreas como a de autopeças.
"Para Serra, um mercado bem regulado e com forte concorrência funciona melhor do que uma situação em que uma estatal esteja como linha dominante", afirma Sennes.* Colaborou Alessandra Correa, da BBC Brasil em Washington
.

Consulta pública para avaliação ambiental estratégica

.

Para receber sugestões e comentários, está sob consulta pública até o dia 12 de outubro de 2010, o texto preliminar das diretrizes do Ministério do Meio Ambiente para a Avaliação Ambiental Estratégica (AAE). Trata-se de um instrumento com orientações para facilitar a associação da questão ambiental no processo de planejamento das políticas públicas dos vários setores de governo. 

A ideia é que o Brasil possua um instrumento voltado para sustentabilidade ambiental de programas, planos, projetos estruturantes, entre outros, e funcione como mecanismo facilitador no processo de decisão estratégica. 

Com isso, a AAE permitirá fazer avaliação de risco, criar oportunidades e evitar situações de conflito, sempre que tenha implicações com mudanças climáticas, perda de biodiversidade, produção e segurança alimentar, unidades de conservação integral, uso compartilhado de recursos ambientais, entre outros assuntos.

A proposta em discussão ainda prevê a elaboração do Guia Metodológico para a Prática da AAE, no qual estarão expressos os fundamentos conceituais, técnicos e processuais para fazer a Avaliação Ambiental Estratégica. 

Após o prazo de consulta pública, o Ministério do Meio Ambiente irá reunir as contribuições e publicar texto final.


Contribuições e sugestões poderão ser encaminhadas para cema@mma.gov.br <mailto:cema@mma.gov.br> até o dia 12 de outubro de 2010.
.

Sua chance está lançada!

.




O segundo turno das eleições é no dia 31, Halloween.
 
Não perca a chance de queimar uma bruxa!!!
.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Chile: veja diferença de preços de alguns carros comercializados lá e aqui


 .

Carplace no Chile

Chevrolet - Tabela de Preços Chile

Em continuidade ao post anterior, agora toco num ponto fundamental na comparação entre modelos comercializados no Chile e também no Brasil: o preço. Para isso, resolvi analisar os valores cobrados por alguns modelos de mesma configuração vendidos nas concessionárias dos 02 países. 
 
Todos os carros avaliados foram configurados nos sites das montadoras em cada país, sempre com pintura sólida. A base de conversão de peso chileno para o dólar foi de $ 490 para US$ 1, com o dólar cotado a R$ 1,75 (entre parênteses, o valor do carro em pesos chilenos).

 
Vamos às surpresas?



Chevrolet - Tabela de Preços Chile



CHEVROLET


Chevrolet Vectra GT 2011
Vectra GT
Brasil: R$ 57.291
Chile*: R$ 37.092 ($ 10.390.000)
Diferença: + 54,45%
* Por lá, o Vectra GT é vendido como Astra Hatch Enjoy




Chevrolet S10
Brasil: R$ 60.216
Chile: R$ 31.123 ($ 9.154.000)
Diferença: + 93%

* Cabine Dupla, motor 2.4


FIAT


Palio Weekend Trekking 1.4*
Brasil: R$ 48.934
Chile: R$ 29.595 ($ 8.290.000)
Diferença: + 65,35%
* Equipado com ar condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas e rodas de liga leve 14”




Fiat Siena
Siena ELX 1.4*
Brasil: R$ 44.972
Chile: R$ 24.954 ($ 11.990.000)
Diferença: + 80,22%
* Equipado com ar condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas e rodas de liga leve 14”




FORD
Ford Focus 1.6 Sigma Flex
Focus GLX 1.6 Hatch
Brasil: R$ 54.950
Chile: R$ 34.236 ($ 9.590.000)
Diferença: + 60,50%





Ford Ecosport 2011
Ecosport XLS 1.6
Brasil: R$ 58.290
Chile: R$ 28.524 ($ 7.990.000)
Diferença: + 104,35%




KIA


Kia Cerato Sedan 2010
Cerato E.263 automático
Brasil: R$ 61.900
Chile: R$ 35.307 ($ 9.890.000)
Diferença: + 75,32%




Kia Picanto 2011 - Preços
Picanto EX Manual*
Brasil: R$ 32.900
Chile: R$ 22.098 ($ 6.190.000)
Diferença: + 48,88% (pechincha)
* Morning, no Chile




RENAULT


Renault Sandero
Sandero 1.6 Privilège*
Brasil: R$ 44.140
Chile: R$ 24.240 ($ 6.790.000)
Diferença: + 82,10%
* Versão Dinamique no Chile, ambas com freios ABS e air bag duplo




Novo Logan 2011
Logan 1.6 Expression*
Brasil: R$ 41.240
Chile: R$ 23.883 ($ 6.690.000)
Diferença: + 72,68%
* Versão Dinamique no Chile, ambas com freios ABS e air bag duplo



(Fonte: http://carplace.virgula.uol.com.br/carplace-no-chile-veja-diferenca-de-precos-de-alguns-modelos-comercializados-la-e-aqui)

Propina era paga dentro da Casa Civil

.


 

Reportagem de Veja diz que teria havido distribuição de dinheiro dentro do
ministério, na época comandado por Dilma Rousseff

 


Uma semana depois de noticiar a existência de um esquema de tráfico de influências dentro da Casa Civil, a revista Veja deste sábado aponta que o pagamento de propina era feito dentro do próprio ministério, na época em que a pasta esteve sob comando da hoje presidenciável petista Dilma Rousseff. A revista traz o relato sobre o dia em que o advogado Vinicius de Oliveira Castro, exonerado na semana passada, teria encontrado R$ 200 mil em sua mesa.

O dinheiro, diz a revista, seria referente à suposta propina cobrada no acerto do contrato emergencial para aquisição do Tamiflu, firmado no meio do ano passado. O medicamento é usado no tratamento da gripe suína. O caso teria sido relatado à revista por um amigo de Castro que trabalha no governo e por seu tio, Marco Antonio Oliveira, então diretor de Operações dos Correios. Os depoimentos, diz a reportagem, foram gravados.

"Caraca! Que dinheiro é esse?", teria dito Castro, que de acordo com o texto ouviu a resposta de um colega mais experiente: "É o PP do Tamiflu" - PP é a sigla usada para pagamentos oficiais, que no linguajar das repartições adquiriu o significado de propina. Vinicius de Oliveira Castro é sócio do filho da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, apontado pela revista na semana passada como pivô de um esquema de tráfico de influência dentro do governo. O governo, diz a revista, nega qualquer ingerência na aquisição do medicamento.

Outra reportagem da revista diz que o tráfico de influência comandado dentro do governo não seria restrito ao filho de Erenice Guerra. O marido da ex-ministra, o engenheiro elétrico José Roberto Camargo Campos, também teria praticado lobby em um negócio na área de telecomunicações.
.

O súbito encanto de Marina Silva

.



Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo

Não, o Palácio de Inverno de São Petersburgo da Rússia em 1917 ainda não será tomado pela onda vermelha.
Não. Agora, o PT vai ter de encarar: estamos num país democrático, cultural e empresarialmente complexo, em que os golpes de marketing, os palanques de mentiras, os ataques violentos à imprensa não bastam para vencer eleições... (Por decência, não posso mostrar aqui os emails de xingamentos e ameaças que recebo por criticar o governo). O Lula vai ter de descobrir que até mesmo seu populismo terá de se modernizar. O povo está muito mais informado, mais online, mais além dos pobres homens do Bolsa-Família, e não bastam charminhos e carismas fáceis, nem paz e amor nem punhos indignados para a população votar. Já sabemos que enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados, que enquanto não acabarem as regras políticas vigentes, nada vai se resolver. Já sabemos que mais de R$ 5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas e nenhum carisma esconde isso para sempre. Já sabemos que administração é mais importante que utopias.

