quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Site do "Financial Times" publica artigo com críticas a Dilma

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O jornal "Financial Times" publicou ontem, em sua versão digital, um artigo intitulado "Dilma: Agony Aunt to the European Union".

O termo "agony aunt" se refere, em inglês, a colunistas especializados em conselhos sentimentais - em geral, uma senhora mais velha, daí o "aunt" ("tia"). Daí, também, a ironia do texto.




Virginia Mayo/Associated Press 
Dilma, à esquerda, concede entrevista coletiva ao lado de Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu


"O país ranqueado em 152º pelo Banco Mundial por seu pesado sistema tributário está aconselhando contra impostos restritivos", escreve a autora, Samantha Pearson.

A crítica é uma reação à advertência feita por Dilma na segunda-feira, durante visita à Europa. Não pela primeira vez, ela fez duras críticas ao modo com que os países desenvolvidos vêm controlando suas finanças.

"Políticos brasileiros recentemente têm tomado a si a resolução da crise financeira internacional, distribuindo conselhos", diz o texto.

O artigo aponta Guido Mantega, ministro da Fazenda, como "pioneiro" nessa prática, após ter feito discursos inflamados acerca da guerra cambial e propor, em setembro, um pacote de resgate ao euro vindo dos Brics.

Pearson escreve sobre a surpresa trazida pela "sugestão de que o Brasil deveria resgatar países [...] cujo PIB per capita é três vezes maior do que o seu próprio".

O artigo aponta que a posição do país, além de não ser realista, é também hipócrita.

"Dilma recentemente falou sobre a necessidade de combater o protecionismo apenas uma semana após aumentar impostos sobre carros estrangeiros em colossais 30 pontos percentuais."






(http://www1.folha.uol.com.br/mundo/985522-site-do-financial-times-publica-artigo-com-criticas-a-dilma.shtml)

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O Complexado

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“Quantos honoris causas (sic) ganhou o FHC?”
(Luís Inácio Lula da Silva)
                                                                  
