terça-feira, 31 de maio de 2016

UVI STRELLA (de Bilac em "Ouvir estrelas") - Juó Bananere

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Che scuitá strella, né meia strella!
Vucê stá maluco! e io ti diró intanto,
Chi p'ra iscuitalas moltas veiz livanto,
I vô dá una spiada na gianella.



I passo as notte acunversáno co'ella,
Inguanto che as otra lá d'un canto
Stó mi spiano. I o sol come un briglianto
Nasce. Oglio p'ru céu: — Cadê strella?!




Direis intó: — Ó migno inlustre amigo!
O chi é chi as strellas ti dizia
Quano illas viéro acunversá contigo?




E io ti diró: — Studi p'ra intendela,
Pois só chi giá studô Astrolomia,

É capaiz de intendê istas strella.



JUÓ BANANÉRE, pseudônimo de Alexandre Ribeiro Marcondes Machado. 
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Saudade - Patativa do Assaré

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Saudade dentro do peito
É qual fogo de monturo
Por fora tudo perfeito,
Por dentro fazendo furo.

Há dor que mata a pessoa
Sem dó e sem piedade,
Porém não há dor que doa
Como a dor de uma saudade.

Saudade é um aperreio
Pra quem na vida gozou,
É um grande saco cheio
Daquilo que já passou.

Saudade é canto magoado
No coração de quem sente
É como a voz do passado
Ecoando no presente



Patativa do Assaré - Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré (Assaré5 de março de 1909 — Assaré, 8 de julho de2002), foi um poeta popular, compositorcantor e improvisador brasileiro
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sábado, 28 de maio de 2016

Governo deve legalizar jogos de azar no Brasil? SIM

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UMA APOSTA NO BRASIL



O projeto de legalização de jogos de azar, em discussão no Congresso Nacional, é uma aposta que vale a pena para o país. Essa questão precisa ser debatida sem preconceitos, de maneira profunda e pensando exclusivo no interesse nacional.

Devemos evitar que o atual momento de eletricidade no ambiente político contamine uma discussão que o Brasil, mais cedo ou mais tarde, precisará enfrentar.

Antes de tudo, temos de encarar o tema com uma atitude pragmática. Afinal, quem ganha e quem perde com a legalização do jogo? Depois de estudar a fundo o tema, não tenho receio de dizer que o ganhador dessa aposta será a sociedade brasileira.

O objetivo maior do projeto é criar um marco regulatório para a exploração dos jogos de azar no Brasil. Dessa forma, o jogo do bicho, o bingo e os jogos que existem nos cassinos seriam legalizados, na mesma linha da loteria.

Diversos benefícios serão gerados para o país quando essas práticas forem legais. Na prática, o jogo já existe, só que na clandestinidade, sem pagar impostos, sem trazer ganhos para a coletividade. A legalização permitirá justamente trazer essa realidade para o controle dos cidadãos.

Outra vantagem importante é manter a riqueza gerada por esse segmento dentro de nossas fronteiras.

Quantos brasileiros não levam nossas divisas para apostar no exterior? Pois bem, a legalização vai fortalecer o turismo, a economia e a política de desenvolvimento do Brasil, incrementando a atividade das localidades nas quais esses estabelecimentos forem instalados. Sem contar a cultura.

Uma cidade como Las Vegas, por exemplo, atrai todos os anos mais de 40 milhões de turistas. No Brasil como um todo, o turismo está em torno de 6 milhões anuais.

Com certeza, a legalização do jogo vai nos colocar no mapa do turismo mundial, gerando riqueza e trabalho aqui, por meio dos empregos diretos e indiretos dessa atividade. Entre os 156 países que compõem a Organização Mundial do Turismo, mais de 70% já legalizaram o jogo.

Anualmente, as apostas ilegais movimentam mais de R$ 18 bilhões. A legalização, defendida em projeto de minha autoria, poderia fazer o Brasil arrecadar pelo menos R$ 15 bilhões por ano.

Em meu projeto, sugiro também a criação de uma contribuição social sobre essa atividade, destinando esses novos recursos para áreas como saúde, previdência e assistência social.

De acordo com a proposta, a exploração dos jogos só seria regulamentada e concedida pelos Estados e pelo Distrito Federal aos estabelecimentos que comprovem capacidade técnica, idoneidade financeira e regularidade fiscal. Assim, aqueles que explorarem jogos de azar sem a devida autorização e sem preencher esses requisitos estarão sujeitos à penas de detenção de três meses a um ano, além de multa.

Em países avançados, como os Estados Unidos, os jogos são administrados por empresas privadas, com capital aberto na Bolsa de Valores. Isso significa que a possibilidade de fiscalização sobre esse segmento é total.

O crime se alimenta de dinheiro frio, gerado nas sombras. Nada melhor para combatê-lo do que trazer todas as atividades, inclusive os jogos, para o controle da lei.

Hoje temos tecnologia para monitorar cada passo dessa indústria. Quem ganha com a informalidade dos jogos no Brasil são os sonegadores, o crime organizado e a corrupção. Legalizar significa fazer uma nova aposta, na qual o Brasil será o grande vencedor.



CIRO NOGUEIRA 47, é senador (PP/Piauí). É autor de projeto de lei, que tramita no Senado, sobre a exploração de jogos de azar no país - Fonte: 
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2016/05/1775453-governo-deve-legalizar-jogos-de-azar-no-brasil-sim.shtml

terça-feira, 24 de maio de 2016

Bons tempos aqueles...

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BONS TEMPOS AQUELES...


... em que sexo escandalizava. Revi hoje um filme de meus dias de juventude, Les Amants, de Louis Malle. O filme é de 1958, é obra das mais castas, mas causou repulsa no país todo, por uma cena na qual Jean-Marc Bory, no papel de Bernard, desce os lábios pelo corpo de Jeanne Moureau, a musa da época.

A cena é tão sutil que, nos dias de hoje, nin

guém pensaria em sexo oral. A única sugestão do gesto nefando é a cabeça de Bory que some da tela, enquanto a mão de La Moureau faz um leve gesto, que poderia significar tanto desconforto quanto prazer. Mas o público viu bem mais longe.

A cena terminava aí. Ao ser exibido em Porto Alegre, já nos anos 60, um grupo de espectadores criou a Turma do Apito. No momento da cena, a turma apitava em protesto ao gesto abominável. Isso que a câmera não descia nem mesmo até os seios! A Turma do Apito, talvez intuindo o próprio ridículo, se manteve sempre no anonimato. Soube-se mais tarde que era liderada por um ilustre jurista, o Dr. Rui Cirne Lima, diretor da Faculdade de Direito da URGS. Na época, apesar de séculos de literatura fescenina, sexo oral era tabu. Um criminalista como Washington de Barros Monteiro, por exemplo, em seus comentários ao Código Penal, falava do "asco indizível da felatio in ore". Se bem me lembro de minhas aulas de Direito, ele também afirmava que "mesmo no tálamo conjugal, a esposa guarda resquícios de pudor". Assim falavam os juristas há meio século.

