domingo, 15 de julho de 2012

O desaparecimento de João Sebastião.

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Era um sujeito magro, raquítico. Tinha uma aparência encardida. Dois olhos redondos e amendoados flutuavam vagamente nas órbitas fundas, marcadas pela saliência dos ossos da face. A barba rareava em determinados pontos para surgir em demasia em outros. Seu tom castanho avermelhado era constantemente ameaçado pelo cinza desbotado.

Não contava muitos anos, mas os anos lhe emprestavam seu peso. Andava um pouco arcado, como quem tenta contrabalancear um fardo excessivo. Porém, seus passos eram leves, sorrateiros, imperceptíveis, como poeira a dançar no colo do vento.

Entrava e saía dos lugares sem despertar atenção, sem que olhos o seguissem, sem que, se quer, notassem o movimentar da tísica figura.

As roupas brancas, amareladas pelo uso, traziam a cada dia um novo desenho, sombreado pelo sangue contido nas peças carregadas. Eram paletas, costelas, pernis. Peças quase inteiras. O cheiro o incomodava, não era algo fétido, só não sabia dizer se era mesmo forte demais, ou apenas ele, assim julgava.

O ar denso e congelante do caminhão refrigerado despertava seus ossos em um sonoro tilintar. Buscava confirmar nos olhares daqueles que o rodeavam se o som era mesmo audível a todos. Mas nenhum olhar fitava o seu, pelo contrário, o curioso ruído parecia transportá-lo a invisibilidade.

Com gosto entregava-se a essa sensação. Sentia-se livre em seu mundo único e recordava saudoso o emprego anterior, abandonado apenas por insistência da mulher em melhorar a renda familiar. Lá sim se sentia invisível por completo, acompanhado pelo silêncio da madrugada, abastecia bancas com notícias e histórias frescas.

Por mais que houvesse tentado, nos poucos anos em que frequentou a escola, era incapaz de compreender uma frase completa. Mas as letras pareciam capiturá-lo, fasciná-lo, até que, dançando em meio a elas, escorregando em suas curvas, quicando em seus símbolos, produzisse seu próprio significado. Não se importava se seu entendimento era de fato o que trazia a história, mas era capaz de perder horas e horas apenas admirando as pequenas expressões de tinta.

Ao final do dia quando chegava em casa, era sempre recebido por um sonoro:

- Diacho, João! Parece um fantasma, não avisa não. Tá se escondendo pelos cantos é? Quer me matar do coração?

Deslizava então até a velha cadeira de madeira remendada, encostada em um dos três cômodos da minúscula casa. A seu lado, encontravam-se livros resgatados de lixeiras, capazes de o abstraírem em suas páginas incompreendidas. Mal podia perceber o movimentar dos dois filhos mais velhos, zombando da inércia do pai.

Os sons da mulher, vindos da cozinha iam silenciando aos poucos. Queixas isoladas, pronunciadas aos berros retratavam-no como um peso morto, sem valor, sem vida, sem nada. Gargalhadas ridicularizavam seu ato de apreciar as páginas.

- Olha lá, o Sebastião pensa que sabe ler. Essa é boa!

Apenas a figura do filho caçula, mantinha-se muda. Em apoio, abria seu caderno escolar com os primeiros rabiscos ganhando nomes e sons, para, por fim, fazer sentido em pequenas palavras.

O menino não via graça nas tentativas de leitura do pai, ao contrário, admirava-se, empenhava-se em aprender a ler e escrever, pois acreditava que só assim conseguiria decifrar o mistério das letras que tanto o intrigavam. Entendia que esta era a chave para atingi-lo, para adentrar em seu mundo.

A rotina se seguia como em todos os demais dias. E, nessa hora, mãe e os outros filhos já haviam se cansado do deboche e sentavam-se à mesa para o jantar. O pequeno ainda se colocava ao lado dele, lutava contra os roncos do estômago que insistiam em requerer um pouco de comida, fingia não ouvir os berros da mãe clamando sua presença.

João permanecia na mesma posição e o garoto sabia que assim se estenderia por horas. Vencido pela fome, seguiu com passos cautelosos até a cozinha, como se um movimento seu pudesse retirar o homem de seu transe.

Antes de abandonar a sala, virou-se para encará-lo por mais um segundo e pode notar algo novo, surpreendente.

O pai despertou, encarava-o com um sorriso largo, seus olhos se encontraram por um breve segundo, mas ao menino pareceu uma doce eternidade. Com uma piscadela, João cumprimentou o filho e voltou subitamente sua atenção às páginas manchadas.

Alegre, o pequeno rendeu-se ao prato montado pela mãe. Comia agilmente para retornar o mais breve possível à sala. Quando conseguiu, não mais encontrou Sebastião.

Na cadeira restava apenas o livro aberto ao meio. Correu estabanado até o quarto e nem sinal do pai. Alardeava a todos os cantos que ele havia desaparecido.

A mãe e os irmãos, sem entender o que sucedia, vieram em seu socorro. Ela, repetia para si mesma:

- Era só o que me faltava! Agora o desgraçado resolveu fugir!
Saíram em busca do calado João, os vizinhos aos poucos iam engrossando a passeata, chamavam, gritavam, berravam.

Apenas o garoto, havia ficado em casa sentado na velha cadeira, segurando em seu colo o livro desbotado, como se soubesse que os chamados eram em vão. Ele não podia dizer como, mas tinha certeza de que o pai finalmente conseguira entender aquele mundo que tanto o intrigara e agora à ele pertencia.

Enxugou as lágrimas na esperança de um dia poder reencontrá-lo. E, teve a certeza, de vislumbrar nas páginas sujas e rasgadas àquela piscadela.





(Camila Capps - Fonte: http://apinturadaspalavras.wordpress.com/2012/06/18/o-desaparecimento-de-joao-sebastiao/)
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Mensalão - Criminalistas apostam em absolvição geral

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Faltando menos de um mês para o início do julgamento do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados que defendem os 38 réus na Ação Penal nº 470 esperam dos 11 ministros da corte uma análise técnica do caso – e acreditam que, se ela ocorrer, praticamente não haverá condenações. Os argumentos que sustentam sua crença na absolvição vão desde a ausência de provas técnicas até a jurisprudência do Supremo, que, se seguida pelos ministros, favoreceria os réus. Ainda assim, o grupo – que inclui boa parte dos mais renomados criminalistas do país – não descarta um julgamento político e dá como perdidos os votos do relator Joaquim Barbosa e do presidente da corte, Carlos Ayres Britto.

Responsável pela defesa do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), o criminalista Alberto Toron afirma que, durante uma conversa recente com o ministro Celso de Mello, decano do Supremo, ouviu dele que o julgamento será eminentemente técnico e jurídico. “O Supremo não vai deixar de seguir sua tradição e fará um julgamento justo”, diz. Seu cliente é acusado de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro por ter assinado, em 31 de dezembro de 2003, um contrato de R$ 9 milhões com a SMP&B Comunicação, do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, que seria mais uma fonte de recursos para a compra de apoio político.

Toron compara o caso do mensalão ao processo penal em que o ex-presidente Fernando Collor de Mello, hoje senador pelo PTB-AL, foi acusado de corrupção passiva por seu suposto envolvimento no esquema montado pelo tesoureiro de sua campanha, Paulo César Farias, o PC Farias. Collor sofreu processo de impeachment em 1992 e renunciou ao cargo antes de ser afastado da Presidência da República. Em 1994, após quatro dias de julgamento, o Supremo absolveu Collor por falta de provas, mesmo diante da imensa pressão popular e da mídia pela sua condenação. “Não vejo o porquê de o Supremo julgar de forma diferente agora.”

A opinião é compartilhada por vários de seus colegas. “Tenho a mais profunda convicção de que o julgamento será técnico”, diz o criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende o publicitário Duda Mendonça e seu sócio, Zilmar Fernandes Silveira. Ambos são acusados de evasão de divisas e lavagem de dinheiro por terem recebido valores devidos pelo PT por serviços prestados durante a campanha eleitoral de 2002, supostamente originados de contratos publicitários destinados ao desvio de recursos. “Nossa defesa é 100% técnica”, diz Kakay, que afirma que os valores recebidos por Duda Mendonça referem-se a créditos de campanhas anteriores do PT e que nada têm a ver com o mensalão – que ele nega que tenha existido.

O criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, que defende a ex-vice-presidente do Banco Rural, Ayanna Tenório Tôrres de Jesus, acusada de formação de quadrilha, gestão fraudulenta de instituição financeira e lavagem de dinheiro, tem a mesma opinião. “O Supremo é um tribunal técnico, há uma diversidade grande de orientações jurídicas, mas todas elas voltadas para a lei e baseadas nas provas dos autos”, diz o criminalista. “É difícil avaliar como o Supremo vai julgar”, afirma Pierpaolo Cruz Bottini, criminalista que defende o ex-deputado federal pelo PT-MG Luiz Carlos da Silva, o Professor Luizinho, acusado de lavagem de dinheiro. No entanto, ele afirma que, ao despachar com os ministros do Supremo, observou que todos eles conheciam profundamente o processo, ouviram com atenção e discutiram temas técnicos. “Não senti nenhuma politização do processo”, diz.

A crença dos criminalistas de que, se o Supremo julgar o processo do mensalão de forma técnica, boa parte dos réus será absolvida baseia-se na instrução criminal – fase do processo em que o Ministério Público Federal tem a função de corroborar as provas colhidas durante o inquérito para confirmar as alegações feitas na denúncia, em face ao contraditório, ou seja, à defesa dos réus. Segundo Pierpaolo Bottini, a maior parte do grande conjunto probatório produzido na fase de inquérito do mensalão não foi corroborada na fase de instrução criminal. “Há uma dificuldade probatória no processo”, afirma. “Para a defesa foi uma instrução criminal muito boa, toda favorável aos réus”, concorda Kakay, para quem o Ministério Público não conseguiu provar as alegações feitas na denúncia.

Os criminalistas se referem às poucas provas técnicas produzidas e à enorme quantidade de testemunhas ouvidas no processo. E são unânimes ao afirmar que nenhuma delas confirmou a existência do mensalão durante a instrução criminal. “A prova decorrente da CPI dos Correios ou do inquérito serve para o oferecimento da denúncia, mas não serve para basear a condenação”, afirma o advogado Marcelo Leonardo, que defende o empresário Marcos Valério, acusado de formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Ele diz que o Código de Processo Penal prevê que o juiz, na formação de seu conhecimento, deve se basear nas provas produzidas em juízo, e que é essa a jurisprudência do Supremo em relação a provas. “E o Ministério Público Federal, em suas alegações finais, só se refere às provas do inquérito, que não podem servir de fundamento para a condenação.” Segundo ele, não há prova produzida na fase de instrução criminal, sob o crivo do contraditório, que confirme as acusações do Ministério Público. “Foram ouvidas 600 testemunhas e não teve uma que confirmou a existência do mensalão”, afirma.

A exceção é o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ). Presidente de seu partido, ele relatou a existência de um esquema de pagamento de mesada a parlamentares da base aliada em troca de votos favoráveis aos projetos de interesse do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso em 2005. Cassado pela Câmara dos Deputados, o delator do mensalão acabou tornando-se réu no processo, e não apenas testemunha, como era sua intenção. E essa condição, para a defesa dos réus, faz toda a diferença. “Se ele fosse testemunha teria o compromisso de falar a verdade, mas como réu não tem”, diz Marcelo Leonardo. Na ação penal, Roberto Jefferson é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro – ele mesmo declarou ter recebido R$ 4 milhões de Marcos Valério a mando do PT.

“Há um colosso de depoimentos, mas as provas técnicas são muito poucas”, diz Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. Já Alberto Toron afirma que há provas técnicas em algumas situações, mas que “as provas testemunhais são absolutamente escassas” – ou seja, não comprovam a existência do mensalão. Segundo os criminalistas ouvidos pelo Valor, além do relato de Roberto Jefferson, outras testemunhas confirmaram a existência de caixa dois de campanha eleitoral – como o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, réu no processo e acusado de formação de quadrilha e corrupção ativa -, mas não do mensalão.

Embora os advogados acreditem em um julgamento técnico no Supremo, eles também admitem que há uma pressão para que alguns dos réus sejam condenados e não descartam “surpresas”. “O Supremo é um tribunal político pela própria natureza de sua composição, a nomeação dos ministros é uma escolha política”, afirmou um dos criminalistas que atua no processo. Nos bastidores, eles não têm esperanças em votos favoráveis aos réus vindos dos ministros Joaquim Barbosa e Ayres Britto, presidente do Supremo. “Entre nós, os votos de Britto e Joaquim damos como perdidos”, disse outro deles ao Valor.


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Frases de efeito


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'O amor é como capim: você planta e ele cresce. Aí vem uma vaca e acaba com tudo.'

'O novo e-mail do governo é: planalto@lheira.gov.br

'Estamos numa época em que o Fim do Mundo não assusta tanto quanto Fim do Mês'

'O homem é o único animal que consegue estabelecer uma relação amigável com as vítimas que ele pretende comer.'

'Nunca fiz amigos bebendo leite'

Quer conhecer tua namorada.... CASA! Quer conhecer tua mulher...SEPARA!!!

Quando me casei, descobri a felicidade. Mas aí, já era tarde demais...

Casamento é uma tragédia em dois atos: civil e religioso.

Amor é aquilo que começa com um príncipe beijando um anjo e acaba com um careca olhando para uma gorda.

Status é comprar uma coisa que você não quer, com um dinheiro que você não tem, para mostrar pra gente que
você não gosta, uma pessoa que você não é.

Feliz é aquele que é tão bonito quanto a mãe acha que é.


Tem tanto dinheiro quanto o filho dele acha que tem.
Tem tantas mulheres quanto a mulher dele acha que ele tem.


E é tão bom de cama como ele acha que é...

'Quem trabalha muito, erra muito. Quem trabalha pouco, erra pouco. Quem não trabalha não erra. E quem não
erra... é promovido.'

'Como é difícil se livrar de uma mulher fácil.'

'A verdadeira bravura está em chegar em casa bêbado, de madrugada, todo cheio de batom, ser recebido pela mulher com uma vassoura na mão e ainda ter peito pra perguntar : vai varrer ou vai voar?'

'Casamento é igual piscina gelada, depois que o primeiro tonto entra, fica falando para os outros: - Pula que a água tá boa.'

'Um cigarro encurta a vida em 2 minutos.... Uma garrafa de álcool encurta a vida em 4 minutos... Um dia de trabalho encurta a vida em 8 horas'

'Mulheres são como piscinas: O custo da manutenção é muito elevado se comparado ao tempo que passamos dentro delas.'


'Se você é capaz de sorrir quanto tudo deu errado, é porque já descobriu em quem pôr a culpa.'

'A posição sexual que os casais mais usam é a de cachorrinho: o marido senta e implora... a mulher rola e
finge de morta!!!'

'90% do meu dinheiro eu gasto com bebida. Os outros 10% são do garçom'

'Galileu, quando afirmou que o mundo girava simplesmente confirmou o que nós bêbados já sabíamos.

'Crianças no banco dianteiro podem causar acidentes... Acidentes no banco traseiro podem causar crianças.'

'A diferença entre uma mulher na TPM e um sequestrador, é que com o sequestrador ainda existe uma possibilidade de negociação.'

'Se não puder ajudar, atrapalhe, afinal o importante é participar.'

'Errar é humano. Colocar a culpa em alguém é estratégico.'

'Os homens mentiriam muito menos se as mulheres fizessem menos perguntas'

'Errar é humano, persistir no erro é americano, acertar no alvo é muçulmano.'

'Roubar idéias de uma pessoa é plágio... Roubar de várias, é Monografia'

'Nas horas difíceis da vida você deve levantar a cabeça, estufar o peito, e dizer de boca cheia: Agora fudeu...!!!'

'Não te cases por dinheiro, podes conseguir um empréstimo bem mais barato.'

'Casar é a metade do divertimento pelo dobro do preço'

'Não há melhor momento do que hoje para deixar para amanhã o que você não vai fazer nunca'

'Todos os cogumelos são comestíveis... porém alguns só uma vez'

'Mulher feia é que nem pantufa....dentro de casa é até gostoso, mas pra sair na rua dá uma vergonha...

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De que barro é feito Lula?

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De que barro é feito Lula? O que o motiva a viver? O que deseja deixar como legado, ao país e aos descendentes?

Assusta-me menos o fato político do que a sociopatia de Lula da Silva.

O PT aliar-se a Maluf (o próximo será Chalita), impor Humberto Costa no Recife, impedir legítimos candidatos no RJ e ser garçon em Belo Horizonte não é mais novidade. A rigor, é mais do mesmo. Um partido que obedece fielmente à voz de comando do dono, como cão amestrado. Que me desculpem os cães…

O PT que nasceu como alternativa à política tradicional, agregando Igrejas, intelectualidade, operariado e estudantes conseguiu o impensável: contaminar TODOS esses segmentos sociais.

