terça-feira, 17 de julho de 2012

Dia de Eguinha Pocotó

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Minha primeira meia maratona eu nunca vou esquecer. Não só porque foi um feito inédito para mim, mas porque acho que meus joelhos nunca mais vão parar de doer.

Ontem, às sete da manhã, enquanto o preguiçoso leitor deixava um fino fio de baba escorrer pelo canto da boca e a sonolenta leitora ronronava feito uma gata (se bem que algumas mais lembram uma ursa), eu estava dando pulos no Jóquei Clube para espantar o frio de nove graus. Iria correr a Meia Maratona de Sampa.

Minha meta era fazer a prova em menos de duas horas. Para isso teria que correr 5min42s por quilômetro. E eu comecei bem. Nos quatro primeiros quilômetros, fiz a média de 5min30s. Dos quatro aos oito, idem. Dos oito aos 12, ibidem. E dos 12 aos 16, tribidem, se é que existe esta palavra.

Foi então que a coisa começou a complicar. Senti uma dor aguda na altura do coração. É infarto, pensei. Mas era só o alfinete que prendia meu número raspando no meu peito. Mais alguns metros e foi a vez das pernas começaram a doer. Primeiro os tendões calcâneos, depois os joelhos, aí as coxas. Cheguei até a mostrar o dedão para um fotógrafo que fazia seu trabalho de moto. Mas ele achou que eu estava fazendo gracinha.

Minha média despencou. Meus quilômetros seguintes foram feitos em mais de seis minutos. Com mais tempo para pensar, pensei que a organização da prova teve alguns problemas. Primeiro, o horário. A prova foi marcada para as 7h (mas só começou às 7h10, um atraso chato quando se está com frio). Porém, melhor seria se tivesse começado às 8h. Sete da manhã, ainda mais de um domingo, é um horário com certo ar de sadismo. E isso ficou ainda pior pelo fato de a direção de prova só distribuir os chips antes da prova (e não junto com o kit), o que fez os atletas terem que chegar ainda mais cedo.

Mas voltemos à prova. Curiosamente não havia fantasiados. Nem um único Ayrton Senna. Os meia maratonistas são mais sérios. Se bem que alguns usam tantos apetrechos (cintos, bonés, meias de pressão, óculos vermelhos, tênis verde limão, adesivos de músculo etc...) que parecem estar em um concurso de fantasia. Categoria luxo, é claro.

Nos últimos quilômetros, de novo no Jóquei, minhas pernas pareciam de pedra. Mesmo assim foi divertido correr na pista dos cavalos. Pensei até em relinchar ou cantar "Eguinha Pocotó", mas não podia desperdiçar fôlego com piadinhas. Fui ultrapassado por um monte de gente e, só nos últimos 20 metros, para sair bem na foto, acelerei. Fiz 1h59min01. Ou seja, consegui meu objetivo.

E assim me aposentei da meia maratona.


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