sábado, 12 de dezembro de 2009

Estou Velho

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Não gosto dos sem terra. Dizem que isto é ser reacionário, mas não gosto de vê-los invadindo fazendas, parando estradas, ocupando linhas de trens, quebrando repartições públicas, tentando parar o lento progresso do Brasil.

Estou velho.

Não acredito em cotas para negros e índios. Dizem que sou racista. Mas para mim racista é quem julga negros e índios incapazes de competir com os brancos em pé de igualdade. Eu acho que a cor da pele não pode servir de pretexto para discriminar mas também não devia ser fonte para privilégios imerecidos provocando cenas ridículas de brancos querendo se passar por negros.

Estou velho.

Não sei se embrião tem vida ou não. Mas mesmo que tivesse não teria o menor remorso em sacrificar vários que certamente serão jogados no lixo para salvar ou melhorar uma única vida de um jovem, de um preto, de um índio e ate mesmo de um velho.

Estou muito velho.

Não quero ouvir mais noticias de pessoas morrendo de dengue. Tapo os ouvidos e fecho os olhos mas continuo a ouvir e ver. Não quero saber de crianças sendo arrastadas em carros por bandidos, ou de um menininha jogada pela janela em plena flor de idade. Meu coração não tem mais força para sentir emoções.

Estou mais velho que o Oscar Niemeyer.

Ele ainda acredita em comunismo, coisa que deixou de existir. Eu não acredito em nada. Estou cansado de quererem me culpar por não ser pobre, por ter casa, carros, e outros bens todos adquiridos com honestidade, por ser amado por minha mulher e filhos. Nada mais me comove…

Estou bem envelhecido.

E acabo de cometer mais um erro! Ainda sou capaz de me comover e emocionar.

(Afrânio B. De Souza - Fonte: rafaelsanches.wordpress.com)