sábado, 10 de julho de 2010

Nani, PT, intolerância, autoritarismo e o que não desejamos

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A Mão do Estado

Nesta semana vimos, mais uma vez, a verdadeira face do PT e os reais desejos dos que são responsáveis pela postura política do partido e pelos rumos que o governo Dilma pode tomar. Como se não bastassem as tentativas quase constantes de Lula e – na época – José Dirceu de estenderem a “Mão do Estado” sobre a figura do jornalista americano que ousou criticar o “Grande Líder” e o “Messias Reencarnado” afirmando que Lula “gostava de dar uns tapas” (beber); o partido agora revela que verdadeiramente sempre acalentou o sonho de bolivarizar o Brasil.

O programa do partido registrado no TSE – e depois “desregistrado” (sic) às pressas – mostra bem o que vê por aí. Como se isso não bastasse, a desculpa esfarrapada da candidata – tentando desvincular-se da memorável burrada que expôs a face autoritária do partido – soa muito mais como uma piada de mau gosto do que como uma coisa factível ou mesmo possível. Dizer que “não assinou nada” e que apenas “rubricou” é como repetir a mesma justificativa de Lula ao ser questionado sobre o pesado viés autoritário do PNDH. Na época, confrontado pelos ministros militares que apresentaram uma renúncia coletiva e quase jogaram o país num conflito institucional; Lula saiu-se com a piada de que “assinou sem ler”.

Ora! Como um presidente assina uma lei, promulgando-a, sem conhecer o seu conteúdo? Como um candidato à Presidência da República de um dos maiores países do planeta diz que desconhecia o seu próprio plano de governo? Isso só é possível, factível e mesmo aceitável numa autêntica República de Bananas.

A República das Bananas

Esse mesmo partido, que se diz recheado de democratas e protetores das minorias, nega legenda a um militante pelo simples fato dele ser um travesti. Mesmo sendo integrante do PT desde 2007 e militante ativo na sua cidade, o travesti só descobriu que havia sido “jogado para fora do barco” porque não encontrou o seu nome na lista de candidatos do partido; mesmo após a candidatura ter sido homologada no encontro estadual do PT em Curitiba (dia 29/06). Ao questionar a direção do partido e “jogar no ventilador” que estava sendo vítima de preconceito; a desculpa esfarrapada do momento foi a de que Andrielly (o nome do travesti) não tinha “apelo nas urnas” e nem “potencial de votos”. O fato estranho e revelador do preconceito, é a constatação de que Andrielly – mesmo obtendo nas eleições passadas pouco mais de 340 votos – conseguiu três vezes mais votos do que algumas das candidatas relacionadas pelo partido. Ou seja, se o travesti não tem “potencial de votos”, que potencial de votos terão as candidatas que obtiveram um terço dos votos dele?

Mas, se você pensou que a coisa ficava apenas nisso; enganou-se redondamente. Igualando-se aos radicais islâmicos que perseguiram os jornais dinamarqueses por terem publicado uma charge do profeta Mohammed (Maomé) e ao mais novo queridinho e modelo do PT – o Irã – que declarou uma fatwa (ordem de assassinato) contra Salman Rushdie, os editores, os lojistas que vendessem o livro “Versos Satânicos” e também quem ousasse lê-lo; o PT e seus militantes declaram a sua própria fatwa contra o cartunista Nani pelo simples fato deste ter publicado uma charge onde mostra a candidata do PT “rodando bolsinha” e declarando que “topa qualquer negócio” e que o “freguês é quem manda”.

A Charge que o PT quer censurar

Bastou Nani – esquerdista de longa data e figura referendada pelos anos de luta contra a censura e a ditadura no Pasquim – tocar no âmago da prostituição ideológica do partido (afinal é disso que a charge trata), para que uma horda de trolls, vândalos e pessoas incapazes de interpretar imagens (o que dirá textos) enchessem o blog do cartunista com ameaças, ofensas a ele, a sua mãe e a sua família. Enfim, toda sorte de desqualificação foi tentada contra Nani pelo simples fato dele ter expressado uma ideia com acidez e humor ferino. O mais engraçado de tudo; é que Nani fez o mesmo, pouco tempo antes, com o candidato Serra (exatamente o mesmo tema) e ninguém achou “um escândalo”, “uma ofensa” ou “uma barbaridade”.(Veja os comentários absurdos no blog do cartunista)

Serra atrás de um vice.