As Igrejas (de diversas denominações) descobrem que o caminho das pedras no mar de lama é ter o profeta Lula como guia. E dá-lhe concessões de TV, propagandas oficiais e acordos feitos em templos.

Os intelectuais lutam para defender o indefensável. Torturam argumentos, abusam de uma reputação que já não têm na área acadêmica, se encastelam em Universidades públicas transformadas em púlpitos para discursos sonolentos e embolorados.

O operariado renunciou às lutas – e greves – para disputar cargos com as facas nos dentes. Repartem o butim de impostos sindicais. Criam sindicatos fantasmas como um imenso laranjal.

A UNE (ou UNEA) vive de roubos identificados pelo Ministério Público – com projetos inexistentes na execução e reais no aporte de dinheiro público – e da venda de carteiras de estudantes.

E ainda se multiplicam as ONGS, instrumentos de roubos (não todas, claro) sequer imaginadas pelos aliados de Lula, Sarney e Collor. Se pudessem prever o que arrecadariam essas “organizações”, certamente teriam criado um sem número delas.

O que move LULA?

Não existe outra explicação que não o ódio, inveja e sentimento de menos-valia. Doentio.

Acossado por delírios persecutórios, elege como alvos Arthur Virgílio, Tasso Jeiressati, Marconi Perrillo (mesmo tendo que mandar ao inferno o tatibitate do companheiro Agnelo), FHC e José Serra.

Reduz as eleições de 2012 (que ocorrem em 5.507 municípios!) a uma disputa paroquial na maior metrópole brasileira. Com o objetivo único de derrotar José Serra e “desalojar os tucanos” de São Paulo. Fica claro que não conseguirão.

Insisto: isto é menor frente ao que Lula faz e como se mostra sem disfarces.

Está aliado aos mesmos que definiu – corretamente – como ladrões e corruptos.

Pensávamos, à época, que era por nojo ou desejo de mudanças. Não era. Era somente inveja: ele ainda não dispunha de poderes para controlar cofres, iludir eleitores e ser também um cínico de sucesso.

Já é.

Os fatos é que dizem.

É capaz de abraçar a quem o acusou de tentar matar a própria filha, obrigando a ex-companheira a fazer um aborto. Não só apertar-lhe a mão, mas solicitar apoio em nome da própria popularidade.

Agora aperta a mão ágil do mestre em usá-la para roubar o dinheiro público. Notadamente em território paulistano, onde Lula pretende que o apoio do parceiro faça a diferença em favor do candidato ungido pelo Imperador de São Bernardo.

E o faz sem sequer tapar o nariz. Não se importa com o mau cheiro.

Humilha-se a ponto de puxar uma comitiva em busca de apoio na residência do procurado pela polícia em todo o mundo. Com mandado de prisão ainda válido.

E deixa-se fotografar ao lado do meliante, que ainda encontra espaço para fazer um sinal de positivo, selando a rendição do lulopetismo sem direito a apelações.

Maluf merece o PT. E este merece Maluf. São feitos do mesmo barro.

Daqueles que são encontrados nos fundos das fossas sanitárias em meio a excrementos.

Barro fétido e de nenhuma utilidade. Contaminado. Não reciclável. Poluído. Podre.

Ao perder a vergonha e promover acordos espúrios à luz do dia, no covil do ladrão e aos olhos da imprensa, Lula atingiu o ápice. Da decadência.

Demonstrou o desprezo absoluto que devota aos brasileiros com vergonha na cara e aos valores que defendem.

Drummond dizia que a Itabira em que nasceu era somente uma foto na parede. E doía.

Esta foto sequer serve para prontuário policial. Maluf já tem a própria nos arquivos da Interpol.

Serve, quando muito, para que lulopetistas e milicianos sejam acionados para defender o indefensável.

Estes ao menos não renegam ideias anteriores. Nunca tiveram.

E demonstra que as que Lula dizia representar não passavam de mentiras oportunistas de quem jamais teve apreço real pela ética.

Não é uma foto. É um quadro de horror. E nojo.


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sexta-feira, 13 de julho de 2012

A Repartição

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Aquele poderia ser mais um dia típico na repartição, salvo pelo alvoroço de pernas, pés e papéis que de um lado a outro iam desviando-se, por vezes, chocavam-se em um resmungo vago que logo tornava a se alinhar.

Portas estreitas riscadas por pequenas placas que sinalizavam o setor ao qual davam acesso, surgiam aglomeradas em um longo e escuro corredor. A tonalidade verde-musgo da parede, em alguns trechos, era vencida pelo bolor alimentado por umidade excessiva. De fato, todos os funcionários se incomodavam com o estado do lugar, mas como o mesmo não pertencia a sua alçada, daquela forma ele permaneceria.

Um som ritmado surgiu no início do corredor, era forte e cadenciado. Despertou a atenção de todos e logo se configurou em passos decididos, sorrateiramente acompanhados por mais dois pares reticentes.

As portas se abriam lentamente conforme o trio ia passando. Sussurros, olhares e gestos inundavam o pequeno espaço entre as paredes que configurava aquele local. Diziam entre dentes:

- O que será que ela vai alegar?

- Vocês acham mesmo que ela errou? Logo ela que há tanto tempo trabalha aqui?

- Disso eu não sei. Só sei que o erro dela causou um grande problema em meu setor.

Diante da última porta pararam. Ela permanecia austera, coluna reta e em uma das mãos trazia seu objeto de trabalho. Um dos acompanhantes tentou em vão retirá-lo. Apenas um olhar bastou para que suas mãos disfarçassem a pífia investida. O outro, ignorando a ação do companheiro, adentrou a sala pedindo para que esperassem.

Mantendo seu olhar fixo na placa da porta, ela apenas respondeu ao acompanhante:

- Conheço o protocolo e, pelo que sei, isto ainda me pertence. Segurando, com força estremada, o objeto.

A porta se abriu revelando novamente o segundo acompanhante, com a cabeça baixa sem que seus olhos pudessem fitá-la, apenas indicou o caminho a seguir:

- Ele irá recebê-la agora.

Um leve titubear fez-se presente nos movimentos daquela figura feminina, quase demonstrando fragilidade, mas logo foi contornado por nova firmeza em seus passos. Deixando para trás os que a acompanhavam até então, ultrapassou a linha da porta.

A ante-sala parecia pronta a recepcionar. Mesmo não possuindo janela ou qualquer fonte de luz natural, era extremamente clara. Não havia nenhum resquício da umidade que contaminava o lado de fora. Um tom creme se apresentava desde os rodapés até a metade das paredes para ser substituído repentinamente pela alvura inconfundível do branco. Alguns poucos bancos encontravam-se ao lado da entrada. Em uma mesa de canto, ao fundo da sala e próxima a porta que dava acesso ao setor principal, uma funcionária dissimulava entreter-se em uma atividade enfadonha, seu fingimento não era capaz de segurar o movimentar de seus olhos que, a cada segundo, percorriam vorazmente a intrigante figura.

Lentamente, a mulher percorreu todo o comprimento da ante-sala até alcançar o limite entre ela e a outra. Apenas nessa hora, sua insegurança se fez nitidamente visível. Ao entrar, a cegueira causada pelo excesso de claridade, pousou por um instante em seus olhos.

A ampla sala era inteira recoberta por um branco ainda mais alvo do que o presente na anterior. Longas prateleiras de arquivos tomavam conta das laterais do aposento. A organização soava sufocante. Uma janela cortava lado a lado a parede oposta à entrada. Não era possível ver qualquer tipo de paisagem, apenas mais claridade, mais alvura e o retornar da cegueira se instalou como um corvo a ruflar suas asas diante de seus olhos.

Seu estado torpe foi interrompido por uma voz vinda do fundo da sala. Sentado à única e imponente mesa em mogno, encontrava-se um homem de aparência gentil. Um sorriso um pouco debochado desenhava-se em seus lábios. Apontando a cadeira à frente de sua mesa disse:

- Pode deixar essa…essa…digo, seu instrumento de trabalho encostado aí no canto. Creio que não será necessário seu uso agora.

Ela sentou-se à cadeira, um pouco desconfortável, procurando o melhor lugar para largar as mãos apreensivas. O sorriso na face do homem ainda se fez presente. Inclinando seu corpo um pouco à frente e apoiando os braços sobre a mesa, ele começou:

- Minha velha companheira, devo dizer que estou um pouco frustrado de ter que te encontrar justo aqui…Gosto de nossas conversas, mas elas são bem melhores fora desta repartição.