 
         Num tremendo jogo pirotécnico de marketing, como se ainda fosse presidente, vai Lula caminhando pelo mundo “ser droite na vida”...
         Agora recebeu tremenda homenagem francesa, um título de doutorhonoris causa, ele que sempre se envaideceu de só ter o curso primário, tendo vencido completamente na vida através da esperteza e demonstrando aos incautos brasileiros que vale mesmo a pena a esperteza e a impunidade (não necessariamente nessa ordem).
         Lula produziu, em oito anos, o governo mais corrupto de que se tem notícia. Diante de seus feitos, um outro presidente impedido poderia ser suposto mero punguista de trem da central. Ambos foram, seriam e serão sempre inocentados pelas cortes superiores de nosso país, que não mais distinguem a fronteira entre o que é legal e o que é moral. Elidem alguns desses magistrados a vergonha na cara em nome de tecnicalidades e favores que ocultamente custam caro e muito caro e agora são chamados, com rara felicidade e maestria, de “bandidos de toga”...
         Lula interpretou bem a alma da nacionalidade e percebeu muito cedo que seus eleitores são inclusive muito piores do que os políticos que eles elegem. Juntou toda a direita oligárquica em torno dele, desde os ladrões de carrocinha de pipoca, passando pelos fazendeiros sem fazenda, até os donos de capitanias do nordeste e norte. Concedeu aos pobres um bolsa-família que conseguiu o extraordinário recorde de permitir que 86% dos seus usuários queiram continuar usufruindo da benesse para sempre, ou seja, jamais sairão do lugar e darão voto garantido aos governos petistas...
         O presidente tornou-se muito rico, assim com como sua família, e faz agora um trottoir burguês pelo mundo, recebendo prêmios e comendas, refestelado em hotéis de luxo e proferindo palestras para quem puder desembolsar milhares de dólares. Serve também de macaquinho de empreiteiras brasileiras ou ponta de lança de grandes empresas, mero lobista que desvestiu a faixa presidencial para aceitar papéis menos nobres de estimulador de gordas comissões.
         É o rei dos consultores, mas tem um problema no seu mar de rosas. Jamais teve e terá a cultura de seu maior rival de alcova, o ex-presidente Fernando Henrique.  O “príncipe dos sociólogos”, que também não é flor que se cheire, pelo menos sempre foi culto, poliglota, embora seu governo também tenha sido eivado de irregularidades, a ponto de um de seus ministros haver cunhado célebre frase que ficou para a História: “senhores, chegamos ao limite da responsabilidade...”
         Pois bem. Lula tem tudo, mas inveja a cultura do outro. Não conseguiu ler, porque dá azia; serve-se de truques aprendidos em  reuniões de sindicato para convencer os outros e chegou até a iludir os franceses no caso da compra dos 36 caças Rafalle, que afinal cozinhou em banho-maria e gerou até a defecção de um ministro da Defesa por sua sucessora.
         Lula é amigo íntimo do álcool, mas tem vergonha de sua condição. Bebe sempre a portas fechadas, embora em seu governo tenhamos visto muitos “dias seguintes”, em que o presidente, com as faces vermelhas e olhos esbugalhados de ressaca, lembrando a noite anterior, vociferava contra adversários. Quem não se lembra das platitudes e batatadas do presidente, levanta a mão?
         Como é possível ver Lula alçado a líder mundial, espalhando conselhos aos europeus e norte-americanos, como se fosse um arauto da sabedoria? Ao invés de envaidecer a nós brasileiros, nessa terra inculta e sem premio Nobel, observamos na verdade o quanto desceu, em nome de contratos futuros não assinados, a França e o quanto desceu o mundo em termos de mediocridade intelectual. Hoje, com raras exceções, os líderes mundiais de nosso tempo são uns merdas...
         Na verdade, não teremos julgamento algum de mensalão, a não ser o que afeta as oposições, porque as chicanas jurídicas, acompanhadas pela capacidade de advogados caros, impedirão que o relator possa prosseguir no intento.
         Vivemos, num país, de mediocridade, em que o cidadão comum tem vergonha de ser honesto. Como disse a deputada Cidinha Campos: “a corrupção está no DNA do brasileiro, quanto mais ladrão mais querido.”
         A frase resume nossos leitmotivs, bem como nossa enteléquia. Aliás, a palavra “brasileiro” significa “traficante de pau-brasil junto à coroa portuguesa”. Nosso atavismo de corrupção está no sangue...
         E Lula corporifica tudo isso que somos no subconsciente e que através de esforços civilizatórios tentamos, em vão, aperfeiçoar...
         Nosso ex-presidente, contudo, exibe uma pontinha de ciúme do antecessor, porque não conseguiu estudar. Compete com ele, nos lapsus linguae, que profere, como na tosca epígrafe desse artigo. Embora seja ídolo de nossa gente, et pour cause, não consegue inibir o complexo de inferioridade que mantém intacto no subconsciente. Quando este aflora, ataca os intelectuais e as elites que ele agora frequenta, na figura do antecessor, sem compreender que agora a elite é ele, o burguês é ele, com contas no exterior e fazendas no interior do país...
         Todo mundo sabe disso e a polícia federal não pode sair em seu encalço, porque o buraco é mais embaixo. Não viram o que aconteceu no STJ, no julgamento da operação Boi Barrica, envolvendo os Sarney? Não acontece, não dá, não sobe...
         Sabemos que temos, no país, uma espécie de santíssima trindade administrativa: a Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público, mas, além de suas limitações constitucionais, são jungidos por limitações políticas que nossos podres costumes impõem...
         E como todos estão comprometidos, salvam-se todos no camburão, ops., desculpe, no caldeirão das elites...
         Lula, o complexado semi-analfabeto que chegou à presidência, tornou-se o gênio da raça e tudo no Brasil teve que descer à sua imagem e semelhança. Tudo o que nos acontece tem a cara dele, incluindo eventos futuros, como a Copa e as Olimpíadas. Nós vemos o país patinando em infraestrutura, desindustrializando-se a passos largos e as cidades degenerando-se em violência e estagnação. A juventude preocupada com drogas e homossexualismo, ao invés de se centrar nos estudos e no desenvolvimento do país. E a mídia, preocupada em estupidificar o povo, em nome de uma pretensa audiência comercial.
         Na verdade, a esperança é a Internet, antes que os Dirceu da vida a possam censurar, tendo instaurar um regime cubano ou coreano do norte, com todas as consequências funestas que já conhecemos.
         O complexado continuará viajando o mundo com sua entourage, forçando-nos a recordar toda a sua trajetória dentro do país. Está clara a sua estratégia de ser coroado um Nobel da Paz, cobrindo o país mais uma vez de vergonha e nossas elites de frouxos de risos.
         Porque além de sermos reconhecidos lá fora como o país do samba, do carnaval, das florestas tropicais, bem como da violência e da corrupção irrefreáveis, vamos ter que engolir o complexado, como se fosse nossa marca registrada do século XXI.
         É dose, mas Freud explica!

Teresópolis, 30 de setembro de 2011.





(Waldo Luís Viana - Escritor, economista, poeta e já fez terapia...)

 
Esses dois, com certeza, não fizeram terapia...
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Transferência

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Que país é esse??!??!!

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Delúbio dá autógrafos, distribui CDs e se diz inocente em ato da CUT


Sorrisos, abraços, filas de autógrafo, pedidos de foto.

Com tratamento de "pop star", o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, 55, lançou ontem uma campanha para tentar mobilizar sindicalistas e militantes em sua defesa no processo do mensalão.

