sábado, 14 de janeiro de 2012

Vidas ao Silêncio

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O sol desapareceu no silêncio
à noite em sons confusos
alerta de vida fora da casa.
Em ruídos noturnos...
Animais saíram das tocas.
Ouvi o silêncio de minha alma
despertos e calados no âmago.
Em gestos de meditação
desfiz os desafetos
calei os meus lamentos.
Ofusquei a minha visão
encobri os vestígios do ódio
joguei terra e o enterrei
fora de minha alma.
Chamei meu irmão afastado
o abracei com laços fraternos.
Alcancei o respeito
do lado de fora...
Sem gritos e sem imposição.
Falei menos e deixei as palavras
tomar rumo
para a casa certa.
Na vidraça o sol em esplendor
adentrou sem estilhaçar a janela.
O homem sorveu em goles
a tolerância se fez sapiência.
Os verbos presentes
em belas palavras cantadas
ao ritmado das cifras...
Nas sete maravilhas do mundo
em versos de Antípatro de Sídon.
Folhas recebiam palavras
encarnadas...
Na visão da amoreira
Em cores vermelha e roxa...
Tudo era mansidão
ao calar o planeta.
Em perfeito equilíbrio
vi a compaixão.
Dos amores os mais belos enlaces...
A espiritualidade se fez prece
almas desapegadas ao corpo.
Plantio sem intrigas
à sombra alheia.
Em oculto instinto sem opressão
num tempo aprisionado ao vento.
Falácia desfeita nas nuvenzinhas
dissipadas em nuvem ascendente.
Nas ruínas majestosas e desfeitas
resistência intacta...
No transcorrer dos séculos.
A palavra se fez excelência
enquanto eu bebia o meu silêncio.
Num cofre secreto encontrei
outra Maravilha do mundo.
Qual é ela?
A sabedoria...
O som do silêncio.


(Perséfone Diana)
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