segunda-feira, 8 de julho de 2013

A Irmandade Petista quer ser, a um só tempo, a força da ordem e da desordem

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A manchete da VEJA.com não poderia ser mais eloquente: “Dilma apela ao PT para recompor base na Câmara”. Como? A presidente é obrigada a fazer um apelo a seu próprio partido, que tem nas mãos, sei lá, uns 70% do governo que realmente conta? Sim, é bom deixar claro: o loteamento existe; a fisiologia existe; o toma-lá-dá-cá com partidos da base existe, mas quem fica com o filé-mignon é mesmo o petismo. Ou respondam:

- quem comanda os maiores orçamentos da Esplanada dos Ministérios?;
- quem está na secretaria-executiva de muitas pastas que estão apenas nominalmente nas mãos de outros partidos?;
- quem dá as cartas na economia?;
- quem faz, se quiser fazer, as escolhas estratégicas?

Com tudo isso, Dilma se vê na contingência de ter de “apelar” ao PT? É evidente que o partido decidiu medir forças com a racionalidade, disputando a alma da presidente. Por enquanto, infelizmente, está ganhando. Vejam a pantomima da Constituinte e do plebiscito, por exemplo. O que foi aquilo? 

Em sua mais recente resolução, nesta quinta, o Diretório Nacional do PT está convocando seus militantes a ir para as ruas, a engrossar os protestos, a aderir a um dia de greve geral ou sei lá o quê. Os petistas, em vez de se comportar como o partido do poder, o partido da ordem, decidiram disputar o espaço das ruas, como se lá se decidissem os rumos da institucionalidade. 




É uma sandice, um contrassenso, um absurdo. E a presidente, inexperiente, vamos convir, em disputa democrática, está entrando nessa. Fazer o quê? Ela tem uma história intelectual, não é?, que vem de um agrupamento clandestino de esquerda, que praticava atos terroristas. “Lei” e “ordem”, na perspectiva revolucionária, encarnam necessariamente forças da reação.

O PT nunca escondeu que o modelo institucional que aí está — democracia representativa, independência entre os Poderes, liberdade de expressão, imprensa livre — não é o seu ponto de chegada! Nada disso! Para eles, essas questões são apenas instrumentos de um ponto ligeiramente além do de partida. É com eles que pretende chegar ao verdadeiro modelo, que dispensa essas, digamos, delicadezas burguesas. Daí que frequentemente se depreenda dos textos que escrevem que estão ainda na fase do “acúmulo de forças”.

“Ah, Reinaldo, isso é só retórica; mera cascata pseudo-revolucionária…” Pode até ser assim em tempos de paz… Se, no entanto, os ânimos se acirram, como vemos, a rapidez com que escolhem o caminho da irresponsabilidade é espantosa. Esses celerados têm a ambição de ser, a um só tempo, o partido da ordem e o partido da desordem, de modo que esta possa ser usada em favor daquela — que será, então, uma ordem muito particular: a ordem petista.

Foi assim que tudo começou. No dia 13 de junho — aquele do confronto entre manifestantes e a Polícia Militar em São Paulo — os petistas acharam que se abrira uma janela de oportunidades para levar o governo Alckmin às cordas. E fizeram a aposta na desordem. O tiro saiu pela culatra, e um país com mais insatisfações acumuladas do que possa expressar com clareza, foi cair no colo de Dilma.

Em vez de apostar no entendimento, a Irmandade Petista prefere acirrar as contradições.