Ele é apontado pelo Ministério Público como o operador do esquema. Se for condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), pode pegar até 111 anos de prisão pelos supostos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

                                            Adriano Vizoni - 4.out.2011/Folhapress




O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, réu no processo do mensalão, lança seu CD em evento de central sindical


Delúbio foi homenageado em ato de desagravo antes da abertura da plenária nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores), em Guarulhos, na Grande São Paulo. O evento ocorre até sexta-feira num auditório da prefeitura local, comandada pelo PT.

A central barrou a entrada de jornalistas e expulsou a equipe da Folha, que estava credenciada para cobrir o evento e aguardava a fala do petista no plenário, entre cerca de 500 dirigentes sindicais.

O petista aproveitou a reunião para distribuir um CD interativo e um livreto de 80 páginas com a cópia de sua defesa e citações do jurista Ruy Barbosa (1849-1923).

O CD, com tiragem de 10 mil exemplares, reúne fotos, artigos e links para videoclipes de suas músicas preferidas a seleção vai de Águas de Março, com Tom Jobim e Elis Regina, a É o amor, de Zezé di Camargo e Luciano.

É uma coisa única no Brasil. Você põe no computador e ele atualiza sozinho. Daqui a 20 anos, vai continuar funcionando igual, disse Delúbio à reportagem.

O livreto teve tiragem dobrada: 20 mil exemplares, bancados pelos companheiros petistas que ele não identifica e com os logotipos de dois escritórios de advocacia.

Questionado sobre o que tem feito desde que foi afastado do PT, disse: Estou trabalhando muito. E encerrou a conversa, apressado.

DISCURSOS

Segundo relatos ouvidos pela reportagem, Delúbio se declarou inocente, reclamou da imprensa e disse ter sofrido com as acusações.

O ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, que o acompanhava, repetiu a tese de que o mensalão não existiu: tudo não teria passado de um esquema de caixa dois.
Os discursos foram aplaudidos pela plateia, que depois fez fila para pedir autógrafos. O petista organizava a demanda: Um de cada vez, um de cada vez, repetia.

Readmitido pelo PT em abril, quase seis anos depois de ter sido expulso do partido, Delúbio saiu satisfeito.

Ele falou que está sendo injustiçado, que isso prejudicou muito ele, disse Valneide Silva, 45, dirigente da CUT no Pará. Até que provem o contrário, ele é inocente. Eu sempre acreditei nisso.




(Bernardo Mello Franco -Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/985732-delubio-da-autografos-distribui-cds-e-se-diz-inocente-em-ato-da-cut.shtml)
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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Aviso na porta de um consultório médico

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Este alerta está colocado na porta de um espaço terapêutico


- O resfriado ocorre quando o corpo não chora. 


- A garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.


- O estômago arde quando as raivas não conseguem sair. 


- O diabetes invade quando a solidão dói. 


- O corpo engorda quando a insatisfação aperta. 


- A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam. 


- O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar. 


- A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável. 


- As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas. 


- O peito aperta quando o orgulho escraviza. 


- O coração enfarta quando chega a ingratidão. 


- A pressão sobe quando o medo aprisiona. 


-As neuroses paralisam quando a"criança interna" tiraniza. 





O plantio é livre. A colheita, obrigatória. 

    


"Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade."
(Mário Quintana)





(http://muitascoisasporai.blogspot.com/2011/02/aviso-na-porta-de-um-consultorio-medico.html)
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A paranoia está batendo

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Um dia, há muitos anos, percebi que haviam modificado a caixa grande dos Chicletes Adams (uma cor-de-rosa e outra amarela). Quem se lembra dessas saudosas embalagens? Eram caixas maiores, que tinham uma janelinha de celofane, através da qual se viam os chicletinhos chacoalhando. Assustado, notei que a janela original fora trocada por uma mentirosa abertura, desenhada com os chicletinhos impressos. Algum executivo zeloso, para fazer bonito junto aos patrões, acabara com a visão real das balinhas frescas como a brisa, deixando-nos somente um simulacro. Isso me preocupou. Entendi que se iniciava uma época comercial menos humana (talvez a pós-modernidade), mas, por outro lado, compreendi que detalhes ínfimos podem ser indícios de momentos históricos. Por isso, como vivemos a época de encrencas insolúveis, sem um futuro claro, me ligo em bobagens iluminadoras do presente.

Por exemplo, que significa a resposta de uma telefonista, se eu lhe agradeço por uma informação e ela replica: "Imagina!...". Que quer dizer isso? Talvez denote que eu e ela fazemos parte de um "sistema" coletivo de obrigações automáticas, sem espaço para gentilezas individuais e gratidão desnecessária. É quase uma repreensão, como se meu 'muito obrigado' quebrasse a lógica contínua de seu serviço. Daí a resposta: "Imagina! O senhor se acha especial?".

