domingo, 13 de maio de 2012

Indiferença

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Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado

passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto.
E assim fazemos, como se com isto,
pudéssemos varrer nosso passado.


Passo esquecido de te olhar, coitado!
Vais, coitada, esquecida de que existo.
Como se nunca me tivesses visto,
como se eu sempre não te houvesse amado


Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos,
se quando passo, teu olhar me alcança
se meus olhos te alcançam quando vais.


Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos.
Volta-nos sempre a pálida lembrança. 
Daqueles tempos que não voltam mais!




(Guilherme de Almeida)
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