A campanha à que assistimos foi uma campanha de bonecos de si mesmos, em que cada gesto, cada palavra era vetada ou liberada pelos donos da "verdade" midiática. Ninguém acreditava nos sentimentos expressos pelos candidatos. Fernando Barros e Silva disse na Folha uma frase boa: "Dilma parece uma personagem de ficção e Serra a ficção de uma personagem." Na mosca.

Serra. Os erros da campanha do Serra foram inúmeros: a adesão falsa ao Lula, que acabou rindo dele: "O Serra finge que me ama"...

Serra errou muito por autossuficiência (seu defeito principal), demorando muito para se declarar candidato, deixando todo mundo carente e zonzo, como num coito interrompido; Serra demorou para escolher um vice-presidente (com a gafe de dizer que vice bom é o que não aporrinha), fez acusações ligando as Farc à Dilma, esculachou o governo da Bolívia ainda no início, avisou que pode mexer no Banco Central e, quando sentiu que não estava agradando, fez anúncios populistas tardios sobre salário mínimo e aposentados. Nunca vi uma campanha tão desagregada, uma campanha antiga, analógica numa época digital, enlouquecendo cabos eleitorais e amigos, todos de bocas abertas, escancaradas, diante do óbvio que Serra ignorou. Serra não mudou um milímetro os erros de sua campanha de 2002. Como os Bourbon, "não esqueceu nada e não aprendeu nada".

A campanha do primeiro turno resumiu-se a dois narcisismos em luta.

Dilma. Enquanto o Serra surfava em sua autoconfiança suicida, a Dilma, fabricada dos pés ao cabelo, desfilava na certeza de sua vitória, abençoada pelo "Padim Ciço" Lula.

Seus erros foram difíceis de catalogar racionalmente, mas os eleitores perceberam sutilezas na má interpretação da personagem, como atrizes ruins em filmes.

O sorriso sem ânimo, riso esforçado, a busca de uma simpatia que escondesse o nítido temperamento autoritário, suas palavras sem a chama da convicção, ocultando uma outra Dilma que não sabemos quem é, sua postura de vencedora, falando em púlpitos para jornalistas, sua arrogância que só o salto alto permite: ser pelo aborto e depois desmentir, sua união de ateia com evangélicos, a voracidade de militante - tarefeira, para quem tudo vale a pena contra os "burgueses de direita" que são os adversários, os esqueletos da Casa Civil, desde os dossiês contra FHC, passando pela Receita Federal (com Lina Vieira e depois com os invasores de sigilos), sua tentativa de ocultar o grande hipopótamo do Planalto que foi seu braço direito e resolveu montar uma quadrilha familiar. Além disso, os jovens contemporâneos, mesmo aqueles cooptados pelo maniqueísmo lulista, não conseguem votar naquela ostentada simpatia, pois veem com clareza uma careta querendo ser cool.

Marina. Os erros dos dois favoritos acabaram sendo o grande impulso para Marina. No meio de uma programação mecânica de marketing, apareceu um ser vivo: Marina. Isso.

Uma das razões para o segundo turno foi a verdade da verde Marina. Sua voz calma, sua expressão sincera, o visível amor que ela tem pelo povo da floresta e da cidade, tudo isso desconstruiu a imagem de uma candidata fabricada e de um candidato aferrado em certezas de um frio marqueteiro.

Marina tem origem semelhante à do Lula, mas não perdeu a doçura e a fé de vencer pelo bem. Isso passa nas imperceptíveis expressões e gestos, que o público capta.

Agora teremos um segundo turno e talvez vejamos um PSDB fortalecido pela súbita e inesperada virada. Desta vez, o partido terá de ser oposição, se defendendo e não desagregado como foi no primeiro turno, onde se esconderam todos os grandes feitos do próprio PSDB, durante o governo de FHC.

Desde 2002, convencionou-se (Quem? Por quê?) que o Lula não podia ser atacado e que o FHC não poderia ser mencionado. Diante dessa atitude, vimos o Lula, sua clone e seus militantes se apropriarem descaradamente de todas as reformas essenciais que o governo anterior fez e que possibilitaram o sucesso econômico do governo Lula, que cantou de galo até no Financial Times, assumindo a estabilização de nossa economia. E os gringos, desinformados, acreditam.

Além disso, com "medinho" de desagradar aos "bolsistas da família", ninguém podia expor mentiras e falsos dados que os petistas exibiam gostosamente, com o descaro de revolucionários "puros". Na minha opinião, só chegamos ao segundo turno por conta dos deuses da Sorte. Isso - foi sorte para o Serra e azar para a Dilma.

Ou melhor, duas sortes:

O grande estrago causado pela súbita riqueza da filharada de Erenice, ali, tudo exibido na cara do povo, e o reconhecimento popular do encanto sincero de Marina.

Isso salvou a campanha errática e autossuficiente do José Serra, que apesar de ser um homem sério, competentíssimo, patriota, que conheço e respeito desde a UNE, mas que é das pessoas mais teimosas do mundo.

Duas mulheres pariram o segundo turno. Se ouvir seus pares e amigos, poderá ser o próximo presidente. Se não...
.

Comissão de ética pune Erenice Guerra com censura

.



Por esconder por cinco meses a existência de uma rede de parentes instalados em órgãos públicos e em escritórios de advocacia que fizeram funcionar a máquina de lobby instalada na Casa Civil, a ex-ministra Erenice Guerra foi ontem, um dia depois de ser obrigada a pedir demissão, "punida" com uma censura ética. A "punição" não tem efeito prático e não a impede de retornar ao serviço público nem de ocupar cargos de confiança, apenas faz constar em sua ficha de servidora, pelo período de três anos, a "punição" - aplicada a servidores que já deixaram o governo. Se ainda estivesse no posto, sofreria "advertência" e poderia receber uma recomendação de demissão.

A censura foi aplicada porque Erenice, após assumir a Casa Civil, em abril, ignorou as três notificações da Comissão de Ética, exigindo que apresentasse ao órgão a Declaração Confidencial de Informações (DCI), na qual constariam sua variação patrimonial, atividades paralelas à atividade pública e situações que suscitam conflito de interesse - o que também inclui familiares. O questionário, por exemplo, perguntou se Erenice tinha parente até quarto grau, em linha reta, colateral ou por afinidade, que exercia atividades em áreas afins à atuação da Casa Civil e pedia para identificá-los.

A omissão de Erenice manteve nas sombras a figura de seu filho, Israel Guerra, ex-funcionário da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), dono da Capital Assessoria, que operava na intermediação de negócios de áreas que passavam pelo crivo da Casa Civil. Erenice também omitiu que dois irmãos eram ligados ao escritório Trajano & Silva Advogados, palco de negócios feitos por Israel. Na gestão de sua mãe, Israel facilitou a vida da empresa de transporte aéreo Master Top Linhas Aéreas (MTA) nos Correios, pelo qual recebeu R$ 120 mil de um contrato que ultrapassaria R$ 5 milhões.

Erenice poderá sofrer uma segunda censura ética, se ficar comprovado que ela fez ou permitiu que houvesse tráfico de influência na Casa Civil. Ontem, na mesma reunião, a comissão decidiu abrir processo para apurar as denúncias, mas não tem prazo para completar a investigação. Se for achada irregularidade, poderá haver processo administrativo. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

(Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,comissao-de-etica-pune-erenice-guerra-com-censura,611772,0.htm)

Aberração Brasileira

.




VOTE COM CONSCIÊNCIA

.

Reconstruindo a verdade

.

Agora vejam este vídeo. É histórico!





Lula admitiu no dia da criação do Bolsa Família: foi idéia de um governador tucano!

Mais: as políticas já existiam!


Vocês já sabem que o Bolsa Família foi criado pelo governo FHC — os programas unificados sob essa rubrica tinham outro nome. Quem dizia que isso deixava o assistido preguiçoso era Lula. Segundo ele, o cara perdia a vontade de “plantar macaxeira”, como afirmou em abril de 2003.