-É, também não me agrada estar aqui…

As mãos dele folheavam uma pequena pilha de papel que escondiam, ainda que em pequena parte, o lustroso brilho da mesa. Os olhos seguiam as linhas de palavras presentes nas folhas e a boca começou a balbuciar algo que tornou-se um questionamento:

- Imagino que saiba o porquê de sentar-se a essa cadeira. Confesso que quando os relatórios chegaram fiquei perplexo, não queria acreditar em algo tão sério, vindo de uma funcionária com a sua reputação.

- Se me permite, gostaria de saber qual é a minha reputação?

- Ora, vamos, não estou te reconhecendo. Sabe muito bem que todos aqui admiramos a seriedade com que executa seu trabalho. Até a presente data, não havia nenhum registro de atraso ou descaso de sua parte.

- Sei, pois bem, esta é a minha boa reputação, sempre acatar e cumprir ordens…

A calma e amabilidade com que ele pronunciava as palavras, por um breve instante, pareciam planejar uma fuga veloz de sua expressão. A ela, a sala agora parecia menos clara. Até mesmo a luz que antes dava a impressão de irradiar diretamente da janela ganhava uma certa opacidade. Um suspiro longo aprisionou novamente a tranqüilidade ao rosto dele. Empunhando uma das folhas voltou a falar:

- Vamos aos fatos. Você trouxe onze pessoas para cá que, segundo me consta, não deveriam estar aqui. Foi algum equívoco, ordem de serviço errada ou o quê?

- Elas simplesmente queriam vir… Cruzou as pernas e com o movimento a cadeira lhe pareceu mais confortável, a confiança começou a inundar seu corpo, sentia um ímpeto de contrariá-lo. Porém, a mesma fugacidade que trouxe a emoção esvaneceu-a sob as faíscas que agora pareciam saltitar nos olhos dele.

- Perfeitamente. Entenda o problema. Se é que você ainda pode entendê-lo. Como bem sabe, existem aqui três setores para receber as pessoas que chegam. O Superior, o Meio e o Inferior. Há aqueles que vão direto para o Superior, também temos aqueles que se dirigem rapidamente para o Inferior. Há ainda, os que devem aguardar segunda ordem no Meio, para só então se dirigirem a um dos outros. Mas, até onde eu sei, ainda não temos um setor intitulado “Você Não Deveria Estar Aqui”. Ao pronunciar essas palavras, suas mãos bateram com força sobre a mesa, fazendo as folhas saltarem assustadas. Inclinou-se ainda mais, quase tocando a ponta de seu nariz ao dela. Seus olhos se encontraram, um longo e sonoro suspiro o fez voltar-se reticente a seu antigo ar de calmaria.

- Permita-me explicar. Essa boa reputação que você tanto elogia só me é particular na repartição. Fora dela, ninguém reconhece meu trabalho. Cumpro apenas ordens, como você sabe, mas sou sempre culpada por elas. Ela aproximou-se da mesa e cruzou as mãos um pouco trêmulas sobre ela.

- Não estou entendendo. Seja mais clara. Não existe culpa, apenas ordens. Cumpra-as, como sempre fez. Era quase possível vislumbrar as faíscas trepidando novamente em seu olhar.

- Olhe, é realmente muito fácil dizer isso quando todo o lado positivo pende apenas para o seu. Sua reputação é boa em todos os lugares, não apenas aqui na repartição. Todos te admiram, nunca temem. Mas eu…ow…não! Sou sempre temida, odiada…Todas os dizeres pejorativos caem sobre meu nome.

- Não floreie. Vá direto ao ponto. Ele levantou da mesa dando costas a ela. Seguiu para a janela e lá ficou, como se admirasse uma paisagem inexistente aos olhos dela.

- Ah, senhor Destino. Você sabe muito bem do que estou falando…Quando algo bom acontece, qual a frase que ouvimos? “Oh, como o Destino foi bom comigo”. Se não é tão positivo assim… “Foi o Destino quem quis”. No meu caso é bem diferente….O buraco é mais embaixo: a pessoa agonizando, a família rezando, mas seu apareço para dar uma ajudinha….“Oh, Morte como você não tem pena”… E os casamentos então…. “Até que a Morte os separe”. Que história é essa? Você sabe que a maioria deles nunca sequer começou…

As palavras dela se aglomeravam em frases nervosas, quase não era possível compreendê-las. Ao final da sequência um tanto quanto escandalosa, ele já havia se sentado novamente à cadeira. O sorriso faceiro brincava novamente em seus lábios.

- Então é isso? Você desorganizou a repartição inteira, apenas por ciúme? E o que essas pessoas estão fazendo aqui?

Sua frase ricocheteou pela sala até atingi-la em cheio. O branco das paredes se somava na palidez excessiva do rosto dela. Não ousava mais encará-lo. Mantinha a atenção focada no chão da sala, como se o mesmo transmitisse uma mensagem muito importante a ser decifrada.

- Eu atendi a seus pedidos…

- Como assim?

- Eram umas reclamonas, qualquer coisa besta que lhes acontecia e pronto…. “a vida não vale mais a pena…” “Oh, Morte traga-me alívio”. Não é uma questão de ciúme. Estou a tanto tempo neste trabalho que gostaria de ter iniciativa própria. Acho que poderia muito bem decidir de quem é a hora.

- E como iríamos organizar as coisas se cada um que aqui trabalha, decidisse, por si próprio, que deve tomar iniciativa? O caos estaria construído. Será que sobraria mais alguém fora desta repartição?

- Mas eu tenho mais tempo de serviço que qualquer outro aqui…

- Sim eu sei, mas você só deve executá-lo e não criá-lo. Pense na responsabilidade que anda junto com ditar as regras. Até eu já me peguei pensando que seria melhor apenas obedecê-las.

Um longo silêncio se instalou, a claridade parecia dominar toda a sala novamente e ela quase pôde sentir novamente o corvo-cegueira a bicar seus olhos. Ele tamborilava os dedos sobre a mesa, um novo brilho reluzindo a pena que sentia pela velha amiga invadiu seu olhar.

- Você entende o que esta situação lhe causará?

- Sim…Uma reticência amarga escorria por sua face. Seguiu o movimento da mão dele até o telefone e ouviu com pesar as palavras que se seguiram:

- Preciso que alguém acompanhe a senhora Morte até a saída da repartição. Avise o setor de concursos que temos uma vaga em aberto para o cargo dela.

Os mesmos acompanhantes que a haviam trazido, vieram buscá-la. O caminho até a saída parecia cada vez mais longo sob os olhares curiosos que os seguiam. Lá no fundo, a sala branca se tornava apenas uma lembrança distante e ela não pôde ver o caminhar do Destino até seu antigo instrumento de trabalho.

Recostada na parede, a foice antiga apresentava um brilho sobrenatural. Cativante, inebriante, de fato, fascinante. As mãos dele deslizaram suavemente em seu cabo. Puxou-a para si, experimentou alguns movimentos no ar. Um ar de sê, pintou-se em seu rosto, borrando-se na seqüência com a entrada de outro funcionário que viera para buscar o instrumento.



(Camila Capps - http://apinturadaspalavras.wordpress.com/2012/07/13/a-reparticao/)

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Os outros que ajudam (ou não)


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Muitos anos atrás, conheci um alcoólatra, que, aos 40 anos, quis parar de beber. O que o levou a decidir foi um acidente no qual ele, bêbado, quase provocara a morte da companheira que ele amava, por quem se sentia amado e que esperava um filho dele.


O homem frequentou os Alcoólatras Anônimos. Deu certo, mas, depois de um tempo, houve uma recaída brutal. Desanimado, mas não menos decidido, com o consenso de seu grupo dos AA, o homem se internou numa clínica especializada, onde ficou quase um ano --renunciando a conviver com o filho bebê.

Ele voltou para casa (e para as reuniões dos AA), convencido de que nunca deixaria de ser um alcoólatra --apenas poderia se tornar, um dia, um "alcoólatra abstêmio".

Mesmo assim, um dia, depois de dois anos, ele se declarou relativamente fora de perigo. Naquele dia, o homem colocou o filhinho na cama e, enfim, sentou-se na mesa para festejar e jantar.

E eis que a mulher dele chegou da cozinha erguendo, triunfalmente, uma garrafa de "premier cru" de Château Lafite: agora que ele estava bem, certamente ele poderia apreciar um grande vinho, para brindar, não é?

O homem saiu na noite batendo a porta. A mulher que ele amava era uma idiota? Ou ela era (e sempre tinha sido) companheira, não da vida do marido, mas de sua autodestruição? Seja como for, a mulher dessa história não é um caso isolado.

