sábado, 22 de setembro de 2012

Comentário na postagem "Comparar Getúlio Vargas a Lula é um insulto à memória do presidente suicida."

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Berenice, quando ouço uma coisa dessa fico num misto de piedade e revolta. Revolta pela visão distorcida da história recente. Pena, por ver um endeusamento que beira a patologia. Mas, simbora!

Onde estavam os petistas? Num divã freudiano, tentando se curar do jeito fútil de falar da vida alheia quando tudo isso que cito abaixo aconteceu?

Esse é o grande problema dos petistas. Eles não discutem ideias ou programas, tudo gira em torno do endeusamento de uma figura que eles mesmos cuidam que seja mitológica. Beira quase a patologia bizarra.

Andam de braços dados com o que há de mais retrógrado em termos de ideais, como Maluf, Collor , Sarney e sua trupe. Ainda assim, para espanto geral de uma certa camada da sociedade, se acham moderninhos. Beijam a boca dos ratos mais devastadores da república velha, e se acham "espertos", "eles são os caras"... rsrsrs.

Onde estavam quando foi criado o Plano Real, O Proer, as privatizações que não permitiriam que o Brasil acabasse de ser lascado ao meio, com o toma lá dá cá? Onde estavam quando foi criado o Proer, A lei de responsabilidade Fiscal, a baixa da inflação? Onde estavam quando as instituições democráticas foram fortificadas e não eram, como agora, estilhaçadas em praça pública por lula, o babalorixá da banania que acoberta pilantras e malfeitores?

Tenho muito a dizer, mais seria humilhante, pois iria falar de programas de governo, não de um show narcísico ridículo. Mas, contudo, todavia, meus papiros estão expostos sobre o governo FHC para infelicidade dos petistas pós traumáticos, com minha intenção de desbaratar a ideia esdrúxula de que o PT reinventou a roda e, em função disso, todos são seus "inimigos". Afinal, paranóia e caldo de galinha, não faz mal a ninguém.

Voltemos um pouco à história.

Programas de transferência monetária direta a pessoas ou famílias pobres não estiveram totalmente ausentes do cardápio brasileiro de programas assistenciais, embora jamais tivessem sido a regra. E proliferaram desde 1994, quando se iniciaram as experiências municipais com programas de renda mínima e, no caso do Distrito Federal, do programa Bolsa-Escola. Na maioria das vezes, tais programas tinham como público-alvo as famílias com filhos em idade escolar e/ou em risco nutricional, exigindo-se dos beneficiários o compromisso de freqüência escolar e em unidades de saúde.

Os programas federais do primeiro mandato do governo Fernando Henrique tinham exatamente a mesma embocadura – o Bolsa-Escola, o Peti e o Bolsa-Alimentação. Tinham mais: eram implementados pelas próprias áreas nas quais se pretendia que tivessem impacto: Bolsa-Escola, na área da educação; Peti, na assistência social; Bolsa-Alimentação, na área da saúde. 


Fosse pago o recurso onde fosse, unificado ou não no cadastro único, com cartão ou sem, o importante é que se pretendeu sempre que as instituições, as redes e as culturas próprias de cada área fossem mobilizadas de modo que a transferência monetária não substituísse a provisão dos serviços nem se afastasse deles – a escola, o posto de saúde – onde se situavam e se situam os corpos técnicos do Estado que podem e devem, cada qual na sua área particular, zelar pelo cumprimento dos objetivos. Portanto, menos pelo compromisso moral das famílias em manter seus filhos na escola ou levá-los ao posto de saúde, o que se pretendeu foi o comprometimento do Estado – insisto, serviços sociais, assistentes sociais, professores, médicos, paramédicos, conselhos locais – com a melhoria do desempenho das crianças, dos adolescentes e de suas famílias.

Não são outras as razões que levaram a que um programa como o Bolsa-Escola fosse considerado uma das experiências com mais êxito, na América Latina, assim julgado inclusive por países que tinham experimentado versões estreitas de programas de subsídios monetários e todas as mazelas que normalmente os acompanham.