domingo, 3 de fevereiro de 2013

No Facebook, a inveja em escala global

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FALSA FELICIDADE -  Quando estudava em Milão, Laíse Nogueira exibia fotos sorridentes na web: “Meus amigos se mordiam, mas eu me sentia solitária por não estar com eles no Brasil
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FALSA FELICIDADE - Quando estudava em Milão, Laíse Nogueira exibia fotos sorridentes na web: “Meus amigos se mordiam, mas eu me sentia solitária por não estar com eles no Brasil




No clássico A Conquista da Felicidade, de 1930, o filósofo britânico Bertrand Russell definiu um sentimento devastador: “De todas as características da natureza humana, a inveja é a mais desafortunada. O invejoso não só deseja a desgraça, como é rendido à infelicidade”. Russell entendia a inveja como uma emoção universal, que hora ou outra desperta em qualquer um. 

Morto em 1970, ele não se surpreenderia - pelo contrário, provavelmente acharia natural - com o fato de a internet, o meio de comunicação global que define nosso tempo, ser agora uma ferramenta a instigar esse sentimento angustiante. 

Não é difícil entender por que é assim. Só é possível invejar aquilo que se vê ou conhece, e a web multiplicou o que se pode saber sobre a vida alheia. 

Um estudo realizado pela Universidade Humboldt em conjunto com a Universidade Técnica de Darmstadt, ambas na Alemanha, publicado na semana passada, é a primeira tentativa de medir cientificamente a intensidade dessa emoção na internet. A conclusão é espantosa: uma em cada cinco pessoas ouvidas na pesquisa aponta o Facebook como a origem de sua experiência de inveja. 

Um bilhão de pessoas, um sétimo da população mundial, participam dessa rede social. O que fazem nela, basicamente, é colocar fotos, contar detalhes pessoais ou simplesmente fofocar. 

Sabe-se, pelas pesquisas, que parte considerável desses usuários mantém uma atitude passiva no Facebook. Apesar de passarem muito tempo on-line, limitam-se a seguir o que é postado por amigos que parecem ser mais felizes e saber aproveitar melhor a vida. 

Nesse cenário, eles se sentem solitários, excluídos do ciclo de atividade, felicidade e camaradagem on-line das outras pessoas. É nesse caldo de cultura que nasce a gama de emoções angustiantes dissecadas pelos pesquisadores alemães.





(Filipe Vilicic - Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/no-facebook-a-inveja-em-escala-global)
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