Se você quiser matar saudades de ver Lula a dizer que programas sociais despolitizam os pobres e os fazem pensar “com o estômago, não com a cabeça”, clique
http://www.youtube.com/watch?v=83WUqpvddq8&NR=1.

Como perceberam, é a solenidade de lançamento do Bolsa Família. Transcrevo trecho da fala do presidente:

“Vou lembrar aqui o governador Marconi Perillo. E afaço aqui justiça: além de ser o estado que mais tem essa política de renda, foi o companheiro que, na primeira reunião que tivemos de governador, SUGERIU A IDÉIA DA UNIFICAÇÃO DAS POLÍTICAS SOCIAIS DESSE PAÍS”

Está tudo aí. O Bolsa Família foi a unificação das políticas sociais que já existiam. E a idéia foi do então governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, que disputa de novo o cargo.

O PSDB ou o DEM jamais disseram que o Bolsa Família é esmola. Marina chegou a atribuir tal afirmação a oposicionistas em pergunta feita a Serra em um dos debates. E não diriam porque foram eles que criaram os programas, depois unificados. Agora se sabe que também a unificação foi idéia de um governador do PSDB — hoje não muito apreciado por Lula porque foi uma das autoridades que confirmaram tê-lo advertido da existência do mensalão.

Por que os tucanos nunca conseguiram usar essas coisa a seu favor? É o que eu também me pergunto.

(Reinaldo Azevedo - Veja)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Peça-chave do caso Erenice, ex-diretor dos Correios presta depoimento à PF

.
DÊ UM

DIGA NÃO À DILMA E AO PT

NO SEGUNDO TURNO, VOTE COM CONSCIÊNCIA


O ex-diretor de Operações dos Correios, Marco Antonio Oliveira, está prestando depoimento na Policia Federal em Brasília no inquérito que investiga tráfico de influência no governo Lula.

Oliveira é considerado peça-chave para desvendar a atuação da empresa de lobby que pertence na prática ao filho da ex-ministra Erenice Guerra e ao sobrinho dele, Vinícius Castro.

O sobrinho foi contratado para trabalhar na Casa Civil pela então ministra Dilma Rousseff, candidata do PT à sucessão presidencial. Dilma também era ministra quando a empresa de lobby negociou contratos entre o setor público e privado. Erenice era à época sua secretaria executiva. Ela deixou o cargo por causa do escândalo.

Marco Antonio disse à revista "Veja" que o sobrinho recebeu propina dentro da Casa Civil, que seria pela compra de Tamiflu pelo governo. O Ministério da Saúde nega intermediação da pasta.

O ex-diretor também disse que a Irma foi usada como laranja para abertura da empresa de lobby porque o sobrinho não poderia aparecer por ser funcionário do governo. E confirmou à Folha que apresentou ao seu sobrinho o consultor Rubnei Quícoli, interessado na liberação de empréstimo do BNDES.

Vinicius Castro depôs na ultima quarta-feira e se recusou a apresentar explicações. Amanha será a vez de Israel e Saulo Guerra, filhos de Erenice.

(Andreza Matais - Folha)


Lula é um fenômeno religioso – Arnaldo Jabor

.


Lula não é um político – é um fenômeno religioso. De fé. Como as igrejas que caem, matam os fiéis e os que sobram continuam acreditando. Com um povo de analfabetos manipuláveis, Lula está criando uma igreja para o PT dirigir, emparedando instituições democráticas e poderes moderadores.

Os fatos são desmontados, os escândalos, desidratados, para caber nos interesses políticos da igreja lulista e seus coroinhas. Lula nos roubou o assunto. Vejam os jornais; todos os assuntos são dele, tudo converge para a verdade oficial do poder. Lula muda os fatos em ficção. Só nos resta a humilhante esperança de que a democracia prevaleça.

Depois do derretimento do PSDB, o destino do país vai ser a maçaroca informe do PMDB agarrada aos soviéticos do PT, nossa direita contemporânea.

Os comentaristas ficam desorientados diante do nada que os petistas criaram com o apoio do povo analfabeto. Os conceitos críticos, como “razão, democracia, respeito à lei, ética”, ficaram ridículos, insuficientes raciocínios diante do cinismo impune.

Como analisar com a razão essa insânia oficial? Como analisar o caso Erenice, por exemplo, com todas as provas na cara, com o Lula e seus áulicos dizendo que são mentiras inventadas pela mídia? Temos de criar novos instrumentos críticos para entender essa farsa. Novos termos. Estamos vendo o início de um “chavismo light”, cordial, para que a “massa atrasada” seja comandada pela “massa adiantada” (Dilma et PT).

Os termos têm de ser mudados. Não há mais “propina”; agora o nome é “taxa de sucesso”. A roubalheira se autonomeia “revolucionária” – assalto à coisa pública em nome do povo. O que se chamava “vítima” agora se chama “réu”. Os escândalos agora são de governos inteiros roubando em cascata, como em Brasília, Rondônia e Amapá – são “girândolas de crimes”. Os criminosos são culpados, mas sabem tramar a inocência. O “não” agora quer dizer “sim”.

Antigamente, mentia se com bons álibis; hoje, as tramoias e as patranhas são deslavadas; não há mais respeito nem pela mentira. Está em andamento uma “revolução dentro da corrupção”, invadindo o Estado em nossa cara, com o fito de nos acostumar ao horror. Gramsci foi transformado em chefe de quadrilha.

Nunca antes nossos vícios ficaram tão explícitos, nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo. Já sabemos que a corrupção no país não é um “desvio” da norma, não é um pecado ou crime; é a norma mesmo, entranhada nos códigos e nas almas.

Nosso único consolo: estamos aprendemos muito sobre a dura verdade nacional neste rio sem foz, onde as fezes se acumulam sem escoamento. Por exemplo: ganhamos mais cultura política com a visão da figura da Erenice, a burocrata felliniana, a “mãe coragem” com seus filhos lobistas, com o corpinho barbudo do Tuminha (lembram?), com o “make-over” da clone Dilma (que ama a ex-Erenice, seu braço- direito há 15 anos), com o silêncio eufórico dos Sarneys, do Renan, do Jucá… Que delícia, que doutorado sobre nós mesmos!

Ao menos estamos mais alertas sobre a técnica do desgoverno corrupto que faz pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da pele, tudo proclamado como plano de aceleração do crescimento popular.

Nossa crise endêmica está em cima da mesa de dissecação, aberta ao meio como uma galinha. Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades imundas, mas fecundas como um adubo sagrado, belas como nossas matas, cachoeiras e flores.

Os canalhas são mais didáticos que os honestos. Temos assistido a um show de verdades mentirosas no chorrilho de negaças, de cínicos sorrisos e lágrimas de crocodilo.

Como é educativo vermos as falsas ostentações de pureza para encobrir a impudicícia, as mãos grandes nas cumbucas e os sombrios desejos das almas de rapina. Que emocionante este sarapatel entre o público e o privado: os súbitos aumentos de patrimônio, filhinhos ladrões, ditadura dos suplentes, cheques podres, piscinas em forma de vaginas, despachos de galinhas mortas na encruzilhada, o uísque caindo mal no Piantela, as flatulências fétidas no Senado, as negaças diante da evidência de crime, os gemidos proclamando “honradez” e “patriotismo”.

Talvez essa vergonha seja boa para nos despertar da letargia de 400 anos. Através deste escracho, pode ser que entendamos a beleza do que poderíamos ser!

Já se nos entranhou na cabeça, confusamente ainda, que, enquanto houver 20 mil cargos de confiança no país, haverá canalhas, enquanto houver estatais com caixa preta, haverá canalhas, enquanto houver subsídios a fundo perdido, haverá canalhas. Com esse Código Penal, nunca haverá progresso.

