quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Nota de falecimento

Caro(a) Amigo(a)

É com muita tristeza que lhe participamos o falecimento de um amigo muito querido que se chamava BOM SENSO, e que viveu muitos e muitos anos entre nós.
Ninguém conhecia com precisão a sua idade porque o registro do seu nascimento foi desclassificado há muito tempo, tamanha a sua antiguidade.
Mas lembramo-nos muito bem dele, principalmente pelas lições de vida, como:
“O mundo pertence aos que levantam cedo.” Ou “Não podemos esperar tudo dos outros.” ou ainda “ O que me acontece pode ser em parte minha culpa.”
O BOM SENSO só vivia com regras simples e práticas como: “Não gastar mais do que se tem.” E dos princípios educativos como: “São os pais quem dão a palavra final”. Acontece que o BOM SENSO perdeu o chão, quando os pais começaram a atacar os professores, que acreditavam ter feito bem o seu trabalho querendo que as crianças aprendessem o respeito e as boas maneiras.
Sabendo que um educador foi afastado por repreender um aluno por comportamento inconveniente na aula, agravou-se o seu estado de saúde.
Deteriorou-se mais ainda quando as escolas foram obrigadas a ter autorização dos responsáveis até para um curativo no machucado de um aluno, sequer podendo informar aos pais de outros perigos mais graves incorridos pela criança.
Enfim, o BOM SENSO perdeu a vontade de viver quando percebeu que os ladrões e criminosos tinham melhor tratamento do que as suas vítimas.
Também recebeu fortes golpes morais e físicos, quando a justiça decidiu que era crime defendermo-nos de algum ladrão em nossa própria casa, enquanto a esse último é dada a garantia de poder queixar-se por agressão e atentado à sua integridade física.
O BOM SENSO perdeu definitivamente toda a confiança e a vontade de viver quando soube que uma mulher, por não perceber que uma xícara de café quente iria queimar-lhe, ao derramá-lo entre as pernas, recebeu uma colossal indenização do fabricante da cafeteira elétrica.
Certamente você já reconheceu que ao morte do BOM SENSO foi precedida pelo falecimento:
- Dos seus pais: Verdade e Confiança;
- Da sua mulher, a Discrição;
- Da sua filha Responsabilidade;
- E do seu filho, Juízo.
Então o BOM SENSO deixa o seu lugar para seus falsos irmãos:
- Eu conheço os meus direitos e também os adquiridos;
- A culpa não é minha;
- Sou uma vítima da sociedade.
Claro que não haverá uma multidão no seu enterro, porque já não temos muitas pessoas que o conheçam bem, e poucos se darão conta de que ele partiu.
Mas, se você se recorda dele, caso queira reavivar sua lembrança, previna todos os seus amigos do desaparecimento do saudoso BOM SENSO.

(Enviada por email pelo meu amigo (Juarez)