sábado, 14 de janeiro de 2012

Distúrbio do sono pode ser sintoma de ansiedade ou depressão.

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Especialista em sono dá orientações para quem sofre de insônia

Atividades físicas e 'higiene do sono' ajudam a tratar o problema.



Os médicos recomendam uma boa noite de sono para recarregar as energias e ter disposição para as atividades do dia a dia, porém um problema que afeta as noites de muita gente é a insônia, quando a pessoa simplesmente não consegue pegar no sono. Em Itapetininga, interior de São Paulo, o especialista em problemas do sono, Marcelo Nunes Cardoso, explica que as causas da insônia são diversas.

“A insônia pura, por si só, é muito rara. Normalmente ela é sintoma de um outro problema como transtorno de ansiedade ou de depressão. É necessário um tratamento que identifique e combata esse transtorno e assim a insônia deverá passar também”, explica o especialista. Muitas vezes um tratamento que envolva sessões de terapia com um psicólogo ajuda pessoas que costumam “levar os problemas para o travesseiro” ou seja, não conseguem se desligar das preocupações do dia.

Cardoso conta que há três tipos de insônia. “Existem pessoas que têm dificuldade para começar a dormir, as que acordam no meio da noite e não conseguem retomar o sono e por fim as que não conseguem manter um sono de qualidade até o final da noite, acordando toda hora”.

Existem alguns truques que ajudam a iniciar um repouso tranquilo com mais facilidade. É o que o especialista chama de "higiene do sono", uma série de dicas que ajudam a criar um ambiente confortável para o descanso.

Quem quer dormir bem deve ir para cama só quando se sentir sonolento; tomar um banho (“pois a água morna relaxa a musculatura”) e diminuir a luz antes de deitar. Não se deve “brigar com o sono”: se a pessoa demorar mais de meia hora para adormecer é preciso sair da cama para fazer alguma atividade relaxante como ler, ver TV ou ouvir música.

É preciso ter horários estabelecidos para dormir e acordar; a pessoa deve evitar cochilos durante o dia e praticar esportes, mas evitar atividades físicas próximas da hora de ir para a cama; antes de dormir, não é bom tomar chá mate, bebidas alcoólicas e refrigerantes; nunca se deve fazer refeições pesadas antes de ir dormir e, por fim, é recomendado limpar a cabeça de preocupações anotando-as em um caderno. Isso ajuda a não ficar remoendo pensamentos, o que atrapalha o adormecimento.

O especialista explica que há um “grupo de risco da insônia”, com certos tipos de pessoas mais sujeitas a ter este problema. Neste grupo estão os idosos, mulheres na menopausa pessoas que sofrem de depressão ou ansiedade e trabalhadores de turno. É o caso do vigia noturno Luís Carlos do Nascimento, que há cinco anos trabalha das 21:50 às 06:40.

“Chego em casa, vejo um pouco de televisão e durmo das 08h até as 12h30. Não consigo dormir mais do que isso. Acabo passando o dia com o corpo cansado e sonolência, mas já estou acostumado”, conta.
Cardoso recomenda que o trabalhador da noite “fuja do sol” para ter um sono de qualidade durante o dia. “Ao sair do trabalho a pessoa deve fechar as cortinas da janela, se vier de ônibus fretado, e deve andar com óculos escuros. Ao chegar em casa é recomendado ficar de janelas fechadas também e fugir da luminosidade, evitando ver televisão e usar o computador. É preciso ir direto para a cama e dormir ao menos seis horas para ter um repouso satisfatório”.

O vigia noturno desenvolveu sua “técnica” para ter disposição para encarar a madrugada. “Antes de sair pra trabalhar faço um alongamento das pernas e dos braços de 10 minutos para me aquecer. E chegando lá apelo pro café e pra coca-cola. No meio do turno temos uma hora para descansar mas eu não consigo tirar um cochilo”, conta Nascimento, que finaliza com uma confissão. “Não é qualquer um que tem pique para trabalhar de noite. Na minha ronda da madrugada encontro colegas mais novos que cochilam nas guaritas e eu acabo tendo que acordar eles”.