Já sabemos que mais de 5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas, sem saneamento, com o Lula brilhando na TV, xingando a mídia e com todos os mensaleiros, sanguessugas e aloprados felizes em seus empregos e dentro do ex-partido dos trabalhadores.
E é espantoso que esse óbvio fenômeno político, caudilhista, subperonista, patrimonialista, aí, na cara da gente, seja ignorado por quase toda a “inteligentsia” do país, que antes vivia escrevendo manifestos abstratos e agora se cala diante desse perigo concreto que nos ronda. No Brasil, a palavra ” esquerda” ainda é o ópio dos intelectuais.

A única oposição que teremos é a da imprensa livre, que será o inimigo principal dos soviéticos ascendentes.

O Brasil está evoluindo em marcha a ré! Só nos resta a praga: malditos sejais, ó mentirosos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas, que vossas línguas mentirosas se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços e vos devorem a alma.

Os soviéticos que sobem já avisaram que revistas e jornais são o inimigo deles.

Por isso, “si vis pacem, para bellum”, colegas jornalistas. Se quisermos a paz, preparemo-nos para a guerra.


(O Globo – 21/09/10)


Lulambança

.



O presidente Lula gosta de elogios.

Na verdade, acha até que os “elogiadores” têm sido modestos. Ele quer mais, como disse ontem em comício em Salvador: “Obama falou que eu era ‘o cara’ há dois anos e nem conhecia as pesquisas que estão saindo agora. Se ele soubesse, ia falar: ‘Pô, não é que esse cara é o cara do cara?’” É verdade que políticos, especialmente aqueles no governo, apreciam as boas palavras. Podem reparar: se um governante pede a opinião de dez pessoas sobre sua administração e ouve nove críticas e um elogio, é com este último que fica. “Bela análise”, dirá, genuinamente convencido.

É por isso que políticos realmente espertos mantêm críticos nas proximidades.

É por isso que governantes realmente competentes colocam ministros e assessores fortes, com razoável grau de independência, para que façam o contraponto e coloquem limites.

Não é o caso do governo Lula. Não que o time seja todo ele incompetente, mas é evidente que todo o pessoal do governo e do partido entregou-se inteiramente ao “cara de todos os caras”.

Isso resulta de uma mistura de sentimentos: genuína veneração do líder, medo de se contrapor a ele, oportunismo e pragmatismo. De modo que temos, de um lado, um presidente com elevada autoconfiança, admiradíssimo com ele mesmo, achando que pode tudo, e, de outro, ministros e assessores que ou concordam com ele ou não o enfrentam por medo ou por achar que não vale a pena. É o caso daqueles que dizem que o PT vai voltar ao poder quando Lula se for.

Mas há outra atitude que pode ser a mais prejudicial ao país: o comportamento dos membros do governo que consideram ter o mesmo poder ou o mesmo direito de fazer o que bem entendem.

São os que se acham os verdadeiros “subcaras”.

Acontece direto na área econômica.

Lula mandou a Petrobras turbinar seus investimentos, mesmo contrariando pareceres técnicos, mandou tocar as usinas lá do Norte, como a de Belo Monte, apesar de enormes restrições técnicas, ambientais e econômicas, mandou avançar com o caríssimo e inútil trem-bala e por aí vai.

A pergunta ingênua aqui seria esta: mas como é que passa? Não tem ninguém para alertar? Passa porque esses programas despertam enormes interesses e cobiças.

Quem tem uma empreiteira acha ótimo que o governo se comprometa a fazer obras gigantescas, com financiamento subsidiado e risco do próprio governo.

Na gestão de política econômica propriamente dita, a orientação de Lula foi clara: vamos gastar. No início de seu primeiro mandato, pressionado pelo mercado, alvo de desconfianças, Lula foi obrigado a concordar com um programa de austeridade e contenção do gasto público. Foi quando o governo fez expressivos superávits primários (economia para pagar juros), bem superiores aos da era FHC.

Depois da saída de Palocci do Ministério da Fazenda, a orientação foi mudando.

A recuperação do crescimento econômico – empurrada pela espetacular expansão global, especialmente da China – abarrotou os cofres do governo de dinheiro novo. Depois, na crise, firmou-se a tese mundial de que os governos deveriam gastar para estimular a economia.

“Política anticíclica”, repetia o ministro Mantega. Mas quando a crise passou e o Brasil voltou a crescer, o governo continuou a elevar seus gastos. Se o argumento “anticíclico” fosse uma regra de fato e não uma desculpa, o comportamento da administração pública neste momento seria o contrário. Se as empresas e as pessoas voltaram a tomar crédito e a gastar, o governo passa a poupar, inclusive para fazer caixa para os anos ruins.

Números e contas públicas aceitam desaforo até certo ponto. Já as atuais autoridades econômicas, como funcionárias do “cara do cara”, acham que não estão fazendo nenhum desaforo, mas inaugurando uma contabilidade nunca jamais vista na história da humanidade.

Por exemplo: tiram do nada uma receita de pelo menos R$ 25 bilhões para o Tesouro. É quanto o governo vai “lucrar” com a capitalização da Petrobras.

Reparem a operação, em termos simples: o governo vendeu para a Petrobras 5 bilhões de barris de petróleo que estão enterrados em algum lugar do pré-sal. Cobrou por isso, em números redondos, uns R$ 72 bilhões. Logo, a Petrobras ficou devendo essa grana, pelo direito de, lá na frente, pesquisar, perfurar, explorar e finalmente retirar o óleo do fundo do mar.

Em seguida, a Petrobras abre seu capital e oferece ações ao mercado. O governo central (Tesouro) compra parte dessas ações, pelas quais deveria pagar à estatal uns R$ 45 bilhões. Mas como tem um crédito, pelos barris “a futuro”, apenas abate o valor da conta e continua credor da Petrobras, em uns R$ 27 bilhões.

Você pensou que o negócio fecha com a estatal mandando um cheque nesse valor para o caixa do governo? Se pensou, está na contabilidade da era pré-Lula.

A Petrobras não vai despachar o dinheiro, mas o Tesouro vai registrar como receita – e assim vai fazer neste mês o maior superávit já visto na história.

E ainda vai pegar uma parte desse dinheiro escritural e emprestar para o BNDES fazer o quê? Pagar por ações da Petrobras. Resumo: o governo não colocou um centavo de verdade, mas comprou mais ações da Petrobras, aumentou sua participação e ainda recebeu um troco de 27 bilhões.

Não é o máximo? Nada nesta mão, nada nesta outra e… eis 27 bilhões.

O problema é que investimentos insensatos e essas mágicas econômicas cobram um preço, mais cedo ou mais tarde. Ficam esqueletos pelo caminho e buracos nas contas públicas, tudo a ser pago com dinheiro do contribuinte. E aí não tem mágica: o dinheiro não sairá da cartola, mas do seu bolso.

(Carlos Alberto Sardenberg - O Globo - Fonte: www.defesadademocracia.com.br)


"Segundo Turno" - Fernando Henrique Cardoso

.



A campanha eleitoral termina sua primeira fase como se estivéssemos escolhendo entre duas ou três pessoas em razão de suas diferentes psicologias, grandes feitos, pequenas fragilidades pessoais ou o que mais seja. E não porque representam caminhos diversos para o país.

O governo de Lula e do PT se iniciou disposto a exercer o papel de renovador da política e da ética. Termina abraçado com a despolitização e o clientelismo. Ser pragmático é o que conta; ter bons índices de popularidade, aproveitar as águas calmas de um PIB em ascensão para distribuir benesses para todos os lados, fazer discursos inconsistentes, mesmo que chulos, para agradar a cada audiência. E, sobretudo, criar muitas imagens, registrando desde o ridículo até o sublime. Lula na Bolsa se autodefinindo como sumo sacerdote do capitalismo financeiro global representou o coroamento de uma trajetória. Como se de suas mãos escurecidas de petróleo brotassem ações ricas em dividendos futuros, e não do esforço árduo de gerações de trabalhadores, técnicos e políticos para viabilizar a Petrobras como uma grande companhia, da qual todos nos orgulhamos.

