quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Tá explicado! - Tinha que ter uma explicação!

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É fisiológico, estúpido!


Tempos atrás me encontrei com um velho amigo que estava fora do Brasil havia muitos anos. Médico, doutor por uma universidade conceituada da Inglaterra, à época esse meu amigo vivia as agruras de querer viver em seu país, um país que privilegia a imbecilidade. Tentou voltar a morar em Cuiabá, mas percebeu que seria inviável. Fixou-se em São Paulo onde participou de um grupo de pesquisa em uma das mais conceituadas universidades do país. É sobre essa pesquisa que quero falar.

O meu amigo e seu grupo estavam estudando a forma de raciocínio e o comportamento do cérebro em relação ao grau de escolaridade. Ele me dizia que quanto menos tempo de estudo, mais concreto é o pensar. Não existe o pensamento subjetivo, não existe o longo prazo. Apenas o imediato, o acordar, tomar café, sair, voltar, comer e dormir. Coisas mecânicas, entende?

Já a pessoa com mais tempo de estudo aprende a raciocinar de forma mais ampla e percebe a subjetividade dos fatos.
Ao escutar essa explicação, que em um primeiro momento pode até parecer um tema árido, meu amigo soltou uma frase que me deu um estalo: Quanto menos estudo a pessoa tem, mais fisiológica é sua forma de pensar.

Perguntei a ele qual a extensão da pesquisa, se existia, por exemplo, uma relação entre os pesquisados e suas preferências políticas.

- Já sei onde você está querendo chegar. A resposta é sim. O pesquisado sem estudo e que pensa fisiologicamente é, em sua maioria, o potencial eleitor de Lula.

- Então quer dizer que os votos de Lula são fisiológicos, assim como comer, dormir e ir ao banheiro?

- É, só que não nesses termos né! Mas é mais ou menos isso. Se você disser que programas como o bolsa esmola são nocivos no longo prazo, o fisiológico dirá: Ah doutor, mas o que importa é hoje.
Então, isso explica a eleição de Dilma. É tudo fisiológico. Por isso insisto na responsabilidade do Judiciário brasileiro. Veja bem, siga meu raciocínio e entenda porque digo que nossa única esperança é o Judiciário.

Temos o Executivo incompetente, suspeito e conivente com crimes. Foi o Executivo que comprou parlamentares, que liberou verbas para compras superfaturadas, enfim, que cometeu tantos crimes quanto foi possível. Do Executivo não podemos esperar nada a não ser atos que beneficiem seus interesses e que protejam sua gangue. Problemas que serão acentuados no período Dilma.

Temos um Legislativo historicamente comprometido. Como dizia um velho político já falecido: no Brasil a maioria é sempre do presidente, não importa quem seja ele. Aos parlamentares cabe a formulação ou reforma das Leis. Mas eles estão comprometidos com seus próprios crimes. Deles não podemos esperar a formulação de leis que coíbam ou que sejam mais severas com posturas amorais e corruptas.

Sobrou o Judiciário, que não formula as leis, que precisa seguir a Constituição Federal que foi escrita pelo Legislativo, mas eles podem mudar a interpretação para beneficiar a moralidade e dignidade no Brasil. Isso claro, quando suas decisões não são negociadas por algum genro.

Agora vamos ao perfil do eleitorado. Segundo o TSE, do total de eleitores do Brasil, apenas 3,78% concluíram um curso superior. Esses, teoricamente, são capazes de pensar no longo prazo, mas não decidem uma eleição.




 Espantosamente metade do eleitorado brasileiro é formado por: 6% de analfabetos; 14,60% de pessoas que apenas sabem ler e escrever; e 33,13% que não concluíram o ensino fundamental – o antigo primário. Ou seja, 53,62% do eleitorado tende a fazer suas escolhas de forma fisiológica, com objetivos mais imediatistas.

Esses podem eleger até um poste. E elegeram. Mas poderiam ir dormir, ou ir ao banheiro. Afinal, é fisiológico!


(Adriana Vandoni -  http://www.prosaepolitica.com.br/2010/11/01/e-fisiologico-estupido/)
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