quarta-feira, 10 de julho de 2013

Assombração

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Lula já se reuniu com jovens líderes ligados ao PT e desenhou uma assombração: é a "direita" que está borrando a imagem do Brasil no exterior e esborrachando a de Dilma internamente.

Não que Lula não enxergue e não critique os erros na economia, a inabilidade política da pupila e a competência do governo, mas ele precisa construir um culpado, já que ela não pode ser a culpada. Comprometeria a eternização no poder.

Ok. Os críticos são sempre "adversários", adversários são "da elite" e a elite que incomoda é "de direita". A isso a gente já está acostumado. Mas o que é, quem é e que cara tem essa tal nova "direita"?

Democracias comportam tendências de esquerda, centro e direita. Os conservadores estão ganhando ousadia, até impondo uma pauta-retrocesso no Congresso, da "cura gay" ao "Estatuto do Nascituro" e ao cheiro de CPI do aborto no ar. Nada disso, porém, está dando certo, especialmente depois dos protestos de rua. Aliás, a marcha dos evangélicos encolheu 40% em relação a 2012.

E os partidos aliados reclamam de barriga cheia, as empreiteiras estão felizes da vida com Copa e Olimpíada (e jogando um bolão com Lula), os bancos sentiram a marretada nos juros, mas vêm de anos de lucros recordes e esfregam as mãos com o recrudescimento da Selic. Mais: se há alguém feliz com Dilma, é a cúpula do agronegócio.

Que outra "direita" teria organização e discurso capazes de pôr um milhão e meio de pessoas nas ruas contra tudo e contra todos?

Só restaria a Lula carimbar de "direita" a garotada, a classe média, os idosos e os internautas que exigem transporte, educação, saúde, segurança e, sobretudo, respeito. Uma péssima ideia dele, logo quando a cúpula do PT planeja fazer o inverso: infiltrar seus militantes nos movimentos independentes.

A assombração, portanto, não mete medo em ninguém.


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