sábado, 10 de abril de 2010

Eles precisam que a oposição ataque Lulla...

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SE ELA NÃO ATACA, ELES FICAM IRADOS

Marco Aurélio Garcia também falou sobre eleições. Leiam:

“Acho que a oposição está vivendo dificuldades muito grandes, a oposição está sem discurso. Tanto é verdade que, ao invés de ela assumir que é anti-Lula, agora ela é pós-Lula somente (…) que o Lula é ótimo, que eles querem ser melhores que o Lula, vai ser muito difícil (…). A oposição é anti-Lula. É o que ela é fundamentalmente porque, durante sete anos e quatro meses, ela foi anti-Lula”.

Há várias coisas aí, mas destaco duas que me parecem importantes. Se alguém parece “perdido” nessa história, por enquanto ao menos, não é a oposição. Os petistas é que têm uma única estratégia, uma única proposta, um único mote, uma única palavra de ordem: “Dilma é Lula”. Sozinha, ela não existe.

Leitores me mandaram hoje uma análise curiosa de um contumaz porta-voz do governo disfarçado de analista independente. Segundo ele, a violência retórica da pré-candidata é evidência de que ela tem existência autônoma. É mesmo? Mas qual é o tema que pauta os seus ataques? As oposições são lobos em pele de cordeiro porque são… anti-Lula. É o samba de uma nota só.

Observem que um discurso da oposição que vá além da falsa questão “Lula sim, Lula não” os deixa um tanto desorientados, furiosos mesmo! O PT está preparado para responder àquela que é a sua própria prática: “Vim para mudar tudo o que está aí”. Mudança que, sabemos, o próprio partido não fez.

As oposições, se forem espertas, não caem no truque. Truque que remete a uma farsa histórica. José Serra, em particular, não tem de propor uma virada de mesa porque, se a casa está relativamente arrumada, quem a arrumou foi o seu partido. Lula, ele próprio, na economia ao menos, foi o continuador de FHC. Se os petistas optaram pelo discurso vigarista de satanizar o passado, os tucanos não precisam e não devem fazer o mesmo.

Vai funcionar?

A estratégia petista vai funcionar? Não sei! Notem que sempre escrevi que um nome governista, fosse quem fosse, seria forte — Dilma só não está mais bem-posicionada na disputa porque é uma candidata ruim. Se essa estratégia plebiscitária não funcionar, aí a vaca vai para o brejo. Porque eles não têm outra. De todo modo, é um discurso que eles têm de fazer sem a ajuda da oposição.

Criminalização da oposição

Outro aspecto a chamar a atenção na fala de Marco Aurélio Garcia é uma espécie de criminalização da oposição por não ser ela lulista. E, se não é lulista, então é anti-Lula. Segundo o assessor, isso tem de ser confessado, como se fosse um mácula, uma falha de caráter. Imaginem se, nos EUA por exemplo, um democrata ousaria atacar um republicano acusando-se de… SER REPUBLICANO! Ou se um republicano teria o topete de criticar um democrata por ser UM DEMOCRATA!

Em cada detalhe, em cada fala, em cada avaliação, a alma totalitária dessa gente se manifesta, Não é que eles não gostem dessa oposição. Eles não gostam de nenhuma! Aliás, Lula não gosta nem da oposição do… Irã!

(Reinaldo Azevedo - Revista Veja)