Por trás das máscaras dos candidatos, contudo, existem opções reais. Se elas se apresentam desfiguradas pelas técnicas mercadológicas, nem por isso deixam de representar distintas visões do país e interesses diversos. É por isso que, diga-se ou não, o dia de hoje é marcante. Em primeiro lugar, porque a despeito de o chefe da nação ter-se comportado como chefe de facção, chegando a falar em extermínio de adversários; apesar da massa de recursos mobilizada em propaganda direta ou indireta com as cornucópias públicas a jorrar rios de anúncios sobre “grandes feitos”; em que pese o personalismo imperial do presidente em sua verborreia incessante; não obstante tudo isso, com certeza pelo menos 40% dos eleitores não se dispõem a coonestar tal estado de coisas. E é pouco provável que os que ainda pendem para o outro lado alcancem hoje os 50% mais um dos votos válidos. A tentativa plebiscitária do “nós bons versus eles maus” não colou, a menos que se condene metade do país ao infortúnio de uma qualificação negativa perpétua.

Em segundo e principal lugar, o dia de hoje é importante porque abre um caminho para a convergência entre os que resistem ao rolo compressor do oficialismo (o PSDB com Serra e o PV com Marina). Temos em comum a recusa ao caminho personalista e autoritário. Rejeitamos a ideia de que esse caminho seja o único capaz de trazer progresso econômico e bem-estar social. Sabemos que, junto com o que de positivo possa haver sido alcançado nos últimos oito anos, houve também a penetração avassaladora de interesses partidários na administração pública. Também nela penetraram os interesses de grandes empresas, fundos de pensão e sindicatos. São estes os atores que, em aliança oportunista, dão sustentação à ideia de que é o Estado o motor do crescimento econômico. Os que resistem ao rolo compressor acreditam que o antídoto para esses males é o fortalecimento das instituições, o respeito às regras legais e a afirmação de lideranças que não dividam o país entre “eles” – os maus – e “nós” – os bons.

Não é pouca coisa, portanto, o que está em jogo. Segundo o mantra oficial, a disputa política estaria resumida a dois blocos. No primeiro, estariam os que estão comprometidos com o interesse popular, com o bem-estar social e com a defesa dos interesses nacionais pelo Estado. No segundo, os “moralistas”, que só se preocupam com o mundo das leis e com a honestidade na política porque já estão bem na vida. Vencendo o primeiro, o povo se beneficiaria com a distribuição de renda, as bolsas, emprego abundante etc., e o país com mais investimento e com a ação estatal para incentivar a economia. Vencendo o segundo, prevaleceriam os interesses dos que não olham para “o andar de baixo”, na metáfora expressiva, embora incorreta, e podem se dar ao luxo de exigir formas corretas de conduta.

É preciso recusar essa visão distorcida do país. Na verdade, ele tem vários andares, e um ou mais elevadores que sobem e descem. Há mobilidade social e mobilidade política. O que hoje pode ser visto como “moralismo” amanhã pode tornar-se aspiração de todos os andares. É esta a batalha a ser travada. Não denunciamos a corrupção, o clientelismo e a ineficiência por “moralismo”, mas, sim, para mostrar, em nome da justiça social, o quanto os andares de baixo perdem com a ineficiência, a corrupção e o clientelismo. Não aceitamos que os defensores do patrimônio público ou os que denunciam o abuso do poder político sejam, por isso, chamados de elitistas. Haverá mais e não menos inclusão social e desenvolvimento quanto mais eficiência houver no governo e decência, na vida pública.

A votação de hoje provavelmente nos levará ao segundo turno. Nele será indispensável mostrar que o PSDB não apenas foi decente como também fez muito pelo social quando foi governo. A começar pela estabilização, que é obra do nosso governo. Fez e está credenciado a fazê-lo novamente, junto com Marina, porque sabe que não há desenvolvimento de longo prazo sem sustentação ambiental.

Sem se arvorar a ser o único portador desses valores, é isso que Serra representa: a recusa da confusão entre malandragem e proximidade com o povo, entre abuso estatal no controle da economia e ação vigorosa do governo no manejo das políticas econômicas e sociais. O dia é hoje, a hora agora, para começar a construir um futuro melhor: o país merece um segundo turno no qual o confronto aberto entre os contendores dê aos eleitores a oportunidade de ver as diferenças entre os caminhos propostos, encobertas até aqui pela rigidez das máscaras mercadológicas.

.




Nós somos a opinião pública – Miguel Reale Júnior

.


O Estado de S.Paulo – 02/10/10

São repetidas as queixas de Lula de que as forças de oposição, compostas pelas elites, não admitem que um peão de fábrica tenha assumido a Presidência e alcançado sucesso. Essas queixas misturam ressentimento e vaidades. Basta lembrar, por exemplo, o que Lula disse, em maio de 2006, aos moradores de palafitas em Manaus: os adversários deviam “aprender” que um metalúrgico, com o quarto ano primário e curso do Senai, é capaz de fazer “muito mais do que eles neste país”, pois a sabedoria do ser humano não está na quantidade de anos na escola, mas na “capacidade do sentimento”.

Em julho de 2007, em Cuiabá, Lula comparou seus opositores aos mesmos que levaram Getúlio Vargas ao suicídio, setores da “elite” cuja raiva contra seu governo deriva da ação em favor dos pobres. Em fins de agosto de 2007, no Paraná, via a “campanha da imprensa” que o atingia como fruto da soma de duas “doenças malignas”, a inveja e o preconceito.

Uma das espertezas da propaganda política está em colar à figura dos adversários a marca de inimigos do povo, que, para Lula, são os partidos de oposição e a imprensa reveladora dos podres do governo.

Há poucos dias, todavia, Lula extrapolou o plano das queixas e das acusações aos adversários, que de forma já imprudente vem qualificando como inimigos do povo, ao dizer: “O que eles não se conformam é o pobre estar conseguindo enxergar com os seus olhos, não precisa do tal do formador de opinião pública. Nós somos a opinião pública e nós mesmos nos formamos.”

Essa manifestação levou à imediata reação da OAB, por meio do seu presidente, Ophir Cavalcanti Filho, bem como de entidades de imprensa e de representantes da sociedade civil, que proclamaram a importância da liberdade de expressão, que compreende a de informar e a de criticar, para abertamente se formarem as convicções políticas.

Ao afirmar Lula que não são precisos os formadores de opinião, pois “nós somos a opinião pública”, desfaz-se o relevo do pluralismo de ideias, da diversidade de posições a serem suscitadas pelos chamados “formadores de opinião”, que só existem onde houver ampla discussão e multiplicidade de perspectivas, com exame das contraposições e reflexão. Contra o pluralismo característico dos formadores de opinião, apresenta-se então uma verdade monolítica, única, que brota espontaneamente do povo, como uma comunidade orgânica homogênea: “A opinião pública somos nós.”

Assim, para Lula, o povo forma-se a si mesmo e é o seu próprio porta-voz. Lula autoproclama-se o lídimo representante do sentimento deste povo, sentimento que sabe captar, pois já dissera, com razão, que a sabedoria se faz não só com estudo, mas com sentimento. Esquece, contudo, que sabedoria também não se alcança apenas com sentimento.

Agora, no calor da disputa eleitoral, almeja traduzir a forma de sentir desse povo de pobres que enxerga com os próprios olhos e torna dispensáveis os formadores de opinião. Para Lula, a opinião pública brota por obra de uma revelação natural do povo sobre o certo e o errado e acerca dos caminhos para a consecução do bem de todos. Com essa compreensão da via política construída de modo imanente a partir do próprio povo, cria-se uma perigosa estrada para um autoritarismo populista, que o século passado revelou de modo trágico.