Para fechar o grotesco acontecimento com “chave de ouro” (para não dizer de material fecal), o PT ainda quer processar o cartunista e orientou a um grupo de militantes – que se autointitulam “Senhoras Pró-Dilma Rousseff” um manifesto de repúdio:

“A charge do cartunista Nani, reproduzida no blog do jornalista Josias de Sousa no dia 8 de julho de 2010, é absurda, indigna e ofensiva não só à dignidade da candidata Dilma Rousseff, mas extensiva a todas as mulheres brasileiras, independente de suas escolhas político-partidárias.

Só em uma sociedade midiática, em que predominam ainda valores machistas, é possível veicular “impunemente” uma charge tão desqualificadora das mulheres e tão discriminadora com as profissionais do sexo, as quais ainda se constituem como objeto de usufruto masculino.

Além do desrespeito e deselegância presentes na charge sobre a mulher na política, esta candidata tem uma história de luta contra o conservadorismo e as injustiças sociais, a charge reforça o preconceito sexista em relação às mulheres na política, desqualificando-as e fortalecendo o poder masculino.

Por onde irá se conduzir à ética dos comentaristas e chargistas políticos no vale-tudo da campanha eleitoral abrigados sob o teto da liberdade de imprensa?"

Brasília, 8 de julho de 2010

(Fonte – Blog do Josias)

Ora, caro leitor. Fica claro no texto da nota que, se fosse possível, o cartunista estaria agora em maus lençóis. Esse trecho é especialmente emblemático e reflete a vontade louca de “colocar as mãos” em quem é julgado “traidor” ou “dissidente” dos dizeres do “Grande Líder” ou das diretrizes imortais e inquestionáveis do partido: “(…) é possível veicular impunemente (grifo meu) uma charge tão desqualificadora das mulheres e tão discriminadora com as profissionais do sexo (…)”. (Grifos meus)

Minhas caras senhoras. Nada mais conservador e pseudomoralista que esse manifesto. As senhoras e seu manifesto parecem saídos diretamente de uma “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. Nada mais idiota, sem sentido e tacanho do que essa visão. A única punição possível ao cartunista seria a de ter que ler tamanha sandice.

Fim da Liberdade de Pensamento

Contudo, o PT mostra, a cada passo, o que deseja e o que planeja para o Brasil do futuro. Seremos “bolivarizados” e assimilaremos as práticas odiosas de nações “líderes” como o Irã, a Venezuela e alguma republiqueta africana, dominada por algum ditador sanguinário apelidado de democrata. Afinal de contas, são nesses países que estão os grandes democratas e os líderes humanitários que lutam por seu povo contra o imperialismo implacável dos EUA. É neles que devemos nos espelhar.

Mas, para que esse sonho do PT se concretize, ele deve dominar a imprensa e calar todas as vozes que ousem se levantar contra os desígnios do “Grande Líder” ou pensar em questionar as ordens soberanas do diretório, do congresso ou mesmo do cacique local do partido. Talvez, quem sabe, depois de nos transformarmos numa Coréia do Norte ou numa Bolívia, esse pessoal fique satisfeito e finalmente revele o que vai a seus corações sedentos de poder, sangue e de ódio pelas liberdades individuais e pelo livre pensamento. Afinal de contas, os donos da verdade suprema e guardiões da ética pragmática são os únicos capazes de se compadecerem dos pobres. Somente a eles compete o direito divino de governar as massas e punir os que se levantam contra suas vontades.

O que eles não sabem é punir o gênio. Isso, aliás, ninguém sabe. Porque o gênio cria artifícios e caminhos, com sua criatividade, para fugir da repressão e mitigar os problemas que o autoritarismo deseja criar. Ninguém como Nani – e a turma do Pasquim – sabe fazer isso melhor. E é justamente aí que esse pessoal mais se dói. Para mostrar a diferença entre os que bradam a palavra democracia a todo instante – mas, não vivem o seu significado – e aqueles que, mesmo contrariados no momento, entendem que é um direito inalienável cada um pensar o que quiser e expressar esse pensamento – desde que não cometa um crime ou provoque mal a outro – Nani lançou suas caricaturas antigas, feitas com personagens dos partidos ditos “de direita” e “não democratas” que jamais lhe deram tanta dor de cabeça, ataques e ameaças de processo (veja aqui).

Resta agora a você, eleitor brasileiro, pensar se deseja que o Estado diga no que você pode ou não pensar; no que você pode ou não ler; no que você pode ou não publicar ou, depois de tudo isso, que o Estado resolva dizer que você não pode sequer pensar ou viver.

Pense nisso… enquanto pode… ou eles deixam.

(Arthurius Maximus)