domingo, 27 de dezembro de 2009

Amor sem correntes

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Em seu livro, "O Profeta", Kalil Gibran fala do matrimônio com grande sabedoria. Vamos comentar algumas frases a fim de retirar delas ensinamentos úteis. Referindo-se ao casal, diz Gibran: "amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão".

Desconhecendo ou ignorando essa importante orientação, muitos casais transformam o amor em verdadeiras cadeias para ambas as partes. O amor deve ser espontâneo. Não pode ser motivo de brigas e exigências descabidas.

O amor compreende: não deve se constituir em grilhões que prendem e infelicitam. Por vezes, em nome do amor, nós queremos que nosso companheiro ou companheira faça somente o que julgamos por bem. Só corta o cabelo quando permitimos. Só pode usar as roupas que aprovamos. Só sai se for em nossa companhia e não pode violar as regras estabelecidas pelo nosso egoísmo, para evitar brigas. Isso não é amor, é prisão. Amar sem escravizar, eis o grande desafio.

E o Profeta aconselha: "dai de vosso pão um ao outro, mas não comais do mesmo pedaço.Isso significa dizer que devemos compartilhar, ser gentil, dar do nosso pedaço, mas sem exigir nada em troca. É comum depois da gentileza vir a cobrança. Fazemos um favor e esperamos logo alguma recompensa. Pretendemos tirar alguma vantagem. Dividir o pão, sim, mas não comer do mesmo pedaço. Isso quer dizer deixar ao outro o direito que lhe cabe do pedaço.

E Gibran continua: "cantai e dançai juntos, e sede alegres, mas deixai cada um de vós estar sozinho". É importante compartilhar, mas saber respeitar a individualidade um do outro, sem invadir a intimidade da pessoa amada. Há pessoas que, se pudessem, controlariam até mesmo o pensamento do seu par, a ponto de torná-lo a sua própria sombra. Isso não é amor, é extremado desejo de posse.

Mais uma vez Kalil Gibran aconselha: "vivei juntos, mas não vos aconchegueis em demasia, pois as colunas do templo erguem-se separadamente, e o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro." Grande ensinamento podemos retirar daí, pois a comparação é perfeita.

Viver juntos, mas cada um respeitar o espaço do outro. O lar é um templo que deve ser sustentado por duas colunas: cada uma na sua posição para que realmente haja apoio. Se as colunas se aconchegam em demasia, o templo pode desabar. Por isso o profeta recomenda: "vivei juntos mas não vos aconchegueis em demasia."

O amor tem por objetivo a união e não a fusão dos seres. Não se pode querer viver a vida do outro, controlar os gostos e até mesmo os desgostos da pessoa com quem nos casamos. É preciso que cada um cresça e permita o crescimento do outro, sem fazer sombra um para o outro.

Se os casais observassem esses pequenos mas eficientes conselhos, certamente teriam uma convivência mais harmônica e mais agradável. O verdadeiro amor é aquele que compreende, perdoa, renuncia. Em nome do amor devemos estender a mão para oferecer apoio e não para acorrentar. Quem ama propicia segurança, confiança e afeto.

Lembre-se de que a pessoa com quem você convive não lhe pertence. É uma alma em busca do próprio aperfeiçoamento, tanto quanto você. Lembre-se também que beijos e abraços só têm valor se não forem cobrados. E, por fim, guarde a recomendação do profeta:

"Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão".

(Edite Malaquias -Fonte: Gibran Kalil Gibran, O Profeta, pág. 13 In: www.momento.com.br - www.acessepiaui.com.br)