quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Hora da Saudade - Orgulho e Renúncia

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Hoje me peguei lembrando de uma poesia que recebi do meu primeiro namorado (durante um footing(*) em Caçapava, no interior de São Paulo), quando não quis mais continuar o namoro.
Foi no tempo em que para namorar era necessário se fazer um pedido e o namoro era feito só de olhares. Nesse tempo ninguém "ficava", como hoje. O romantismo imperava, senhor absoluto, nas nossas relações.
Não sei porque me voltou à memória, mas resolvi postar para dividir com vocês. É um poema de J. G. De Araújo Jorge chamado Orgulho e Renúncia. Espero que gostem.

Não penses que a mentira me consola:
parte em silêncio, será bem melhor...
Se tudo terminou a tua esmola
meu sofrimento ainda fará maior...

Não te condeno nem te recrimino
ninguém tem culpa do que aconteceu...
Nem posso contrariar o meu destino
nem tu podias contrariar o teu!

Sofro, que importa? mas não te censuro,
o inevitável quando chega é assim,
-se esse amor não devia Ter futuro
foi bem melhor precipitar seu fim...

Não te condeno nem te recrimino
tinha que ser! Tudo passou, morreu!
Cada qual traz do berço seu destino
e esse afinal, bem doloroso, é o meu!

Estranho, é que a afeição quando se acabe
traga inútil consolo ao nosso fim
quando penso que ainda ontem, - quem sabe?
tenhas sentido algum amor por mim...

Não procures mentir. Compreendo tudo.
Tudo por si justificado está:
- não tens culpa se te amo... se me iludo,
se a vida para mim é que foi má...

Vês? Meus olhos chorando estão contentes!
Não fales nada. Vai! Ninguém te obriga
a dizeres aquilo que não sentes,
nem eu preciso disto minha amiga...

Parte. E que nunca sofrer alguém te faça
o que sofri com o teu ingênuo amor;
- pensa que tudo morre, tudo passa,
que hei de esquecer-te, seja como for...

Pensa que tudo foi uma tolice...
Só mais tarde, bem sei, - compreenderás
as palavras de dor que não te disse
e outras, de amor... que não direi jamais!

(*) footing era o seguinte: As meninas passeavam pelas calçadas da praça da matriz, em volta do Coreto, enquanto os meninos ficavam parados às margens e olhares eram trocados.
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