sábado, 5 de novembro de 2011

Piada x grosseria: a diferença entre o humor e o bullying

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Rafinha Bastos e a americana Sarah Silverman (Dedoc e Matt Carr/GettyImages)


Não é o tom politicamente incorreto que separa Danilo Gentilli e Rafinha Bastos dos bons – e consagrados – comediantes stand-up. É a qualidade das piadas, tão baixa que dá a impressão de que Gentilli e Rafinha estão simplesmente proclamando ofensas como quem pratica bullying, sem qualquer conteúdo crítico sobre a atualidade.

Mesmo que acertem numa piada ou outra – especialmente Bastos, que já provou ter mais talento que Gentili –, eles ainda estão longe dos comediantes inteligentes e ousados o suficiente para brincar com religião e racismo e, ao mesmo tempo, lançar ataques ácidos contra o preconceito e a intolerância (confira lista abaixo).

Fazer piadas com famosos é parte do ofício do humorista – e dos próprios famosos. Estão aí Silvio Santos e Lula, e seus milhares de imitadores, para provar. Mas, quando a piada se limita a dizer que fulana é feia ou que sicrana é “otária”, é de se perguntar se é de fato piada, já que não tem graça, ou mera grosseria. Os comediantes do stand-up-bullying usam com frequência do exédiente para atrair fãs (vide as batatadas ao lado). Os textos falham em sua proposta de ser piada e os artistas do humor são criticados. E se defendem acusando o público de careta.

“O politicamente correto está virando uma ótima desculpa para humorista ruim. Qual dessas últimas polêmicas se deu em torno de uma piada realmente aproveitável?”, questiona o cartunista Arnaldo Branco. “Quando a Sarah Silverman fala que sente pena das crianças etíopes subnutridas (mas com barrigões de vermes) porque são crianças de um ano grávidas de nove meses, ela está fazendo um personagem idiota para criar um jogo de palavras e uma associação de ideias inteligente. Você ri no limite do prazer culpado. Os nossos amigos stand ups não trabalham com camadas, na hora de imitar seus colegas gringos acham que só precisam de um microfone, uma roupa casual e as bobagens que entendem por insight.”

Para se divertir com piadas de qualidade, confira uma breve seleção de comediantes que se valeram da liberdade de expressão e da ousadia para boas apresentações.

Exemplo de stand-up de bom gosto

George Carlin



Vencedor de cinco Prêmios Grammy por seus discos de comédia, George Carlin (1937-2008) atuou como comediante stand-up ao longo das décadas de 1960, 70, 80, 90 e 2000. Notoriamente provocativo, Carlin costumava usar o humor para abordar tabus e para criticar a sociedade americana. Depois de sua morte, em 2008, a revista americana Time o definiu como um dos artistas populares mais corajosos dos Estados Unidos. Mas, ainda antes de morrer, em 2004, foi eleito pelo canal americano Comedy Central o segundo dos cem melhores comediantes stand-up da história.


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