Quem foi fumante e conseguiu parar, quase certamente encontrou um dia um amigo que lhe propôs um cigarro "sem drama": agora que você parou, vai poder fumar de vez em quando -só um não pode fazer mal.

Também há parentes e próximos que patrocinam qualquer exceção ao regime que você tenta manter estoicamente: se for só hoje, uma massa não vai fazer diferença, nem uma carne vermelha. Seja qual for a razão de seu regime e a autoridade de quem o prescreveu, para parentes e próximos, parece que há um prazer em você transgredir.

Em suma, há hábitos que encurtam a vida, comprometem as chances de se relacionar amorosa e sexualmente e, mais geralmente, levam o indivíduo a lidar com um desprezo do qual ele não sabe mais se vem dos outros ou dele mesmo.

Se você precisar se desfazer de um desses hábitos, procure encorajamento em qualquer programa que o leve a encontrar outros que vivem o mesmo drama e querem os mesmos resultados que você. É desses outros que você pode esperar respeito pelo seu esforço --e até elogio (quando merecido).

Hoje, encontrar esses outros é fácil. Há comunidades on-line de pessoas que querem se livrar de seu sedentarismo, de sua obesidade, do fumo, do alcoolismo, da toxicomania etc. Os membros de uma comunidade registram e transmitem, todos os dias, seus fracassos e seus sucessos. No caso do peso, por exemplo, há uma comunidade cujos membros instalam em casa uma balança conectada à internet: o indivíduo se pesa, e a comunidade sabe imediatamente se ele progrediu ou não.

Parêntese. A balança on-line não funciona pela vergonha que provoca em quem engorda, mas pelos elogios conquistados por quem emagrece. Podemos modificar nossos hábitos por sentirmos que nossos esforços estão sendo reconhecidos e encorajados, mas as punições não têm a mesma eficácia. Ou seja, Skinner e o comportamentalismo têm razão: uma chave da mudança de comportamento, quando ela se revela possível, está no reforço que vem dos outros ("Valeu! Força!").

Já as ideias de Pavlov são menos úteis: os reflexos condicionados existem, mas, em geral, se você estapeia alguém a cada vez que ele come, fuma ou bebe demais, ele não parará de comer, fumar ou beber --apenas passará a comer, fumar e beber com medo.

Volto ao que me importa: por que, na hora de tentar mudar um hábito, é aconselhável procurar um grupo de companheiros de infortúnio desconhecidos? Por que os próximos da gente, na hora em que um reforço positivo seria bem-vindo, preferem nos encorajar a trair nossas próprias intenções?

Há duas hipóteses. Uma é que eles tenham (ou tenham tido) propósitos parecidos com os nossos, mas fracassados; produzindo nosso malogro, eles encontrariam uma reconfortante explicação pelo seu.

Outra, aparentemente mais nobre, diz que é porque eles nos amam e, portanto, querem ser nossa exceção, ou seja, querem ser aqueles que nós amamos mais do que nossa própria decisão de mudar. Como disse Voltaire, "Que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu".




(Contardo Calligaris - Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/1118615-os-outros-que-ajudam-ou-nao.shtml)
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De rei a cão sarnento


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"Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros, cai o rei de paus, não fica nada", dizia Ivan Lins nos anos 1970, repetiu ontem Demóstenes Torres, o segundo senador cassado pelos seus pares em 188 anos.

Estava sendo contraditório. Se ele se é "bode expiatório", como diz, não vai cair mais nenhum rei, nem de ouros nem de paus. Tudo como dantes.

Ontem mesmo, a Câmara começou a inocentar os deputados envolvidos de alguma forma nesse esquemão do Cachoeira que inundava o Centro-Oeste e respingava em toda parte. Só sobrou o tucano Carlos Alberto Lereia para contar a história e ser julgado pelo Conselho de Ética.

Demóstenes, porém, não é só um rei a mais no castelo de cartas que começou a ruir em 29 de fevereiro, com a prisão de Cachoeira e a profusão de fitas. É um rei muito especial. Quanto mais alto, maior é o tombo. Demóstenes desabou do trono.

Como procurador, foi presidente do Conselho Nacional dos Procuradores Gerais de Justiça. Como senador, presidiu a poderosa Comissão de Constituição e Justiça. Filiado ao DEM, era líder do partido no Senado e potencial candidato a vice-presidente da República.

E, como arauto da ética e da moralidade, conquistou respeito e simpatia até mesmo no Supremo e na imprensa. Mas, ao ser cassado, era um ser absolutamente solitário --"cão sarnento". Tudo tinha, nada tem.

Se Renan, Sarney, ACM e Jader tiveram suas tropas de choque, Demóstenes morreu só e seu enterro foi sem choro nem vela. Nem ira nem comemoração, só silêncio. Desolador.

Demóstenes se vai e a CPI tende a ir atrás da campanha municipal, de palanques e holofotes, já que "a justiça foi feita" e o bode já expiou sua culpa. O resto? Deixa a polícia fazer. Reis, rainhas, cavalos e torres vão continuar deslizando em segurança no tabuleiro, até surgirem outros Demóstenes, outros Luiz Estêvão.

Vai demorar. Caiu uma peça, vem o suplente aí. E o jogo continua.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Único bem é impenhorável em dívida de 3º - STJ

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Único bem, penhora, dívida de 3º - STJ


O imóvel onde a família vive é impenhorável no caso de ter sido oferecido como garantia de dívida de terceiro (ainda que seja empresa com a qual a família tenha vínculo) e não como garantia de dívida da entidade familiar. Esse foi o entendimento da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do recurso especial interposto por um casal que teve seu imóvel penhorado.

O Banco Tricury, de São Paulo, moveu ação de execução contra o casal, pretendendo receber o imóvel onde residiam como pagamento do empréstimo feito pela empresa da qual um dos cônjuges era sócio.

Avalistas do empréstimo, eles haviam assinado o contrato com o banco autorizando que seu imóvel fosse colocado como garantia hipotecária. Na fase de execução, requereram a desconstituição da penhora. O juiz negou o pedido.

Único bem

No recurso de apelação para o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o casal sus tentou que o imóvel era o único bem da família, portanto, impenhorável. Afirmou que a hipoteca foi dada em garantia de dívida da empresa e não em garantia de dívida da entidade familiar.

O TJSP entendeu que a penhora seria possível com base no artigo 3º, inciso V, da Lei 8.009/90: “A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido: para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar.”

Além disso, para manter a decisão do magistrado de primeiro grau, o TJSP se apoiou também no fundamento de que não foi comprovado que o imóvel era o único bem da família no momento da penhora.

Prova suficiente

Diante da negativa daquele tribunal, o casal interpôs recurso especial no STJ, sustentando que tanto a doutrina quanto a jurisprudência entendem que o bem de família é aquele no qual reside o casal ou a família, bastando essa prova para que a proteção legal seja aplicada.

Por fim, eles afirmaram que houve divergência em relação ao entendimento do STJ, segundo o qual a exceção do artigo 3º, inciso V, da Lei 8.009 é aplicado apenas no caso em que a dívida é do casal ou da família. Segundo eles, o empréstimo foi concedido pelo banco à empresa da qual um deles é sócio e não a eles, pessoas físicas.

“Nos termos da jurisprudência desta corte, não é necessária a prova de que o imóvel onde reside o devedor seja o único de sua propriedade para o reconhecimento da impenhorabilidade do bem de família, com base na Lei 8.009”, disse o ministro Raul Araújo, relator do recurso especial.

Dívida de terceiro

Ele levou em consideração que a garantia foi prestada para assegurar dívida de terceiro, no caso, a empresa. Citou precedente do STJ, segundo o qual “a possibilidade de penhora do bem de família hipotecado só é admissível quando a garantia foi prestada em benefício da própria entidad e familiar, e não para assegurar empréstimo obtido por terceiro” (Ag 921.299).

Com base em vários precedentes, o ministro sustentou que não se pode presumir que a garantia foi dada em benefício da família, para afastar a impenhorabilidade do bem, com base no inciso V do artigo 3º da lei referida.

A Quarta Turma deu provimento ao recurso especial para anular o acórdão do TJSP e afastar a penhora sobre o imóvel. Ficaram vencidos os ministros Antonio Carlos Ferreira e Isabel Gallotti.

Site STJ (Resp 988915)


(Fonte: www.cavini.adv.br)
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Aumento de gastos para educação pode 'quebrar' Estado, diz Mantega


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O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou hoje que projetos em discussão no Congresso que aumentam os gastos do governo colocam em risco a solidez fiscal do país.