Alguns anos depois, la Moreau novamente mexia com a moral vigente, com Jules et Jim, filme de François Truffaut, onde a personagem central, Catherine, vivia um tranqüilo triângulo com dois amigos, o Jules e o Jim do título. O ano de feitura do filme, 1962, é emblemático, foi quando chegou a pílula anticoncepcional no Brasil. O filme terá chegado alguns mais tarde, quando já se respirava melhor em termos de costumes. O idílico romance de Catherine - ambientado em Paris, em 1912, antes da primeira guerra - foi recebido sem escândalos e saudado como um hino à vida e ao prazer, que celebrava a amizade e a ternura.

Em 65, Luchino Visconti deu mais uma sacudida nas já complacentes estruturas do que então se chamava de família burguesa. Com Vagas Estrelas da Ursa, o conde cineasta abordava o incesto entre irmãos. A transgressão foi tranqüilamente absorvida. Que mais não fosse, não é fácil ter uma irmã como la Cardinale. Em 1968, Pier Paolo Pasolini faz mais uma investida contra a fortaleza assediada. Em Teorema, um estranho se hospeda na mansão do dono de uma fábrica e seduz a mãe, o pai, a filha, o filho e nem a empregada consegue escapar de seu fascínio.

Em 71, Visconti ataca de novo com A Morte em Veneza, onde narra a paixão senil do compositor Gustav Von Aschenbach pelo belo e quase imberbe Tadzio. O filme era baseado no livro homônimo de Thomas Mann, de 1912, mesmo ano em que se situa a trama de Jules et Jim. Hoje, não faltaria quem quisesse censurar o filme como apologia à pedofilia.

Em 76, Nagisha Oshima mostra, em O Império dos Sentidos - com direito a detalhes - o que Louis Malle apenas insinuara em Os Amantes. Proibido no Japão, o filme muito deve ter contribuído para a indústria turística... francesa. Excursões de japoneses - e japonesas, principalmente - invadiam Paris para ver o filme de Oshima. Eu o assisti em uma sala da Champs Élysées, em meio aos risos histéricos dos japas. Não que o filme fosse divertido. Rir, no Japão, é uma forma de expressar nervosismo.

No Ocidente, respirava-se bastante bem naqueles dias. Estes outros filmes não provocaram escândalo, mas apenas o burburinho que um bom filme provocava então. A família não morreu, como temiam os puritanos da época. Apenas tornou-se mais aberta ao prazer. As esposas haviam perdido seus resquícios de pudor no tálamo conjugal, como diziam os juristas. Naqueles tempos, ter um filho homossexual era uma desgraça. Hoje, um pai ou mãe respiram aliviados se o filho não tem Aids.

Ó tempora! O filme de Malle passou hoje na TV, às 5 da tarde, e duvido que qualquer adolescente sequer tenha percebido o significado da cena abominável. Nada como viver até os 60 para sentir o ridículo abissal de meio século atrás. Bons tempos aqueles, em que as pessoas se escandalizavam com uma pitada de sexo.

Sexo tornou-se banal. Com o intuito de chocar o público jovem – pois cinema hoje é feito para jovens – os produtores apelaram ao sadismo e aos borbotões de sangue, quando não cadáveres putrefatos: piranhas, serra elétrica, mortos-vivos. Os filmes viraram seriados. O gênero se tornou monótono, os jovens cansaram e passaram a rir de zumbis e rios de sangue.

Urgia renovar. Até mesmo cineastas de renome apelaram à escatologia e mutilações. Pasolini faz seus personagens comer fezes de colherinha em Salô. Em Anti-Cristo, Lars von Trier faz uma mulher cortar o clitóris com uma tesoura. E promete mais em seu último filme, Ninfomaníaca.

Otários é o que não falta para encher as salas.




Janer às 7:26 PM - 
https://www.facebook.com/berenice.ribeiro/posts/10209273090815442
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sábado, 14 de maio de 2016

Um rosto que não se reflete - A Dismorfia corporal

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Um transtorno distorce a imagem que você tem do próprio corpo. Poucos o conhecem




A dismorfia corporal se caracteriza pela percepção distorcida da própria imagem e pode causar enormes estragos na vida psíquica dos afetados

"Peso 100 quilos. Tenho braços grossos. Meus ombros e meus quadris são largos demais. Sou muito alta." Assim a jornalista Daiana Garbin, de 34 anos, descreve o próprio corpo. Daiana, como se vê na foto acima, é lindíssima e tem medidas invejáveis para qualquer mulher: 65 quilos perfeitamente distribuídos em 1,70 de altura. A distorção da realidade, porém, está longe de ser imaginária. Ela de fato se vê assim. A alteração visual é atribuída a uma doença psiquiátrica específica e bem definida pela medicina.

Chamada de transtorno dismórfico corporal (TDC) ou dismorfia corporal, caracteriza-se justamente pela percepção alterada de si mesmo diante do espelho. "A dismorfia é capaz de causar enormes estragos na autoestima dos pacientes", diz Joana de Vilhena Novaes, psicóloga e coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza da PUC do Rio de Janeiro. Essa doença grave, porém, é ainda muito pouco conhecida. Pelas próprias características que a definem, ela é indevidamente confundida com... excesso de vaidade.

Descrita pela primeira vez no fim do século XIX, a dismorfia corporal só agora começou a ser discutida de maneira aberta entre aqueles que sofrem da doença. Recentemente, o britânico Robert Pattinson, ator da saga Crepúsculo, afirmou a uma revista australiana viver incomodado por ser franzino demais (não é), a ponto de preferir não ser visto sem camisa. Pattinson já foi diagnosticado com TDC. No Brasil, Daiana foi a principal responsável pela divulgação do problema ao criar um canal no YouTube, o Eu Vejo. Seus depoimentos francos, intercalados com declarações de outros pacientes, fez o TDC virar notícia e seu programa, referência.

O TDC acomete cerca de 2% da população global - no Brasil, seriam cerca de 4 milhões de pessoas. A doença tem traços de compulsão, naturalmente percebidos pelos pacientes mas dificilmente identificados por familiares e amigos. O doente não vê sua imagem distorcida pura e simplesmente. Ele age de forma obsessiva em função dessa percepção. Com o objetivo de camuflar o defeito imaginado - que pode ser do corpo inteiro ou de apenas uma pequena porção dele -, ele checa constantemente a própria aparência no espelho, escova excessivamente o cabelo, exagera nos cuidados estéticos. 

Diz o dermatologista Jardis Volpe, de São Paulo: "Esse tipo de paciente quer se submeter a inúmeros procedimentos para corrigir problemas mínimos ou inexistentes e, independentemente do resultado, nunca está satisfeito". 

