sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Na média, estamos mal

(Ricardo Prado)

A escola secundária vive uma crise de identidade na América Latina: deve ser porta de saída para o trabalho ou de entrada para a faculdade?

A escola latino-americana não é retrato de seus países; é pior que eles”, afirmou Juan Eduardo Garcia Huidobro, ex-diretor-geral de Educação do Chile, na primeira semana de setembro em Buenos Aires, durante o Seminário Internacional de Ensino Médio promovido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). No encontro, que reuniu especialistas em educação do Brasil, Argentina e Chile, ficou patente que paira um mal-estar entre os jovens sul-americanos que se traduz em desconfiança diante de uma escola que parece oferecer-lhes pouco para um mundo em constante transformação. Tanto que, de 106 milhões de jovens entre 15 e 24 anos que vivem na América Latina e no Caribe, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 48 milhões deixaram a escola de lado e só trabalham. E 10 milhões de adolescentes e jovens adultos se encontram no pior dos mundos: não trabalham nem estudam.

No Brasil, o Ensino Médio patina na porta de entrada e bombardeia seus alunos antes de saírem. Tanto que boa parte desiste ou gasta mais um ou dois preciosos anos para terminar o ciclo. Dos 8,5 milhões de matriculados na escola secundária, só 44% se encontram na idade correspondente. No ano letivo de 2003, por exemplo, quando 3,6 milhões de brasileiros entraram no Ensino Médio, apenas 1,8 milhão conseguiram terminar o ciclo no tempo certo, três anos depois. Além dos que estão fora da escola e dos que se encontram defasados da idade ideal, as taxas de repetência (22,6%, em 2005) e de abandono (10%, em 2005) ainda permanecem elevadas, se comparadas às dos países desenvolvidos.

Problemas relacionados ao fluxo escolar e à repetência continuam no continente. Na Argentina, segundo Irene Kit, pesquisadora da Associación Educación Para Todos, um em cada quatro alunos do Ensino Médio repete ou desiste da escola. Mesmo no Chile, que se encontra em situação um pouco melhor em termos de cobertura e desempenho estudantil, as gigantescas manifestações dos estudantes secundaristas que tomaram as ruas com seus uniformes que lhes deram o apelido de pingüinos, meses depois da posse da presidenta Michelle Bachelet, não deixam dúvidas: um espectro de insatisfação e inquietude ronda a escola de Ensino Médio neste canto do planeta.

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