Aliás, "senhor" é uma novidade. Dizia-se sempre "Sr. Fulano, Sr. Sicrano...".

Tudo bem, mas agora usam um "senhor" no fim da frase: "Estaremos entregando a encomenda, senhor"... Ou "senhorita". Alguém já ouviu "senhorita" no dia a dia? Isso deve ser influência do gerúndio na dublagem de filmes americanos: "Miss Williams, we'll be sending your package soon". Seria a nefasta influência do imperialismo cultural (esquerda) ou o crescimento de uma linguagem global (liberais).

As telefonistas também dizem: "Quem deseja?" ou "O senhor Fulano não se encontra...". Isso me desorganiza. Tenho ganas de dizer: "Todos desejam, o ser humano deseja! E o senhor Fulano não 'se encontra', como? Ele está em crise, perdidaço na vida?". Nada digo, porque ela responderia: "Eu não saberia lhe informar, senhor...".

Outro fenômeno moderno, ou melhor, "contemporâneo" (aliás, não aguento mais esta palavra 'contemporâneo', que tudo absolve e tudo explica: "Isso é uma merda, mas é supercontemporâneo!..."), é o tom dos falantes no celular. Em aeroportos, é comum mulheres discutindo a relação com o marido, falando alto, andando pela sala, até chorando, na linguagem 'metapsicológica' dos Big Brothers. Criou-se uma língua BBB, feita de súbitas lágrimas, acusações e queixumes, rancor dosado por perdões simultâneos, deixando escapar propositais intimidades, pontuadas por rápidas olhadas para conferir a reação dos circunstantes.

Aliás, por falar em celular, e as musiquin has? Jingle Bells ou Pour Elise tocam no bolso de um executivo, que imediatamente faz um resumo da situação da empresa aos berros. Por que não fazem um celular que aperte o saco do usuário? Ele daria um grito e gemeria discretamente: "Alô?".

E os dedinhos "contemporâneos" que não param nos blackberries e iPhones, com as cabeças baixas, digitando mensagens misteriosas? Isso me traz uma dolorosa solidão, pois ninguém mais presta atenção em ninguém 'ao vivo', como se o importante é o que não está ali, o desejo 'não se encontra' aqui, mas acolá, talvez na 'nuvem'.

E as notícias? São eivadas de incertezas - se a Grécia quebra ou não quebra - ou de certezas impossíveis como, por exemplo: a taxa de inflação vai ser de 6,3 ou 6,7 ao fim do ano, cai em outubro e sobe em novembro. Como podem saber? Como se mede isso? Por que não tomam medidas essenciais como cortar gastos públicos em vez dessa irritante roleta brasileira de palpites? Claro que os 'pentelhos' e seus aliados feudais não deixam.

Por que as paradas gay têm três milhões e os evangélicos quatro milhões e a marcha contra a corrupção no Rio só 2.500 pessoas? É a medida clara de nossa alienação política.

E as queimadas e desmatamentos? O governo fala disso como se referisse a outro país, com um lamento impotente: "O equivalente a mil campos de futebol foram queimados em um mês...". Por que a medida 'campos de futebol'? Para deprimir corintianos? Aliás, entristece-me ver os times de futebol com anúncios no peito dos jogadores. Sou um babaca romântico, claro. Mas os times heroicos vendendo Hyundai e Kalunga me doem.

E os garçons simpáticos? Sempre que eu peço um guaraná, ouço invariavelmente: "Com gelo e laranja?". Por quê? O meu guaraná indígena não basta? Sempre tenho a esperança de encontrar um "old timer" que me pisque o olho e faça a bela pergunta antiga: "Da Brahma ou da Antártica?".

E a demarcação das terras indígenas, e as paisagens condenadas? É politicamente incorreto ser contra 11 mil índios que dispõem de dez mil metros quadrados cada um na 'Raposa do Sol', índios de bermuda e relógio. Por quê? Não podemos mais admirar uma paisagem sem que um chato não diga: "Olha bem, que está acabando...".

Repugnam-me células fotoelétricas em bicas de banheiros chiques. Você mete a mão ensaboada debaixo de uma bica dourada e a água não sai. Você tenta de novo, nada; até que o faxineiro te instrui a posição certa, esperando gorjeta, mas a água jorra e para, antes de lavar o sabão cor-de-rosa ou cor de diarreia. E o aparelho de secar mão que uiva como uma boca de hipopótamo? E os cremes de rosto e dentes, com a bisnaga vazia pela metade, para faturar uns reais dos otários? E as giletes turbinadas cujas caixas só têm duas unidades? E o papel higiênico 'folha fina', que se esgarça entre as unhas? Abomino e-mails em cascata, com as piadinhas da hora, tenho asco de pequenas besteirinhas como gente dizendo-me "bom descanso" ou "bom trabalho", pagode careta, casais que se casam e se separam na Caras, e, pasmem, não aguento mais 'bunda'. Isso, no bom sentido, claro, mas não aguento mais ver 'melancias, melões e moranguinhos' em toda parte, outdoors, revistas... A economia de consumo é embalada pelas bundas. Viram? A paranoia está batendo... Santo Deus, que será de mim?