As medidas tomadas pelos portadores do transtorno podem ser ainda mais dramáticas. Estima-se que um terço deles tenha recorrido a mais de uma cirurgia plástica para "corrigir" sucessivas vezes um mesmo problema. O TDC ainda costuma ser acompanhado de outros distúrbios. Cerca de 90% dos doentes sofrem de depressão; 48% abusam de bebidas alcoólicas e 32% sofrem de anorexia ou bulimia.

Homens e mulheres são vítimas do transtorno em igual proporção. A faixa etária mais acometida é a dos 15 aos 20 anos. Uma das possíveis explicações é que nessa fase o cérebro está em plena ebulição. 

Os estudos mais consolidados indicam uma origem neurológica para o transtorno. O cérebro dos pacientes com TDC sofre de um descompasso de substâncias como noradrenalina, dopamina e serotonina, sobretudo nas regiões relacionadas à visão e ao gerenciamento de emoções. Tais compostos estão associados, por exemplo, aos mecanismos de recompensa, ansiedade, motivação e humor. "Esse tipo de alteração pode elevar o nível crítico da própria imagem", afirma Eduardo Aratangy, psiquiatra do Serviço de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Além disso, as mudanças hormonais drásticas e a necessidade de aceitação durante a adolescência podem ajudar a deflagrar a doença.

Não há medicamentos específicos para o transtorno. O tratamento consiste em antidepressivos associados a terapia. A combinação não elimina a percepção distorcida da própria imagem, mas minimiza os efeitos dos sintomas - o paciente consegue evitar que eles interfiram em seus compromissos mais relevantes. Definitivamente, não se trata de uma vaidade qualquer.



Giulia Vidale - Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/um-transtorno-distorce-a-imagem-que-voce-tem-do-proprio-corpo-poucos-o-
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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Ficar para a História

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Também estou preocupada. Todos nós estamos apreensivos, e perplexos. É estranho estar apreensivo e perplexo ao mesmo tempo, mas é o que acontece. Vou tentar expor um ponto de vista daqui da minha torre de observação: um novo tempo, apesar dos pesares, está chegando. Eles agora têm netos, não vão querer fazer feio. Pelo menos não tão feio.

Pensa comigo. Aos fatos. Está visto no decorrer da Operação Lava Jato que não há mais como escapar de investigações e que estas viram ao avesso as vidas, o presente, o passado e o futuro, aqui e em toda a galáxia. Certo? Certo. Até pode fazer, mas tem de rebolar tanto para não ser descoberto que vai acabar chamando a atenção do japonês.

Sorria, você está sendo filmado, fotografado, televisionado, gravado, youtubado, instagramado, facebucado, zapzapeado e tuitado - eles também, e bem mais do que nós.

Pois bem. Com algumas décadas acompanhando a política nacional como jornalista, conheço ou lembro mais detalhes ainda do que a maioria de vocês, da vida pregressa desses cavalheiros de cabeça branca ou lisinha que ora se apresentam para nos governar e também os que se apresentam para resistir. Muita coisa antiga da época que só havia muito o "ouvi falar", mas quase nada era mesmo investigado. Assunto abafado era o termo. Às vezes, escapava, vazava, e algum jornalista conseguia uma boa história, suportava a pressão. Mas, como disse, eles eram jovens, arrogantes, queriam subir na vida e aprenderam política antiga contaminada por populismo.

A essa altura, hoje, já devem ter percebido que as coisas realmente mudaram. Se tiverem consciência da importância do momento e da missão que constroem - e isso a gente pode ficar lembrando a eles todo o tempo - precisam tentar fazer o melhor, o seu melhor, não podem se deslumbrar com cargos e poderes. Já viveram, são raposas, experientes em sua grande maioria.

Vão querer entrar para a história com uma foto melhor na carteira de identidade. Tomara. Tomara. Tomara.

Da mesma forma, e do outro lado, os mais tradicionais dirigentes e militantes parecem crianças novamente se divertindo de voltar a atuar, ser de esquerda, de se manter bem à esquerda, combatendo "golpes", de agitar, conclamar, ser revolucionário - a única forma que antes todos nós achávamos legal para ficar para a história. Mártires. Mas eles terão um limite, não posso acreditar que - e será uma enorme decepção se o fizerem, como inclusive ameaçam - na Hora H insuflarão mais as massas de manobra, os jovens. Temo porque eles não têm mais tanta energia, e a situação ficaria fora de controle.

Passado esse meu momento otimismo em primeiro grau, me peguei pensando nessas coisas, entrar na história, ficar para a história, passar para a história. Entrar: a marca que deixamos quando fazemos algo marcante, realmente importante. Ficar: o legado de que um ato ou pensamento nosso possa conseguir ser imortal, ser exemplo, servir como guia e lembrança. E, enfim, passar para a história: o reconhecimento de uma ou mais gerações, ou ao menos de algum estudioso que dê a chancela, faça algum registro. Há até os que ganharam feriado, ou o direito de ficar "a vida inteira" sendo festejado no aniversário da morte.

Nos tempos digitais, com a locomotiva do tempo transformando-se em trem bala de forma espantosa, e o google virando verbo, ficou mais fácil e ficou maior esse mundo da tal história. Mais espaçoso, infelizmente talvez também menos criterioso, mas agora todos nós podemos sonhar com isso. Em estar bem na fita. Temos que caprichar é como chegaremos lá e por quais fatos mereceremos ser lembrados eternamente - História é eternamente, um infinito que não tem tamanho.

Nesse exato momento, por linhas tortas ou não, somos a caneta que escreve a história. Mas não posso deixar de ressaltar que a tinta é indelével. Portanto, por favor, redobrem a atenção, escrevam com cuidado, sem arrependimentos, porque esse é exatamente um momento que passará para a história. E não pode ter borrão.




Marli Gonçalves - Fonte: http://www.diariodopoder.com.br/artigo.php?i=39654612814
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sexta-feira, 6 de maio de 2016

sábado, 23 de abril de 2016

Vamos moralizar as eleições - Colabore

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Extinção da Urna Eletrônica e retorno do voto em cédula de papel





Assine este abaixo-assinado

Diminuição nos gastos do orçamento público, grande clamor da população e maior credibilidade na apuração dos votos.


Este abaixo-assinado será entregue para o Congresso Nacional


https://www.change.org/p/congresso-nacional-extin%C3%A7%C3%A3o-da-urna-eletr%C3%B4nica-e-retorna-do-voto-em-c%C3%A9dula?recruiter=43824952&utm_source=share_petition&utm_medium=copylink



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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Ciclovia Dilma Rousseff

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NÃO AGUENTA AS PEDALADAS E CAI...


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A Senhora do Nº6 - Uma lição de vida

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Testemunho de uma senhora pianista,  

seu amor pela música e 

sua vida.




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quarta-feira, 20 de abril de 2016

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Você também se sente uma fraude?

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Você também se sente uma fraude? 
3 lições para superar a Síndrome do Impostor



Eu arrebentava nos jogos do Mario, fiz meu primeiro site na sétima série e tirava nota máxima nas aulas de Informática da escola.

