terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Fumaça na cabeça

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Encontrei um conhecido e perguntei-lhe pela família. O homem, contristado, respondeu-me: “meu sobrinho sofreu um AVC (acidente vascular cerebral)!” 


Considerando a idade do conhecido, fiquei curioso: “Mas que idade tem seu sobrinho?” Horrível resposta: “Dezoito anos! Está internado e vai fazer uma cirurgia no cérebro a semana que vem!” Então, pensei, um piá de 18 anos tem um AVC e vai passar por uma cirurgia cerebral? 


Como é isso possível? Claro, foi o que perguntei. Resposta do infeliz tio, homem sério, atencioso, competente, trabalhador e dedicado a sua família: “Ele tem fumaça na cabeça doutor!” Nunca tinha ouvido a expressão e olhei para ele questionando. 


Do fundo de sua garganta, através de seus olhos tristes, quase como uma súplica, mas, ao mesmo tempo em um tom de revolta, respondeu-me: “Ele fumava maconha!” 


Me despedi com palavras de solidariedade, e, leigo no assunto, não acreditei que a maconha pudesse causar tal malefício. Pois o ex-presidente FHC e um governador têm dado entrevistas minimizando as conseqüências de seu uso.

Fui procurar do Google. Na página do Instituto Albert Einstein está a informação: “Maconha é causa de derrames cerebrais entre jovens usuários da droga. O acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico da região da fossa posterior do cérebro (onde se localiza o cerebelo) é raro entre jovens, mas o uso da maconha pode aumentar sua freqüência nessa população. 



Segundo estudo publicado eletronicamente este mês na revista Pediatrics, o consumo episódico de THC – um componente presente na maconha – pode representar um fator de risco para ocorrência de AVCs entre jovens, que podem apresentar sintomas horas ou até dias após o uso da maconha. Dor de cabeça, flutuação do nível de consciência, letargia e alterações visuais foram alguns dos sinais clínicos observados em pacientes vítimas de AVC de tipo isquêmico após o uso de THC.” 


Está arraigado entre nós: uma das ofensas que pode se dar a um indivíduo é chamá-lo de maconheiro. Porque o indivíduo perde a percepção exata das coisas. 


Sociedades Médicas e Promotores de Justiça são combatentes permanentes da propaganda e uso da maconha. Eu entendia que a droga era um primeiro passo para drogas piores. Não é. Ela, em si, já é uma droga pior que o cigarro. Então como se explica a leniência? Pobres jovens do estranho Brasil que proíbe o cigarro e libera a maconha!