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A voz do povo começa a ser ouvida

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Diante do apoio da opinião pública à corregedora Eliana Calmon, Peluso muda de estratégia e diz que não é bem assim...


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, procura agora uma saída estratégica para o caso da tentativa de castração dos poderes investigativos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que vem causando uma extraordinária reação da opinião pública.


O presidente do Supremo, que acumula a presidência do Conselho Nacional de Justiça, falou sobre o assunto no programa "Poder e Política - Entrevista", do UOL e da Folha de S. Paulo, conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues no estúdio do Grupo Folha em Brasília.

Como se sabe, o ministro Cezar Peluso tem sido acidamente criticado por estar apoiando uma ação movida no Supremo pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que tenta esvaziar os poderes do Conselho Nacional de Justiça, a pretexto de que o órgão só poderia investigar juízes, desembargadores e ministros depois que as denúncias contra eles já tivessem sido apuradas pelas corregedorias dos respectivos tribunais.

Para surpresa de todos, essa questão entrou rapidamente na pauta de julgamento do Supremo, tomando a frente de processos muitos mais antigos e que estão parados há anos, enquanto Peluso e outros ministros passavam a dar entrevistas apoiando a ação da AMB e a conseqüente castração do Conselho. E na semana passada, Peluso criticou publicamente a corregedora do Conselho, ministra Eliana Calmon, por ela ter declarado que existem "magistrados bandidos" no Judiciário, fato que é mais do que público e notório.

Diante da indignada reação da opinião pública, na quarta-feira passada o Supremo teve de recuar e transferir o julgamento da ação. E agora Peluso muda de estratégia, dando entrevista dizendo que o Conselho Nacional de Justiça precisa priorizar a fiscalização de corregedorias locais. Para ele, os órgãos internos de investigação dos tribunais locais são ineficientes e o CNJ poderia atuar para resolver o problema.

Ora, será que dr. Peluso e outros ministros não percebem que é exatamente isso que já está acontecendo? E não notam também que é justamente por isso que a Associação dos Magistrados Brasileiros está tentando reduzir os poderes do Conselho? São muito distraídos, não há dúvida.

Segundo Peluso, o CNJ pode investigar juízes individualmente, mas deve dar mais atenção às corregedorias. O Conselho, de acordo com o ministro, não deve atuar em todos os casos, porque essa ampla atuação tornaria as corregedorias locais ainda mais ineficientes.

"A tendência é, quando as pessoas percebem que o órgão [CNJ] está suscetível a receber tudo e a processar tudo, tendem a aumentar as denúncias perante o próprio órgão [o CNJ]. Ao invés de se dirigir às corregedorias locais, aos tribunais locais, vão passar a encaminhar [ao CNJ]", afirmou na entrevista, evitando comentar novamente a declaração da corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, de que a redução de poder de investigação do CNJ pode levar à impunidade de "bandidos que estão escondidos atrás da toga".

Mas acontece que as pessoas prejudicadas só recorrem diretamente ao Conselho porque as corregedorias são corporativas e não punem os juízes nem resolvem coisa alguma. Esta é a realidade da nossa Justiça, um dos podres poderes da República. Peluso pode dizer o que quiser, mas a verdade é uma só. As corregedorias não funcionam, por isso as pessoas recorrem ao Conselho Nacional de Justiça. Simples assim.



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Criança

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Cabecinha boa de menino triste,
de menino triste que sofre sozinho,
que sozinho sofre, — e resiste.

Cabecinha boa de menino ausente,
que de sofrer tanto se fez pensativo,
e não sabe mais o que sente...

Cabecinha boa de menino mudo
que não teve nada, que não pediu nada,
pelo medo de perder tudo.

Cabecinha boa de menino santo
que do alto se inclina sobre a água do mundo
para mirar seu desencanto.

Para ver passar numa onda lenta e fria
a estrela perdida da felicidade
que soube que não possuiria.



(Cecília Meireles)
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domingo, 2 de outubro de 2011

Uma questão de responsabilidade...

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E sendo assim....

Cada um assume a sua, combinado?


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Essa...

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Essa, que hoje se entrega aos meus braços escrava
olhos tontos do amor de que aos poucos me farto,
ontem... era a mulher ideal que eu procurava
que enchia a minha insônia a rondar o meu quarto...

