segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Deus

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Eu me lembro ! Eu me lembro ! — Era pequeno

E brincava na praia; o mar bramia

E, erguendo o dorso altivo, sacudia

A branca escuma para o céu sereno.


E eu disse a minha mãe nesse momento:

Que dura orquestra ! Que furor insano !

Que pode haver maior que o oceano,

Ou que seja mais forte do que o vento ?”


Minha mãe a sorrir olhou p’ ros céus

E disse: — Um Ser que nós não vemos

É maior do que o mar que nós tememos,

Mais forte que o tufão ! meu filho, é — Deus !“



Casimiro José Marques de Abreu

(Barra de São João, 4 de janeiro de 1839Nova Friburgo, 18 de outubro de 1860)

Biografia

Filho de um abastado comerciante e fazendeiro português, e de Luísa Joaquina das Neves, uma fazendeira viúva. A localidade onde nasceu, Barra de São João, é hoje distrito do município que leva seu nome, e também chamada "Casimirana", em sua homenagem. Recebeu apenas a instrução primária no Instituto Freeze, dos onze aos treze anos,em Nova Friburgo, então cidade de maior porte da região serrana do estado do Rio de Janeiro, e para onde convergiam, à época, os adolescentes induzidos pelos pais a se aplicarem aos estudos.

Aos treze anos transferiu-se para o Rio de Janeiro para trabalhar com o pai no comércio. Com ele, embarcou para Portugal em 1853, onde entrou em contato com o meio intelectual e escreveu a maior parte de sua obra. O seu sentimento nativista e as saudades da família escreve: "estando a minha casa à hora da refeição, pareceu-me escutar risadas infantis da minha mana pequena. As lágrimas brotavam e fiz os primeiros versos de minha vida, que teve o título de Ave Maria".

Em Lisboa, foi representado seu drama Camões e o Jau em 1856, que foi publicado logo depois.

Litografia de Casimiro de Abreu em rótulo de cigarro.

Seus versos mais famosos do poema Meus oito anos: Oh! Que saudades que tenho/da aurora da minha vida,/ da minha infância querida/que os anos não trazem mais!/ Que amor, que sonhos, que flores,/naquelas tardes fagueiras,/ à sombra das bananeiras,/ debaixo dos laranjais!

Em 1857 retornou ao Brasil para trabalhar no armazém de seu pai. Isso, no entanto, não o afastou da vida boêmia. Escreveu para alguns jornais e fez amizade com Machado de Assis. Escolhido para a recém fundada Academia Brasileira de Letras, tornou-se patrono da cadeira número seis.

Tuberculoso, retirou-se para a fazenda de seu pai, Indaiaçu, hoje sede do município que recebeu o nome do poeta, onde inutilmente buscou uma recuperação do estado de saúde, vindo ali a falecer. Foi sepultado conforme desejo onde nasceu, estando sua lápide no cemitério da secular Capela de São João Batista, em Barra de São João, junto ao túmulo do pai. Em 1859 editou as suas poesias reunidas sob o título de Primaveras.

Espontâneo e ingênuo, de linguagem simples, tornou-se um dos poetas mais populares do Romantismo no Brasil. Deixou uma obra cujos temas abordavam a casa paterna, a saudade da terra natal e o amor (mas este tratado sem a complexidade e a profundidade tão caras a outros poetas românticos).

A localidade de Barra de São João passou a se chamar "Casimiro de Abreu" em sua homenagem.

(Fontes: www.antoniomiranda.com.br/.../casimiro_de_abreu.html e http://pt.wikipedia.org/wiki/Casimiro_de_Abreu)