terça-feira, 20 de setembro de 2011

Amigo, abrigo

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Amizade é doce mistério. É arte de amar o outro em qualquer tempo, em qualquer situação.


É quando um entrega parte de si ao outro e não pede contrapartida, recibo ou promissória. Por isso, quem tem amigo, tem bálsamo para a alma.


O problema é que, na corrida por aquilo que julgo ser o pão de cada dia, relacionamentos utilitários acabam sendo mais importantes. Roubam meu tempo e atenção. No final do dia, não sobra espaço para que eu faça concessões descompromissadas ou para que eu olhe em olhos que não sejam os meus próprios. Tampouco sobra tempo ou vontade para que eu me envolva com as lutas e as necessidades do outro.


Pensando bem, amizade requer coragem. Coragem para me expor e deixar que minha história se confunda com a do outro, deixar que haja influência, cumplicidade e transformação mútua – apesar das diferenças e, ao mesmo tempo, por causa delas.


Assim, fica fácil entender porque é difícil ter amigo de verdade. É difícil ser amigo de verdade.


Entretanto, posso dizer que sou feliz porque minha vida tem provado que o mundo está cheio de pessoas corajosamente amorosas.


Muitos deles cruzaram meu caminho e decidiram que o meu temperamento difícil, minha má vontade para com compromissos sociais, minha ausência, minha mania de demorar ou não responder emails pessoais, minha indisposição para um simples telefonema ou para um gesto de atenção… nada disso ia ser obstáculo para nossa amizade.


Todos trilharam o mesmo caminho que Jesus trilhou na minha direção – mesmo que alguns desses sequer o conheçam. Eles me amaram primeiro, sem fronteiras e sem limites.


O poeta Gladir Cabral, com a sensibilidade daqueles que conhecem a alma humana diz que “sempre é bom ter um amigo… alguém que nos dê abrigo”.


É a mais pura verdade. E é muito bom saber disso!


(Laercio Ribeiro - Fonte: http://posteino.wordpress.com/2011/05/11/amigo-abrigo/#comment-359)
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