terça-feira, 29 de junho de 2010

Minha idade não interessa!

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Ao atender o telefone, uma voz bonita de mulher me disse que se tratava de uma pesquisa a respeito de um conceituado jornal do qual sou assinante. Atendi prontamente. Quantos dias eu lia o jornal? Todos. Há quanto tempo eu era assinante? Vinte anos. E aí a pergunta fatal: quantos anos eu tinha? Quando disse minha idade, a conversa mudou de rumo. A pesquisadora me disse que a grade de perguntas solicitava a opinião de outro leitor que não fosse assinante. Mas, que diabos, eu sou leitora e assinante!

Então entendi: não sou mais o público-alvo! Para o jornal, eu não existo, mas o meu dinheiro no fim do mês eles aceitam. Minha opinião e dos que têm acima de 60 anos não vale mais. Um preconceito que enterra as pessoas vivas.

O jornal que se diz tão moderno é mal informado. Afinal, a população idosa, que também dá as cartas financeiramente, aumentou.

Pergunto: Cleyde Yáconis, a dona Brígida de Passione, 85 anos, ainda dirige, mora sozinha e comanda a própria vida. Está dando um baile de talento na TV. Ela também não será ouvida pela pesquisa? Fernanda Montenegro, 80 anos de capacidade, talento e classe. Também terá de emudecer? E Hebe Camargo, 81 anos, saindo de uma doença gravíssima e já de volta ao trabalho, comandando seu programa e a própria vida? E tantas mulheres que trabalham fora já em idade avançada? E outras que assumem as tarefas da casa, criando netos porque os filhos trabalham – eu incluída?

Cá entre nós, é um trabalho pesado, e nós aguentamos! Mas, para dar uma opinião, o mercado diz que não existimos! Armo o meu braço e dou uma solene banana para o tal mercado. Avante mulherada! Basta de hipocrisia! E punto!

(Fonte: http://mdemulher.abril.com.br/blogs/xenia-bier/)