sexta-feira, 16 de abril de 2010

O SENSUS e os seus métodos

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Ai, ai, lá vamos nós.

Leitores, muitos indignados, pedem que comente a pesquisa Sensus, segundo a qual Serra e Dilma estariam empatados: ele teria 32,7%; ela, 32,4%, com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou para menos. Não há números sobre segundo turno. Essa precisão decimal do Sensus, inclusive na margem de erro, sempre me encantou… Mas esse está longe de ser o maior problema.

Já escrevi aqui dois posts sobre essa pesquisa do Sensus, o primeiro, no dia 6: AGORA, O ESTRANHO QUESTIONÁRIO DO INSTITUTO SENSUS. O segundo, no dia 10: Instituto Sensus precisa tomar cuidado para não produzir mais jabutis em árvores do que pesquisas….

No dia 6, demonstrei que o Sensus primeiro pergunta ao entrevistado qual é a sua avaliação do governo Lula. Só depois quer saber em quem ele pretende votar. O procedimento, não é preciso ser muito sagaz para perceber, tende a distorcer o resultado. Escrevi a respeito:
“Depois de ser convocado a avaliar o governo - e há uma certa “doxa”, digamos assim, que conduz à aprovação de Lula; a esta altura, ela já está numa espécie de piloto automático -, há de se supor que o eleitor teria de superar uma espécie de constrangimento, diante do pesquisador, para afirmar que vai votar num candidato de oposição.
Lamento, mas há aí uma espécie de indução. O Sensus pode resolver isso facilmente. Basta que primeiro pergunte em quem o eleitor vai votar e que faça a avaliação do governo depois. É tão simples. Por que não inverte? Não sei!

O texto do dia 10 tratava de algo ainda mais complicado. O Sensus registrou no TSE que a pesquisa havia sido contratada pelo Sindecrep, sindicato de trabalhadores em concessionárias de rodovias. O Sindcrep negou. Há duas outras entidades com esse nome, que também ignoravam qualquer pesquisa. O Sensus informou que havia errado ao fazer o registro. O contratante seria o Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada e Afins do Estado de SP).

À reportagem da Folha, Arlindo da Silva, tesoureiro do Sintrapav — que, afinal, é quem assina o cheque — disse que não sabia de pesquisa nenhuma. Uma hora e meia depois, o presidente da entidade, Wilmar Gomes dos Santos, admitia a encomenda, dando uma estranha justificativa: o levantamento seria para a Fenatracop (Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada), embora o pagamento tenha sido feito “através” do Sintrapav. Ele preside as duas entidades.

Só isso?
Não! Há mais. Ao TSE, o Sensus informou que o campo seria realizado entre 6 e 9 de abril — um dia antes de Serra lançar a sua pré-candidatura. Procedimento estranho, para dizer o mínimo. Surgiu depois a informação de que a pesquisa se estenderia até segunda, dia 12. Hoje, voltou-se ao período original.

Explicações
Como se nota, o Sensus deve mais explicações sobre a forma como faz pesquisa do que sobre os números que apura. Estarão certos? Não sei. O que sei é que os procedimentos também devem ser confiáveis. E, tudo indica, não são. Ainda que Datafolha e Ibope venham a confirmar os números do Sensus, isso não torna boas as suas escolhas.


(Reinaldo Azevedo - veja.abril.com.br)