No nazismo entendia-se que povo engendrava uma unidade incindível, na qual os indivíduos formam uma coletividade concreta, participando de um mesmo espírito objetivo que penetra e abraça a todos. O Führer, como o condutor da comunidade, encarna o espírito objetivo, o “são sentimento do povo”.

O historiador italiano Emilio Gentile descreve o fascismo como a mobilização popular por meio de um partido único e de um chefe carismático que faz do uso racional do irracional a forma de uma política de massas que visa a privar as pessoas de sua individualidade como elementos celulares de uma coletividade nacional. O fascismo, diz Michel Winock, professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, detém a verdade, exclusiva, inconciliável com qualquer outra perspectiva e, portanto, hostil ao pluralismo.

Com certeza Lula, cujas inteligência e sensibilidade compensam a falta de estudo, sabe usar racionalmente o irracional, mas talvez não dimensione as consequências da guerra aberta deflagrada a partir da posição de presidente da República, com menosprezo ao pensamento, ao direito de crítica, ao jornalismo investigativo denunciante de graves irregularidades de seu governo, que transforma em golpismo, para legitimar uma verdade única a brotar como força viva de uma sociedade de pobres que se forma a si mesma e da qual é a encarnação como líder populista.

A consequência ficou patente na campanha. Os blogs pró-Dilma adotam desabrido maniqueísmo ao propagar que votar no PSDB/DEM é estar “contra o País” e do lado dos inimigos que devem ser expurgados. Na mobilização contra a imprensa surgem ameaças a jornalistas e promessas de retaliação a revistas e jornais qualificados de golpistas por terem divulgado matérias contra o PT ou sua candidata. O clima é de ódio e violência.

Estão aí lançados os ingredientes de uma receita de autoritarismo populista que terá Lula como condutor e Dilma como coadjuvante, sem força para manobrar os radicalismos despertados.

Mas se Dilma, eleita, não quiser ser apenas coadjuvante? No jogo entre sentimento de inferioridade intelectual e orgulho de sua passagem pela Presidência, Lula já disse que a partir de janeiro vai estudar novamente ou ensinar a governar. Longe do Planalto, Lula poderá, talvez, confrontar-se com Dilma presidente ao pretender dar lições de como governar. Será um conflito entre presidentes: a que é e o que não deixou de ser por sua popularidade e gosto do poder. Assim, o risco de um autoritarismo populista remanesce duplicado.

.

O que é e o que parece

.




Antes mesmo de se reunir para debater estratégias, as campanhas de Dilma e de Serra deveriam convocar imediatamente Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso para ver quem consegue botar o guizo no gato --ou seja, quem consegue arrancar o apoio de Marina Silva no segundo turno.

Marina tem carinho e respeito por ambos, Lula e Fernando Henrique, apesar das mágoas que guarda de Lula e de seu tempo no governo, quando vivia batendo de frente com Dilma em defesa do Meio Ambiente, da sustentabilidade. E perdendo, diga-se.

Nas vésperas da eleição, o que se tinha era que Marina Silva tendia a ficar neutra, o PV era favorável ao apoio a Serra e o eleitorado de Marina eram majoritariamente pró-apoio ao tucano no segundo turno. Pesquisa Datafolha no eleitorado verde deu 51% para Serra, 31% para Dilma.

Como Marina e o seu eleitorado não são um PMDB, não adianta os dois lados tratarem a questão na base do troca-troca de cargos e favores. Convém assumir seriamente o compromisso de adotar a proposta de sustentabilidade e empunhar de fato essa bandeira, condição essencial para qualquer tipo de conversa.

A tradição, um tanto óbvia, mostra que candidato que sai na frente no primeiro turno tende a ganhar a eleição no final, mas isso não é uma determinação divina, sempre há exceções. Por isso, apesar do abatimento, a campanha de Dilma continua em franca vantagem. E a de Serra não tem tempo a perder, muito menos a perder com disputas de ego e briguinhas internas, tão comuns no PSDB, no DEM e no PPS.

Geograficamente, Dilma teve uma vitória avassaladora no Amazonas e no Nordeste, como previsto, e Serra recuperou-se em São Paulo e no chamado "cinturão do agronegócio", pegando Paraná e Mato Grosso do Sul, por exemplo. Mas ele perdeu de Dilma também em dois Estados-chave, pelo peso do eleitorado, da economia e da política: Rio de Janeiro e Minas Gerais. Não será fácil inverter esse jogo. O foco está em Aécio Neves, que tem forte aceitação em ambos e se mantém como cabo eleitoral imbatível em Minas.

De outro lado, há dúvidas sobre a capacidade de Lula em aumentar os votos para sua candidata. Será que está esgotada? Como já escrevi neste espaço e agora está claríssimo até mesmo para os coordenadores de Dilma, Lula foi decisivo no primeiro momento, mas a perspectiva de vitória lhe subiu a cabeça e ele passou a atrapalhar mais do que ajudar quando trocou o figurino "paz e amor" pelo da pancadaria contra a imprensa e contra os adversários. A queda de Dilma tem muito de "pera lá!".

Não se pode fingir que não percebeu que Lula passou os últimos anos e a campanha eleitoral inteira agarrado com Dilma, especialmente no "Jornal Nacional" da TV Globo, mas simplesmente sumiu quando saiu o segundo turno. Não quis dividir "a derrota"?

O momento, aliás, é de parar para pensar e refazer o tom, o discurso, as alianças e a estratégia geral das campanhas. No segundo turno, é candidato a candidato, Dilma e Serra, cara a cara.

Mas, apesar dessa sensação de recomeço, a equação do primeiro turno permanece: Dilma não pode continuar errando, mas Serra, além de não errar, precisa muitíssimo acertar. O problema sempre é: como?

Uma boa dica está nas eleições de 2002 e principalmente de 2006. O PT deslanchou no segundo turno, o PSDB perdeu o ímpeto, a graça, o discurso. É como se tivesse cansado, entregado os pontos. Resultado: encolheu.

Teremos muitas emoções, alguns sobressaltos e uma boataria infernal até 31 de outubro. A versão petista de Alckmin venderia a Petrobras e o Banco do Brasil foi decisiva contra os tucanos em 2006. Martelar as incongruências de Dilma quanto ao aborto na nova classe "C" mostrou o quanto o efeito de tudo isso foi fundamental para a constante queda de Dilma na reta final.

Nem sempre o que parece é, mas se ganham eleições geralmente com o que parece, não exatamente com o que é.

Eliane Cantanhêde

Eliane Cantanhêde

domingo, 3 de outubro de 2010

Ficha Limpa é requisito, não pena

.



CELSO CINTRA MORI


Houve um aprimoramento dos requisitos para aqueles que se candidatam, exigindo comprovação objetiva de que têm reputação ilibada

A sociedade historicamente reconhece que, para exercer determinadas atividades, funções ou cargos de interesse público, é preciso preencher determinados requisitos compatíveis com o cargo.

Esses requisitos podem ser de idade, de formação, de estado civil ou parentesco, de reiteração, de reputação ou qualquer outro estabelecido em lei. Não são selecionados ao acaso. São pressupostos sociologicamente ligados à natureza da função, atividade ou cargo.

Para vários cargos públicos, a exigência constitucional e largamente admitida é a da ilibada reputação. Por exemplo, para ser ministro do Supremo Tribunal Federal é preciso, por previsão constitucional, ter ilibada reputação. Requisito que deve ser avaliado pelo presidente da República ao fazer a indicação e pelo Senado ao aprová-la.
Se o Senado, algum dia, recusar alguém pela ausência da reputação ilibada, não estará impondo ao recusado qualquer condenação. Estará apenas constatando a existência, ou não, de um requisito legal.

Os que não os tiverem não estarão condenados a nada. Apenas não poderão exercer o cargo.

A exigência do requisito, portanto, não é pena nem condenação àquele que não o preenche.