Essa, que ao meu olhar parado e indiferente
há pouco se despiu - divinamente nua -,
já me ouviu murmurar em êxtase, fremente:
- Sou teu! ... E já me disse, a delirar: - Sou tua !

Essa, que encheu meus sonhos, meus receios vãos,
num tempo em que eram vãos meus sonhos, meus receios,
já transbordou de vida a ânsia das minhas mãos
com a beleza estonteante e morna dos seus seios !

Essa, que se vestiu... que saiu dos meus braços
e se foi... - para vir, quem sabe? uma outra vez.
- segui-a... e eu era a sombra dos seus próprios passos..
- amei-a... e eu era um louco quando a amei talvez...

Hoje, seu corpo é um livro aberto aos meus sentidos
já não guarda as surpresas de antes para mim...
(Não importa se há livros muita vez relidos
importa... é que afinal, todos eles têm fim...)

Essa, a quem julguei ter tanta afeição sincera
e hoje não enche mais a minha solidão,
simboliza a mulher que sempre a gente espera...
mas que chega, e se vai... como todas vão...





(JG de Araujo Jorge, do livro - Amo – 1939)
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O culpado é o doente?

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Setenta e cinco por cento dos brasileiros, ou cerca de 143 milhões de pessoas, população superior à do Japão, dependem do SUS (Sistema Único de Saúde). Os outros 25%, ou 47 milhões de cidadãos, número equivalente à totalidade dos habitantes da Espanha, são capazes de pagar por planos/seguros de saúde privados. Contudo tanto uns quanto outros enfrentam problemas.


São bastante conhecidas as reclamações dos pacientes quanto à saúde no Brasil. Mas os milhões de brasileiros que recorrem aos planos de saúde privados, e que pagam custos crescentes, muito acima da inflação (nos últimos três anos, só os empresariais subiram 43%), não deveriam ter tantos obstáculos no atendimento.


Tal cenário lembra a sabedoria popular: "Falta pão e ninguém tem razão", como evidencia a presente greve em rodízio dos médicos credenciados nesses planos. 


Tais profissionais estudam seis anos, fazem mais dois de residência, outros de especialização, compram livros, assinam revistas técnicas e participam de cursos e congressos caros para se manterem atualizados. Trabalham muito e não são remunerados nem pelo piso da tabela da Associação Médica Brasileira.


Os planos, por sua vez, argumentam que seus custos são crescentes, já que, entre outros fatores, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) exige maior número de procedimentos cobertos, impõe limites máximos no prazo de atendimento e no reajuste dos seguros individuais. E há quem reclame dessa ação reguladora...


Por sua vez, os custos dos hospitais e dos tratamentos médicos são crescentes. Fator interessante, pois o uso de tecnologia avançada eleva custos em vez de reduzi-los. Os laboratórios, que investem pesado em pesquisa e desenvolvimento, sofrem com patentes, preços de insumos e aprovação de novos medicamentos.
Fabricantes de equipamentos se justificam na mesma toada.


Buscando manter sua saúde financeira, as seguradoras, setor cada vez mais oligopolizado, tentam conter custos e criam dificuldades na prestação dos serviços, dão preferência a planos empresariais em vez dos individuais.


Afinal, de quem é a culpa por tantas desventuras? Quais são os responsáveis por esses graves problemas da saúde? Cento e noventa milhões de brasileiros gostariam de uma resposta convincente!


Se algumas pessoas acham que pagam muito e recebem pouco, há quem retruque afirmando que ganha pouco e oferece muito. Por isso, doutores fazem greves, hospitais deixam de atender pacientes, fabricantes de remédios aumentam preços e planos de saúde dificultam, cada vez mais, os serviços aos segurados.


Diante desse quadro, cabe a pergunta: será, então, que a culpa é nossa, dos doentes?





(Josué Gomes da Silva - Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0210201106.htm)
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B.O. de acidente de trânsito poderá ser feito pela internet

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A partir de amanhã, os motoristas que se envolverem em acidentes de trânsito sem vítimas no Estado de SP poderão registrar a ocorrência pela internet.


Até agora, o responsável pelo veículo precisava ir até uma unidade da Polícia Militar para fazer o comunicado.


Em algumas unidades da PM, o motorista chegava a esperar dias para conseguir uma cópia do registro.


Será preciso registrar, no site www.ssp.sp.gov.br/bo, dados pessoais e um relato do que ocorreu.



(http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0210201120.htm)
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sábado, 1 de outubro de 2011

Porque Eva comeu a fruta...

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POR QUE EVA COMEU A FRUTA ? 

Não foi assim facinho não!!! No início, Eva não queria comer a fruta. 

- Come - disse a serpente astuta! - e serás como os anjos! 

- Não - respondeu Eva. Virando a cara para o lado! 

- Terás o conhecimento do Bem e do Mal - insistiu a víbora. 

