segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Gentileza tem fundamentos genéticos

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gentileza

Gentileza: segundo pesquisa, comportamento é derivado de uma variação genética 
(Thinkstock)



Gentileza tem fundamentos genéticos, sugere estudo



Comportamento estaria relacionado com gene receptor do hormônio ocitocina, envolvido na atração sexual e em sentimentos como união e empatia


A gentileza e o carinho estão relacionados com determinados genes e podem ser rapidamente identificadas por estranhos, afirma um estudo publicado nos Estados Unidos. A variação está relacionada com o gene receptor da ocitocina, também conhecido como "hormônio do amor", que costuma se manifestar nas relações sexuais e incita união e empatia.

Na maior parte dos casos, os observadores conseguiram identificar quem tinha o "gene da gentileza" e quem não tinha, revelou a pesquisa, cujos resultados foram publicados na edição desta semana do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.Cientistas da Universidade Estadual de Oregon desenvolveram um experimento no qual 23 casais, cujos traços genéticos eram conhecidos dos pesquisadores, mas não de observadores, foram filmados. Pediu-se a um dos membros do casal que contasse ao outro sobre um período de sofrimento de sua vida. Os observadores deviam observar o ouvinte por 20 segundos, com o som desligado.

"Nossas descobertas sugerem que até mesmo a variação genética mais sutil pode ter impacto tangível no comportamento das pessoas e que estas diferenças comportamentais são rapidamente notadas pelos demais", explicou o principal autor do estudo, Aleksandr Kogan, estudante de pós-doutorado da Universidade de Toronto.

Nove entre 10 pessoas consideradas "menos confiáveis" pelos observadores neutros tinham a versão A do gene, enquanto 6 dos 10 considerados os "mais pró-sociais" tinham o genótipo GG. Os participantes da pesquisa foram testados antecipadamente e identificados como detentores dos genótipos GG, AG ou AA para a sequência de DNA do gene receptor de ocitocina (OXTR).

As pessoas com genótipo GG foram geralmente consideradas mais sociáveis, confiáveis e amorosas. As dotadas dos genótipos AG ou AA tenderam a dizer que se sentiam menos confiantes de modo geral e tinham menor sensibilidade parental. Pesquisas anteriores demonstraram que estes indivíduos também apresentavam um risco mais elevado de desenvolver autismo.

"Nosso estudo questionou se estas diferenças são rapidamente detectáveis por estranhos - e os resultados demonstram que sim", explicou Kogan. Ainda assim, nenhum traço genético pode prever totalmente o comportamento de uma pessoa, e é necessário fazer mais pesquisas para descobrir como esta variação afeta a biologia comportamental.






CONHEÇA A PESQUISA


Título original: Thin-slicing study of the oxytocin receptor (OXTR) gene and the evaluation and expression of the prosocial disposition


Onde foi divulgada: Proceedings of the National Academy of Sciences


Quem fez: Aleksandr Kogan (coordenador), Laura R. Saslowb, Emily A. Impetta, Christopher Oveisc, Dacher Keltnerd e Sarina Saturne
Instituição: Oregon State University, EUA
Dados de amostragem: 23 casais


Resultado: Pessoas com uma determinada variação no gene receptor do hormônio ocitocina foram geralmente consideradas mais sociáveis, confiáveis e amorosas.

















Cientistas da Universidade Estadual de Oregon desenvolveram um experimento no qual 23 casais, cujos traços genéticos eram conhecidos dos pesquisadores, mas não de observadores, foram filmados. Pediu-se a um dos membros do casal que contasse ao outro sobre um período de sofrimento de sua vida. Os observadores deviam observar o ouvinte por 20 segundos, com o som desligado.
Na maior parte dos casos, os observadores conseguiram identificar quem tinha o "gene da gentileza" e quem não tinha, revelou a pesquisa, cujos resultados foram publicados na edição desta semana do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences."Nossas descobertas sugerem que até mesmo a variação genética mais sutil pode ter impacto tangível no comportamento das pessoas e que estas diferenças comportamentais são rapidamente notadas pelos demais", explicou o principal autor do estudo, Aleksandr Kogan, estudante de pós-doutorado da Universidade de Toronto.