Achei que estava pronta. Pensei que a faculdade de Ciência da Computação seria moleza, e que eu tiraria de letra o primeiro ano do meu curso.

Eu estava errada.

Demorou bem menos do que isso para que eu notasse a diferença, que se espalhou em meu consciente como tinta derramada. Minha primeira aula no curso não foi fácil, mas deveria ter sido, aparentemente. Eu ouvia os outros alunos conversando alto na escadaria do nosso prédio de salas de aula.Quando tempo você levou para terminar o trabalho? Era sempre um garoto que perguntava.

Quatro horas, seria a resposta. Era sempre um garoto que respondia. Levei duas horas, dizia outro, se intrometendo na conversa, e levaria menos se não fosse por um parêntese a mais que demorou uma eternidade pra debugar. A conversa então se transformaria em um discurso inflamado sobre a indignação causada por obscuras mensagens de erro, seguida por um comentário sobre como tornar os compiladores mais inteligentes.

Eu passava reto. Queria ter fones de ouvido enfiados nos ouvidos.

Isso acontece com certa frequência. Você está no meio do pelotão, e os corredores que lideram a prova começam a se afastar cada vez mais, de tal modo que a tinta derramada vai deixando uma mancha permanente.

Vinte horas. Foi o tempo que eu demorei para terminar o trabalho.

“Não sou muito boa nisso”, pensei. “Será que eu deveria estar aqui?”

A primeira pessoa que ouvi falar no termo Síndrome do Impostor foi uma palestrante convidada do meu grupo de Mulheres na Ciência da Computação, durante meu terceiro ano de faculdade. Era uma professora que estudava o assunto para melhor entender as diferenças entre gêneros.

Lembro de como ela ficou em pé diante de um auditório lotado, citando uma série de pesquisas que traziam revelações surpreendentes, ainda que parecessem tão obviamente verdadeiras. “Sim!” Eu vibrava, visualizando mentalmente meu punho cerrado depois de cada argumento apresentado por ela. “Sim, é exatamente assim que eu me sinto.” Quero ter certeza absoluta de que posso fazer algo antes de me comprometer a fazer. Negociações e confrontos são difíceis para mim porque me preocupo demais em ser agradável. Eu acredito que eu estou onde estou por conta da sorte. Por exemplo, ter ganhado um prêmio em uma feira de ciências, mesmo queno fundo do meu coração eu saiba que o meu trabalho foi, de certa forma, uma tapeação.

Eu tenho fingido desde então.

A palestrante disse que muitas mulheres se sentem dessa maneira. Mais do que homens. Ela arriscou, dizendo que talvez houvesse mais mulheres no auditório que também se sentiam assim.

Todas nós levantamos a mão.

Ela tinha um jeito acessível e afável, como se estivesse batendo um papo com uma amiga tomando uma taça de vinho, ao invés de estar num auditório em frente a uma multidão de rostos desconhecidos. Ficamos fascinadas por ela. Tentei me imaginar assim, falando com tanta serenidade em frente de uma plateia daquelas. Não consegui.

Ainda hoje, eu me sinto como uma impostora às vezes, ela disse.

Não consegui acreditar nela, nem por um segundo.

Passei os primeiros anos da minha vida profissional tentando dominar a arte do fingimento.

A faculdade foi difícil, mas pelo menos havia uma estrutura. Fazíamos os trabalhos. Fazíamos as provas. Ganhávamos notas, e as notas mostravam como estávamos indo.

Trabalhar em uma startup foi completamente diferente. Senti uma energia em estado bruto assim que entrei na sala, no meu primeiro dia. Ninguém desviou o olhar do que estavam fazendo. Uma louca intensidade pulsava no escritório. Em meio a desordenados conjuntos de mesas, os engenheiros criavam produtos ao som de teclas digitadas, com suas silhuetas repletas de confiança.

Eu sabia tão pouco naquela época, mas sabia de uma coisa: queria fazer parte daquela energia. E assim, eu comecei a fingir. Comecei a me modelar como a peça de um quebra-cabeça que se encaixaria naquele ambiente. Eu tentei. Ah, como eu tentei! Como eu, de uma forma ridícula e desesperada, tentei.

Como eu concordei com a cabeça e ri junto quando os engenheiros faziam piada do código de outros engenheiros, enquanto sentia meu estômago se revirar porque sabia, com uma enervante certeza, que o mesmo grupo estaria fazendo piada do meu código se eu não estivesse por perto.

Como eu continuei trabalhando ao meio-dia e fiquei no escritório até as sete para poder dizer que fazia parte da turma da noite.

Como eu discuti assuntos pelo qual não tinha opiniões fortes, como Mac x PC, apenas para ter algo para defender com veemência, como os outros tinham.

Como eu assisti a esportes sobre os quais eu não entendia nada, bebi a vodka que meu organismo não tolerava, e não fiquei ofendida quando frases ofensivas foram pronunciadas, apenas porque queria me enturmar.

Como eu observei como uma águia e escutei como um morcego o que acontecia ao meu redor — quais sites deveriam ser visitados, quais fontes eram legais de usar, qual framework era o melhor — para poder respirar fundo e repetir um pouco da casual confiança de meus colegas.

Na época, não conseguia admitir nada disso. Nem para mim mesma. Eu teria me encolhido até virar uma bola de tanta vergonha e morreria ali mesmo se meus colegas soubessem. Quando você veste um disfarce por muito tempo, nem se dá conta de que está interpretando um personagem, que está se comportando de uma forma que não é autêntica, com uma postura de medo e insegurança. Que você não consegue achar um meio de conciliar o seu verdadeiro eu com sua versão fingida.

Porque nada é mais importante do que não ser vista como uma fraude.

O benefício do tempo é que ele nos ajuda a enxergar o passado de uma forma mais objetiva. Se eu pudesse voltar atrás e dizer a mim mesma o que fazer para evitar estes sentimentos de impostora, diria para seguir estas três táticas:

1. Analise os acontecimentos pensando na melhor hipótese, em vez da pior hipótese. Ou, simplesmente, pergunte. Diariamente, há uma centena de coisas acontecendo para sua mente interpretar. Por exemplo, você pode não ter sido incluída em uma reunião. A reação impostora é pensar o pior desse pequeno detalhe. Ah, eles acham que eu não tenho nada de importante para acrescentar. Para contrapor esses pensamentos negativos, presuma a melhor das intenções. Estão tentando poupar o meu tempo e não me sobrecarregar com uma reunião que tem pouca importância para mim. Ou, se você claramentedeveria estar nessa reunião: eles não perceberam que eu deveria estar na reunião, ou então, foi apenas um equívoco e se esqueceram de incluir o meu nome no destinatário. Se você aceitar que a síndrome do impostor é irracional, conforme mostram as pesquisas, então a melhor interpretação tem mais chances de ser real do que a pior interpretação. Não acredita em mim? Então apenas pare de fingir. Levante os ombros e pergunte. (Estou com a sensação de que talvez vocês não considerem que eu tenha contribuições importantes para dar a Q devido a X, Y e Z. Caso positivo, gostaria muito de ter um retorno de vocês.)Faça por escrito se achar mais fácil. Perguntar é difícil, mas ficar remoendo em cima de milhares de interpretações também é.

