terça-feira, 30 de novembro de 2010

Lula diz que conteúdo vazado por WikiLeaks é insignificante

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Documentos divulgados pelo WikiLeaks apontam corrupção e intrigas no governo Lula


Telegramas da diplomacia dos EUA apontam corrupção nos oito anos do governo brasileiro e intrigas entre autoridades do país

 
Documentos divulgados pelo WikiLeaks apontam corrupção e intrigas no governo Lula (DPA/AFP).
 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou, nesta terça-feira, a divulgação de telegramas da diplomacia americana pelo site WikiLeaks, que apontam corrupção no governo brasileiro. "As coisas que vi são insignificantes e não merecem ser levadas a sério. 

Na verdade não sou obrigado a acreditar num telegrama do embaixador americano", disse Lula, em entrevista realizada depois de visitar as obras da usina hidrelétrica de Estreito, no Maranhão.
Em um telegrama secreto revelado pela organização WikiLeaks, o embaixador americano em Brasília, Clifford Sobel, teria dito que o presidente Lula concluirá seus oito anos de governo em uma gestão marcada pela corrupção entre seus "mais próximos aliados", com uma "praga" de compra de votos no PT e sem ter dado uma resposta ao crime no Brasil.

Jobim





Lula minimizou também a informação de que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, segundo a organização, teria dito ao embaixador que o ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, odeia os Estados Unidos. "Eu tenho certeza do comportamento do Jobim e tenho certeza do comportamento do Samuel. Eles são amigos e um não falaria mal do outro", afirmou Lula.

O Ministério da Defesa já havia divulgado uma nota, nesta terça, informando que Jobim ligou para Guimarães para negar as afirmações atribuídas a ele no telegrama. O ministro da Defesa esclareceu que conversou sobre o colega com o embaixador, mas negou a afirmação do relatório e disse que o tratou com respeito. O ministro classificou ainda Guimarães como “um nacionalista, um homem que ama profundamente o Brasil”.

O caso

Os telegramas sobre o Brasil estão entre os 250.000 documentos que envolvem troca de mensagens entre embaixadas e outros canais diplomáticos americanos aos quais o site WikiLeaks teve acesso e que começou a vazar no domingo.  "A principal preocupação popular - crime e segurança pública - não melhorou durante sua administração de Lula", dizia o telegrama que circulou entre a embaixada americana em Brasília e o Departamento de Estado norte-americano.

O relatório cita também outros escândalos do atual governo, como crises políticas, compra de votos e tráfico de influência que “se transformaram em pragas para elementos do PT”.

Outras dados

Informações do WikiLeaks divulgadas, na última segunda-feira, já haviam revelado dados constrangedores sobre o Brasil. Entre eles, a informação de que autoridades do país prenderam "vários indivíduos engajados em supostas atividades de financiamento do terrorismo no país", mas basearam sua detenção em acusações diferentes para "não chamar a atenção da mídia e dos altos representantes governamentais".

Os documentos secretos comprovam ainda a preocupação dos EUA e da comunidade internacional sobre a relação entre o Brasil e o Irã.

Os dois países assinaram, junto com a Turquia, um acordo para que o a República Islâmica trocasse urânio pouco enriquecido por combustível para reatores de pesquisa. O pacto foi rejeitado pela comunidade internacional e, pouco depois, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou um novo pacote de sanções contra Teerã. O Brasil e a Turquia votaram contra. 

O mais recente vazamento do WikiLeaks revela o que a diplomacia americana pensa sobre vários países e líderes mundiais, colocando os EUA numa situação constrangedora.

(http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/lula-diz-que-conteudo-vazado-por-wikileaks-e-insignificante)