- Eva cruzou os braços, olhou bem na cara da serpente e respondeu firme: Não! 

- Serás imortal. 

- Não! Já disse! 

- Serás como Deus! 

- NÃO, e NÃO! Já disse que NÃO!

Irritadíssima, quase ia lhe enfiando a fruta goela abaixo... Nessa hora a serpente já estava desesperada e não sabia mais o que fazer para que aquela mulher, de princípios tão rígidos e personalidade tão forte comesse a fruta... Aí que teve uma idéia, já que nenhum dos argumentos haviam funcionado...

Ofereceu novamente a fruta e disse com um sorrisinho maroto:

- Come, boba!!! EMAGRECE!!!! 


Foi tiro e queda!!!! 

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Beber e dirigir...

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Eu gostaria de dividir minha experiência com você, que tem tudo a ver com beber e dirigir.

No último sábado saí com uns amigos para tomar uns drinks e perdí a conta de quantos whiskys com gelo eu tomei.

Sabendo o quanto estava bêbada, eu fiz algo que nunca havia feito antes em toda a minha vida…

Peguei um ônibus.

Cheguei em casa à salvo, sem nenhum incidente, o que me deixou perplexa, uma vez que eu nunca havia dirigido um ônibus antes...



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Campanha contra o álcool (1919)

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Em 1919, uma campanha a favor da proibição do álcool nos EUA mostrava a foto abaixo com a seguinte descrição:

"LÁBIOS QUE TOCAM BEBIDA, NÃO TOCARÃO OS NOSSOS"



http://4.bp.blogspot.com/-w3PVCMtR7Zc/ToWiCRXrKJI/AAAAAAAAAJ8/dCF1UrPVA2w/s1600/ATT00001.jpg



Olhando BEM para ELAS, responda:


CÊ ACHA QUE ALGUÉM PAROU DE BEBER???




(Fonte:http://www.clicmais.net/l/?u=29802)

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O mundo de hoje é travesti - Arnaldo Jabor

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Está rolando na internet um texto ridículo sobre "mulheres" atribuído a mim. 

Sou uma besta, todos o sabem; mas, não chego a esse relincho lamentável do asno que o escreveu. Diz coisas como: "A mulher tem um cheirinho gostoso, elas sempre encontram um lugarzinho em nosso ombro." Uma bosta, atribuída a mim. Toda hora um idiota me copia e joga na rede. Por isso, vou falar um pouco de mulher, eu que mal as entendo na vida. Não falarei das coxas e seios e bumbuns... Falo de uma aura mais fluida que as percorre. 

Gosto do olhar de onça, parado, quando queremos seduzi-las, mesmo sinceramente, pois elas sabem que a sinceridade é volúvel, não perdura. Um sorriso de descrédito lhes baila na boca quando lhe fazemos galanteios, mas acreditam assim mesmo, porque elas querem ser amadas, muito mais que desejadas. Elas estão sempre fora da vida social, mesmo quando estão dentro. 

Podem ser as maiores executivas, mas seu corpo lateja sob o tailleur e lá dentro os órgãos estranham a estatística e o negócio. Elas querem ser vestidas pelo amor. O amor para elas é um lugar onde se sentem seguras, protegidas. 

O termômetro das mulheres é: "Estou sendo amada ou não? Esse bocejo, seu rosto entediado... será que ele me ama ainda?" A mulher não acredita em nosso amor. Quando tem certeza dele, pára de nos amar. A mulher precisa do homem impalpável, impossível. As mulheres têm uma queda pelo canalha. O canalha é mais amado que o bonzinho. Ela sofre com o canalha, mas isso a justifica e engrandece, pois ela tem uma missão amorosa: quer que o homem a entenda, mas isso está fora de nosso alcance. A mulher pensa por metáforas. 

O homem por metonímias. Entenderam? Claro que não. Digo melhor, a mulher compõe quadros mentais que se montam em um conjunto simbólico sem fim, como a arte. O homem quer princípio, meio e fim. Não estou falando da mulher sociológica, nem contemporânea, nem política. Falo de um sétimo órgão que todas têm, de um "ponto g" da alma. 

Mulher não tem critério; pode amar a vida toda um vagabundo que não merece ou deixar de amar instantaneamente um sujeito devoto. Nada mais terrível que a mulher que cessa de te amar. Você vira um corpo sem órgãos, você vira também uma mulher abandonada. 

Toda mulher é "Bovary"... e para serem amadas, instilam medo no coração do homem. Carinhosas, mas com perigo no ar. A carinhosa total entedia os machos... ficam claustrofóbicos. O homem só ama profundamente no ciúme. Só o corno conhece o verdadeiro amor. Mas, curioso, a mulher nunca é corna, mesmo abandonada, humilhada, não é corna. O homem corneado, carente, é feio de ver. A mulher enganada ganha ares de heroína, quase uma santidade. É uma fúria de Deus, é uma vingadora, é até suicida. Mas nunca corna. O homem corno é um palhaço. Ninguém tem pena do corno. O ridículo do corno é que ele achava que a possuía. A mulher sabe que não tem nada, ela sabe que é um processo de manutenção permanente. O homem só vira homem quando é corneado. 

