terça-feira, 31 de março de 2009

A culpa é do Joelmir Beting

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Não sejamos injustos: o presidente Lula, apesar do que disse, não é racista. É casado com uma branca, loira, de olhos verdes, a quem chama de "galega”. Apoiou a candidatura de uma branquíssima loira de olhos azuis para a Prefeitura de São Paulo, e a teve como ministra. Nomeou como porta-voz o níveo, quase transparente, André Singer, de olhos azuis bem clarinhos. Entre seus auxiliares próximos há negros, mulatos, judeus, árabes, mulheres – só falta índio.

Não foi racismo, portanto, o que levou o presidente Lula a culpar "gente branca, de olhos azuis”, pela crise. Foi o incontrolável impulso de dizer besteira, naqueles instantes a que, segundo o grande escritor italiano Pitigrilli, todo ser humano, mesmo o mais sábio, está sujeito. E é besteira grossa, daquelas que nem dá para bolar sozinho: pode ter certeza, caro leitor, houve a ajuda de assessores.

Há detalhes em que o presidente Lula certamente não pensou, antes de sua frase desastrada. O presidente do Citigroup, por exemplo, está longe de ter olhos azuis: Vikram Prandit é indiano de Maharashtra. Os bancos japoneses, chineses e coreanos, atores importantes da crise, dificilmente teriam em seu comando brancos de olhos azuis. Portanto, não têm nada com a crise. Já o técnico do Corinthians, Mano Menezes, e o colunista Joelmir Beting são brancos de olhos azuis. Mano não trabalha no setor econômico. Logo, Joelmir Beting deve ser o culpado.

A propósito, a crise se iniciou com a quebra da Fanny Mae, a gigantesca empresa hipotecária americana. Seu presidente, Franklin Raines, é negro.

É ele, presidente

Aliás, se Lula diz que nunca viu um único banqueiro negro, deveria ser apresentado a Franklin Raines. Ele foi tão poderoso quanto os maiores banqueiros. E valeria a pena: dizem que Raines é uma pessoa fascinante e muito agradável.

(Coluna Carlos Brickmann - Domingo, 29 de março de 2009)