sábado, 26 de setembro de 2009

Qual delas será a verdadeira Dilma?

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Dilma durona? Sim, mas cercada de ‘homens meigos’

Nelson Rodrigues escreveu: “Mais importantes são os ovários da alma. Os verdadeiros órgãos genitais estão na alma”.

Pois bem. Os ovários que Dilma Rousseff traz enterrados na alma são órgãos, por assim dizer, encrespados.

À menor contrariedade, a alma da ministra-candidata exala um tipo de ira que, por vezes, humilha o interlocutor.

Nesta sexta (25), um dia depois de o vice José Alencar ter dito que “o defeito da Dilma é ser brava”, a chefona da Casa Civil brincou com a própria fama.

Instada a dizer algo sobre a pecha de durona, Dilma ironizou: "Eu sou a única mulher no Brasil dura cercada por homens meigos".

O signatário do blog suspeita que o “defeito” de Dilma não é propriamente a brabeza. O problema é o caráter seletivo de sua ferocidade.

Dilma ruge para servidores que lhe devem subordinação. Mas mia para políticos que lhe cercam de lisonjas. Aos exemplos:

Há coisa de três meses, Luiz Antônio Eira, à época secretário-executivo da pasta da Integração Nacional, ousou apartear Dilma numa reunião.

Discutia-se o cronograma da Transnordestina, uma obra do PAC. Luiz Eira fez uma observação sobre verbas.

E Dilma, em timbre alterado: "Se o Ministério da Integração acha que vai dispor desses recursos, nem por cima do meu cadáver".

O interlocutor tentou argumentar. Dilma deixou-o sem eira nem beira. Levado à lona, Luiz Eira demitiu-se dias depois.

No auge da crise do Senado, José Sarney ameaçou renunciar ao cargo de presidente. Em viagem ao exterior, Lula delegou a Dilma a tarefa de acalmar o aliado.

A leoa virou gatinha. Miou para Sarney pelo telefone. Lambeu-lhe as chagas em reunião noturna e reservada. Tornou-se uma heroína do “Fica Sarney”.

Ou seja, Dilma é mesmo uma flor de pessoa. Para os de baixo, ela mostra os espinhos. Para os de cima, as pétalas.

(Josias de Souza - folhaonline)