domingo, 28 de dezembro de 2008

Canção do Amor Imprevisto

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Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoista e mau.
E a minha poesia é um vício triste, Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita...

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos."

(Mario Quintana)


Mario Quintana (Alegrete RS, 1906 - Porto Alegre RS, 1994) estudou em colégio militar, em Porto Alegre, de 1919 a 1924. Em 1919, foi colaborador na revista Hyloea, dos alunos do colégio. Em 1926 ganhou prêmio em concurso de contos do Jornal Diário de Notícias. No mesmo ano, trabalhou na Livraria do Globo. Alistou-se como voluntário do Sétimo Batalhão de Caçadores de Porto Alegre, em 1930, colaborando na tomada de governo de Getúlio Vargas. Entre 1929 e 1921, foi redator do jornal O Estado do Rio Grande. Na época, publicou poemas na Revista do Globo e no jornal Correio do Povo. Nos anos seguintes, trabalhou como tradutor e colaborador em periódicos. Seu primeiro livro de poesia, A Rua dos Cataventos, foi publicado em 1940. Seguiram-se Canções (1946), Sapato Florido (1948), O Batalhão das Letras (1946). Em 1966 recebeu o Prêmio Fernando Chinaglia de melhor livro do ano por Antologia Poética. Destacam-se em sua obra poética os livros Pé de Pilão (1968), Apontamentos de História Sobrenatural (1976), Quintanares (1976), Baú de Espantos (1986), Preparativos de Viagem (1987), Velório sem Defunto (1990). Em 1981, recebeu o Prêmio Machado de Assis e, em 1981, o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano. Pertencente à segunda geração do Modernismo, Mário Quintana incorporou em sua poesia o bom-humor, o coloquialismo e a brevidade característicos das vanguardas modernas.

(Fonte: www.astormentas.com)