sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Hoje é dia de Circo

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Dia 27 de março foi o Dia Nacional do Circo, isso me fez viajar até a Roma Antiga e pensar como o Brasil e a terra dos Césares tem em comum: lá, como aqui, era normal servir o povo de pão e de circo para que eles esquecessem as mazelas do poder e não se colocassem contra ou à favor a absolutamente nada.

No Brasil, não temos o Coliseu, mas temos o Pacaembú e o Maracanã, por exemplo, onde o povo se diverte enquanto 22 homens correm atrás de uma bola: se for uma competição do porte da Copa do Mundo, o Brasil pára para assistir aos jogos e se esquece que lá onde o circo parece ser diário, na capital do Brasil, rolam maracutais de deixar de cabelo em pé, mesmo quem já não duvida de mais nada nessa vida!

Ontem mesmo o nosso César, ops, digo, Presidente, nos brindou com um pacote habitacional inacreditável: vai construir um milhão de casas para as pessoas carentes! Só tem um detalhe: não cobrem dele prazo para entregar todas as moradias.

Eu acho que o Lula se esquece que em breve, talvez não seja mais presidente e que deveria ao menos dar um prazo condizente com seu reinado, digo, governo.

Aliás, com todo respeito que tenho ao nosso Presidente, de obras megalomaníacas já basta Brasília, aquele panteão nos deixado pelo saudoso JK, e que ao que tudo indica, serve mais para deixar o povo longe do local do poder e impedido de fazer manifestações contra as maracutaias que sejam significativas, do que qualquer outra coisa.

Brasília, tirante sua beleza arquitetônica, mérito dos ilustres Niemayer e Lúcio Costa, é um lugar quente, sem esquinas e o mais importante, longe demais para o povo conseguir chegar às portas do poder ao primeiro sinal de indignação!

Por isso, sou a favor da volta da capital para o Rio de Janeiro, que deveria voltar a ser dividido entre Estado da Guanabara e Rio de Janeiro, já que sua unificação jamais passou pelos trâmites legais necessários para acontecer! A verdade é que se unificaram os dois Estado à mano militare, e ficou por isso mesmo!

E os que saíram perdendo, foram os moradores do antigo Estado da Guanabara, hoje, o município do Rio de Janeiro e com a transferência da capital do Brasil, saiu perdendo o povo.

Afinal, como juntar um milhão de Pessoas para gritar palavras de ordem em frente à um Congresso Nacional que fica tão longe, mas tão longe, que a última manifestação que me recordo parecia mais uma passeata de estudantes solitários espalhados na grama dos Poderes de Brasília?!

E o problema é que de lá, daquele lugar onde todo Poder emana, continuam agindo com o povo como os Césares Romanos: servindo-o de pão e circo!

Aliás, quem assiste as propagandas eleitorais diárias ultimamente, pode assistir o circo de graça todos os dias e dar boas gargalhadas com nossos políticos, cada vez mais criativos em seus discursos! Na última eleição me lembro de um, não me recordo de qual Estado, que disse que gostaria muito que “você sonhasse comigo todas as noites!”. Sonho? Ou pesadelo?

Em relação ao pão, basta ver os inúmeros programas sociais do governo, como o “Bolsa - Família” e o “Pró-Uni” que seriam totalmente desnecessários se o povo recebesse um salário digno e que não necessitasse da caridade de ninguém! Muito menos de um governo! Afinal, lamentavelmente, esse tipo de “esmola” é utilizado como instrumento de campanha e o que mais dói, é que os menos esclarecidos, compram isso. Votam pensando que isso é uma benção quando na verdade é uma maldição!

Pois enquanto o povo ficar satisfeito com isso, jamais receberá condignamente e continuará em seu ciclo de miséria e fome. E o pão e circo permanecerão nestas terras descobertas por Cabral em 1500.

Essa história pode ser mudada: o voto consciente pode ser uma arma contra isso tudo e demonstrar indignação também. A minha eu estou mostrando e o que falta a você para demonstrar a sua?


(Shirlei Amaro Avena Weisz é advogada e professora universitária - Fonte:shirleiweisz.blogspot.com)