sexta-feira, 29 de outubro de 2010

De Lula não se espera mais nada.

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Ninguém, em sã consciência, deve condenar um partido pelo projeto de se perpetuar no poder. Negar esse direito é ignorar a essência do sistema político-partidário. O que se condena é a busca desse objetivo por meios ilegítimos com desprezo aos princípios da ética e da democracia. Esse desvio das posturas republicanas caracterizado pela tolerância aos escândalos e pelo descarado aparelhamento da máquina estatal para favorecer o partido é a marca do governo do PT. Nunca, na História deste país, houve tanta denúncia de corrupção nos altos escalões do governo como nesses últimos sete anos e meio. Lula, de quem se esperava uma atitude firme em defesa da dignidade do seu governo, despencou da investidura de presidente de todos os brasileiros para se travestir em chefe de uma facção contaminada pela cultura da preservação do poder a qualquer preço. Sua inegável popularidade que poderia ser usada para a moralização dos costumes políticos, infelizmente, foi colocada ao serviço da impunidade e da banalização das ações criminosas de correligionários, amigos e compadres. Os escândalos envolvendo a cúpula do seu governo e o comando do seu partido se sucedem numa escalada nunca vista: mensalão, dólar na cueca, elaboração de dossiês falsos, invasão de privacidade, tráfico de influência, peculato, evasão de divisas, formação de quadrilha, cooptação de pelegos dos sindicatos e das figuras mais abomináveis da política brasileira...

De Lula não se espera mais nada. Termina o mandato com índices de popularidade inéditos e até eventual possibilidade de vitória eleitoral. Mas sua imagem de homem público está definitivamente comprometida. No embate politico o presidente do Brasil apequenou-se preferindo a condição de reles e furioso cabo eleitoral ao status de chefe da nação. Tenho plena convicção de que muitos eleitores discordam dessa visão ética da política preferindo qualificá-la de romântica e anacrônica. Para os que acreditam, como Lula, que "feio em política é perder eleição" eu afirmo que vencer nas urnas valendo-se de  violência, de métodos espúrios e de falcatruas é muito mais feio.



(Guaçu Piteri)
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