segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Esperando você

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Saio, vou até a varanda.

Nem ao longe vislumbro o seu vulto pela estrada.

Espero por você com todo o meu corpo em fogo, com os lábios molhados de desejo, com as mãos trêmulas de paixão e incertezas.

Anoitece.

Entro, fecho portas e janelas. Não necessito de luz, não preciso ver, pois conheço o barulho dos seus passos tão bem como o cheiro do seu corpo.

No escuro aguardo, ouvidos e narinas atentos...

Só escuto o cantar dos passarinhos, o coaxar dos sapos e o rumor da água a correr pelas calhas. Chove lá fora, chove dentro de mim.

O cheiro de mato molhado invade as minhas narinas e nele tento distinguir o cheiro de lavanda que sempre encontro misturado ao seu suor.

Você tarda, ou talvez nem venha. A razão adverte para que não alimente esperanças, mas o coração teima e o corpo arde.

Quantas vezes as promessas foram quebradas?

Olho o relógio e a angústia domina minha razão. Questiono o meu amor que lhe perdoa sempre. Meu corpo se cala.

Volto à varanda, desespero e eis que de repente vejo o seu vulto a se desenhar, ao longe, na estrada.

Nada mais importa, pois neste momento os passarinhos, os sapos e a água da calha se transformam em uma sinfonia, música que cala a razão.

Seu cheiro já entra pelas minhas narinas, enchendo meus olhos de água e o coração de alegria, arrepiando a minha pele e me enchendo de desejo.

Todo o meu corpo antecipa o calor da sua chegada.
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