2. Mantenha o foco nas qualidades de ser diferente, e não nos defeitos.Como o impostor está sempre tentando fazer parte do grupo, essa pessoa enxerga suas diferenças em relação aos colegas como obstáculos a serem superados. Por exemplo, houve uma época em que a maioria das pessoas com quem eu trabalhava eram pessoas assertivas, que falavam sem rodeios. Assim, eu via a minha introversão como uma falha. Por que eu não conseguia me decidir rapidamente, como eles? Por que eu não conseguia defender uma opinião no calor do momento com a mesma eloquência? Foi só depois de eu ter sido elogiada repetidas vezes pela minha ponderação e pela minha capacidade de analisar todos os lados de um problema que percebi que também eram qualidades aquilo que, por muito tempo, eu considerei como lacunas. Não significa que eu não precise melhorar em certas áreas, mas essa mudança de perspectiva me ajudou a aceitar que todas as pessoas são moldadas de forma diferente. Assim, levamos os nossos diversos talentos à mesa. Hoje em dia, eu tento abordar problemas com o olhar voltado aos meus pontos fortes, ao invés de manter o foco nas minhas fraquezas.

3. Procure pessoas para quem você possa revelar suas próprias inseguranças. Durante anos, eu me fechei e guardei minhas fragilidades para mim mesma. Dizem que devemos “fingir até conseguir”. Então, eu imaginei que ao interpretar a pessoa que eu queria ser, dia após dia, eu finalmente me transformaria naquela pessoa, e que nenhuma delas seria mais sábia que a outra. Na verdade, essa linha de pensamento se revelou uma estupidez. Eu me privei do alívio de poder falar abertamente sobre meus medos para as pessoas em quem confiava, e perdi o poder que a empatia e os conselhos dessas pessoas teriam sobre mim. Cada um tem seus próprios problemas, e o que aprendi é que quanto mais sinceramente você admitir os seus, mais as pessoas estarão dispostas a lhe ajudar. Assim, conte para a pessoa mais próxima que você se sentiu como uma impostora no trabalho hoje. Procure um programa de mentoria ou de suporte. Considere levar esse assunto a sua chefia. Apenas não finja que suas inseguranças não existem, porque você estará prejudicando apenas a si mesma.
Resumo da minha experiência - e o que você pode aprender

A experiência faz qualquer coisa parecer fácil, mas as inseguranças nunca desaparecem por completo. Isso se aplica a todos, mas é particularmente verdadeiro para as mulheres, e mais verdadeiro ainda para mulheres em áreas dominadas por homens.

Nos dias de hoje, você poderá me encontrar palestrando para uma multidão de rostos desconhecidos. Eu ainda arrebento nos jogos do Mario. Mesmo hoje, eu ainda me sinto como uma impostora, às vezes.

No entanto, há uma vantagem: quanto mais você começa a ter confiança em si mesma, menos você se sente como uma impostora, e cada vez mais você se sente como você mesma.

Você pode não acreditar em mim, mas mesmo assim, vou tentar lhe convencer.

Você pertence a esse lugar. E você terá muito sucesso.



Texto de Julie Zhuo, traduzido por Hilton Lima. - Fonte: https://www.linkedin.com

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Quando eu for velha

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Quando eu for velha, não serei uma velha comum, daquelas que tricotam sapatinhos para os netos, não porque eu não ache isso bacana, é porque nunca tive paciência para o artesanato, aliás, sou um desastre nessa arte, rsrs.

Quando eu ficar velha, não quero que se preocupem em me visitar todos os domingos, somente para cumprir uma obrigação. Façam isso quando sintam realmente vontade de me ver, quando sintam saudades daquele cheirinho que só a "sua" mãe tem, quando sintam saudades do meu tempero, ou da forma que meus olhos olham para vocês, com orgulho, com amor e ternura.

Quando eu ficar velha, não quero que me levem feito um pacotinho de uma casa pra outra. Quero ficar no meu canto, "quero ficar na minha", vocês sabem o quanto eu valorizo a liberdade, não só a minha, mas sobretudo dos outros.

Quando eu ficar velha, quero que vocês me olhem e sintam orgulho de todas as minhas tentativas de viver a vida conforme os meus princípios, conforme a minha vontade. Não quero que pensem que fui egoísta, que alguma vez falhei com vocês, ou que eu amei de menos ou amei de mais. Eu simplesmente optei: eu quero ser mãe, eu quero gerar esse filho, essa filha, porque sei que eles serão pessoas especiais e que poderão fazer a diferença em suas vidas e nas dos demais e eu os amo muito!!!

Quando eu ficar velha, permitam-me ficar com meus netos e mimá-los do meu jeito, não critiquem se eu exagerar nos carinhos, nos presentes e se eu discordar com algum castigo mais pesado pra eles.

Quando eu for velha, não sintam pena de mim quando estiver debilitada, olhem para mim e digam: minha mãe é forte, ela vai vencer mais essa!! E não duvidem, eu vou vencer!

Meus queridos filhos, não se sintam responsáveis por mim, eu lhes tiro essa obrigação. Eu os solto, os libero. Vivam suas vidas, trilhem seus caminhos, amem seus amores, formem-se, trabalhem, tenham êxito, criem seus filhos (se quiserem tê-los). Sejam corajosos, sonhem muito, sonhem alto! Sejam gentis, retribuam sorrisos, compartilhem bons momentos, cuidem de seus corpos, mas especialmente de suas almas. 

Jamais duvidem da existência de um Ser Superior. Não se prendam a dogmas, não julguem nada, não condenem ninguém, não acreditem em tudo o que lhes disserem, procurem vocês as respostas. Usem o poder que há dentro de vocês. 

Lembrem-se sempre disso: Vocês podem tudo! O impossível não existe, mas é preciso crer!



Autora desconhecida
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A opção por viver só

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Cresce número de livros que abordam atual fenômeno do isolamento social

O sociólogo americano Eric Klinenberg, 46, investigava os efeitos de uma onda de calor que afetou Chicago em 1995 quando viu que mais de 700 vítimas fatais viviam sozinhas. A tragédia acendeu nele a curiosidade para estudar uma mudança fundamental que vem ocorrendo nas grandes cidades, não apenas dos EUA, mas do mundo.

A investigação resultou em 2012 no livro "Going Solo - The Extraordinary Rise and Surprising Appeal of Living Alone" (seguir sozinho - a extraordinária ascensão e o interesse surpreendente de viver só), e os números então saltaram aos olhos.

Se, em 1950, 4 milhões de americanos viviam sós, hoje já são mais de 30 milhões. Nas grandes cidades, a tendência é muito mais acentuada –mais da metade da ilha de Manhattan, descobriu Klinenberg, tem moradias com apenas um habitante.