A própria expressão candidato significa cândido, no sentido de alvo, límpido e sem manchas. Alguém que os partidos políticos apresentam à sociedade como portador da probidade necessária para o exercício do cargo.

Alguém que nunca foi processado criminalmente pode não ter reputação ilibada. Mas é um fato social que aquele que já foi condenado criminalmente em segunda instância, por órgão colegiado e sob acusação de crime patrimonial ou de lesão à administração publica, não tem reputação ilibada.

Pode até estar sendo vítima de injustiça ou de conjugação de fatores adversos. Mas não se pode negar o comprometimento da reputação. Isso seria negar um fato da vida.
Portanto, reputação ilibada não tem relação necessária e direta com presunção de culpa ou com presunção de inocência. Presunção de inocência é clausula pétrea da Constituição, mas é inegavelmente um conceito de direito penal.

Ninguém pode ser tratado penalmente como culpado enquanto não houver decisão processual transitada em julgado. Mas não ser tratado penalmente como culpado também não significa ser tratado como um ser etéreo, sem qualidades e sem defeitos, sem atributos e restrições.

Uma coisa é a presunção de inocência. O direito de não ser punido pelo sistema penal enquanto não houver decisão transitada em julgado. Outra coisa é esconder as próprias manchas nas dobraduras das regras constitucionais do direito penal, para apresentar-se ao exercício de função pública como se tivesse ilibada reputação.

Quando o legislador, impulsionado por multidão de milhões de brasileiros, se convenceu de que a reputação ilibada é requisito importante para os cargos eletivos, teve o cuidado de não ficar na subjetividade desse conceito. Entendeu que a condenação criminal em segunda instância ou por órgão colegiado compromete a reputação ilibada, mesmo do inocente.

Não houve alteração do processo eleitoral que colhesse os partidos ou os postulantes com regras de procedimento que, pela surpresa, já não pudessem satisfazer. Houve um aprimoramento dos requisitos, exigindo-se daquele que se apresenta como cândido, puro e sem máculas a comprovação objetiva de que tem reputação ilibada.



CELSO CINTRA MORI, 65, advogado, é coordenador da área contenciosa do escritório Pinheiro Neto Advogados.
.

sábado, 2 de outubro de 2010

Ética, Moral, Política e Cidadania

.




A ética não se confunde com a moral.

A moral é a regulação dos valores e comportamentos considerados legítimos por uma determinada sociedade, um povo, uma religião, uma certa tradição cultural etc. Há morais específicas, também, em grupos sociais mais restritos: uma instituição, um partido político... Há, portanto, muitas e diversas morais. A moral é um fenômeno social particular, que não tem compromisso com a universalidade.

Mas, então, todas e quaisquer normas morais são legítimas? Não deveria existir alguma forma de julgamento da validade das morais? Existe, e essa forma é chamada de ética.

A ética é uma reflexão crítica sobre a moralidade. A ética é um conjunto de princípios e disposições, cujo objetivo é balizar as ações humanas. A ética existe como uma referência para os seres humanos em sociedade, de tal modo que esta possa se tornar cada vez mais humana. A ética pode e deve ser incorporada pelos indivíduos, sob a forma de atitudes do dia-a-dia. A ética, tanto quanto a moral, não é um conjunto de verdades fixas, imutáveis. A ética é dinâmica, se amplia e se adensa.

Para se entender como isso acontece na história da humanidade, basta lembrar que a escravidão já foi considerada “natural”. Entre a moral e a ética há uma tensão permanente: a ação moral busca uma compreensão e uma justificação crítica, e a ética, por sua vez, exerce uma permanente vigilância crítica sobre a moral.

Política é a ação humana que tem por objetivo a realização plena dos direitos e, portanto, da cidadania para todos. O projeto da política é o de realizar a ética, fazendo coincidir com ela a realização da vontade coletiva dos cidadãos, o interesse público.

A função ética da política é eliminar, numa ponta, os privilégios de poucos; na outra ponta, as carências de muitos; e instaurar o direito para todos.

São inegáveis os aprimoramentos das instituições políticas no Brasil, ao longo da sua história. Mas são inegáveis também as traições de uma parte da classe política contra essas instituições, o povo e o mandato que lhes foi confiado.

Requer-se, pois, o exercício da cidadania ativa e criativa, tanto pelos políticos quanto pelos cidadãos: reforçando-se e aprimorando-se as instituições políticas, fazendo-as valer de direito e de fato. A cidadania ativa, como luta pelos próprios direitos e pelos direitos do outro, é o exercício cotidiano da ética na política.

O princípio fundamental que constitui a ética é este: o outro é um sujeito de direitos e sua vida deve ser digna tanto quanto a sua deve ser.

O fundamento dos direitos e da dignidade do outro é a sua própria vida e a sua liberdade (possibilidade) de viver plenamente. As obrigações éticas da convivência humana devem pautar-se não apenas por aquilo que já temos, já realizamos, já somos, mas também por tudo aquilo que poderemos vir a ter, a realizar, a ser. As nossas possibilidades de ser são parte de nossos direitos e de nossos deveres.

A atitude ética é uma atitude de amor pela humanidade


(Carlos Mesquita, carlosmesquita.blogspot.com)

Manifesto da Maçonaria

.



Em sessão ordinária realizada no dia 24 de Julho de 2008 a Loja aprovou o manifesto a seguir que deverá ser divulgado para os maçons e para o público em geral.


MANIFESTO


As declarações e ações da Presidência da Republica, Polícia Federal, e Supremo Tribunal Federal nos casos de operações de investigação recentes como a Satiagraha nos deixam perplexos e apreensivos quanto à qualidade da gestão dos recursos da Nação e da administração da justiça.

Na última semana assistimos a ações lamentáveis do STF pressionando um juiz federal de primeira instância para que interrompa um processo judicial porque, supostamente, estaria sujeitando os investigados a constrangimentos. As ações desenvolvidas sugerem que a cúpula gestora da nação está comprometida pela convivência diária com a dilapidação dos bens públicos, tratados como propriedade privada dos gestores, que frequentemente tomam decisões catastróficas para os interesses dos legítimos donos, no caso a sociedade, sem por isso serem responsabilizados e severamente punidos.

A esperança de justiça da sociedade, fundamentada na atuação de um grupo de jovens policiais, promotores e juízes, foi brutalmente abalada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, secundado pela Presidência da Republica e sob a plácida aceitação do Congresso Nacional, ao interromperem a Operação Satiagraha, por ter incomodado um banqueiro parceiro de negócios particulares de várias figuras públicas da cúpula governamental.

Estas não podem ser as condições para vivermos em estado de direito, como foi argumentado. Se o estado de direito existe, aparentemente, ele é reservado aos criminosos, enquanto os contribuintes desprotegidos ficam com a obrigação de pagar e manter uma estrutura que repetidamente lhes demonstra o seu desprezo.

O produto do trabalho do povo é sugado pela Receita Federal, que bate recordes de arrecadação mês após mês, e consumido por um Governo, que não demonstra comprometimento quanto à sua correta aplicação. O imenso volume de recursos é tratado mais como um espólio a partilhar com banqueiros e asseclas, do que como a seiva vital da economia da sociedade.

Raramente vemos o retorno desses recursos aplicados na Saúde, Educação e Segurança. Em vez disso, vão parar nas mãos de empresários hipócritas, Prefeitos pérfidos, ministros omissos e irresponsáveis, Deputados e Senadores mal-intencionados, que renunciam para não terem seus direitos políticos cassados e poderem voltar, “limpos”, a concorrer nos próximos pleitos.

