domingo, 15 de novembro de 2009

UMA BURCA PARA GEISEY

.

Miguezim de Princesa

I

Quando Geisy apareceu

Balançando o mucumbu

Na Faculdade Uniban,

Foi o maior sururu:

Teve reza e ladainha;

Não sabia que uma calcinha

Causava tanto rebu.


II


Trajava um mini-vestido,

Arrochado e cor de rosa;
Perfumada de extrato,

Toda ancha e toda prosa,
Pensou que estava abafando

E ia ter rapaz gritando:

"Arrocha a tampa, gostosa!"


III

Mas Geisy se enganou,

O paulista é acanhado:

Quando vê lance de perna,

Fica logo indignado.

Os motivos eu não sei,

Mas pra passeata gay

Vai todo mundo animado!


IV

Ainda na escadaria,

Só se ouvia a estudantada

Dando urros, dando gritos,
Colérica e indignada

Como quem vai para a luta,

Chamando-a de prostituta
E de mulherzinha safada.

V


Geisy ficou acuada,

Num canto, triste a chorar,
Procurou um agasalho

Para cobrir o lugar,

Quando um rapaz inocente

Disse: "oh troço mais indecente,
Acho que vou desmaiar!"

VI


A Faculdade Uniban,

Que está em último lugar

Nas provas que o MEC faz,

Quis logo se destacar:

Decidiu no mesmo instante

Expulsar a estudante

Do seu quadro regular.


VII


Totalmente escorraçada,

Sem ter mais onde estudar,

Geisy precisa de ajuda
Para a vida retomar,

Mas na novela das oito

É um tal de molhar biscoito

E ninguém pra reclamar.


VIII

O fato repercutiu
De Paris até Omã.

Soube que Ahmadinejad

Festejou lá no Irã,

Foi uma festa de arromba

Com direito a carro-bomba
Da milícia Talibã.


IX

E o rico Osama Bin Laden,

Agradecendo a Alá,

Nas montanhas cazaquistãs

Onde foi se homiziar

Com uma cigana turca,

Mandou fazer uma burca

Para a brasileira usar.

X


Fica pra Geisy a lição
Desse poeta matuto:

Proteja seu bom guardado
Da cólera dos impolutos,

Guarde bem o tacacá

E só resolva mostrar

A quem gosta do produto.


(Jacques Velloso - UnB)