quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Velhice ou Terceira Idade?

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Considera-se popularmente que o início dos sessenta anos indica a chegada de um novo momento de vida, a terceira idade. Costuma-se dizer que este momento é a chegada da velhice. Assim, quando se pensa em algo que é velho, de início surge a idéia de que esse algo perdeu o seu valor e de que não presta mais.

Muitas são as pessoas chegam aos seus sessenta anos e se consideram sem valor, descartáveis da sociedade e de suas próprias famílias. Consideram-se cada vez mais perto da morte e da doença. Aproximam-se da inutilidade perante a vida.

Entretanto, esquecem que o avançar da idade, o chegar dos anos, proporciona maior ganho de experiência de si para com o mundo; proporciona enxergar a vida com outros olhos — olhos que percebem a dimensão que o tempo dá às coisas e à vida.

Um bom exemplo é pensar esta nova época como um vinho de boa qualidade, que só ganha o sabor adequado com o passar do tempo e que precisa que sua rolha fique sempre úmida para que o vinho possa respirar e melhorar o seu sabor. Caso contrário —estando a rolha seca — o vinho azeda.

Pode-se fazer a metáfora do vinho com a vida humana. Assim, o vinho representa nossa própria existência; a rolha representa o contato, a relação, entre o mundo e a nossa própria existência; e o fato do vinho ficar saboroso ou azedo depende desta rolha que se umedece ou se seca. A qualidade de nossas vidas depende da forma como estamos em contado, em relação, com o mundo (com as pessoas, com a natureza e com Deus).

Para que se possamos saborear o bom vinho da vida com a chegada de uma nova época, a terceira idade, é preciso manter a rolha úmida, manter o contato com o ar, que é o mundo, que são todas as coisas.

Assim, viver a terceira idade requer a busca de novas formas de contato com o mundo, novas vivências, e vida nova ao que já foi vivido. Exige de nós um esforço para que novamente se ganhe gosto por coisas que sempre se fez e que hoje já não dão mais prazer algum. O simples fato de parar para sentir a vida novamente muda-nos a forma de agir.

Chega-se ao ponto, então, de que a velhice é como aquele vinho que deixou de respirar, de entrar em contato com o mundo e que azedou; e de que a terceira idade é como aquele outro vinho que respira o ar do mundo e que adquire maior qualidade, maior valor e que pode ser melhor saboreado.

(Vitor Hugo Lopes Paese)