O instituto Euromonitor identificou, entre 1996 e 2006, um aumento de 33% das pessoas que vivem sós e projetou, para 2020, um crescimento do índice em adicionais 20%.

"É um momento único na história da humanidade em que enormes quantidades de pessoas, se têm condições para isso, optam por viverem sozinhas", explica Klinenberg.

Depois de "Going Solo", o mercado editorial foi invadido por publicações que tratam de refletir sobre os aspectos da tendência: pessoas que preferem nunca ter um parceiro fixo (o que não significa não ter sexo); as que querem namorar ou casar, mas não aceitam viver sob um mesmo teto; as que enviúvam e percebem que envelhecem melhor sem se mudar para a casa de parentes; as que vivem sós para ter uma vida social mais agitada; e as que querem desconectar-se de tudo e redescobrir o silêncio e a natureza.

'SOLTEIRONA'

Em "Spinster" –na lista dos melhores livros de 2015 do "New York Times", e que a Intrínseca lança no Brasil em abril–, a americana Kate Bolick, 40, pede uma redefinição da palavra "spinster".

Termo celebrizado na Idade Média para designar mulheres que, por terem posses, não precisavam buscar o casamento por sustento, o conceito era considerado algo positivo. Mas, ao longo dos séculos 18 e 19, ganhou conotação pejorativa, ao designar a "solteirona com mais de 40".

"É hora de redefinir o conceito de 'spinster', pois já não corresponde a mulheres amedrontadas e estigmatizadas, mas que se libertaram das perguntas impostas desde a infância ('quando você vai se casar?') e reencontraram um lugar na sociedade", diz Bolick.

Para a autora, a "libertação das 'spinsters'" está relacionada à revolução LGBT e ao desenvolvimento dos aplicativos para encontrar parceiros sexuais. "Antes a mulher precisava de um marido para ter sexo. Hoje, talvez seja tudo de que ela não precisa."

Já Klinenberg, que é professor de sociologia da Universidade de Nova York, acredita que o "apogeu da vida solitária" começou a despontar nos anos 1950, mas ganhou força nos últimos dez anos, devido a quatro fatores: mudança de status da mulher, revolução das comunicações, revolução urbana e aumento da longevidade.

Segundo ele, tornaram sedutoras as benesses da vida solitária: "A privacidade, o anonimato, a autonomia e, paradoxalmente, a chance de se conectar mais com outros sem compromisso". E completa: "Casamos mais tarde, permanecemos solteiros por anos ou décadas, fazemos o possível para evitar mudar para a casa de nossos pais, e eles também resistem em mudar para a nossa quando perdem o companheiro", resume.

ESTIGMA

Ainda assim, especialistas concordam que o estigma persiste. "Leia a descrição de psicopatas nos jornais. Fatalmente os que o conheciam elencarão que ele era 'sozinho'", diz a britânica Sara Maitland, 65, autora de dois livros sobre o tema: "A Book of Silence" (um livro de silêncio) e "How to Be Alone" (como viver só).

Tendo sido casada e vivido em Londres muitos anos, há tempos se mudou para uma casa no interior da Escócia, sozinha, não tem celular e evita a companhia de outros, que substitui por longas caminhadas em silêncio.

"Estar sem um parceiro é o único comportamento com o qual as pessoas não têm receio de serem profundamente rudes", explica. "Quantas vezes não me perguntaram: 'E você, já arrumou alguém?'. Se eu respondesse: 'Não, mas e você, continua amarrada a esse sujeito aí?' seria extremamente grosseiro, não?"

Por isso, explica Maitland, preferiu mudar-se para o campo e refletir por que a sociedade ainda associa a opção de viver só à tríade "sad, mad or bad" (triste, louco ou mau). Existe, para ela, uma sensação cultural de que isso possa estar "errado".

O que os dois livros que Maitland já lançou, e o terceiro no qual agora trabalha, tentam responder é que esses estigmas estão caindo e que há um movimento "contracultural", relacionado à revolução das comunicações, que facilitará viver sozinho e levará essa transformação adiante.

Em seus livros, desfilam os fenômenos da moda das aventuras em "solidão extrema", ou seja, viagens de exploração de lugares longínquos ou perfis de famosos solitários, como Greta Garbo (1905-90).

Para Maitland, o processo é lento. "O estigma tem várias razões, como o medo das pessoas de uma vida sem companhia, mas um outro é a inveja, que causa vontade de experimentar [risos]. E isso ajuda o estigma a se diluir."

No recém-lançado "Selfish, Shallow, and Self-Absorbed" (egoísta, superficial e autocentrada), a americana Meghan Daum, 46, reúne famosos escritores (como Geoff Dyer, Anna Holmes e Sigrid Nunez) que discorrem sobre a escolha de não ter filhos.

O foco é a avaliação moral que a sociedade fez da opção, que soa "egoísta" ou "escapista". Como diz um dos autores: "As pessoas creem que quem não tem filhos deixa de dar um sentido à existência, como se algum sentido houvesse".

Os autores concordam, porém, que a vida solitária apenas traz benefícios aos que optam de maneira voluntária por ela. "Sentir-se triste por estar só é um outro problema, e ele precisa ser enfrentado como tal", resume Maitland.
ANTES SÓ

Lançamentos refletem a tendência de pessoas viverem sozinhas. Entenda as diferenças, segundo os autores:

"GOING SOLO" (seguir sozinho)
Não se casar, não ter filhos, não ter como ideal a ideia tradicional de família.

"LIVING ALONE" (viver sozinho)
habitar uma casa ou apartamento sem a companhia de mais ninguém, nem 'roomates' nem namorados ou mesmo maridos ou mulheres (que podem viver em outras casas).

"SPINSTER"
Termo cunhado na Idade Média para definir mulheres que não precisavam se casar por ter independência financeira. Transformou-se num termo pejorativo nos séculos 18 e 19 para designar mulheres com mais de 40 que não se casavam. Hoje, volta a ser usado como conceito positivo, de mulheres independentes que decidem não se resignar à vida familiar e à maternidade.

"LONER" (solitário)
Alguém que prefere a solidão não apenas no lar, mas também no ambiente. Preferem viver perto da natureza, valorizam o silêncio e escolhem não estar conectados todo o tempo, muitos não têm celulares e mantêm pouca conexão com familiares ou amigos que vivem longe. Preferem o campo ou praias isoladas.



Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/01/1735068-cresce-numero-de-livros-que-abordam-atual-fenomeno-do-isolamento-social.shtml?cmpid=newseditor
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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A arte de envelhecer - Drauzio Varella

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Achei que estava bem na foto. Magro, olhar vivo, rindo com os amigos na praia. Quase não havia cabelos brancos entre os poucos que sobreviviam. Comparada ao homem de hoje, era a fotografia de um jovem.

