segunda-feira, 4 de maio de 2009

A gente somos burros de carga! Burros mesmo!!!



No Brasil de anormalidades infinitas, tudo é normal

“É normal”. “É natural”. “Esse tipo coisa acontece há 50 anos”. “Não há crime”. “Não existe ilegalidade”. “Isso sempre foi assim”.

Endossada por Lula, a reação dos congressistas à utilização da coisa pública em benefício privado esfrega na cara do país uma revelação.

Geeeente, “sempre foi assim!”. Mais do que um raciocínio, é um bordão. Ou, por outra, é o lema de uma classe.

Os chatos que infestam o país, sobretudo os jornalistas, não dão o devido valor à tradição que está embutida na apropriação do alheio.

Os pessimistas não se dão conta da beleza que salta da prática transmitida pelos homens de bens, de geração para geração. “É normal”.

O belo está no sólido, no imutável. Quando um parlamentar voa com a família para Paris, ele dá um sentido hierárquico à vida nacional.

Põe a bugrada no seu devido lugar. Mostra aos deserdados da sorte que nem tudo é tristeza no Brasil. Alguém está feliz acima deles.

Há estabilidade na rotina brasileira. A pobreza –material e de espírito— é perene. Mas também o privilégio alcançou a vida eterna. “É natural”.

Nem tudo está perdido. A madame foi a Miami com os filhinhos. Refugiou-se na melhor hospedaria de Boca Raton. Comprou vestidos novos.

Que diabos, queriam o quê? Que a patroa do deputado se exibisse em trapos? Por acaso desejam socializar as mazelas da nação? E a tradição, como fica?

O ministro do STF foi à sala Vip? Livrou-se do aperelho de “raio X” da PF? Esquivou-se da revista na alfândega? E daí? Geeente, “sempre foi assim”.

A filha de FHC virou funcionária fantasma do Senado? “Não há crime”. Trabalhava no Planalto, sob o pai-presidente. Natural que obtivesse outra boquinha.

Quando a anormalidade é muita, tudo passa a ser “normal”. Os incentivos fiscais, os fabulosos lucros da banca, a rolagem das dívidas dos sonegadores eternos...

...O empreguismo estatal, o tilintar de verbas no Congresso. “Natural, sempre foi assim, é a tradição”.

Com sua implicância desmedida, a imprensa frangou a grande revelação: muita coisa melhorou no país!
Junto com a estabilidade da moeda, veio a solidez do modelo político. Mudar, sim. Mas tudo tem limites.

De resto, quem disse que o melhor está no novo? Será que não vêem o progresso que viceja nas franjas do privilégio? Às favas com a cegueira da moral protestante!

Viva a tradição secular do patrimonialismo que assegura aos miseráveis a visão pródiga dos brasileiros finos e bem-nutridos.

Há que ter orgulho desse Brasil regido por normas sólidas. É um país perpétuo, imutável. Uma nação que, por estável, oferece ao mundo exemplos de evolução.

Entre nós, o universo da política é feito à base de adaptações que asseguram a estabilidade do modelo.

Veja o caso do Maluf. Integrou-se ao consórcio que dá suporte congressual ao Lula. O Quércia, outro símbolo do Brasil estável, já se acertou com o Serra.

“É normal”. “É natural”. “Isso sempre foi assim”. Por que haveria de mudar?

Blog do Josias de Souza às 18h07 UOL

-------------------------------------------------------------------------------------

O fabuloso hábito de o Estado brasileiro trabalhar para oferecer privilégio para a casta que se ocupa do poder.

Em Brasília, como se sabe, o costume é pedir um apoio. Uma ajuda. Uma facilidade.

Foi o que fez o Senado em julho de 2008 ao pedir “apoio” para o então diretor geral da Casa, Agaciel Maia, que viajaria em férias com 7 integrantes de sua família para um tour pela Europa (Paris, Roma e Londres, nessa ordem). Agaciel perdeu o cargo recentemente –depois de ter se enrolado com a declaração de sua casa brasiliense à Justiça.
... ... ...

Blog do Fernando Rodrigues 08h54 - 02/05/2009 UOL