Mantega citou o PNE (Plano Nacional de Educação), que pretende elevar os gastos do governo federal para o equivalente a 10% do PIB, e as pressões por aumentos salariais do funcionalismo.

"Sempre nos deparamos com riscos de que o Parlamento aumente os custos de maneira extraordinária, o que põe em risco a solidez fiscal que conquistamos a muito custo", disse.

O ministro afirmou que o aumento dos gastos em educação para 10% pode "quebrar" o Estado brasileiro.

Ele criticou também os pleitos salariais dos servidores do judiciário. Nas palavras de Mantega, são os servidores que têm os melhores salários e estão pedindo reajuste superior a 50%.

"Nossa folha é de R$ 200 bilhões e temos que ter cuidado. Não podemos brincar em momentos de crise", afirmou Mantega.

Ele também criticou as tentativas de extinguir o fator previdenciário, que diminui a aposentadoria de quem se aposenta com menos de 60 anos (para mulheres) e 65 anos (para homens).

Segundo Mantega, o fim do fator retira a exigência da idade mínima para a aposentadoria, o que só existe em três países do mundo.

Mantega participa hoje de encontro organizado pelo Lide (grupo de líderes empresariais), em São Paulo.





(MARIANA CARNEIRO - http://www1.folha.uol.com.br/poder/1114889-aumento-de-gastos-para-educacao-pode-quebrar-estado-diz-mantega.shtml)

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Ignorância mata

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Sempre mostro aqui exemplos de como as novas tecnologias da informação conseguem, apesar da falta de recursos, tornar as cidades melhores. É o caso de uma experiência lançada hoje para ajudar as pessoas a cuidarem de sua saúde, usando os recursos disponíveis, batizada de São Paulo Saudável (mais detalhes aqui).

É uma rede colaborativa em que se pode saber desde onde encontrar o remédio de graça, passando por consultas e exames, até as ofertas de atividades físicas e lazer. Há uma lista de todas as ofertas gratuitas feitas pelas universidades, muitas vezes desconhecidas. Em essência é um guia colaborativo de bem-estar.

Como mostram as pesquisas eleitorais, saúde está em primeiro lugar na preocupação do cidadão. E um dos problemas da saúde, entre muitos, é a falta de informação.

Sabemos como ignorância mata.

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Ideias, de diferentes candidatos, que valem um bom debate.

Soninha propôs em encontro no Youpix, em São Paulo, a criação de uma Secretaria de Assuntos Digitais para intermediar a relação entre o cidadão, a cidade e os poderes públicos. Para isso, colocaria hackers trabalhando para dar transparência aos dados públicos.

Serra viajou a Nova York para conhecer como funciona lá a organização de dados pelo poder público. A cidade é um laboratório digital e tem mesmo muito a inspirar. Ou seja, foi ao lugar certo.

Haddad conta que, se eleito, colocaria em status de secretário alguém responsável pelo governo eletrônico.


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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Colesterol não é o Inimigo que você foi induzido a crer

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Cirurgião Cardíaco admite enorme erro!



Nós os médicos com todos os nossos treinamentos, conhecimento e autoridade, muitas vezes adquirimos um ego bastante grande, que tende a tornarmos difícil admitir que estamos errados. Então, aqui está. Admito estar errado... 

Como um cirurgião com experiência de 25 anos, tendo realizado mais de 5.000 cirurgias de coração aberto, hoje é meu dia para reparar o erro de médicos com este fato científico.Eu treinei por muitos anos com outros médicos proeminentes rotulados como "formadores de opinião." Bombardeado com a literatura científica, sempre participando de seminários de educação, formuladores de opinião que insistiam que doença cardíaca resulta do fato simples dos elevados níveis de colesterol no sangue.

A terapia aceita era a prescrição de medicamentos para baixar o colesterol e uma severa dieta restringido a ingestão de gordura. Este último é claro que insistiu que baixar o colesterol e doenças cardíacas. Qualquer recomendação diferente era considerada uma heresia e poderia possivelmente resultar em erros médicos.

Ela não está funcionando! Estas recomendações não são cientificamente ou moralmente defensáveis. A descoberta, há alguns anos que a inflamação na parede da artéria é a verdadeira causa da doença cardíaca é lenta, levando a uma mudança de paradigma na forma como as doenças cardíacas e outras enfermidades crônicas serão tratados.

As recomendações dietéticas estabelecidas há muito tempo ter criado uma epidemia de obesidade e diabetes, cujas consequências apequenam qualquer praga histórica em termos de mortalidade, o sofrimento humano e terríveis consequências econômicas.

Apesar do fato de que 25% da população tomar caros medicamentos a base de estatina e, apesar do fato de termos reduzido o teor de gordura de nossa dieta, mais americanos vão morrer este ano de doença cardíaca do que nunca. Estatísticas do American Heart Association, mostram que 75 milhões dos americanos atualmente sofrem de doenças cardíacas, 20 milhões têm diabetes e 57 milhões têm pré-diabetes. Esses transtornos estão a afetar pessoas cada vez mais jovens em maior número a cada ano.

Simplesmente dito, sem a presença de inflamação no corpo, não há nenhuma maneira que faça com que o colesterol se acumule nas paredes dos vasos sanguíneos e cause doenças cardíacas e derrames. Sem a inflamação, o colesterol se movimenta livremente por todo o corpo como a natureza determina. É a inflamação que faz o colesterol ficar preso.

A inflamação não é complicada - é simplesmente a defesa natural do corpo a um invasor estrangeiro, tais como toxinas, bactéria ou vírus. O ciclo de inflamação é perfeito na forma como ela protege o corpo contra esses invasores virais e bacterianos. No entanto, se cronicamente expor o corpo à lesão por toxinas ou alimentos no corpo humano, para os quais não foi projetado para processar, uma condição chamada inflamação crônica ocorre. A inflamação crônica é tão prejudicial quanto a inflamação aguda é benéfica.

Que pessoa ponderada voluntariamente exporia repetidamente a alimentos ou outras substâncias conhecidas por causarem danos ao corpo? Bem, talvez os fumantes, mas pelo menos eles fizeram essa escolha conscientemente. O resto de nós simplesmente seguia a dieta recomendada correntemente, baixa em gordura e rica em gorduras poli-insaturadas e carboidratos, não sabendo que estavam causando prejuízo repetido para os nossos vasos sanguíneos. Esta lesão repetida cria uma inflamação crônica que leva à doença cardíaca, diabetes, ataque cardíaco e obesidade.
Deixe-me repetir isso. A lesão e inflamação crônica em nossos vasos sanguíneos é causada pela dieta de baixo teor de gordura recomendada por anos pela medicina convencional.

Quais são os maiores culpados da inflamação crônica? 

Simplesmente, são a sobrecarga de simples carboidratos altamente processados ​​(açúcar, farinha e todos os produtos fabricados a partir deles) e o excesso de consumo de óleos ômega-6 (vegetais como soja, milho e girassol), que são encontrados em muitos alimentos processados.

Imagine esfregar uma escova dura repetidamente sobre a pele macia até que ela fique muito vermelho e quase sangrando. Faça isto várias vezes ao dia, todos os dias por cinco anos. Se você pudesse tolerar esta dolorosa escovação, você teria um sangramento, inchaço e infecção da área, que se tornaria pior a cada lesão repetida. Esta é uma boa maneira de visualizar o processo inflama tório que pode estar acontecendo em seu corpo agora.


Independentemente de onde ocorre o processo inflamatório, externamente ou internamente, é a mesma. Eu olhei dentro de milhares e milhares de artérias. Na artéria doente parece que alguém pegou uma escova e esfregou repetidamente contra a parede da veia. Várias vezes por dia, todos os dias, os alimentos que comemos criam pequenas lesões compondo em mais lesões, fazendo com que o corpo responda de forma contínua e adequada com a inflamação.

Enquanto saboreamos um tentador pão doce, o nosso corpo responde de forma alarmante como se um invasor estrangeiro chegasse declarando guerra. Alimentos carregados de açúcares e carboidratos simples, ou processados ​​com óleos omega-6 para durar mais nas prateleiras foram a base da dieta americana durante seis décadas. Estes alimentos foram lentamente envenenando a todos.

Como é que um simples bolinho doce cria uma cascata de inflamação fazendo-o adoecer?

Imagine derramar melado no seu teclado, ai você tem uma visão do que ocorre dentro da célula. Quando consumimos carboidratos simples como o açúcar, o açúcar no sangue sobe rapidamente. Em resposta, o pâncreas segrega insulina, cuja principal finalidade é fazer com que o açúcar chegue em cada célula, onde é armazenado para energia. Se a célula estiver cheia e não precisar de glicose, o excesso é rejeitado para evitar que prejudique o trabalho.