A mulher não vira nada nunca. Nem nunca é corneada... pois está sempre se sentindo assim. Como no homossexualismo: a lésbica não é viado. 

A mulher é poesia. O homem é prosa. Isso não quer dizer que a mulher seja do bem e o homem do mal. Não. Muita vez, seus abismos são venenosos, seu mistério nos mata. A mulher quer ser possuída, mas não só no sexo, tipo "me come todinha". Falam isso no motel, para nos animar. O homem é pornográfico; a mulher é amorosa. A pornografia é só para homens. A mulher quer ser possuída em sua abstração, em sua geografia mutante, a mulher quer ser descoberta pelo homem para ela se conhecer. Ela é uma paisagem que quer ser decifrada pelas mãos e bocas dos exploradores. Ela não sabe quem é. Mas elas também não querem ser opacas, obscuras. Querem descobrir a beleza que cabe a nós revelar-lhes. As mulheres não sabem o que querem; o homem acha que sabe. 

O masculino é certo; o feminino é insolúvel. O homem é espiritual e a mulher é corporal. A mulher é metafísica; homem é engenharia. A mulher deseja o impossível; desejar o impossível é sua grande beleza. Ela vive buscando atingir a plenitude e essa luta contra o vazio justifica sua missão de entrega. Mesmo que essa "plenitude" seja um "living" bem decorado ou o perfeito funcionamento do lar. O amor exige coragem. E o homem... é mais covarde. O homem, quando conquista, acha que não tem mais de se esforçar e aí , dança... 

A mulher é muito mais exilada das certezas da vida que o homem. Ela é mais profunda que nós. Ela vive mais desamparada e, no entanto, mais segura. A vida e a morte saem de seu ventre. Ela faz parte do grande mistério que nós vemos de fora, com o pauzinho inerme. Ela tem algo de essencial, tem algo a ver com as galáxias. Nós somos um apêndice. 

Hoje em dia, as mulheres foram expulsas de seus ninhos de procriação, de sua sexualidade passiva, expectante e jogadas na obrigação do sexo ativo e masculino. A supergostosa é homem. É um travesti ao contrário. Alguns dizem que os homens erigiram seus poderes e instituições apenas para contrariar os poderes originais bem superiores da mulher. 

As mulheres sofrem mais com o mal do mundo. Carregam o fardo da dor histórica e social, por serem mais sensíveis e mais fracas. Os homens, por serem fálicos, escamoteiam a depressão e a consciência da morte com obsessões bélicas, financeiras ou políticas. As mulheres agüentam firmes a dor incompreendida. O mundo está tão indeterminado que está ficando feminino, como uma mulher perdida: nunca está onde pensa estar. O mundo determinista se fracionou globalmente, como a mulher. Mas não é o mundo delicado, romântico e fértil da mulher; é um mundo feminino comandado por homens boçais. Talvez seja melhor dizer um mundo travesti. O mundo hoje é travesti. 



(Arnaldo Jabor - Fonte:http://www.arnaldojabor.blogger.com.br/)
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Envelhecer segundo Mafalda

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BOM DIA !!!





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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

AMORE SCUSAMI - NICO FIDENCO (Letra, Tradução e Vídeo)

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Amore Scusami

Amore scusami
Se sto piangendo amore scusami
Ma ho capito che lasciandoti
Io soffrirò

Amore baciami
Arrivederci amore baciami
E se mi lascerai ricordati
Che amo te

Ti ricordi quella sera
Che per gioco ti baciai
Sembrava quasi un'avventura
Un'avventura in riva al mar
Dolcemente ti baciavo
E non potevo immaginar
Che stavo invece a poco a poco
Innamorandomi di te

Amore baciami
Arrivederci amore baciami
E se mi lascerai ricordati
Che amo te, che amo te


Amore Scusami (Tradução)

Amor perdoa-me
Se estou chorando amor perdoa-me
Mas entendi que deixando-te
Eu sofrerei.

Amor beija-me
Arrivederci amor beija-me
E se me deixares recorda-te
Que amo-te.

Te recordas aquela noite
Que por brincadeira te beijei,
Parecia quase uma aventura
Uma aventura a beira mar.

Docemente eu te beijava
Não podia imaginar
Que estava ao invés pouco a pouco
Enamorando-me de ti.

Amor beija-me
Arrivederci amor beija-me
E se me deixares recorda-te
Que amo-te, que amo-te, que amo-te.


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