Os setores da Saúde, Educação e Segurança são aqueles onde a administração pública demonstra plenamente o seu desprezo pelo contribuinte, com a desorganização e o desperdício, além dos gordos salários e benefícios numa ciranda, que leva o Governo a gastar cada vez mais a ponto de ressuscitar a velha e temida inflação. Verificamos uma temerária inversão de valores na prática da administração pública. Os encarregados de fazer cumprir as leis, em determinadas situações, são os mesmos que ajudam a burlá-las, o caso dos Conselheiros do Tribunal de Contas que falsificaram certidões para poderem dilapidar os recursos destinados a assistência social. Poucos dias atrás, assistimos na televisão sua excelência, o presidente do STF, concordando, placidamente, que os ricos têm uma justiça privilegiada porque podem pagar melhores advogados. Enquanto isso, o responsável nacional pela Defensoria Pública se lamentava pelas dificuldades encontradas para fazer funcionar a sua desmantelada organização.

É inadmissível constatar que um profissional da Defensoria Pública Federal ganha menos da metade que os profissionais do mesmo nível no Ministério Público Federal que ganham cerca de 20 mil reais enquanto os marajás do STF auferem valores maiores.

É espantoso se levarmos em consideração que todos eles são pagos pelos mesmos contribuintes que vêm escorrer pelos dedos mais de 40% do que produzem, em impostos, que deveriam ser aplicados para prover saúde, educação e segurança para a Sociedade.

Lamentavelmente isso não acontece, porque organizações criminosas, organizadas em rede de empresas ou ONGs preocupadas com os direitos dos criminosos, amparadas por um conjunto de leis casuísticas, pela ineficiência da Justiça preocupada em não incomodar seus parceiros e com a conivência do Governo, se incumbem a dar rumos nefastos ao dinheiro público.

Estamos evoluindo e não concordamos que um ministro, ex-presidente do STF,declare, publicamente, que “bem ou mal o ministro resolveu soltar o Sr. Dantas e ninguém tem competência para se opor a tal decisão”. Cometemos erros e temos obrigação de corrigi-los, decisões divinas são inaceitáveis.

O ministro presidente do STF deve todos os esclarecimentos á Sociedade a quem serve. Não pode permitir que os mal-intencionados ou os corruptos desbaratem os recursos conquistados pelos trabalhadores e ficar calado. Os advogados devem envergonhar-se de participarem nas quadrilhas que assaltam o povo interpretando a lei para instruir e salvaguardar da ação da justiça os seus clientes, dificultando a apuração da verdade.

Esqueceram os juramentos feitos perante a Sociedade e perante a Ordem dos Advogados que parece adormecida, alheia aos deslizes dos seus membros que muito prejudicam a sociedade, que supostamente orientam e protegem.

Não podemos concordar com um Congresso Nacional que assiste apático a estas catástrofes nacionais, sem ao menos se pronunciar em defesa das instituições impedidas de desenvolver as suas atividades constitucionais. É obrigação de Deputados e Senadores julgar as ações do presidente do STF e impedir que a Presidência da República desmantele a Polícia Federal quando ela começava a fazer um pouco do seu trabalho.

Até quando continuaremos pagando principescamente profissionais incompetentes e mal-intencionados, que não protegem a sociedade do assalto aos recursos públicos por organizações ou indivíduos, impedindo que esses mesmos recursos oriundos dos impostos, sejam aplicados em benefício da sociedade?

Nós Maçons não podemos continuar assistindo passivamente a dilapidação dos recursos da sociedade pelos seus representantes. É necessário fazer as correções adequadas rapidamente, restabelecendo o prestígio da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça Federal e caçar os responsáveis sem tréguas. Vamos fazer com que a Ética seja, de fato, o ponto mais importante na escolha dos nossos representantes e exigir deles que a pratiquem explicitamente durante os seus mandatos.

Atualmente, temos as ferramentas necessárias para fazê-lo. É nossa responsabilidade fiscalizar a atuação dos nossos representantes seja legisladores, jurídicos ou executivos, exigir que informem os resultados das suas ações e impedir que prejudiquem a sociedade com associações mal-intencionadas.

Manifestamos o nosso repúdio pela situação criada e pedimos respeitosamente esclarecimentos públicos e objetivos ao Exmo.Sr. Presidente da República, Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional, Ministro da Justiça e Polícia Federal, a quem pagamos muito bem para nos representarem, protegerem e esclarecerem e não para cuidarem dos incômodos causados aos legalmente investigados.

Convidamos a cerrarem fileiras conosco todos os nossos irmãos Maçons e todos os cidadãos de bons costumes, espalhados por este imenso e portentoso país que vislumbra a oportunidade de ser grande, mas continua tolhido e enfraquecido pelos seus parasitas.

Oriente de Belo Horizonte, 24 de Julho de 2008.
LOJA MAÇÔNICA SIMÓN BOLÍVAR N° 2291

AUG∴RESP∴LOJ∴SIMB∴SIMÓN BOLÍVAR N° 2291
Fundada em 11 de setembro de 1983
Federada ao GRANDE ORIENTE DO BRASIL
Jurisdicionada ao GRANDE ORIENTE DO BRASIL – MINAS GERAIS
Rua Rio de Janeiro, 985, 11° Andar, Centro, Belo Horizonte – M. G.


(Ao ler este Manifesto comecei a vislumbrar uma luz no fim do túnel em que hoje se encontra o Brasil)

Zé Ramalho - Brasil do Lulla -

.




Um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, onde
um terço da população passa necessidades alimentares.


Possui a maior riqueza natural do planeta e tem a maior dívida externa dos países pobres.


Paga mais de 40 BILHÕES DE DÓLARES por ano de juros de empréstimos feitos por políticos corruptos.

Não possui um sistema de saúde público que funcione dignamente. Os serviços públicos são uma vergonha. Os servidores públicos já se aposentaram e não sabem.

As empresas públicas estão falidas há muito tempo de tanto desviarem dinheiro.

OITO em cada DEZ projetos da SUDAM e da SUDENE têm problemas graves de desvio de verba e superfaturamento. Já foram responsáveis por desviar mais de 5 BILHÕES DE REAIS em projetos para o desenvolvimento dessas regiões.(Até onde se sabe)

Os políticos que deram um aumento de 20 reais no salário mínimo receberam deles mesmos um aumento de 3.000 reais.

Os políticos brasileiros são os maiores investidores em cadernetas de poupança... na Suíça.

Marcos Valério falou para o PT: "Olha, tenho três opções: entregar todo mundo e derrubar a República, ficar quieto e acabar como PC Farias, ou o meio termo".

O GRANDE escritor Marco Maciel ocupa o lugar de outro GRANDE escritor, Roberto Marinho, na Academia Brasileira de Letras.

Onde as oportunidades não são as mesmas para todos. E quem não tem acesso à educação está destinado a ser pobre.

Um país governado por corruptos, ladrões, traidores, traficantes, demagogos, enganadores, aproveitadores, safados, picaretas, mercenários, malandros, filhos-DILMA....!!!!

E o povo brasileiro não faz nada, se contenta com novelas e big brothers, caras e contigos, futebol e carnaval. Um povo tão pacífico que esquece que está sendo roubado por milhares de funcionários corruptos, prefeituras corruptas, por um estado falido. Pagam impostos para os governantes comprarem o poder de manipular a massa ignorante.


Compram poder na mídia:

ACM é reeleito senador pela Bahia meses depois de renunciar para não ser cassado por fraude.

Nota: ACM possui a maior parte da mídia na Bahia.



"Que pais é esse?"


Onde os poderosos que roubam e matam não vão para cadeia. Onde um infeliz que passa fome e rouba pra sobreviver é espancado, torturado, humilhado e apodrece na cadeia.

Fingimos que nada disso acontece e voltamos ao nosso cotidiano aceitando essa sistema corrupto e injusto.


ACORDA BRASIL!!!

AMANHÃ É O DIA DE MUDARMOS ESSE CENÁRIO!

VOTE COM CONSCIÊNCIA.

DICA NÃO AOS PETRALHAS,
DIGA NÃO AO PT!!!


DIGA NÃO À DILMA.


(Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=pbTe4SSVvzI)