sexta-feira, 22 de julho de 2011

"O POLIGROTA"

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É verdade matemática que ninguém pódi negá:
essa história de gramática só serve pra atrapaiá.
Inda vem língua estrangêra ajudá a cumpricá!
É mió cabá cum isso pra todos podê falá.


Na Ingraterra ouví dizê que um pé de sapato é “xu”.
Desde logo já se vê, dois pé deve sê xuxu.
Xuxu pra nóis é um legume que cresce sorto no mato.
Os ingrêis lá que se arrume, mas nóis num come sapato.


Na Itália eles dize, eu não sei por que razão,
que como mantêga é “burro”, se passa burro no pão.
Desse jeito pra mim chega, sarve a vida no sertão,
onde mantêga é mantêga, burro é burro e pão é pão.



Na Argentina, veja ocêis, um “saco” é um paletó.
Se o gringo toma chuva tem que pô o saco no sór.
E se acaso o dito encóie, a muié diz o pió:
"Teu saco ficô piqueno, vê se arranja ôtro maió"...



Na América corpo é “bódi”. Veja que bódi vai dá:
Conheci uma americana doida pro bódi emprestá.
Fiquei meio atrapaiado e disse pra me escapá:
Ói, moça, eu não sou cabra, chega seu bódi pra lá!


Na Alemanha tudo é “bundes”:  Bundesliga, bundesbão.
Muita bundes só confunde, disnorteia o coração.
Alemão qué inventá o que Deus criou primêro.
É pecado espaiá o que tem lugar certêro.


No Chile,  “cueca” é dança de balançá e rodá.
Lá se dança e baila cueca inté a noite acabá.
Mas se um dia um chileno vié pro Brasir dançá,
que tente mostrá a cueca pra vê onde vai pará.


Uma gravata isquisita um certo francês me deu.
Perguntei, onde se bota? E o danado respondeu.
Eu sou home confirmado, acho que num entendeu,
Seu francês mar educado, bota a gravata no seu!


Pra terminar eu confirmo, tem que se tê posição.
Ô nóis fala a nossa língua, ô num fala nada não.
O que num pode é um povo fazê papér de idiota,
dizendo tudo que é novo só pra falá poligrota...

 
(Autor desconhecido)