Quando suas células cheias rejeitarem a glicose extra, o açúcar no sangue sobe produzindo mais insulina e a glicose se converte em gordura armazenada.

O que tudo isso tem a ver com a inflamação? O açúcar no sangue é controlado em uma faixa muito estreita. Moléculas de açúcar extra grudam-se a uma variedade de proteínas, que por sua vez lesam as paredes dos vasos sanguíneos. Estas repetidas lesões às paredes dos vasos sanguíneos desencadeiam a inflamação. Ao cravar seu nível de açúcar no sangue várias vezes por dia, todo dia, é exatamente como se esfregasse uma lixa no interior dos delicados vasos sanguíneos.

Mesmo que você não seja capaz de ver, tenha certeza que está acontecendo. Eu vi em mais de 5.000 pacientes que operei nos meus 25 anos que compartilhavam um denominador comum - inflamação em suas artérias.

Voltemos ao pão doce. Esse gostoso com aparência inocente não só contém açúcares como também é cozido em um dos muitos óleos omega-6 como o de soja. Batatas fritas e peixe frito são embebidos em óleo de soja, alimentos processados ​​são fabricados com óleos omega-6 para alongar a vida útil. Enquanto ômega-6 é essencial - e faz parte da membrana de cada célula controlando o que entra e sai da célula - deve estar em equilíbrio correto com o ômega-3.

Com o desequilíbrio provocado pelo consumo excessivo de ômega-6, a membrana celular passa a produzir substâncias químicas chamadas citocinas, que causam inflamação.Atualmente a dieta costumeira do americano tem produzido um extremo desequilíbrio dessas duas gorduras (ômega-3 e ômega-6). A relação de faixas de desequilíbrio varia de 15:1 para tão alto quanto 30:1 em favor do ômega-6. Isso é uma tremenda quantidade de citocinas que causam inflamação. Nos alimentos atuais uma proporção de 3:1 seria ideal e saudável.

Para piorar a situação, o excesso de peso que você carrega por comer esses alimentos, cria sobrecarga de gordura nas células que derramam grandes quantidades de substâncias químicas pró-inflamatórias que se somam aos ferimentos causados por ter açúcar elevado no sangue. O processo que começou com um bolo doce se transforma em um ciclo vicioso que ao longo do tempo cria a doença cardíaca, pressão arterial alta, diabetes e, finalmente, a doença de Alzheimer, visto que o processo inflamatório continua inabalável.

Não há como escapar do fato de que quanto mais alimentos processados e preparados consumirmos, quanto mais caminharemos para a inflamação pouco a pouco a cada dia. O corpo humano não consegue processar, nem foi concebido para consumir os alimentos embalados com açúcares e embebido em óleos omega-6.

Há apenas uma resposta para acalmar a inflamação, é voltar aos alimentos mais perto de seu estado natural. Para construir músculos, comer mais proteínas. Escolha carboidratos muito complexos, como frutas e vegetais coloridos. Reduzir ou eliminar gorduras omega-6 causadoras de inflamações como óleo de milho e de soja e os alimentos processados ​​que são feitas a partir deles. Uma colher de sopa de óleo de milho contém 7.280 mg de ômega-6, de soja contém 6.940 mg. Em vez disso, use azeite ou manteiga de animal alimentado com capim.As gorduras animais contêm menos de 20% de ômega-6 e são muito menos propensas a causar inflamação do que os óleos poli-insaturados rotulados como supostamente saudáveis. 

Esqueça a "ciência" que tem sido martelada em sua cabeça durante décadas. A ciência que a gordura saturada por si só causa doença cardíaca é inexistente. A ciência que a gordura saturada aumenta o colesterol no sangue também é muito fraca. Como sabemos agora que o colesterol não é a causa de doença cardíaca, a preocupação com a gordura saturada é ainda mais absurda hoje.

A teoria do colesterol levou à nenhuma gordura, recomendações de baixo teor de gordura que criaram os alimentos que agora estão causando uma epidemia de inflamação.

A medicina tradicional cometeu um erro terrível quando aconselhou as pessoas a evitar a gordura saturada em favor de alimentos ricos em gorduras omega-6. Temos agora uma epidemia de inflamação arterial levando a doenças cardíacas e a outros assassinos silenciosos.

O que você pode fazer é escolher alimentos integrais que sua avó servia (frutas, verduras, cereais, manteiga, banha de porco) e não aqueles que sua mãe encontrou nos corredores de supermercado cheios de alimentos industrializados. Eliminando alimentos inflamatórios e aderindo a nutrientes essenciais de produtos alimentares frescos não-processados, você irá reverter anos de danos nas artérias e em todo o seu corpo causados pelo consumo da dieta típica americana.

O ideal é voltarmos aos alimentos naturais e muito trabalho físico (exercícios).




(Dr. Dwight Lundell é ex-Chefe de Gabinete e Chefe de Cirurgia no Hospital do Coração Banner, Mesa, Arizona. Sua prática privada, Cardíaca Care Center foi em Mesa, Arizona. Recentemente, Dr. Lundell deixou a cirurgia para se concentrar no tratamento nutricional de doenças cardíacas. Ele é o fundador da Fundação Saúde dos Humanos, que promove a saúde humana com foco na ajuda às grandes corporações promover o bem estar. Ele é o autor de "A Cura para a Doença Cardíaca e A Grande Mentira do Colesterol")
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sexta-feira, 15 de junho de 2012

INSS sobre horas extras - TRF1

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A 8.ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1.ª Região reconheceu o direito pleiteado pelas autoras de não terem desconto relativo à contribuição previdenciária sobre verbas de horas extras, consideradas de caráter indenizatório.

Conforme a relatora, desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, não há dúvidas de que só podem sofrer incidência da contribuição previdenciária as parcelas incorporadas ao salário do empregado para fins de aposentadoria pelo RGPS. E, para rechaçar qualquer posição contrária, a magistrada fundamentou o voto no § 9.º do art. 28 da Lei 8.212/1991, que dispõe que não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário.

Na doutrina de Maurício Godinho Delgado, enfocada pela relatora, a jornada extraordinária é o lapso de trabalho ou disponibilidade do empregado perante o empregador que ultra passe a jornada padrão, fixada em regra jurídica ou cláusula contratual. O trabalhador, portanto, ao sacrificar o tempo de que dispunha para o seu descanso, lazer e convívio familiar, recebe a verba adicional à hora trabalhada como indenização.

Reforçando o entendimento sobre a questão, a desembargadora destacou a posição doutrinária do professor Ives Gandra Martins, inserida no artigo intitulado “A Natureza Não Salarial do Adicional de Horas Extras: Caráter Indenizatório e Não Sujeição à Incidência do Imposto Sobre a Renda e das Contribuições Sociais”, de que o STJ já decidiu, sumulando, inclusive, a matéria, que “os Juízes que trabalham em Câmaras de Férias não recebem, por seu trabalho, vencimentos, mas indenização, visto que sacrificam, a bem do serviço público, seu lazer, para julgar questões, hoje em número maior do que a capacidade do Poder Judiciário de atender aos jurisdicionados”.

Assessoria de Comunicação Social do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (Processo 0029433-20.2010.4.01.3400/DF)



(Fonte: www.cavini.adv.br)

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Como mudam os valores ao longo do tempo...

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Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:

- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis com o ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse:

- Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu:

- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora.

Sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso ambiente.

- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o ambiente.

Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja.

A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios.

Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos.

Canetas: recarregávamos com tinta tantas vezes ao invés de comprar outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Não é risível que a atual geração fale tanto em "meio ambiente" mas não queira abrir mão de nada, nem pense em viver um pouco como na minha época?



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Agora que voce já leu o desabafo, envie para os seus amigos que têm mais de 50 anos de idade , e para os merdinhas que tem tudo nas mãos e só sabem criticar os mais velhos...
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Único bem, penhorabilidade - STJ

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Caso ocorra esvaziamento do patrimônio do devedor em ofensa ao princípio da boa-fé, a impenhorabilidade do imóvel ocupado pela família pode ser afastada. A Terceira Turma do STJ adotou essa posição em recurso movido por sócio de uma construtora contra julgado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). A Turma, de forma unânime, negou o recurso do sócio.

O recurso refere-se à ação de execução ajuizada em 1995 por consumidor que entrou num plano de aquisição de imóvel ainda na planta, a ser construído pela empresa. Porém, mesmo após o pagamento de parte substancial do valor do apartamento, as obras não foram iniciadas. Verificou-se que a construtora havia alienado seu patrimônio e não teria como cumprir o contrato. Em 2011, foi pedida a desconsideração da personalidade jurídica da empresa, de modo que a obrigação pudesse ser cumprida com o patrimônio pessoal dos sócios.