Tinha 50 anos naquela época, entretanto, idade em que me considerava bem distante da juventude. Se me for dado o privilégio de chegar aos 90 em pleno domínio da razão, é possível que uma imagem de agora me cause impressão semelhante.

O envelhecimento é sombra que nos acompanha desde a concepção: o feto de seis meses é muito mais velho do que o embrião de cinco dias.

Lidar com a inexorabilidade desse processo exige uma habilidade na qual nós somos inigualáveis: a adaptação. Não há animal capaz de criar soluções diante da adversidade como nós, de sobreviver em nichos ecológicos que vão do calor tropical às geleiras do Ártico.

Da mesma forma que ensaiamos os primeiros passos por imitação, temos que aprender a ser adolescentes, adultos e a ficar cada vez mais velhos.

A adolescência é um fenômeno moderno. Nossos ancestrais passavam da infância à vida adulta sem estágios intermediários. Nas comunidades agrárias o menino de sete anos trabalhava na roça e as meninas cuidavam dos afazeres domésticos antes de chegar a essa idade.

A figura do adolescente que mora com os pais até os 30 anos, sem abrir mão do direito de reclamar da comida à mesa e da camisa mal passada, surgiu nas sociedades industrializadas depois da Segunda Guerra Mundial. Bem mais cedo, nossos avós tinham filhos para criar.

A exaltação da juventude como o período áureo da existência humana é um mito das sociedades ocidentais. Confinar aos jovens a publicidade dos bens de consumo, exaltar a estética, os costumes e os padrões de comportamento característicos dessa faixa etária tem o efeito perverso de insinuar que o declínio começa assim que essa fase se aproxima do fim.

A ideia de envelhecer aflige mulheres e homens modernos, muito mais do que afligia nossos antepassados. Sócrates tomou cicuta aos 70 anos, Cícero foi assassinado aos 63, Matusalém sabe-se lá quantos anos teve, mas seus contemporâneos gregos, romanos ou judeus viviam em média 30 anos. No início do século 20, a expectativa de vida ao nascer nos países da Europa mais desenvolvida não passava dos 40 anos.

A mortalidade infantil era altíssima; epidemias de peste negra, varíola, malária, febre amarela, gripe e tuberculose dizimavam populações inteiras. Nossos ancestrais viveram num mundo devastado por guerras, enfermidades infecciosas, escravidão, dores sem analgesia e a onipresença da mais temível das criaturas. Que sentido haveria em pensar na velhice quando a probabilidade de morrer jovem era tão alta? Seria como hoje preocupar-nos com a vida aos cem anos de idade, que pouquíssimos conhecerão.

Os que estão vivos agora têm boa chance de passar dos 80. Se assim for, é preciso sabedoria para aceitar que nossos atributos se modificam com o passar dos anos. Que nenhuma cirurgia devolverá aos 60 o rosto que tínhamos aos 18, mas que envelhecer não é sinônimo de decadência física para aqueles que se movimentam, não fumam, comem com parcimônia, exercitam a cognição e continuam atentos às transformações do mundo.

Considerar a vida um vale de lágrimas no qual submergimos de corpo e alma ao deixar a juventude é torná-la experiência medíocre. Julgar, aos 80 anos, que os melhores foram aqueles dos 15 aos 25 é não levar em conta que a memória é editora autoritária, capaz de suprimir por conta própria as experiências traumáticas e relegar ao esquecimento inseguranças, medos, desilusões afetivas, riscos desnecessários e as burradas que fizemos nessa época.

Nada mais ofensivo para o velho do que dizer que ele tem "cabeça de jovem". É considerá-lo mais inadequado do que o rapaz de 20 anos que se comporta como criança de dez.

Ainda que maldigamos o envelhecimento, é ele que nos traz a aceitação das ambiguidades, das diferenças, do contraditório e abre espaço para uma diversidade de experiências com as quais nem sonhávamos anteriormente.




http://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2016/01/1732457-a-arte-de-envelhecer.shtml?cmpid=newseditor
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Casa Arrumada - Drummond

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Casa arrumada é assim: Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.

Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não centro cirúrgico, um cenário de novela. Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas... Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...

Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar. Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha. Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa sem festa. E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.

Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde. Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...

Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda. A que está sempre pronta pros amigos, filhos... Netos, pros vizinhos... E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.

Arrume a casa todos os dias... Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo para viver nela... E reconhecer nela o seu lugar.



Texto "CASA ARRUMADA" [Carlos Drummond de Andrade]
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domingo, 24 de janeiro de 2016

Mensagem Final

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“Para predizer o que irá acontecer é preciso saber o que ocorreu ontem” (Nicolau Maquiavel)



Após a ditadura do proletariado, imposta pelas exigências da revolução socialista, viria o Estado feliz e paradisíaco da liberdade, sem explorados e sem exploradores. Era esse o resumo da cartilha.

Embora a corrida para essa utopia tenha sido uma viagem efêmera, muitas pessoas ainda não se desvencilharam dela e não desistiram de tentar de novo, seja fazendo um balanço das perdas com a experiência vivida, seja retomando-a a partir do momento em que ela teria se desviado do destino correto. Isso levaria inevitavelmente a um retorno a Marx, ao século XIX, pois sempre existirão pessoas com tendência a considerar o comunismo como um tribunal inevitável para as mazelas do capitalismo que, de antemão, já foi condenado.

Para os comunistas, o momento é ainda de depressão. Depois da euforia provocada pelo marxismo-leninismo, pelo “pensamento de Mao-Tsetung”, pelo “guevarismo”, pelo “fidelismo”, pelo “gramscismo”, pelo “eurocomunismo”, e pelo “trotskismo”, a hora é de uma grande ressaca. Afinal, eles não abandonaram o comunismo. O comunismo é que os abandonou.

Todavia, isso provavelmente não irá durar muito, pois não há como deixar de admitir que sempre existirão partidos de esquerda, pois a sociedade - qualquer que ela seja - “produz desigualdades assim como combustíveis fósseis produzem poluição” (frase do historiador marxista Eric Hobsbawn).

Mas, como chegar às transformações que O Partido requer? Com que mesclas de idealismo e realismo ele deveria passar a atuar? São perguntas ainda sem uma resposta.

O comunismo morreu? Em termos, pois seu cadáver permanece insepulto, uma vez que como idéia-força ele deixou profundas e extensas raízes em todo o mundo. Fracassou, isto sim, um tipo de comunismo, aquele que realmente existiu, como nossa geração é testemunha privilegiada. Foi o fim de uma época histórica, que não voltará.

Considerando a definição de utopia (“a cobiça do impossível”), alguns, ainda marxistas, desejam umautopia viável para o marxismo moribundo. Ou seja, umimpossível viável. Outros, como o escritor e sociólogo marxista Jacob Gorender, que foi membro dirigente de dois partidos revolucionários (o Partido Comunista do Brasil e o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) defendem um marxismo sem utopia. Nesse sentido, julga que seria importante atualizar o marxismo, retirando-lhe os elementos utópicos e integrando à dialética marxista formulações que dêem conta de aspectos do processo histórico capitalista que Marx não soube ou, em sua época, não podia prever.

