sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Metade de repasses a ONGs não foi registrada em sistema de convênios

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Nos últimos três anos, 54% dos recursos repassados pelo governo federal a ONGs por meio de convênios não foram registrados no sistema criado para acompanhar a execução desses gastos, o Siconv.

O número está em levantamento divulgado ontem pela Enccla (Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro), grupo que congrega instituições do Executivo, Legislativo, Judiciário e sociedade civil.

Para CGU, governo falha em sistemas digitais anticorrupção

Os dados mostram que, de setembro de 2008 a junho deste ano, R$26,5 bilhões não foram cadastrados no Siconv, o que contraria a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e dificulta investigações.

O grupo ressalva, no entanto, que o governo pode exercer outros tipos de controles sobre os recursos.

Segundo a Enccla, um dos órgãos com mais recursos fora do Siconv é o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), do Ministério da Educação.

Procurado pela reportagem, o MEC afirmou que controla seus convênios e contratos em sistema próprio, mas estuda a transferência de dados para o Siconv.

A incapacidade de órgãos do governo em transferir dados para o Siconv foi mencionada pelo ministro-chefe da CGU (Controladoria-Geral da União), Jorge Hage, em entrevista à Folha e ao UOL.

Segundo ele, essa é uma das razões para não existirem filtros anticorrupção mais eficazes. "O Serpro não tem condições de atender às demandas de toda a Esplanada", declarou Hage.

"Muitas dessas situações [irregularidades em convênios com ONGs] não teriam acontecido se o sistema estivesse totalmente implantado", completou.



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