Após a desconsideração, o imóvel residencial de um dos sócios foi penhorado. Essa penhora foi impugnada pelo empresário sob o argumento que se trata de bem de família, único que teria para residir. Entretanto, o TJRJ considerou que houve esvaziamento patrimonial, com a intenção de evitar a quitação do débito. Também considerou que a parte não conseguiu afastar a presunção de fraude à execução.

Princípio da boa-fé

Houve então o recurso ao STJ, com a alegação de ofensa ao artigo 3º da Lei 8.009/90, que estabelece ser impenhorável o bem de família. Segundo a defesa, o artigo estende a impenhorabilidade contra débitos trabalhistas, fiscais e de execução civil. Também invocou o artigo 593 do Código de Processo Civil (CPC), que define a alienação ou oneração de bens como fraude de execução se há ação pendente sobre eles.

Todavia, a relatora do processo, ministra Nancy Andrighi, afirmou que nenhuma norma do sistema jurídico pode ser entendida apartada do princípio da boa-fé. “Permitir que uma c lara fraude seja perpetrada sob a sombra de uma disposição legal protetiva implica, ao mesmo tempo, promover injustiça na situação concreta e enfraquecer, de maneira global, o sistema de especial proteção objetivado pelo legislador”, afirmou. Ela destacou que o consumidor tentou adquirir sua moradia de boa-fé e, mais de 15 anos depois, ainda não havia recuperado o valor investido.

Nancy Andrighi também observou que, segundo os autos, o consumidor estaria inadimplente e correndo risco de perder o imóvel em que reside com sua família. “Há, portanto o interesse de duas famílias em conflito, não sendo razoável que se proteja a do devedor que vem obrando contra o direito, de má-fé”, asseverou. Para a ministra, quando o sócio da construtora alienou seus bens, exceto o imóvel em que residia, durante o curso do processo, houve não só fraude à execução mas também à Lei 8.009/90. Na visão da magistrada, houve abuso do direito, que deve ser reprimido.

Por fim, ela refutou o arg umento de que as alienações ocorreram antes do decreto de desconsideração da personalidade jurídica e, portanto, seriam legais. A ministra apontou que, desde o processo de conhecimento, a desconsideração já fora deferida e o patrimônio pessoal do sócio já estava vinculado à satisfação do crédito do consumidor.


(STJ (Resp 1299580) - Fonte: www.cavini.adv.br)

terça-feira, 12 de junho de 2012

Crônica para a namorada madura

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Pois assim como a noite vinda depois do dia, que não mais pode ser da natureza do dia, mas no seu escuro, nas suas estrelas, tem um encanto, que por ser diverso daquele do dia não deixa de ser um encanto. Assim como nas sucessões físicas, temporais, de toda a natureza, da flor que fenece e cai e se ergue em outra a partir dos grãos derramados, até a onda do mar que se espraia e se desfaz e se refaz dos seus restos em nova onda, assim também o amor dos primeiros anos, que resistiu à inconstância da paixão, se faz sentimento curtido, de marcas e rugas que entranham o sol, organizando-se em nova pele. Ainda que sem a elasticidade e frescor dos primeiros anos, vem o sabor íntimo do vinho de que se aprendeu a gostar, uma cumplicidade de lições apreendidas no toque sem palavras, que o rebento dos primeiros fogos não alcançava.

Pois não é próprio do fogo o consumo e o autoconsumo, voraz no incêndio e lento depois até as brasas que por fim esfriam? Pois sendo natural do fogo a destruição inexorável, linear e de sentido único, do começo para o fim, do começo para o fim, e sempre, é no entanto mais próprio da coisa humana o guardar semelhança com os fenômenos naturais, mas sem se deixar reduzir ao que não tem o salto e a qualidade da natureza da gente. Se os primeiros anos de amor são um fogo sem medida, e ao dizer isso guardamos apenas uma cômoda aproximação, pois não são exatamente um fogo a loucura e a impulsividade e o não ter limites os atos e ações daqueles anos, menos própria será a comparação do amor que amadurece ao fogo que lentamente se apaga. Pois se esse amor guarda correspondência com o próprio amadurecimento da gente, e portanto faz sua casa nas rugas do nosso rosto, e por rugas lembramos sempre os efeitos do sol ao longo do tempo na matéria couro de nosso semblante, isto não quer dizer, a continuar nesse processo, que o amor que amadurece, por lembrar sol e destruição do frescor, venha a ser um inventário de perdas.

Pois ainda que assim fosse, a esta altura já aprendemos que as perdas na vida não são um número frio, acabado e fechado, afetado de um sinal negativo. Diríamos, num primeiro impulso, que elas se reservam em experiência. Dizendo menos mal, diríamos que as perdas na vida organizam um novo ser, aquele ser que sabe porque aprendeu que a vitória não é bem um metódico e unidirecional fazer a coisa certa. Que a vitória é um fazer inúmeras coisas erradas, que ao receberem uma reflexão e um julgamento iluminam o fazer a coisa menos errada. Que a vitória sobre as trevas é como um labirinto que oculta um caminho secreto e inteligível até a maravilhosa saída. Mas ainda aí, nessa tradução de perdas, o amor amadurecido ainda não é alcançado. Pois para ele, para esse amor que sofreu mudanças ao longo dos anos, o que há e o que houve não são nem foram exatamente perdas. Por exemplo, é exatamente uma perda o não levar a amada para a cama com a mesma frequência dos primeiros tempos? Um cínico, míope, como todos os cínicos, diria que sim. Que uma coisa é fazer sexo, e aqui mais se mostra a miopia ao fazer equivalentes o amor e o sexo, pois uma coisa seria fazer sexo três vezes por dia nos 30 dias de um mês, todos os meses, e outra bem diferente é fazer sexo quando Deus, a conveniência, a oportunidade e as forças forem servidas. Já nessa resposta o cínico não vê a etapa superior que é o prazer que conhece sobre a fome onívora. Enquanto o primeiro evita caminhos precários, já trilhados, a segunda vai às cegas até atingir uma provisória satisfação sempre insatisfeita.

É claro que o amor que amadurece não nos deixa menos carnais, mais virtuosos ou santos. Ele, de um ponto de vista mais pragmático, nos deixa mais perceptivos da bagagem que ao longo da jornada acumulamos. De um ponto de vista menos prático, menos visivelmente prático, queremos dizer, esse amor é a transformação daquele sentimento juvenil que só desejava a própria satisfação. Que em vez de abrigar buscava urgente abrigo. Em lugar da busca de formas perfeitas, e sabe-se lá o que a carência idealizava como perfeitas, coxas, busto, ventre, rosto, perfume e fetiches ativos e exuberantes, esse amor maduro põe a compreensão de que a estação das formas fôrmas não se guarda nua em mármore. Que aquela pedra é forma oca de experiência. Mas que nem por isso esse amor transformado é um sentimento outonal, do ocaso. Ele não é como o sentimento de alguém que vê a chuva batendo na janela, e aconchegado no calor da sala se diz, “para a rua não poderei mais sair”. Ele é apenas, talvez, uma doce intimidade conquistada. Sujeito a trovoadas, tempestades, pois a vida não é de paz, dentro e fora do sentimento. Mas sem aquelas soluções terminativas, definitivas, dos arroubos sectários dos primeiros anos, “ou isto ou aquilo”.

Esse amor maduro diz melhor, fala melhor às sístoles e diástoles do coração amadurecido. Dele fala melhor o que não é conceito, ao que é essencial encarnado no destino mesmo da gente. E o essencial é que as rugas, as gorduras, os ossos frágeis do objeto que se ama se revelam uma fortaleza. O amor que amadurece ama a pessoa exatamente nesse tempo de decadência física, e por essas, e por causa mesmo dessas formas. As fragilidades físicas se tornam uma qualidade, pois remetem a uma história comum. Esse amor apenas deseja dizer, “saiba que aprendi muito a amar as suas rugas”. O que quer dizer, ele, esse novo amor, não quer vê-la sozinha, ele a quer a seu lado nos próximos, nos poucos e infelizmente poucos anos que lhes restam. Como flores na praia açoitadas pelo vento, até que venham as ondas e tudo cubram.





(Do livro de Urariano Mota, Soledad no Recife - Fonte: http://boitempoeditorial.wordpress.com/2012/06/12/cronica-para-a-namorada-madura)
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