Desde logo, poderia imaginar-se um partido que fosse realmente uma associação voluntária e democrática de vontades em busca de objetivos precisos; um partido que permitisse a livre expressão e circulação das idéias, com dirigentes eleitos e removidos democraticamente, onde não existissem os privilegiados; um partido que estimulasse a participação e submetesse democraticamente aos filiados as grandes questões, sem propostas de “Resoluções Políticas” definidas em restritos “Comitês”; e que os candidatos a cargos de direção fossem eleitos realmente pelas bases, e não por listas previamente organizadas pelo aparelho dirigente ou por cooptação, como ocorre com freqüência.

A lucidez para encarar a falência da doutrina científica, neste início de século, é uma necessidade intelectual e política, embora seja necessário reconhecer que um partido concebido para derrubar um sistema político-social e implantar outro, seu antípoda, tenha exigências distintas daquelas dos partidos tradicionais, e que o abandono dessas exigências implicaria em renunciar aos dogmas fundamentais da doutrina.



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Carlos I. S. Azambuja é Historiador - Fonte: http://www.alertatotal.net/2016/01/mensagem-final.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+AlertaTotal+%28Alerta+Total%29
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A crise tem nome: Lula - Por Marco Antonio Villa

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Lula voltou a ser o principal protagonista da cena política brasileira. No último mês, não teve um dia sequer em que não ocupasse as manchetes da imprensa. Viajou pelo Brasil — sempre de jatinho particular, pago não se sabe por quem — e falou, falou e falou. Impôs uma reforma ministerial à presidente, que obedeceu passivamente, como de hábito, ao seu criador.

Colocou no centro do poder um homem seu, Jaques Wagner, para controlar a presidente, reestruturar o pacto lulista — essencialmente antirrepublicano — com o Congresso e o grande capital e, principalmente, para ser um escudo contra as graves acusações que pesam sobre ele, sua família e amigos.

Como de hábito, não teve nenhum compromisso com a verdade. Vociferou contra as investigações. Atacou a Polícia Federal, como se uma instituição de Estado não pudesse investigá-lo. Ou seja, ele estaria acima das leis, um cidadão — sempre — acima de qualquer suspeita, intocável. Apontou sua ira contra o ministro da Justiça e tentou retirá-lo do cargo — e vai conseguir, cedo ou tarde, pois sabe quão importante foi Márcio Thomaz Bastos em 2005, quando transformou o ministro em seu advogado de defesa.

O ex-presidente, em exercício informal e eventual da Presidência, declarou que o Brasil vive quase um Estado de exceção, simplesmente porque a imprensa divulgou documentos sobre seus ganhos milionários nas palestras e apresentou como dois filhos vivem em apartamentos em áreas nobres de São Paulo sem pagar aluguel — uma espécie de Minha Casa Minha Vida platinum, reservado exclusivamente à família Lula da Silva — e teriam recebido quantias vultuosas sem a devida comprovação do serviço prestado. Não deve ser esquecido que o Coaf justificou a investigação da sua movimentação financeira como "incompatível com o patrimônio, a atividade econômica e a capacidade financeira do cliente."

Lula passou ao ataque. Falou em maré conservadora, que não admite ser chamado de corrupto e que — sinal dos tempos — não teme ser preso. A presidente da República, demonstrando subserviência, se deslocou em um dia útil de trabalho, de Brasília para São Paulo, simplesmente para participar da festa de aniversário do seu criador. Coisa típica de República bananeira. Ninguém perguntou sobre os gastos de viagem de uma atividade privada paga com dinheiro público. O país recebeu a notícia naturalmente. E alguns ingênuos ainda imaginam que a criatura possa romper com o criador, repetindo a ladainha de 2011.

Mesmo após as aterradoras revelações do petrolão, Lula finge que não tem qualquer relação com o escândalo e posa de perseguido, de injustiçado. Como se não fosse ele o presidente da República no momento da construção e operação do maior desvio de recursos públicos da história do mundo. Nas andanças pelo país, para evitar perguntas constrangedoras, escolhe auditórios amestrados. Mente, mente, sem nenhum pudor. Chegou a confessar cometeu estelionato eleitoral, em 2014, como se fosse algo banal.

O protagonismo de Lula impede uma solução para a crise. Ele aposta no impasse como único meio de sobrevivência, da sua sobrevivência política. Pouco importa que o Brasil viva o pior momento econômico dos últimos 25 anos e que a recessão vá se estender, no mínimo, até o ano que vem. Pouco importam os milhões de desempregados, a disparada da inflação, o desgoverno das contas públicas.
Em 1980, o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo não pensou duas vezes em prorrogar a greve, mesmo levando-a à derrota — e aos milhares de operários que tiveram os dias parados descontados nos salários —, simplesmente para reabilitar sua imagem frente à base sindical, isto porque, no ano anterior fechou acordo com a Fiesp sem que o mesmo fosse aprovado pela assembleia, daí que passou a ser chamado pelos operários de pelego e traidor.

Em setembro, Dilma chegou a balançar quando o PMDB insinuou que poderia apoiar o impeachment. Lula entrou em campo e, se não virou o jogo, conseguiu ao menos equilibrar a partida — isto na esfera da política, não da gestão econômica. Tanto que a possibilidade de a Câmara dos Deputados aprovar, neste ano, a abertura de um processo de impeachment é nula. Por outro lado, o Congresso Nacional não aprovou as medidas que o governo considera como essenciais para o ajuste fiscal. É um jogo cruel e que vai continuar até o agravamento da crise econômica a um ponto que as ruas voltarem a ser ocupadas pelos manifestantes.

As vitórias de Lula são pontuais, superficiais e com prazo de validade. As pesquisas mostram que ele, hoje, é uma liderança decadente e com alto grau de rejeição, assim como o PT. Mantém uma influência no centro de poder que é absolutamente desproporcional ao seu real peso político. Tem medo das consequências advindas das operações Lava-Jato e Zelotes. Mas no seu delírio quer arrastar o país à pior crise da história republicana. E está conseguindo. Tudo porque sabe que o impeachment de Dilma é o dobre de finados dele e do PT.

As ações de Lula desmoralizam o Estado Democrático de Direito. Ele despreza a democracia. Sempre desprezou. Entende o Estado como instrumento da sua vontade pessoal. Mas, para sorte do Brasil, caminha para o ocaso. Só não foi completamente derrotado porque ainda mantém apoio de boa parte da elite empresarial, que, por sua vez, exerce forte influência no Congresso e nas cortes superiores de Brasília.

O grande capital não sabe o que virá depois do PT. Na dúvida, prefere manter apoio ao "seu" partido e ao "seu" homem de confiança, Lula.



Marco Antonio Villa - Fonte: http://www.alertatotal.net/2016/01/a-crise-tem-nome-lula.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+AlertaTotal+%28Alerta+Total%29
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